Blog do Duilio
 

Kalo no pé

Atacado pelo sorvete

 
 

Atacado pelo sorvete

 

Aqui na cidade está fazendo tanto calor que o chão anda derretendo, e não é exagero! O asfalto está meio mole de tanto calor.

Difícil é resistir aos sorvetes. Tem de todos os tipos, dos de R$ 0,50 até os de R$ 20,00. Como ando evitando comer doces, finjo que não enxergo os sorvetes. Só em emergências é que posso tomar.

E foi um caso de emergência. Estava passando na frente da padaria e a foto do sorvete quase me atacou. Era uma foto linda de sorvete de chocolate ao leite da Nestlé. Tentei resistir, mas não consegui. Comprei um pote de 2 litros.

 

E foi mais uma dessas fotos que não tem nada a ver com o produto de dentro. A embalagem mostra um sorvete de cor escura de chocolate e dentro tem um sorvete de cor caramelo. Decepção brava e piorou na primeira colher. Onde foi parar o gosto de chocolate ?

 

O sorveteiro da Nestlé deve estar meio perturbado ou esqueceu de colocar chocolate na receita. A massa tem gosto levemente achocolatado.

 

Eu só queria saber quem foi que inventou essa coisa absurda de achocolatado! Esse sujeito deveria passar o resto da vida na cadeia.

 

Se fosse só no Nescau e nos produtos similares, eu aguentaria. Mas o gosto achocolatado invadiu tudo. Virou um produto comum. Até os chocolates estão virando achocolatados. O Sonho de Valsa já virou faz tempo e os outros antigos ou viraram isso ou viraram manteiga. Pior: amanteigado!

 

Voltando ao sorvete: tive que comer quase tudo por gula. Mas vou tentar nunca mais comprar. Aliás desses sorvetes de 2 litros de marcas comuns só tenho gostado dos de creme, que pelo menos não tem uma foto mentirosa.

 

Escrito por Duilio Ferronato às 00h06

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A Minissaia e a Bundinha

 
 

A Minissaia e a Bundinha

Um dia a Minissaia conheceu a Bundinha. E elas se apaixonaram perdidamente. Fizeram juras de amor e queriam se casar. Mas o pai da Bundinha não gostou nada da ideia e proibiu que elas continuassem se encontrando.

Elas ficaram arrasadas. Todo mundo dizia que uma tinha nascido para a outra. E foi uma choradeira. A mãe da Bundinha, a dona Bundona, tentou consolar a filha, mas nada conseguia tirar o pensamento fixo da cabeça, ou de algum outro lugar que a Bundinha usava para pensar, de que a Minissaia era a verdadeira companheira dela.

A Minissaia era muito menos emotiva do que a Bundinha e pensou numa saída para a crise com o pai da Bundinha: mandou uma carta secreta para Bundinha recomendando que ela fosse estudar alguma coisa meio da moda numa dessas faculdades que é só saber escrever o nome e pronto. E a Bundinha gostou da ideia - porque toda Bunda que se preza gosta de dizer que fez faculdade e que já leu algum livro. (mesmo todo mundo sabendo que Bunda só lê os resumos dos livros e mesmo assim não entende nada.)

E resolveram estudar alguma coisa que tivesse a ver com viagens, apesar das 2 só conhecerem mesmo Caraguá e Mogi.

Até foram felizes nos primeiros meses. Tiveram muitos encontros, sentavam lado a lado e o seu Bundão, pai da Bundinha, nunca desconfiou que a Bundinha estivesse se encontrando secretamente com a Minissaia.

Mas um dia as Calcinhas e os Sutiãs fizeram um protesto porque começaram a achar que o amor das duas era imoral e indecente. Foi um escândalo nacional. Afinal estamos no país dos Bundas e levantar esse assunto sempre dá muita repercussão.

O dono da Faculdade era um deputado famoso que tinha cara de Bunda mas na verdade era um Orelha. E vocês sabem muito bem que os Orelhas só querem mesmo é se dar bem e não querem nem saber dos problemas dos Bundas e das Minissaias. O seu Orelha tentou abafar o caso o mais que pode, disse que iria apurar, que iria verificar, que iria punir e todas essas promessas que os Bundas adoram ouvir, mas que depois de 1 semana já não lembram mais de nada. E olha que na faculdade do seu Orelha estudavam muitos Bundas que até chegaram a fazer protestos com narizes de palhaço.

O caso ainda não teve fim, já que no país dos Bundas as coisas raramente são solucionadas.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h14

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Atropelaram o orelhão

 
 

Atropelaram o orelhão

 

Foi na esquina da rua almirante Barroso com a rua Cachoeira, perto de onde um dia já morou Nelson Gonçalves.

A morte não foi instantânea. Foi meio lenta. O socorro levou 3 dias para chegar e quando chegou o coitado já estava sem as partes metálicas e faltavam todos os fios. Quem levou é um mistério, quem atropelou é outro mistério. Se houve testemunhas, essas se calaram, com fazem quase todas as testemunhas.

Mas a promessa é que chegue outro rápido, afinal orelhões ainda são muito usados para ligar a cobrar para o celular de  quem ainda tem crédito.

E a morte do orelhão ainda foi coroada com muito lixo. A esquina onde vivia o finado orelhão também é o ponto preferido para os moradores colocarem as sacolinhas de lixo.

O pobre orelhão agora foi retirado e levado para um cemitério de coisas quebradas. Ele vai ficar lá por um tempo e depois terá suas partes vendidas como sucata para empresas de reciclagem. Pobre orelhão. Era bem jovem. Menos de 4 meses. O sua antecessor foi seqüestrado e nunca foi devolvido. Talvez tenha ido parar no Paraguai ou África. E o antecessor do antecessor também foi atropelado.

Estranho pensar que mais de um foi atropelado na mesma esquina. Os pilotos de finais de semana adoram correr pela rua Cachoeira. E, quando dão azar, são sempre vistos  grudados nos postes, nos muros ou sendo carregados pelas ambulâncias.

Mas atropelar um orelhão nunca é muito fatal; o carro, na maioria das vezes, consegue andar e quando não anda, o guincho do seguro chega muito mais rápido do que o carro da polícia.

Escrito por Duilio Ferronato às 14h39

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Só vai ter maconha importada

 
 

Só vai ter maconha importada

PF destrói 413 mil pés de maconha em operação em Pernambuco

No link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u645936.shtml

Querem erradicar a maconha de Pernambuco. E de onde os maconheiros vão comprar a erva? Talvez tenha que vir toda do Paraguai ou da Colômbia . Vai ser mais um produto contrabandeado que poderíamos estar produzindo aqui e vendendo para o mundo inteiro. Já pensou se liberassem a plantação de maconha e o Brasil virasse o maior produtor mundial?  Seria uma grande vantagem estratégica, já que é um produto muito valorizado e sempre difícil de comprar. (ops, aqui em São Paulo é bem fácil.) Eu, que nem fumo maconha, conheço uns 4 lugares. Não fiquem achando que sou contra a legalização da maconha porque não fumo, muito pelo contrário, muitas vezes chego a pensar que a legalização é uma das formas para evitar o crime organizado.

     

Mas depois de um tempinho pensando no assunto, chego a conclusão que a legalização só vai mudar os interesses do crime organizado para outras áreas. Hoje a venda e produção de celulares é totalmente legalizada e mesmo assim existem grandes grupos de criminosos roubando e vendendo celulares. A legalização pode até organizar essa bagunça que é o comercio da maconha. Até hoje eu nunca consegui entender como um produto pode ser comprado por R$ 10,00 lá numa favela do ABC e vendido por R$ 200 na região da av. Paulista. Esse lucro é tão fenomenal que vários  conhecidos já foram parar uns tempos na cadeia por começarem a se arriscar nesse negócio super lucrativo.

   

Imagine: o sujeito investe R$ 100 em 10 pacotinhos de maconha, depois chega em casa e transforma esses 10 pacotinhos em 100 pacotinhos e vende cada um por R$ 20,00. Seu lucro vai ser de R$ 1.900,00 e ele consigue fazer isso em 1 fim de semana. Quem é que ganha esse dinheiro em um fim de semana investindo só R$ 100 ?

  

Mas o problema é que a ganância toma conta do espírito aventureiro e o próximo passo é comprar 1.000 pacotinhos de uma só vez. É por isso que você ouve essas notícias absurdas de que algum coitado foi preso com 30 quilos de maconha ou alguma maluca foi presa com maconha fingindo estar grávida. Nunca são traficantes de primeira viagem, apesar deles sempre dizerem que foi a primeira vez e aquelas desculpas que nem minha avó acredita.

Mas se a coisa é muito lucrativa e tem muito comércio, por que ainda não foi legalizada? Talvez daqui algum tempo, quando os velhinhos do congresso forem congelados e uma legião de jovens deputados tomar o poder, a coisa mude; afinal é muito difícil um jovem brasileiro ainda ser contra a legalização da maconha. Só é contra quem vive em um mundo paralelo e ainda não percebeu que a maconha veio para ficar.

Escrito por Duilio Ferronato às 14h38

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O fantasma mais ou menos trabalhador

 
 

O fantasma mais ou menos trabalhador

Coisas que um funcionário fantasma diz todos os dias na frente do espelho antes de tomar seu remédio para depressão:

 

-         eu já fiz muito por este país e agora eu mereço receber o salário de fantasma para compensar.

        

-         meu salário de fantasma vem já descontado os 30% do meu padrinho, ele faz muito por este país e eu tenho orgulho de colaborar com os projetos dele.

                                 

-         não sou fantasma, faço serviços em casa. Aqui meu serviço rende mais e ainda sobra tempo para eu fazer compras, assistir televisão, viajar e até morar em outra cidade.

 

-         não sou fantasma. Estou cadastrado e fui nomeado por um político importante. Só não preciso ir lá trabalhar porque não tem cadeira para mim.

                                    

-         eu já trabalhei muito na minha vida. Mas agora estou me recuperando de um estresse que tive porque um dia descobri que lá na minha sala não tinha mais lugar para ninguém, então, eu e mais 6 funcionários estamos a disposição do senador. É claro que continuamos recebendo o salário integral, mas ele quem insistiu.

                               

-         o povo não entende que o salário de fantasma faz parte de um esquema para impedir a corrupção.

                               

-         a vida de fantasma não é fácil. A imprensa e a oposição vivem aporrinhando a gente.

-         ser fantasma é um mérito que poucos alcançam.

Escrito por Duilio Ferronato às 19h32

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O preço da escravidão

 
 

O preço da escravidão

Sudeste lidera ranking de trabalhadores em situação análoga à escravidão

 

No link http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u643728.shtml

 

No dia do lançamento do novo Windows o preço era ridículo. Foi um convite para comprar a versão pirata. Aqui na esquina de casa o moço da banquinha está vendendo, com caixa e tudo, por R$ 50 e ele disse que tem garantia!

Se as grandes empresas dificultam a compra oficial deve ser por que ainda assim é muito lucrativo ou o custo dos impostos impede de lançar com um preço menor.  Parece haver uma relação entre preços altos e dificuldade de manter uma empresa dentro da legalidade.

Fico imaginando por que o Governo também continua insistindo em tantas dificuldades para uma empresa se manter regular e ter  funcionários registrados.

Já começa naquela contratação ridícula que você tem que ir para um médico picareta dizer que você não tem nada. Um médico que mal olha para você e ainda embolsa uns R$ 40,00 para dar um atestado de apto ao trabalho.

Depois já no primeiro salário surgem aqueles itens inacreditáveis no holerite, são tantos descontos que dá um desespero. E isso é dos dois lados. Tanto para a empresa como para o empregado. Quem mais lucra com isso ? O Governo obviamente. São tantos impostos e dificuldades que só o intermediário pode ganhar.

Além de todos os impostos com funcionários ainda existem os impostos  para empresas que não tem nenhum funcionário, que é o caso da minha empresa: não tenho nenhum funcionário, mas o sócio mais bem pago é o Governo.

Se houvesse um sistema mais simples, com menos descontos, menos FGTS, INSS, IR, 13o, 1/3 de férias e na hora de demitir aquelas multas de 40% do FGTS e tantas outras coisas que desestimulam a contratação legal.

Para contornar tudo isso as empresas contratam no regime de PJ. Ou seja o empregado tem que ter uma empresa para que a empresa dele seja contratada. Um jeito para  pagar menos impostos dos dois lados. Mais ou menos legal. Só que isso é completamente impossível para os trabalhadores de baixa renda, que preferem ficar sem registro, receber os benefícios do governo e ainda se sujeitarem a um trabalho pesado e mal pago.

Mas o trabalho mal pago e mais os benefícios do Governo são para lá de bem vindos. Na região onde eu tenho sítio nenhum caseiro quer ser registrado para não perder os benefícios da Bolsa Família.

Existe aí uma anomalia do sistema que parece que neste governo não vai dar para arrumar. E pelo visto nem nos próximos. Não ouvi nenhum dos pré-candidatos prometendo menos impostos, menos burocracia e menos exigências . Parece que impostos e burocracia ainda são  assuntos que só se falam depois das eleições.

Mas se deixarem o assunto para depois das eleições, quer dizer que vão continuar na mesma linha, ou seja: aumento de impostos, mais dificuldades no trabalho legal e menos gente empregada.

Escrito por Duilio Ferronato às 12h39

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Indo e vindo

 
 

Indo e vindo

 

ele foi uma vez

voltou logo

depois foi outra vez

e voltou mais uma vez

deu uma volta e voltou

demorou  pouco e voltou

passou mais uma vez

gastou  chão

gastou  sapato

deu outra volta

passou de novo

e mais uma vez

não falava nada

não olhava para ninguém

e mais outra vez

retornou de um lado

e do outro

mais de 20 voltas

perdi a paciência

fui embora

passei mais tarde

e ele, no mesmo movimento

Escrito por Duilio Ferronato às 22h36

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Sinusite

 
 

Sinusite

Já sei quando ela está chegando. Começa com uma pequena irritação nas narinas e em poucas horas vira um elefante entre os olhos e o nariz. Fica tudo pesado. Como se a frente do rosto fosse mais pesada do que o resto do corpo. Surge um gosto ruim na boca e as narinas entopem.

São quase sempre 3 dias de sufoco. Tem gente que aguenta sem tomar remédios. Não é o meu caso. Tomo já nos primeiros sintomas. E prefiro aqueles mais fortes, que deveriam precisar de receita, mas é só chegar na farmácia, dizer o nome, pagar e tomar. O alívio só no segundo dia e o estômago começa a reclamar nas primeiras horas.

Foi uma semana chata: sinusite e só notícias ruins vindas do Rio, os vereadores de São Paulo fazendo a gente comer pizza com sabor de imobiliária e o Governador fazendo a gente engolir essa aberração de obra nas Marginais do falecido rio Tietê. Coisa triste.

Mas chegou o sábado e a sinusite está quase passando. Na segunda já vou estar sarado. Infelizmente na segunda-feira o Rio de Janeiro vai continuar em guerra, os vereadores vão continuar recebendo seus gordos salários e o verde da marginal vai continuar sendo massacrado e transformado em asfalto. Isso sem falar nas incoerências vindas de Brasília, mas essas eu tenho preferido não prestar muita atenção para não ficar desanimado.

Tem coisas que saram e outras  não saram,mas nós engolimos ou vamos nos acostumando.

Mas qual seria a alternativa se não engolir esses sapos que colocam nas nossas goelas ? Mudar de país? Acho que não. Partir para guerrilha? Não, muito antigo e nunca mostrou bons resultados. Organizar uma passeata? Preguiça. E organizar uma lista de protesto na internet? Ah, essa é fácil e todos os preguiçosos já fizeram.

Bem, talvez, reste a alternativa de continuar fazendo minha parte corretamente e tentar influenciar outros a fazerem certo também.

É bem difícil fazer tudo certinho. Dá vontade de sonegar. Dá vontade de comprar mercadoria contrabandeada. Dá vontade de não respeitar as leis de trânsito. Tanta coisa que dá vontade de fazer, mas se um faz os outros vão fazer também. Então é melhor não fazer. Mas acabei de dizer lá no começo que compro remédios sem receita. Que difícil que é fazer tudo certo. Talvez seja bom eu tentar fazer pelo menos 90% de tudo certo, assim eu não viro o senhor certinho e nem o sacana.

Quem sabe numa segunda-feira próxima não só a sinusite desapareça como também as outras coisas chatas que jogam na nossa cara. Sei que isso não vai ser na próxima segunda-feira, mas quem sabe daqui algumas.

Escrito por Duilio Ferronato às 01h42

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Livro emprestado

 
 

Livro emprestado

 

Emprestar livro é uma dessas coisas que nunca consegui gostar. Ler livros usados também foi outra dificuldade que tive que superar, mas essa já superei. Hoje compro bastante coisa em sebos e depois vendo de volta.

Meu vizinho, filho do dono da padaria, tem um desses sebos virtuais e eu sempre compro dele ali na padaria. Ele me traz coisas bacanas. É bem engraçado comprar livros na padaria onde a televisão fica ligada o  tempo todo nos programas policiais.

Alguns outros livros estão comigo desde sempre. Tenho uma coleção de arte que foi vendida em fascículos, acho que lá por 1978 ou 80. Essa coleção é bem desatualizada, pesada e vejo sempre vendendo nos sebos por preços bem baixos. Só que não me desfaço dela por algum valor sentimental e um certo apego a lembrança de ter ido comprando um por um durante vários meses.

Uma vez fui ajudar minha avó a desmontar a garagem do meu avô, depois que ele tinha morrido e já não tinha mais carro há mais de 10 anos, e ela ficava me dizendo: isso aqui eu não quero jogar fora porque me lembra disso, aquilo ali eu não quero jogar porque me lembra daquilo. E o que mais impressionou foi um toco de madeira bem velho e ela guardava porque era o toco de madeira que a avó dela usava para segurar a porta da cozinha e era onde ela ficava sentada quando criança escutando as histórias da avó dela.

Alguns livros são mais ou menos como as histórias da minha avó, só de olhar para eles já não consigo me desfazer. As histórias foram muito boas e tenho medo de esquecer se mandar para um sebo. Talvez nunca mais leia algum deles, mas vão ficar ali por mais um tempo.

Veio uma moça aqui na casa do meu vizinho (esse é outro vizinho) e pegou -sem permissão-  um livro que eu havia emprestado para ele. Era o Manual do Arquiteto Descalço, que é sobre arquitetura ambiental.  É um desses livros que está bem na frente (ou estava) na minha estante. Um livro de consultas como um dicionário. Aliás o dicionário eu só uso a versão digital, as letras dos dicionários impressos foram feitas para gente que enxerga muito bem e eu não consigo mais enxergar aquelas letrinhas minúsculas.

Mas o Manual é um desses favoritos. Já tinha lido inteiro e outro dia reli vários capítulos. Lá tem várias dicas que usei parcialmente na hora de construir minha casa do sítio e sempre recomendo algumas coisas para meus amigos que gostam de arquitetura ambiental. A maior parte das experiências do livro foi desenvolvida aqui no Brasil e tudo é possível de ser feito sem grandes custos.

Pegar coisas emprestadas dos outros sem permissão já é uma coisa meio estranha e demorar a devolver é mais estranho ainda. E ela é professora da rede estadual. Fico imaginando como será que ela consegue ser boa professora se tem esse tipo de conduta com vizinhos dos amigos dela. Eu nem sou amigo dela e pretendo não ser, toda vez que abrir meu livro vou lembrar de que ele quase foi perdido porque uma mulher sem noção levou sem permissão.

 

Manual do Arquiteto Descalço, autor Johan Van Lengen da  editora Empório do Livro.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h28

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Os vereadores dançaram

 
 

Os vereadores dançaram

Justiça cassa 13 vereadores em São Paulo; advogado diz que lei não proíbe doações

 

No link http://noticias.uol.com.br/politica/2009/10/19/ult5773u2764.jhtm

 

Alguns vereadores nós nem sabemos que eles existem, só ficamos sabendo quando explode algum escândalo. Bem ou isso quer dizer que esse vereador não faz nada ou que ele é muito discreto. Pior ainda são os Deputados Estaduais, esses são um verdadeiro mistério. Além de serem pessoas completamente sazonais (só aparecem 1 vez a cada 4 anos) ainda não ficou claro qual a verdadeira necessidade desse cargo.

O vereador Adilson Amadeu, recém cassado, é aqui do meu bairro e ele é um dos que brigam contra os camelôs, isso eu sempre vejo ele fazendo. Os projetos dele para o bairro são medonhos, envolvem destruição do patrimônio histórico e construção de prédios suspeitos. Hum, e justamente ele foi cassado porque recebeu dinheiro vindo de gente envolvida com transações imobiliárias. Ele também é um tipo de agiota do bairro. Tem uma empresa que quita suas dívidas com a Detran e cobra juros parecidos com os daqueles bancos que emprestam dinheiro para todo mundo. Bem, mas isso, por incrível que pareça, é dentro da lei (na lei deles, na minha já estariam todos na cadeia – deve ser por isso que não me deixam ser presidente da república).

Infelizmente, além de todas as atrapalhadas da justiça, ainda existe um negócio muito lucrativo que chama: RECORRER. Esse termo é mais ou menos, no dicionário dos ricos: pagar uns, comprar outros, inventar desculpas e empurrar com a barriga. Isso tudo quer dizer a mesma coisa que Recorrer. E no fim das contas: ninguém vai perder o cargo e ainda vão ganhar uma bolada de indenização por alguma coisa que eles aleguem.

E o pessoal que faz transações imobiliárias é movido pela ganância. Para eles o que importa é o lucro máximo, e para se ter o lucro máximo algumas regras construtivas e leis ambientais devem ser quebradas. E ninguém melhor para quebrar esses galhos do que os vereadores. Bem se você tinha dúvidas para que serviam os vereadores, está aí a resposta: quebrar galho de quem patrocinou a campanha dele.

Talvez nas próximas eleições a lista de doadores deveria vir junto com todas informações do candidato. Assim os eleitores já saberiam para quem os vereadores estariam dando uma forcinha, caso fossem eleitos.

Escrito por Duilio Ferronato às 00h33

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Ideia de jerico

 
 

Ideia de jerico

Meu pai, que era um sujeito que não sabia muito incentivar ninguém, vivia falando que eu só tinha ideias de jerico. E, às vezes, me dá mesmo uma ideia dessas e no meio do caminho tenho vontade de nem ter começado.

Fui até a feira comprar peixe de bicicleta, hoje num dia de chuva fria. A ideia pareceu boa até a hora que cheguei lá e percebi que todos os postes onde poderia prender a bicicleta estavam rodeados de sujeitos muito suspeitos. Deu um medo de perder a bicicleta novinha. Isso seria muito chato, ela ainda não tem nem um mês e nem foi paga. Mas arranjei um poste na frente da barraca de pastel e fui até o peixeiro.

Enquanto ele limpava o peixe, só deu tempo de comprar uns temperos e começou a cair um toró de derrubar árvores. Ideia infeliz de sair de bicicleta!

Mas o peixe foi para a sacola e não iria fugir nadando, mesmo porque o peixeiro tinha cortado o rabo e a cabeça dele. Acho que peixe sem cabeça não deve nadar muito rápido e se ele fugisse eu conseguiria pegar de volta facilmente.

E voltei, poucas quadras até em casa. A chuva gelada entrava pela nuca e ia bater lá no fim da espinha. Deu trabalho. E os carros em dias de chuva parecem respeitar menos ainda os ciclistas. Uma mulher  buzinou bem na minha orelha. Ainda bem que sou um sujeito que faz ioga e nem joguei um tijolo nela, mas deu uma certa vontade. Mulher horrorosa, nunca deve ter andado de bicicleta entre os carros. Se ela tivesse, saberia o susto que a gente leva com uma buzinada.

Mas o peixe chegou a salvo em casa. Uma tainha de R$ 12,00. Tive que tomar um chá de hortelã e tomar um banho quente para voltar a temperatura normal.

Escrito por Duilio Ferronato às 18h10

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Coisas de arrepender

 
 

Coisas de arrepender

Quando estou andando pela cidade, passo por pessoas e dá uma certa vontade de ir lá conversar para saber mais sobre ela, mas por alguma razão boba acabo não conversando.

Depois chego em casa e fico pensando nela. Como se tivesse perdido uma chance de saber alguma coisa que deveria ter aprendido.

E pior ainda quando eu fotografo a pessoa e fico olhando a foto e imaginando o que eu teria conversado com ela. Com esse senhor da foto foi um desses casos. No último domingo sai para passear no centro com meu amigo Roney, passamos pela praça Ramos e lá estava esse senhor com as mãos manchadas de amoras. Ele parecia ter passado a manhã toda comendo amoras da amoreira onde ele estava sentado.

Deu impressão que ele morava ali na praça. Tinha umas caixas de papelão com umas panelas bem perto dele. Um senhor dessa idade morando na rua não parece certo. Mas na hora eu preferi não parar para não perder o foco do que estava fazendo (estava num passeio de levantamento para um trabalho). Só que agora vendo as fotos, a imagem do senhor das amoras não me deixa em paz. Vou ter que voltar lá para conversar com ele. Tomara que ele seja amigável, goste de conversar e não me conte histórias tristes de um homem que foi morar na rua depois de idoso.

Histórias tristes me dão um aperto no coração e estragam meu dia.  Uma pela impossibilidade de ajudar e outra pela preguiça de ajudar. Não sei dizer o que é pior : não poder ajudar ou fingir que não posso.

Mas amanhã, vou almoçar no Nutrisom, um restaurante vegetariano ali no centro, e aproveito para passar pela praça Ramos e descobrir  como é a vida desse senhor.

Talvez eu me arrependa de ir lá, mas eu queria ser com a Edith: ela não se arrependeu de nada Non Je Ne Regrette Rien.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h30

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Desenhando

 
 

Desenhando

Desenho é alheio a escrever. Alguém já disse que são habilidades que ocupam lugares opostos no cérebro.

Se ficam em lugares opostos não sei dizer, mas sei dizer que a sensação de desenhar é muito diferente da de escrever.

Desenhar no computador ou com réguas é mais próximo a escrever do que desenhar a mão.

Só o desenho à mão livre que consegue hipnotizar. O cérebro para de pensar e você fica meio lento, meio imóvel, os olhos vão de um lado para outro, os dedos tomam a frente e fazem tudo.

Estranho pensar que tanto para desenhar como para escrever os dedos são fundamentais. Já escrever no computador não parece tão diferente de escrever à mão como acontece com o desenho.

O desenho à mão é mais abstrato. Escrever é sólido. Desenhar é mais gasoso.

Escrever requer conhecimentos específicos. Desenhar requer observação. Escrever pode ser reflexo de observação. Desenhar e escrever devem ser reflexos de observação. Ah, finalmente chego a uma conclusão.

Escrever sobre um banheiro não tem nada em comum com desenhar um banheiro. Escrever sobre o azulejo é mais elaborado. Desenhar é só um risco.

Mas o risco é muito elaborado. No toque do risco está sua essência. Desenhar é mais escancarado. É obvio. O texto engana. O desenho...pode enganar.

Desenhar da mais vontade de desenhar, escrever dá mais vontade de ler, tomar café, pensar...

Escrever sobre desenho é estranho.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h24

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Ministro Temporão podia sair de fininho

 
 

Ministro Temporão podia sair de fininho

 

Ministro da Saúde volta a fazer campanha por "nova CPMF"

No link http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u637350.shtml

 

É meio estranho ainda existir gente que acredite que aumentar impostos possa resolver alguma coisa. O pessoal de Brasília parece viver num mundo paralelo e não entende o que acontece aqui no mundo real.

Se o Ministro não anda conseguindo dinheiro para financiar a saúde pública, vou mandar umas sugestões para ele economizar dinheiro público e investir na Saúde e aproveitar a sobra e investir na Educação:

-         diminuir o número de deputados federais

-         fechar o senado federal

-         acabar com a estabilidade para os servidores públicos

-         acabar com as férias de mais de 30 dias que alguns servidores têm

-         diminuir o número de vereadores

-         fechar todas as Câmaras Estaduais

-         diminuir os gastos com propaganda do Governo

-         fechar todos os cartórios

 

E já que vai fazer essas mudancinhas, podia aproveitar e:

-         acabar com ICMS

-         IPI

-         IPTU

-         I...

-         E todos os outros Is.

-         Nada de impostos indiretos

-         Crie um I-Único com no máximo  10% de alíquota para quem ganha menos do que R$ 6 mil.

 

Pronto, já vai ter dinheiro para fazer tudo que quiser e as pessoas que não vivem no mundo paralelo de Brasília iriam voltar a acreditar no Governo, seja qual for ele.

E só mais uma coisinha :

-         o contribuinte poderia indicar onde ele acha que o dinheiro deveria ser usado.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h13

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Sequestraram a Arruda

 
 

Sequestraram a Arruda

Aqui na frente de casa plantei um canteiro de ervas protetoras. Um pé de quebra-demandas, uma pimenteira, um alecrim e uma arruda.

O quebra-demandas já foi pisoteado uma vez, não resistiu e foi para o paraíso das plantas lá no céu. Coitado, morreu jovem. Trabalhou muito no curto tempo de vida dele. Aqui na minha rua tem uns vizinhos que não gostam de mim e ficam me olhando torto, o coitado do pezinho de quebra-demandas teve que me proteger de várias situações difíceis, mas logo após a morte dele eu comprei outro maior e mais forte, que tem feito um bom trabalho de protetor.

O alecrim é uma planta que eu sempre gostei e segundo a lenda protege a casa contra ladrões. Eu tenho vários pés de alecrim em vasinhos. Gosto do cheiro, do gosto e da planta também. É resistente e muito bonitinha. Tenho até um ramo no carro para deixar tudo protegido.

A pimenteira é muito bacaninha, produz muita pimenta e minha vizinha sempre pega as que vão amadurecendo. Estranhamente essa vizinha nunca plantou nada, mas já a vi pegando uns galhos do meu alecrim e várias pimentas do meu canteiro. E olha que ela tem bastante espaço para plantar mas prefere pegar do meu. Gente estranha que não entende o prazer que é ter um canteiro.

A arruda sempre foi vítima de depredações. Logo quando plantei, alguém já veio e arrancou um galho e depois outro. Arruda é boa para tirar mau olhado. E as pessoas gostam do cheiro estranho dela, eu não gosto muito, mas a cor é bonita e é uma plantinha bem simpática. Hoje pela manhã o pé de arruda não estava mais lá. E ela nunca tinha saído sozinha de casa. Estou desconfiado que foi sequestrada. Quem iria querer sequestrar meu pé de arruda ? Deve ser uma pessoa muito sem coração. Agora meu canteiro ficou mais uma vez meio triste, vou esperar uns dias para ver se o safado pede resgate, senão terei que comprar outro pezinho.

Escrito por Duilio Ferronato às 22h40

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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