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O Palmito Juçara e os Vutupís Vutupí na língua dos Vutupís quer dizer habitante das árvores. E é nas árvores que os vutupís passam a maior parte do tempo. Apesar de ser fácil de vê-los andando pelo chão entre a grama e as flores. Eles são muito leves e têm muita força nos braços, conseguem pular de uma árvore para outra e se agarram aos galhos e quase nunca caem. Claro que eles são mais atrapalhados do que os sagüis e de que os esquilos, mas mesmo assim são bem melhores nisso do que nós. O lugar favorito deles é nas palmeiras Juçara, ou palmito Juçara. Essas árvores são ótimas para fixar as suas pequenas casas. Eles usam a palha das folhas e os ramos dos cachos de coquinhos para construir as casas. Dos cachos eles também tiram os seus alimento favorito, que é o coquinho.
Essa palmeira andou meio em perigo porque umas pessoas bobas cortaram muitas árvores para tirar o palmito; e quando o palmito é extraído a árvore morre e o vutupí fica sem casa e com pouca comida. Mas os vutupís são uns homenzinhos muito espertos e começaram a espalhar as sementes das palmeiras por todos os lados. Até no parque do Trianon, bem no meio da av. Paulista, tem algumas palmeiras Juçara. O Palmito Juçara é primo do Açaí. As árvores são muito parecidas, só que o Açaí corre menos perigo de extinção do que a Juçara. As Juçaras também são aparentadas dos Jerivás, que são aqueles coquinhos amarelinhos que se vê muito aqui na cidade. Esses são os favoritos dos periquitos e das maritacas. E se você olhar com bastante cuidado vai conseguir ver um vutupís pilotando um desses periquitos. Eles adoram voar nas costas deles como se fossem cavalos alados. Cada vutupí tem sua própria casa, umas bem pertinho das outras, mas cada um na sua. Eles acham mais saudável morar separados. Eles são muito parecidos com a gente nesse ponto, gostam de morar um perto do outro, mas cada um na sua casa. Os vutupís têm alguns inimigos : os lagartos e as cobras, mas diferente de nós, eles não matam seus inimigos, apenas os mantêm longe de suas casas e de suas crianças. Eles são vegetarianos e não acreditam que matar outro bicho possa trazer algum benefício. Por isso eles só se afastam e no máximo jogam umas melecas na cara das cobras e dos lagartos. Os vutupís sabem fazer umas bombas de meleca de árvore que gruda e só sai se esfregar bastante. As cobras odeiam essas melecas e ficam longe dos vutupís.
Outro dia eu conto como foi a briga entre os Vutupís e as cobras Jararacas.
Escrito por Duilio Ferronato às 01h36
O Limpador de Chicletes Na avenida Paulista trocaram todas as calçadas há pouco tempo. E se você der uma volta por qualquer parte da avenida vai notar que o chão está forrado de chicletes grudados. Fico imaginando o que deve passar pela cabeça de uma pessoa que tira um negócio da boca e joga direto no chão. Como pode ainda existir gente que ache isso normal ? Jogar cigarros e papeis já é um costume medonho, mas é mais fácil de limpar.  No sábado, ao lado do Museu da Língua Portuguesa 3 limpadores de chicletes pelejavam nas calçadas. É muito difícil de desgrudar chiclete da calçada. Na verdade eu nunca tinha reparado nessa profissão, mas ela existe, ou só existe naquela calçada bacana. Aliás aquele museu é realmente muito bacana. Mesmo no sábado que estava cheio de crianças foi possível passear por toda a exposição tranquilamente e o melhor : de graça. Sim aos sábados é grátis. Mas voltando ao elástico de mascar. Engolir não é recomendável, mas a avenida Paulista é um dos lugares onde tem uma lixeira a cada 10 metros, então não haveria nenhuma razão para jogar o negócio no chão. Só que se você prestar bem atenção, há muito lixo jogado no chão mesmo perto das lixeiras. Por quê ?  Não venham me dizer que as lixeiras são pequenas ou não há manutenção. Isso não é verdade. Os garis limpam constantemente e os sacos de lixo estão sempre meio vazios. Pelo menos na av. Paulista é assim, no resto da cidade é um pouco diferente. Por isso mesmo não dá para entender porque o lixo é jogado no chão entre as lixeiras. Na Pinacoteca do Estado é proibido entrar mascando chiclete. Ao saber dessa proibição a gente é até capaz de pensar que seja uma coisa ridícula, mas olhando para qualquer chão e indo ao cinema e percebendo que sempre tem chiclete grudado nas cadeiras, dá para entender essa proibição. E no cinema é outro lugar que fica difícil de entender porque as pessoas grudam chiclete nas poltronas. Dá um certo desanimo pensar que ainda vai demorar muito para as pessoas entenderem que jogar lixo nas lixeiras é só uma pequena parte das obrigações de todo mundo.
Escrito por Duilio Ferronato às 10h44
Carne de Soja
Olhando o pacotinho de carne de soja no supermercado nem dá vontade de comprar, parece ração de cachorro. Mas se você vence essa primeira impressão, consegue preparar um prato bem gostoso.Primeiro tem que colocar de molho para hidratar. É rápido. Eu coloquei de molho com hortelã, manjericão e umas gotas de limão. Assim já vai dando um gostinho na soja. Depois da soja estar bem macia, é só escorrer a água. Para refogar é só cebola. Deixe bastante tempo refogando. Depois é só colocar sal, umas raspas de gengibre e umas ervas. Pode ser hortelã, manjericão, coentro ou salsinha. A pimenta tem que ser bem pouquinho. Só uma pintinha do dedo de moça. Quando tudo estiver começando a frigir, é só colocar uns tomates picados. Para uma porção para 4 pessoas eu coloco 3 tomates bem picados. É muito fácil de fazer e dura bastante na geladeira. Nos empórios você encontra várias opções de tamanho da soja. Eu tenho preferido comprar uma parte de soja grande com soja média. É muito barato e segundo esses sites sobre a soja, ela é muito nutritiva.
Escrito por Duilio Ferronato às 12h48
O Sarney e a gripe suína não existem É tudo invenção da imprensa. A Regina minha amiga, que é jornalista, garantiu que esse personagem absurdo do Maranhão foi inventado para vender mais jornais e revistas. E pior : a gripe suína também não existe. É tudo invenção. Não passa de uma gripe comum que deram um nome diferente. Todo mundo fica resfriado em junho e julho e algum jornalista resolveu dar um nome que metesse medo em todo mundo, conseguiu. Está vendendo muito jornal e até ganharam uma comissão do fabricante de mascaras. Outra coisa que ela garantiu que foi inventada é a vida do Michael Jackson. Podem acreditar: é invenção de jornalista americano. Esse cantor foi criado por um programa de computador. Ele nunca dançou, quem foi ao show dele aqui em São Paulo sabe. Quando um modelo veio se dizendo ser o Michael, foi uma grande decepção. E nós acreditamos que ele existia. Mas foi tudo inventado. Mais duas invenções que vocês não vão acreditar que fossem mentiras : Obama e Bin Laden. É tudo mentira. Esses dois nunca existiram. É história para vender mais notícias. Onde já se viu um beduíno que vive numa caverna derrubar dois prédios em Nova York ? É tudo invenção. E um presidente mulato (dizem que ele é negro) em um país super racista ? Impossível. Foi invenção. Outra coisa que estão tentando convencer a gente é que o Governo de São Paulo quer acabar com os canteiros da Marginal Tietê. Tudo invenção. Afinal qual governo seria burro o bastante para fazer uma coisa absurda dessas ? O candidato a prefeito que queria fazer isso perdeu feio a eleição. Ops, estou começando a sentir cheiro de coisa podre nessa notícia. Mas a descoberta mais importante que essa minha amiga me revelou foi que Brasília não existe. Foi inventada. Um programa de computador desenhou a cidade e a gente acreditou nisso nos últimos 40 anos. Como somos inocentes. Tudo para vender mais notícias. Agora vou poder dormir feliz sabendo que o Sarney nunca existiu. E que nosso dinheiro que vai para a Capital está em boas mãos. E tomara que o Maluf também seja invenção; mas acho que esse não é invenção, eu já vi umas 4 vezes o cidadão ao vivo. Deve ser por causa dessas invenções que o diploma de jornalista foi banido. O meu de arquiteto está bem seguro. Só falta colocar na moldura. Agora só faltam proibir o diploma de Marketing, esse sim é o mais perigoso.
Escrito por Duilio Ferronato às 20h06
Novela – capítulo 24 – a namorada ciumenta
Um dia o Wil conheceu a Miriam uma garota bem bonitinha no trabalho. Saíram umas 2 vezes e já deram uma de namorados no terceiro encontro. Aí foi todo o problema : Ela – mas você não ficou de me ligar na hora do almoço ? Ele – eu estava sem crédito. Ela – e não dava para avisar ? Ele – mas eu estava sem crédito ! Ela – eu perdi a hora de almoço esperando. Ele – e não dava para almoçar e esperar ao mesmo tempo ? Ela – é que eu não queria que as meninas lá do trabalho escutassem a nossa conversa. Ele – e você não comeu nada ? Ela – quando eu estou apaixonada eu não tenho fome. Ele – e você está apaixonada ? Ela – e você não está ? Ele – é...mais ou menos...estou...não sei Ela – ou é ou não é ! Ele – então, não muito Ela – ah, eu sabia. Você deve sair com aquelas vagabundas lá do seu trabalho e achou que eu ia ser igual. Ele – não saio não ! Ela – eu conheço bem uns brous como você. Ele – conhece ? Ela – conheço sim, dizem umas coisas nos primeiros encontros, só para ficar com a gente, e depois na hora do compromisso, caem fora. Ele – mas a gente nem se conhece direito. Ela – e como vai conhecer se você nem me liga na hora do almoço ? Ele – eu estava sem crédito Ela – devia ter ido até a porta do meu serviço para ver se eu estava lá. Ele – eu já te disse que eu não tenho horário certo de almoço, a gente faz um rodízio e cada dia eu como num horário diferente. Ela – pior ainda, você sabe direitinho o meu horário de almoço, e eu nunca sei o seu. Como a gente pode se conhecer melhor se não se fala pelo menos 2 vezes por dia ? Ele – mas a gente se conheceu faz menos de 1 semana. Ela – a Fátima conheceu o Ednei e casou em 2 semanas. Ele – tô fora. Ela – você não quer casar ? Ele – não estou pensando nisso agora... Ela – então você só quer transar ? Ele – não é isso, mas casamento é outra coisa. Ela – se você não quer nada sério acho que a gente não vai dar certo. Quando você me conheceu você disse que você era do tipo quieto, que não saia para balada, que ficava sempre em casa, isso não é indireta para dizer que quer casar ? Ele – não Ela – não ? os homens da sua idade saem todos fins de semana para balada, têm várias minas e só aquietam quando querem casar. Eu sei bem quando um homem quer casar. Ele – sabe ? Ela – sei. E você é do tipo que está querendo casar. Ele – acho que não. Ela – e como vai ser sua vida ? solteiro ? vai viver para sempre com seus amigos ? Ele – não sei...quero primeiro comprar uma casa, apartamento... Ela – para casar não precisa ter casa, a casa vem depois. Você pode ir morar lá comigo. Ele – na casa da sua mãe ? Ela – e o que tem ? eu tenho um quarto só meu, pago minha contas e a minha mãe não é dona da casa. Eu pago minha parte do aluguel. Ele – nem pensar. Ela – você nem conhece minha mãe direito. Ele – e nem quero conhecer. Ela – é, acho que você só queria mesmo era ir para cama e depois me dar um pé na bunda. Ele – que isso ? eu só pensei que a gente podia ir se conhecendo... Ela – ir se conhecendo, ir para cama, e depois que você cansar, vai embora e eu como fico? Ele – acho melhor a gente se falar outro dia... Ela – ah, me liga amanhã na hora do almoço Ele - ....
Escrito por Duilio Ferronato às 14h21
Qual o problema de chamar de macaco ? Mais uma vez, andam brigando porque o jogador de futebol Max López do Grêmio chamou o Elicarlos do Cruzeiro de macaco. Mas afinal, quem não é parecido com macaco?
Eu sou, você é, minha avó era e a sua também. Os macacos são muito parecidos com a gente. Os macacos lá do sitio são tão parecidos com as pessoas que dá impressão que são pessoas pequeninas. Eles têm feições no rosto, tem mãos articuladas, falam uns com os outros, cuidam dos filhotes como nós cuidamos dos bebês e as mães até chamam atenção dos filhotes quando eles estão fazendo alguma coisa perigosa. Por que pode chamar de gato e não pode chamar de macaco ? Gato é muito mais diferente de nós do que o macaco. O macaco é muito mais engraçado, mais próximo e mais inteligente. Por que acham que chamar alguém de macaco é ruim ? Os macacos têm tantas qualidades boas, têm umas ruins também : eles roubam, mas isso nós também fazemos; eles brigam, ih, isso nós fazemos o tempo todo, acabei de ver uma briga aqui na esquina porque um motorista fechou o outro; os macacos brigam pelas fêmeas, mas o engraçado é que as fêmeas não brigam pelos machos, isso deve ser uma anomalia da nossa espécie. Afinal brigar por macho só as mulheres fazem; nem as bichas brigam por causa de macho, quer dizer, outro dia um amigo brigou porque pegou o namorado com outro, mas se entenderam rapidinho dividindo o bofe.
Será que tem macaco gay ? Macaca lésbica eu sei que tem, outro dia vi umas macacas lésbicas no canal Animal Planet. Talvez a Ana Maria Braga não seja parecida com macaco, nem a Glória Menezes e nem a Suzana Vieira, para alegria dos macacos. Já pensou um macaco parecido com uma dessas mulheres mumificadas ? Coitados dos macacos. Macaco não pode mais ser considerado um termo racista. É bobo achar que é. E bobo quem chama o outro de macaco querendo insultar. Macaco é muito bacana. 
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Escrito por Duilio Ferronato às 20h32
Farsa da Boa Preguiça Uma peça de Ariano Suassuna que entrou em cartaz no SESC Vila Mariana.
Um texto incrível. Onde dois santos e o próprio Jesus participam dando uma forcinha para o herói. O herói não é lá um grande herói. É meio preguiçoso e muito sortudo. Numa das atrapalhadas do herói, ele faz uma troca absurda de uma cabra por um pão. Uma lógica completamente absurda, mas que rege a lógica de muita gente. Mas o melhor texto sai da boca da mulher do fazendeiro. Ela, além de ser encarnado pela maravilhosa Bianca Byington, é uma personagem para lá de verdadeira é certamente a mais afiada do texto. Outra atriz bacanérrima é a Vilma Melo, que faz a Andreza e em um determinado momento aparece como a cabra. O grande momento do espetáculo. Ela faz uma cara de cabra que raramente é vista nos palcos. O cenário é bem engraçado e parecido com aquelas festas populares do nordeste, mas faltou um pouco mais de localização. Em vários momentos pareceu que os atores não estavam acostumados com as posições e ficaram perdidos. A iluminação, talvez por causa da estréia, estava péssima. O iluminador Paulo César Medeiros errou durante a peça toda, acertando em anas alguns momentos. Talvez, agora que já tenha passado uma semana da estréia, já tenham acertado. Deixou uma impressão que o cenário e a iluminação foram feitos para um teatro totalmente diferente e adaptados para o da Vila Mariana e não deu muito certo. E não dá para não falar de Ernani Moraes como o fazendeiro. Só a presença dele no palco já é incrível. A voz forte, a cara engraçada e uma noção de cena que mesmo com o texto dele sendo meio bobo, acaba brilhando. Sesc Vila Mariana - teatro - r. Pelotas, 141, tel. 5080-3000. Sex. e sáb.: 21h. Dom.: 18h. Até 19/7. Ingr.: R$ 5 a R$ 20. Livre para todos os públicos.
Escrito por Duilio Ferronato às 11h05
O ex-leitor
O ex-leitor é um sujeito que ameaça te abandonar, mas no fundo ele volta no dia seguinte ou no máximo uma semana depois. É viciado. Quer atenção. O que fazer para conquistar esse ex-leitor de volta ? Vou recorrer ao departamento de relacionamentos. Lá eles são treinados para te aporrinhar tanto que você acaba desistindo de desistir. Você já tentou cancelar sua assinatura do jornal, da TV a cabo ou do cartão de crédito ? Se já, sabe bem do que eu estou falando. Mas não vou condenar esse ex-leitor a esse martírio. Apesar de acreditar que todos os fanáticos devam passar uns tempos no purgatório, mas enfrentar o departamento de relacionamentos de telemarketing é pior do que o purgatório. Alguns leitores dão medo na gente. Quando comecei a escrever na Revista da Folha a Bárbara Gancia disse para eu estar preparado para enfrentar os fanáticos. E olha, que eu nem sabia que seriam tantos assim. Foram muitos. Alguns ameaçaram, falaram coisas engraçadas e até ligaram para minha casa. Um dia o fanático te ama, no outro tem um chilique e te odeia. Bem agora ele ameaçou de ir. Vamos ver se não volta mesmo. Infelizmente os comentários que vão para a caixa dos reprovados são os mais engraçados, mas meu chefe não me deixa publicar os chiliques dos leitores. Eu até que gostaria, mas chefe é chefe e ele tem sempre razão. Foi um dia estranho para ter que aguentar chiliques. A NET ficou o dia inteiro com problemas, a Farrah morreu, o Michael morreu, apareceu uma goteira na cozinha, fui a uma palestra estranha no IAB sobre o Plano Diretor e depois a uma exposição meia boca na Galeria Olido. Tem dias que é melhor ficar na cama.
Escrito por Duilio Ferronato às 00h57
A casa da rua Coimbra 
Bem na esquina da rua Coimbra com rua Bresser resiste uma casa que provavelmente é da década 1930. Uma construção bem típica de pequenos comerciantes da época, eles tinham um negócio no térreo, e moravam ou alugavam para residências o andar de cima. Raramente o andar de cima era usado para comércio. Era bem comum ver um prédio desses em qualquer cidade do país. Isso dava um misto de residencial e comercial para todas as quadras. Fazia com que todas as ruas fossem ocupadas o tempo todo. Essa lógica foi sendo deixada de lado com as idéias modernistas e alguns bairros foram sendo transformados unicamente residências ou só comerciais. Coisa que não faz muito sentido. Já que as pessoas têm que andar muito para fazer compras. Quando mais você precisa andar para comprar coisas básicas, mais energia é gasta. Não a sua energia, mas a do planeta. Isso é uma das principais regras dos ecologistas : você deve usar menos transporte e consumir menos. Um pouco difícil, principalmente pensando que esses pequenos comércios tendem a ser mais caros do que os grandes supermercados. O dono desse prédio na rua Coimbra é um dos raros que optou por uma reforma que respeitou a arquitetura original. É difícil encontrar um desses no Brás. Ele até plantou umas árvores. Coisa mais rara ainda. Talvez, em breve, ele terá problemas com os pichadores, mas isso é quase impossível de ser evitado. Principalmente porque ele pintou uma lateral inteira de branco. Mas até ontem a parede continuava bem branquinha.
Escrito por Duilio Ferronato às 10h54
Nota Fiscal Paulista
Uma boa surpresa vou receber R$ 354,77 de reembolso. Não estava pondo muita fé nesse negócio e nem achava que viria algum dinheiro significativo, fiz o cadastro no site www.fazenda.sp.gov.br em 2007 e fui pedindo notas fiscais, mas nem sempre. Quando me perguntavam eu dizia meu CPF e nunca tinha ido verificar o extrato no site da Secretaria. Um amigo me alertou para verificar e lá fui eu. A grande surpresa é que eu tive direito a pedir R$ 354,77 de resgate. Uma maravilha. Dinheiro vindo de surpresa é sempre bom. Vão depositar na minha conta em 10 dias. Acho que vou gastar tudo em chocolate e vinho. Agora bateu um pequeno arrependimento de não ter pedido mais notas. De agora em diante vou ser fanático, vou pedir em todos os lugares. O Governo do Estado devolve 30 % do ICMS para o comprador que exigir a Nota Fiscal Paulista, alguns lugares pagam alíquotas menores, os que são ME pagam menos e dependendo do produto. Por isso é meio difícil de saber quando será o valor devolvido. Você pode fazer uma conta simples e meio chutada assim : se você gasta uns R$ 1.000,00 / mês, você vai receber uns R$ 30,00 de volta. Em 6 meses você receberá R$ 180,00. Que é um dinheiro bem vindo. Seria bom se o Governo Federal e Municipal passassem a fazer isso também. Assim o crédito seria maior. Alguns amigos afirmam que nunca vão se cadastrar nesse sistema porque é um jeito do governo controlar seus gastos. Mas meu dinheiro entra totalmente legalmente, eu só recebo dinheiro que o Governo já sabe de onde vem, raramente recebo algum dinheiro que não tenho que fornecer nota ou que seja retido algum tipo de imposto, então não tenho nada a temer. Acho que a última vez que recebi dinheiro sem declarar foi quando minha tia me deu R$ 50 para eu comprar meu presente de aniversário porque ela não sabia o que me dar. E outro dia vendi minha televisão velha e não dei nota. Ih, acho que se forem vasculhar na minha conta vão descobrir, mas eu nem cheguei a depositar esse dinheiro na conta, foi direto para pagar a Jandira. Nem esquentou na minha mão, entrou num dia e saiu no outro. Mas mesmo o dinheiro legalizado também tem tido esse fim. Entra na conta salário num dia e no outro já não está mais lá. Um fenômeno que tenho tido dificuldade de entender. Mas tem acontecido com muita freqüência nos últimos meses. De qualquer forma, neste mês vou ter R$ 354,77 extras.
Escrito por Duilio Ferronato às 20h14
O Vutupí do Antônio Um vutupí é um homenzinho do tamanho de um duende. Eles vivem em todas as partes da Mata Atlântica. Não são barbudos como os duendes e nem azuis como os Smurfs. Eles são mais parecidos com os esquimós do que como os gnomos ou fadas. As mulheres vutupís são muito parecidas com a Juliana Paes, ops, é verdade, podem acreditar. Eles são muito parecidos com a gente mas são um pouquinho mais dentuços. Sabe aqueles dentinhos de coelho ? Pois é, o dente deles é mais ou menos assim.
O PimPom era um vutupí bem esperto, mas um dia estava distraído e acabou caindo numa armadilha de passarinho que um homem muito estranho tinha armado. Esse homem era do tipo que prendia passarinhos para vender ilegalmente na feira. Era uma sacanagem, já que a maioria dos passarinhos acabava morrendo nas gaiolas. Mas o homem ganhava bastante dinheiro com esse negócio e não escutava as pessoas que diziam que ele deveria parar com isso. O PimPom era de uma família muito grande que vivia na mata perto de São Lourenço da Serra. Eles adoravam comer castanhas e pinhão. Não eram muito grandes, mas ou menos do tamanho de um coelho, talvez um pouco menores. Mas eram muito rápidos, subiam em árvores e pulavam de galho em galho. Os vutupís enxergam muito bem durante a noite, por isso quase nunca são vistos durante o dia. Mas quem procura entre as flores da mata é capaz de encontrar algum dormindo. Eles adoram as flores e gostam de dormir sentindo o perfume delas, principalmente as flores do campo. O PimPom um dia estava procurando nozes quando foi apanhado pela armadilha de passarinhos. Ah, era dessas armadilhas de ferro bem fortes e por mais força que o PimPom fizesse, não conseguia fugir. Os parentes dele correram para ajudar, mas não eram fortes o suficientes e o homem caçador já estava chegando. O caçador ficou muito contente de prender um vutupí, ele sabia que iria conseguir vender por um bom preço na cidade. Os outros vutupís não se conformavam, jogavam coisas no caçador, gritavam, tentaram fazer com que ele caísse, mas nada adiantou. O caçador era tão malvado que nem conseguia ver os vutupís. Ah, esqueci de dizer que só gente muito boazinha é que vê os vutupís que andam livres pela mata. As pessoas ruins só conseguem enxergar os vutupís quando eles caem presos nas armadilhas. E ele acabou levando o PimPom para a cidade. Os outros vutupís ficaram muito tristes, mas sabiam que o PimPom iria encontrar um jeito de fugir e voltar para mata. Na cidade foi fácil para vender o vutupí. As pessoas ruins gostam de prender os habitantes das matas. E o PimPom foi trazido para Higienópolis, um bairro bem rico da cidade. O homem que comprou o pobrezinho morava em um apartamento muito grande e gelado. Mas ele tinha uma faxineira muito bacana, a Marilda. Ela quando viu o vutupí ali na gaiola, ficou horrorizada. Nem o caçador e nem o homem que tinha comprado o vutupí conseguiam entender a língua dele. Mas a Marilda conseguia entender um pouco . E conversaram a tarde toda. Ela, antes de ir embora, deixou com ele um cortador de unhas, assim ele conseguiria cortar a grade da gaiola e fugir durante a noite. E o dono da casa nem iria colocar a culpa nela. Não deu outra, o PimPom conseguiu fugir durante a noite, mas ele não voltou para a mata. Resolveu ficar ali na praça Buenos Aires, onde outros vutipís estavam morando. Lá eles brincam pulando de árvore em árvore, voam nas costas das pombas e comem os coquinhos e sementes das árvores. Não é muito difícil de vê-los. É só ficar quietinho sentado em um banco da praça que você começa a escutar as risadinhas deles e se você olhar bem entre as flores, vai ver algum dormindo. O meu amiguinho Antônio consegue conversar sempre com o PimPom.
Escrito por Duilio Ferronato às 17h06
A mesma novela – capítulo 23 – a primeira discussão
A Yolanda tinha encontrado poucas vezes pessoalmente com o Mel. Na verdade foram só 3 encontros. E ela pretendia nunca mais ver o moço, mas como em novela tudo é possível, ela acabou encontrando com ele um dia sem querer. Vocês não pensem que porque a Yolanda fosse uma mulher rica e malvada que ela não trabalhasse. Muito pelo contrário. Trabalhava muito. Ela tinha investido um bom dinheiro numa rede de restaurantes de shopping, desse tipo que tem nome estrangeiro e comida meia boca. Ela trabalhava no escritório dos restaurantes e às vezes ia dar uma olhada na cozinha central. Um dia um dos restaurantes do shopping Ibirapuera teve um probleminha e ela foi até lá ver. Depois de resolver, ela decidiu ir ao cinema ali perto. No mesmo dia o Mel teve que ir atender um cliente bem na frente do mesmo shopping. Se isso acontecesse na televisão, vocês já imaginam a tensão que seriam esses minutos antes do encontro. Eles mostrariam a Yolanda recebendo uma ligação da loja, anotando num papel o endereço, deixando claro onde ela estaria naquele horário. E do lado do Mel a mesma coisa, talvez eles até dividissem a tela, mostrando um de cada lado marcando de ir nas vizinhanças. E explodindo no encontro final entre os dois na frente do cinema. Se fosse na televisão ficaria para o próximo capítulo, mas aqui nós revelamos quase tudo no mesmo dia. Os patrocinadores andam pedindo por cenas mais quentes, se possível inserir cenas de nudez ou de seres se transformando em monstros, mas isso acho difícil acontecer por aqui. Na verdade a cena de nudez eu tenho considerado muito, até já conversei com alguns atores para ver quem vai querer fazer. Como o ator mais bonito da novela é o Jailson e a namorada dele é a mais gostosa, vocês já podem imaginar que isso vai acabar acontecendo com eles. Só que vai ficar para outro dia. Enquanto a Yolanda olhava os cartazes dos filmes para escolher o Mel chegou e nem percebeu que era ela ali ao lado e ficou olhando os horários. Os dois se viram na mesma hora. Não deu para correr. Essa sim foi uma cena de tensão. Certamente teria um comercial do Glaide ou de remédio para gripe bem nessa hora para deixar todo mundo puto. Eles ficaram uns segundos se olhando sem dizer nada. Até que ela disse: - como vai ? - bem, e a senhora ? - bem também, você vai ao cinema ? - é, vou aproveitar que terminei tudo mais cedo hoje e ver alguma coisa, e a senhora ? - é, também...eu nem sei o quê ver, aqui só tem filmes de ação e hoje não estou muito para isso. Apesar do ódio entre os dois ser visível, a conversa correu bem tranqüila. - bem, acho que eu não vou ver nada. Vou aproveitar e ir para faculdade mais cedo e colocar umas coisas em ordem. - eu soube que você esteve na fazenda. A tensão cresceu muito com essa pergunta. A câmera fechou no rosto do Mel. Ele ficou visivelmente sem saber o que dizer. Ela também não planejava ter essa conversa com ele, mas foi sem querer. A Yolanda detestava perder o controle, mas nessa hora a situação começou a correr para o descontrole. - é, estive. Eu nunca tinha saído de São Paulo antes. Foi uma viagem muito boa. Fui conhecer minha avó, meus tios e primos. - Eu conheci sua mãe Ah, essa foi uma revelação que ninguém esperava. Nem eu sabia que a Yolanda tivesse conhecido a Gilda. Mas ela conheceu quando a Gilda era ainda bem criança. Quando ela tinha ido passar uns tempos na fazenda. Vocês devem lembrar de que a Gilda tinha ido trabalhar na casa do coronel bem pequena e foi numa das visitas da Yolanda à fazenda que ela conheceu a pequena Gilda. - foi mesmo ? E ficaram amigas ? outra revelação : o Mel tinha desenvolvido um humor muito cínico. Essa pergunta foi para afrontar a Yolanda, mas ela não se intimidou. - não exatamente. Ela trabalhava na casa do meu irmão e eu cheguei a conversar com ela uma ou duas vezes. - Ah, seu irmão era o meu avô ? A coisa começou a ficar estranha. - você deve saber que o teste de DNA do meu sobrinho deu negativo com o seu. Não é possível que você fosse filho dele. outra coisa que vocês devem lembrar é que a Yolanda tinha trocado os restos mortais do sobrinho dela com o de outro rapaz para que o teste de DNA desse negativo quanto a paternidade do Joel com o Mel. - e como se explica a semelhança ? - isso eu não sei, nem acho vocês tão parecidos assim. Aliás, nem sei quem inventou essa história toda. Isso já foi desgaste demais para nossa família. Enfim, acho que não vou mais ao cinema. Até mais Joel. (o nome do Mel é Joel, como o pai dele) - Até logo dona Yolanda. Ela saiu emburrada e ele também. Foram em direções opostas, mas quando o destino quer brincar com alguém, ele capricha. O Mel tinha estacionado a moto bem ao lado do carro da Yolanda e eles se encontraram mais uma vez no estacionamento. Mal se olharam e foram embora com certo estranhamento no olhar. Essa última cena foi digna de novela da Record. Ele saindo de moto e ela de carrão. Não vai parar por aí a discussão. No próximo domingo eu conto mais.
Escrito por Duilio Ferronato às 12h24
Ações secretas
Assim como no Senado, eu e um grupo de amigos resolvemos tomar umas decisões secretamente : 1 – a primeira e mais importante é aumentar meu salário para R$ 26 mil. Sendo que $ 6 mil serão de carteira assinada, férias e tudo mais ; os outros R$ 20 mil deverão ser depositados mensalmente na conta da mulher do meu caseiro. 2 – vou precisar de 2 carros a minha disposição, apenas um motorista. Um dos carros deve ser 4 x 4 blindado. 3 – preciso urgente de um cartão corporativo, com limite muito alto ou sem limite. 4 – estabilidade no emprego por 8 anos. Contrato que se for quebrado só o empregador vai perder. Eu nunca sairei perdendo e se resolver sair é só renunciar e ir embora. E se eu for embora não poderei mais ser acusado de nada que fiz durante o tempo que estive no serviço. 5 – preciso criar 3 diretorias para o blog : Um diretor para responder e-mails, este será ocupado por um primo meu lá de Avaré. O salário será de R$ 8 mil. Outro diretor será para juntar papeis e picá-los, será ocupado por outro primo meu lá de Palmital, com salário de R$ 8 mil também. O terceiro diretor será muito importante, ele deverá ir até a empresa uma vez por semana e ver se chegou alguma correspondência para mim. O salário será de R$ 8 mil e será ocupado por um parente de alguém que me ajudar a aprovar estas medidas secretas. 6 – vou precisar de 8 assessores. Todos com salários de R$ 6 mil cada. Os assessores serão nomeados após algumas reuniões com outros funcionários da empresa que estejam dispostos a fazer trocas de favores. 7 – vou precisar de uma cota de passagens aéreas. Classe executiva. Destino indefinido e quantidade ainda não definida; mas ando precisando ir até Nova York urgentemente. Então essa já pode reservar. E na volta vou dar uma passada em Tókio. Todas as despesas devem ser pagas, afinal estou indo a trabalho. Bem espero que estas medidas secretas sejam aprovadas no fim de semana enquanto o chefe está fora. Para isso vou fazer uma novena para o São Sarney.
Escrito por Duilio Ferronato às 09h49
As casinhas vão sumindo O Brás já foi um bairro de fábricas e residências. As casinhas eram quase todas de funcionários das fábricas. Os grandes empresários da época construíam casas para os seus funcionários como forma de recompensar pelos serviços prestados. Ainda é comum escutar histórias de moradores dessas casinhas dizendo que tinham trabalhado em alguma fábrica durante mais de 30 anos e ficado com a casa como parte do pagamento. As fábricas foram sumindo do Brás. Agora restam poucas e as que ficaram, estão bem menores. Algumas venderam seus grandes galpões para atacadistas e esses atacadistas começaram a comprar as casinhas ao lado dos galpões para ampliar seus negócios. Como está acontecendo com o Grande Pet Center da Marginal Tietê. Eles já compram 4 das casinhas e transformaram em depósito. O pior é que colocaram uma grade horrorosa na frente. 
Bem ao lado da minha casa havia uma casa de 1914, segundo a antiga dona, que foi vendida por R$ 150 mil. O novo dono demoliu e construiu um pequeno galpão com salas na andar superior. Agora está vendendo por R$ 700 mil. Um ganho muito considerável, mesmo que ele tivesse gastado muito na construção, que não foi o caso porque é uma obra bem mequetrefe. Tem uma casinha vendendo aqui perto, e eu de curiosidade perguntei o preço : R$ 300 mil. O corretor justificou que a casa não valia nada, mas o terreno valia. A maioria das casinhas sofreu com reformas medonhas. Tiveram suas janelas trocadas pelas de alumínio ou as paredes cobertas por essa pintura com textura que invadiu a cidade.
Escrito por Duilio Ferronato às 10h34
Cérebros alterados bebem leite desnatado Existe coisa mais sem graça do que leite desnatado, leite condensado light ou doce de leite light ? Não dá para acreditar que alguém compre essas coisas. Quem com cérebro em condições normais iria cair numa coisa ridícula dessas ? Quando vejo alguém comprando essas bobagens, dá vontade de ir lá e dizer para a pessoa que ela está levando para casa uma água suspeita de estar suja com uma gota de leite.
Mas o mais estranho é que são sempre umas pessoas com cara de artificiais que consomem essas coisas. Pode reparar. Ou ela tem alguma coisa estranha na pele ou no jeito de andar. Fez muita academia e acabou afetando o raciocínio. Faça o teste : Converse com 10 amigos seus que freqüentam uma academia mais do que 3 vezes por semana. Será unânime a resposta : todos consomem produtos light. Quer maior prova de que academia afeta o raciocínio ? Se algum deles disser que compra doces light , pode internar. Esse pirou de vez. Alguns podem até dizer que a gente não precisa de leite na idade adulta, mas isso quem inventou foram os fabricantes de refrigerante. Mas fazer sentido não é o forte desses malucos. Agora está ficando cada vez mais frequente essa guerra aos carboidratos. Até em alguns cardápios já vem escrito : sem carboidratos. Coitados dos carboidratos. Estão sendo banidos. Antes baniram as gorduras, agora querem banir os carboidratos. Não seria mais fácil comer menos ? Ou andar mais, fazer esporte de verdade ou até (Deus me livre) ser vegetariano ! Vendo essas pessoas defendendo os produtos light, eu consigo entender porque a Suzava Vieira, a Ana Maria Braga e outras mulheres mumificadas, fazem tanto sucesso com toda aquela artificialidade. As pessoas começam achar que engordar um pouco ou envelhecer não faz parte de nossa natureza. Aí piram de vez e começam a colocar coisas na cara, mudam o corpo, ficam com tudo artificial e acham que ninguém nota. A artificialidade não para no botox na testa. Os malucos colocam nos lábios. Uma coisa medonha. Como a boca daquela atriz Maria Padilha, ficou tão estranha que ela deveria ser proibida de pisar nos palcos. Ela, a Suzana e a Ana Maria com certeza bebem leite desnatado.
Escrito por Duilio Ferronato às 23h33
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