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Lorenzo Rivera
Um peruano de uns 30 e poucos anos. E lá no Peru, ele já fez de tudo na vida. Um dia resolveu prestar o exame para motorista profissional e foi uma grande aventura para quem, como ele, veio de um pequeno povoado com menos de 3 mil pessoas. Foi até a capital,Lima, e dormiu no chão da casa de uma tia. No Peru tirar licença para dirigir é meio caro e muito difícil. Diz ele que tem um tipo de máfia corrupta que controla tudo por lá. Mais ou menos uma história piorada e parecida com a que a gente ouve sobre o nosso Detran. O irmão dele já morava no Brasil e conseguiu um emprego num navio, isso há mais de 8 anos. E para que ele conseguisse embarcar também, o irmão teve que comprar um colar de ouro e algum tipo de brilhante para uma senhorita da alfândega do Peru. E eu que pensava que essas coisas não existiam nos navios. Lorenzo está no navio há 5 temporadas que duram mais ou menos 10 meses cada (8 meses trabalhando e 2 meses de férias). Começou como ajudante de cozinha e hoje é segundo cozinheiro. Só que o grande sonho dele é continuar sendo motorista no Peru. Acontece que ele perdeu a licença dele porque um dia o grande amor de sua vida, que tinha ido passar uma temporada na Argentina, ligou dizendo que estava grávida de um argentino e que iria ficar por lá. E ele não aguentou a notícia e bebeu até vomitar no sapato do patrão. Isso foi um grande problema porque parece que por lá os ônibus são todos controlados por poucos (mais ou menos como as coisas no Maranhão), e o dono da empresa ficou tão bravo com ele, por ter estragado seu sapato italiano, que mandou bani-lo para sempre do serviço de motorista de ônibus. Coitado. Perdeu a mulher e o emprego no mesmo dia. E pior: um argentino foi o culpado de tudo. Ele manda 300 Euros para os pais a cada 2 meses. E eles vivem bem com isso. Um dia ele vai voltar para o Peru com o dinheiro que vem juntando e comprar um estacionamento e ser o manobrista e próprio patrão. Também sonha em encontrar a mulher da sua vida e ter filhos. Afinal, para ele, quem não tem filhos tem uma velhice muito difícil. Enquanto a mulher ideal não aparece, ele tem feito a alegria de várias passageiras. Alguns dizem que é só conversa, mas ele se apaixona cada cruzeiro por uma passageira diferente e sai falando para todo mundo que encontrou a mulher da vida dele (normalmente são mulheres mais velhas). Ele dá flores e consegue burlar a segurança e se encontra às escondidas com elas. Ah sim, os tripulantes são completamente proibidos de se relacionar intimamente com os passageiros, mas isso parece que é só na teoria.
Escrito por Duilio Ferronato às 23h53
A vista é boa
A comida começa a melhorar com o tempo, no refeitório é sempre ruim, mas como eu estou na cozinha fui descobrindo umas maneiras de comer a comida dos hospedes (esses sim, comem muito bem e comem o tempo todo). Os cozinheiros dizem que os hospedes brasileiros comem mais do que qualquer outro hospede. E parece ser verdade: hoje estive a manhã toda em uma base de café da manhã e vi várias pessoas repetindo muito. A comida é servida sem parar e sem limite. Todas as noites, são descascados e picados 300kg de mamão para o café da manhã do dia seguinte. E isso tem que ser feito em 2. No caso eu e um peruano que não para de falar. Mas a história dele vai ficar para outro dia. A cozinha, certamente, é o lugar onde mais se trabalha em um navio. Ninguém para nenhum minuto. E para fugir do trabalho é só mesmo saindo com alguma desculpa e indo se esconder em algum lugar. Os brasileiros têm muitas regalias aqui. O Governo brasileiro obriga as empresas de cruzeiro a contratarem 25% da tripulação aqui. E isso é tarefa difícil para eles, já que os brasileiros costumam ficar um mês e desistir. A melhor parte é um lugar chamado de Crew Beach, que é a ponta do navio com umas duchas e a melhor vista – é aquela ponta onde o Leonardo de Caprio salvou a mocinha do suicídio. As brasileiras fazem o maior sucesso entre os gringos – com certeza elas são as mulheres mais bonitas a bordo. E hoje é o último dia do cruzeiro do Roberto Carlos e tivemos que ficar ouvindo as musicas dele o tempo todo – sem parar um minuto – já decorei várias. As letras são realmente incríveis, tenho que admitir, e o navio está cheio de senhoras loucas por ele. É Incrível como a maioria dos passageiros é mulher acima dos 50 anos e quase nenhuma criança, até agora só vi umas 4 e olha que tem 5 mil pessoas a bordo. Na próxima semana vai ser o cruzeiro do Corinthians – nem vou sair da minha cabine.
Escrito por Duilio Ferronato às 17h01
Cozinhando sem fogão meus pés estão doendo estou cansado a internet é cara a comida é ruim tenho um chefe bacana e o melhor de tudo : estou dividindo a cabine com um gostoso! Netuno me ama! Depois eu conto o resto agora tenho que voltar para cortar um monte de coisas ainda bem que a batata já vem sem casca.
Escrito por Duilio Ferronato às 13h48
Salário em Euros 
A Ilha do Tesouro é um dos livros que mais me lembro dos detalhes. Li quando tinha uns 13 anos e depois disso fiquei imaginando fugindo de casa e indo explorar o mundo em um navio pirata. Naquela época eu só pensava em fugir de casa, mas nunca tive coragem para fazer. Depois foram os filmes de Simbad. Foi um tipo de amor a primeira vista: um lugar cheio de marujos fortes e poucas mulheres. Ah, sim naquela época eu achava que as mulheres só atrapalhavam a vida. Mas a cartada final foi assistir Querelle. Um desses filmes que não dá para esquecer. Uma fantasia de trabalhar num navio veio permeando minhas fantasias todos esses anos e em outubro revi La Nave Va, de Fellini. Outro filme que não dá para esquecer. E voltou a ideia de ir trabalhar num navio. Pesquisei rapidamente em alguns sites e fiz um cadastro numa agência. Eles me chamaram para uma entrevista e lá fui eu. Fiz 2 entrevistas, 1 treinamento aqui em São Paulo, 2 em Santos e passei em tudo. Fiz um bilhão de exames e embarco amanhã, quarta-feira, dia 3 de fevereiro. Vou ficar 8 meses viajando e trabalhando como cozinheiro num navio de cruzeiros. Contei para meu chefe na Folha e ele adorou. O meu chefe é mesmo sujeito surpreendente. Ele me deixa fazer quase tudo que eu quero. Mas o frio na barriga já tomou conta de tudo. Acho que nem vou conseguir dormir, o resto eu conto depois que descobrir como vai ser minha vida nos próximos meses. Só sei que devo voltar rico e cheio de tesouros conquistados pelos 7 mares.
Escrito por Duilio Ferronato às 16h24
Como chegar até o poder
Descobri como eles chegaram lá. 
Escrito por Duilio Ferronato às 08h06
Consertando o telhado
Mickey – por que você está no telhado num dia de chuva ? Pateta – estou consertando uma goteira. Mickey – e por que você não faz isso quando não está chovendo ? Pateta – oras Mickey ! quando não chove não há goteiras! Tudo começou com uma infiltração da laje sobre o teto da cozinha. Foi crescendo e eu fingindo que não estava vendo e ao mesmo tempo tomando atitudes paliativas: pintei a laje, passei Veda Já, passei aquele negócio preto e fiz uns remendos mequetrefes. Tudo isso porque detesto pedreiro dentro de casa. Mas a infiltração foi passando para sala e um dia, acordei com uma goteira sobre a cama. Não deu mais para adiar. Estranho como a gente vai adiando algumas coisas até um limite absurdo. Parece até com aquela sensação de deixar a lição de casa para a última hora. Essa sensação nunca vai me abandonar. E chamo um pedreiro, depois outro e outro. Escuto os palpites e resolvo fazer com um que pareceu mais acertado. Quer dizer mais ou menos acertado. Ele disse que iria gastar R$ 3 mil em material e já gastei R$ 5 mil. Cacildes. Nem sei onde vou parar. O pior é que tem chovido tanto que a obra está ficando atrasada e mais atrasada. Por que fui deixar para consertar o telhado na minha última semana na cidade e ainda durante o período que mais choveu na história da cidade? Devo ter uma cabeça de papel.
Escrito por Duilio Ferronato às 21h16
Desapego Viajar por um longo tempo é um tanto de desapego e um tanto maximização da saudade ou da vontade de ter as coisas de volta. Esvaziar os armários, dar roupas velhas, jogar coisas fora são coisas que vão dando uma dorzinha no peito. Uma vez eu estava ajudando minha avó a limpar a garagem da casa dela e ela ia encontrando coisas e dizendo que não queria jogar fora porque tinha alguma história grudada na peça. Claro que ela não deixou jogar quase nada fora e a garagem ficou como estava antes, ou seja : entulhada até o teto de coisas que só estavam impregnadas de lembranças, mas nada de prático. Agora estou passando por uma semana de esvaziamento lugares, a vontade é de desistir, de ficar e ao mesmo tempo é de não deixar nada para que não dê vontade de voltar. Afinal para que a gente volta? Numa palestra outro dia um bombeiro disse que as pessoas que sobrevivem a um incêndio, a um naufrágio ou a alguma outra tragédia sempre tinham motivos para voltar para casa. Talvez sobreviver tenha mesmo uma relação direta com apego, com saudade ou com um senso de fazer parte de algo. Perder essa sensação de que você é necessário, de que não tem mais nada ou de que não vai mais ter saudade não deve ser algo muito humano. Afinal nós temos que nos sentir incluídos em alguma coisa para que possamos nos sentir civilizados. Hoje vendi meu querido Jeep. E foi uma sensação de perda muito grande. Nem olhei para trás para não entrar me crise. Foi o primeiro carro que senti apego, nunca tive isso por carros ou por coisas. Mas o Jeep era muito bacana. Não daria para deixá-lo guardado por 1 ano. E também vou precisar do dinheiro para resolver coisas pendentes.
Parece que quando eu voltar de viagem meu chefe vai ter sentido tanto a minha falta que vai comprar uma Pajero só para me deixar feliz.
Escrito por Duilio Ferronato às 16h34
A novela capítulo 36 – cenas de violência
A moça que estava tendo um caso com o marido da Yolanda chamava Paty, era nome mesmo, não era apelido. A moça engravidou e queria dar o golpe da barriga, mas iria esperar até o terceiro mês para que o pai não forçasse um aborto. E ficou fingindo que nada estava acontecendo, só que a Yolanda já sabia e tinha tudo planejado. A Paty morava na Vila Maria com a mãe e uma sobrinha. O pai tinha morrido há uns anos e a mãe da sobrinha tinha sumido há algum tempo com um namorado motoqueiro. A casa era dessas de bairro, bem bonitinha e com um pequeno quintal onde elas tinham um pé de limão. A mãe da Paty chamava Izolina e a sobrinha Mary Estuarte. Não inventei, é verdade. A mãe da sobrinha tinha assistido a uma peça com esse nome e resolveu colocar na filha. Parece que ela dormiu no fim da peça e não entendeu o que tinha acontecido com a personagem. A Yolanda mandou buscar lá do interior de Alagoas um cabra muito malvado. Desses que matam sem dó e nem piedade. Um sujeito que não gostava muito de cidades, preferia ficar morando nas fazendas e resolvendo os serviços sujos para os fazendeiros. A Yolanda sempre sonhou em ser a rainha malvada madrasta da Branca de Neve. É verdade, tem gente que quer ser igual a Branca de Neve, tem gente que quer ser igual ao Dunga e tem gente que quer ser a Rainha má. Eu sempre quis ser o príncipe encantado, mas esta não é a minha história e nem dos anões, é a história da Yolanda. E ela chamou o matador e disse que queria que a moça morresse olhando para a cara dela. E o sujeito assim que chegou a São Paulo foi encontrar com a Yolanda num hotel no centro da cidade. Ela deu a ele todas as coordenadas de como encontrar a moça. E lá foi ele, meio perdido aqui na cidade, para estudar o terreno e foi se achando aos poucos. Primeiro planejaram tudo com detalhes: eles iriam amarrar a moça, amordaçá-la e depois matá-la de algum jeito lento e dolorido, se possível fazendo ela sangrar até a morte. Bem, chegaram na casa e só lá perceberam que havia uma menina e uma senhora na casa. O sujeito contratado era do tipo que matava todo mundo só para não ter trabalho de ficar fazendo as coisas escondido. E a Yolanda achou uma boa saída. Eles tocaram a campainha e a menina veio atender, a Mary Estuarte. A Yolanda disse que era amiga da Paty e que queria esperar por ela lá dentro. A menina ficou em dúvida e chamou a avó. A avó nem desconfiou nada da elegante Yolanda e convidou-a para entrar. Quando entraram a menina foi ligar para a Paty para avisar das visitas e já levou um soco na cabeça que caiu desmaiada. A avó vendo a cena quase teve um treco e já ia começar a gritar quando recebeu uma pancada no rosto que além de cortar profundamente a bochecha ainda jogou ela longe e meio tonta. Os olhos da atriz que interpretava a Yolanda ficaram brilhantes durante as gravações dessa cena e ela ficou possuída. Claro que era tudo efeito especial e um maquiador super bacana foi chamado para ajudar. O sujeito começou a amarrar a menina e depois a vó. As duas ficaram ali num canto da sala amarradas e amordaçadas até a hora da Paty chegar. Ela não demorou muito, mas antes dela chegar a Yolanda, possuída de ódio, resolveu destruir a casa toda. E foi jogando com fúria tudo que via no chão. Até a televisão dessas grandonas foi para o chão e partiu em alguns pedaços. A cena nem tinha sido ensaiada, mas a atriz entrou num transe e foi fazendo, o diretor deixou a câmera ligada e foi gravando tudo. O sujeito que tinha sido chamado para ser o malvado ficou até parecendo bonzinho perto da fúria da Yolanda. A vó e a sobrinha ficaram só olhando tudo com o coração apertado. Coitadas não tinham sido avisadas que a coisa iria por esse lado. A menina chorou de verdade, mas não pode gritar porque estava com um negócio na boca. A casa foi toda destruída e fez muito barulho. Um dos vizinhos chegou a ouvir, mas não fez nada. Ele era daqueles vizinhos que não se metem na vida dos outros, nem se for para ajudar. Quando a Paty entrou na casa já estranhou que o silêncio. Normalmente a mãe da Paty deixava a televisão ligada o tempo todo. E assim que ela entrou já soltou um grito bem alto. Ah, dessa vez o vizinho já estava meio preocupado e resolveu chamar a polícia. Mas foi tarde demais para a Paty! A Yolanda quando viu a moça entrando já foi para cima dela com um espeto de churrasco e enfiou direto no coração da infeliz, que morreu instantaneamente. O plano de matar lentamente a moça já tinha dado errado. E eles resolveram colocar fogo na casa para apagar qualquer pista. E começaram com fogo nos quartos e na cozinha, deixando a vó e a neta amarradas sobre um sofá ensopado com álcool. Mas a polícia chegou e viu o fogo saindo pela janela de um dos quartos e já chamou os bombeiros. A coisa começou a ficar complicada para a Yolanda e o assassino. Ela não teve dúvidas: pegou o mesmo espeto e enfiou nas costas do homem. Ah, mas ele era bem forte e, mesmo com o espeto enfiado nas costas, tentou pegar a Yolanda traiçoeira. Mas acabou levando uma panelada na cabeça. A Yolanda estava realmente possuída e gente nesse estado fica muito forte. Enquanto ele se recuperava da pancada ela pegou uma faca enorme e zap! Passou a faca no pescoço dele. Era uma mulher muito malvada mesmo. E saiu correndo pela porta da frente, já que o incêndio já estava fora de controle e a polícia estava derrubando a porta. Ela saiu como se estivesse fugindo do fogo e foi socorrida. A vó e a menina foram tiradas pelos policiais, mas nem tiveram tempo de avisar que a Yolanda era a criminosa, elas estavam muito atordoadas, e a Yolanda aproveitou a confusão dos bombeiros chegando, dos vizinhos se agrupando e fugiu. O carro dela estava perto dali. A safada fugiu e não foi reconhecida por ninguém. Afinal ela nunca tinha ido ao bairro da Vila Maria antes. Só que no dia seguinte o marido chegou e disse bem sério para ela: Fique sabendo que eu sei o que você fez e isso não vai ficar assim. E ele já estava com uma mala na mão e saiu de casa. A Yolanda estava tão transtornada com a situação que resolveu comprar uma passagem para o exterior e ir ficar lá por uns tempos. Bem, daqui uns dias eu conto o que a Yolanda anda fazendo fora do Brasil.
Escrito por Duilio Ferronato às 09h42
Sangue, xixi e cocô O jejum antes dos exames de sangue é muito difícil, principalmente para quem acha que o café da manhã é a refeição mais gostosa do dia. Depois vem aqueles sistemas de senhas. E os idosos sempre passam na frente. Essa coisa dos idosos ficarem passando na frente a toda hora é bem chato. Principalmente quando você está apertado para fazer xixi. E eles normalmente nem são tão velhos assim. E vem a hora de realmente mirar no potinho para um tanto de xixi. Não sei o que é pior: isso ou depois sair do banheiro com o tubinho na mão e entregar para a moça. O constrangimento é tão grande que dá vontade de usar mascara. Isso sim seria uma boa ideia! Eles deveriam distribuir máscaras já na garagem, assim você já entraria no laboratório sem ser reconhecido . Mas a hora da picada vem chegando e o calafrio sobe pelas pernas. Não sei se esse calafrio vem por causa da aridez do laboratório, pelas plantas artificiais ou pelo jejum, só sei que dá um buraco no estômago e um frio na pele toda. E a moça diz: não vai doer nada! E na verdade nem dói, mas a sensação é ruim. Só que o pior mesmo é o exame de fezes! Queria saber quem foi que inventou essa coisa ridícula. Você tem que fazer cocô numa toalha de papel e depois pegar com uma pazinha e colocar num potinho. Deus me livre. Ainda não tomei coragem para fazer. Estou fingindo que vou conseguir me livrar disso, mas não vou. Amanhã eu faço. Nem quero conhecer gente que tem esse emprego de ficar analisando cocô. Já pensou que olfato sofrido que essa pessoa deve ter? O sistema de resultados é que ficou muito fácil. Sai tudo por internet e muito rápido. E tinha uma senhora brigando com o atendente dizendo que não entendia nada de internet e que não queria que mandassem os resultados dela para lá porque senão iria cair na mão dos terroristas. Bem, faz um certo sentido pensar que os terroristas dominem a internet, mas para que eles iriam querer os resultados de exame de uma velhinha? Cada ideia maluca que a gente escuta sem querer e depois dizem que eu invento essas orelhadas, mas não invento não! Escuto mesmo as pessoas falando absurdos na rua. Voltando ao sanguinho, agora já fiz todos os exames e só falta o de cocô no potinho.
Escrito por Duilio Ferronato às 18h35
Primeiro tem que entrar no site www.dpf.gov.br e preencher uma ficha cadastral com todos os seus números, inclusive os números que estão na sua certidão de nascimento (esse é o mais bizarro) ainda não consigo engolir esses números todos. A cada vez que tenho que preencher umas dessas fichas cadastrais e perguntam RG, CPF, Título de Eleitor, Reservista, Escolaridade, Data de nascimento e mais alguma coisa estranha fico mais indignado com a falta de produtividade que é nosso cotidiano. Parece que tudo foi planejado para que as coisas fiquem mais difíceis.
Bem, depois de preencher tudo, você deve imprimir um boleto e pagar R$ 156,00. Se pagar por internet terá que imprimir um comprovante de pagamento também. E agendar uma hora. A primeira vista dá medo da fila, mas eles atendem na hora certa, são simpáticos e leva menos de meia hora para fazer tudo. Ops, tem que voltar depois de uma semana para buscar. O meu novo passaporte azul ficará pronto dia 28!
Escrito por Duilio Ferronato às 23h24
É um daqueles espelhos com moldura de madeira escura, talhada por um italiano que tinha aprendido com o avô a arte. Atrás do espelho tinha uns selinhos com números e alguma coisa escrita, mas é tão antigo que não dá mais para identificar mais nada do que estava escrito. Da cordinha que devia prender o espelho à parede, só sobrou um pedaço em um dos lados. Agora, colocaram um arame no lugar da cordinha. E o espelho ficou embrulhado em um manto mais ou menos vermelho com bordados esverdeados nas bordas atrás do velho armário do velho padre benzedor por anos, talvez uns 40 anos, isso ninguém lembra direito. Depois que o velho padre morreu é que foram encontrar o embrulho. Mas uma velha moradora das vizinhanças do padre lembrou parcialmente da história do espelho. E ela contou que quando ela era criança as pessoas contavam que ali no bairro havia uma família muito rica e religiosa, mas ao mesmo tempo essa família era conhecida por algumas maldades. Estranho pensar que uma pessoa possa ser lembrada por ser religiosa e maldosa ao mesmo tempo, mas isso nem é novidade para ninguém. E o dono da casa, diziam, era um homem dono de muitas terras e grandes plantações. Um dia um grupo de ciganos montou acampamento numa parte das terras do homem rico e religioso. Na confusão para tirar os ciganos da terra (naquela época ainda não existia o MST) um dos jovens acabou morto por acidente ou pelos excessos dos reintegradores. A cigana líder foi até a casa do homem rico, religioso e malvado e rogou a maior praga na família dele. É, alguns ciganos são muito vingativos e usam meios misteriosos para suas retaliações. Claro que o homem rico, religioso e malvado nem deu muita confiança para a cigana. Só que nem chegou a passar um dia e a filha mais nova foi tragada para dentro de espelho que ficava pendurado na parede da sala. Por alguns dias ainda era possível ver o reflexo da menina andando dentro do espelho. Chamaram padres, benzedeiras, exorcistas, até macumbeiras e nada adiantou. Quando o reflexo a menina estava quase sumindo, zapt! A outra menina foi tragada para dentro do espelho. Foi a mesma correria e nada adiantou. A terceira filha foi proibida de chegar perto do espelho, mas adiantou porque um dia a menina estava passando pela porta da sala onde o espelho ficava e foi arrastada para dentro do o cristal amaldiçoado. A homem rico, religioso e malvado colocou uma recompensa para quem conseguisse soltar as meninas, a mãe fez promessas para vários santos. Só que um dia a mãe também foi puxada para dentro do espelho e nunca mais se ouviu falar dela e das três filhas. O homem de uma hora para outra ficou com os cabelos brancos e não conseguiu mais sair da cama. Todos achavam que ele iria morrer de desgosto, até que um dia ele pediu para todos empregados saírem da casa. Ele aproveitou que estava sozinho, colocou fogo na casa e desapareceu. Do incêndio só sobrou o espelho. Sem nenhum arranhão e nada chamuscado. Nem a cordinha queimou. As pessoas começaram a dizer que era obra do capeta ou algo assim e o espelho foi parar na casa do padre embrulhado no manto mais ou menos vermelho e com bordados esverdeados nas bordas. Dizem que maldição de cigana dura 200 anos, por isso o pessoal da paróquia resolveu guardar o espelho por mais algum tempo, assim, quem sabe, a família acabe um dia saindo de lá.
Escrito por Duilio Ferronato às 17h26
Salário de R$ 46.430,42 ?
Governo federal tem cinco servidores que ganham acima do teto salarialhttp://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u681748.shtml Um funcionário da Universidade do Ceará ganha R$ 46.430,42. Eu vou fazer uma aposta e garanto que vou ganhar: aposto que esse funcionário é parente de algum político! Pronto ganhei, tenho certeza! E nem vou escrever mais nada porque me dá vergonha saber que alguém aceita receber um salário desses em uma Universidade que não anda nos seus melhores dias e em um Estado que está muito abaixo do nível aceitável em diferenças sociais.
Escrito por Duilio Ferronato às 00h43
Punição exemplar Zina, do "Pânico na TV", é transferido para outro CDP em São Paulohttp://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u681058.shtml Outro dia um amigo disse que foi a uma loja comprar uma camiseta e a vendedora disse que aquela camiseta estava vendendo muito porque o Jesus, namorado da Madonna, tinha vestido uma daquelas num desfile. E o mais estranho ainda foi ouvir de um garoto dizer que tomava leite desnatado porque a Britney ou a Beyoncé (não sei qual delas) tomava. Se as celebridades são capazes de influenciar tanto as pessoas para que elas comprem roupas, carros, seguros, cerveja e tantas outras coisas. Também seria justo que elas fossem punidas exemplarmente para que as pessoas não se sentissem à vontade para imitá-las no crime. Mas aqui prender uma celebridade significa outra coisa. Uma celebridade, nem político e nem gente rica fica presa por muito tempo. O que parece uma disfunção social gravíssima. Mais ou menos como os crimes cometidos pelas antigas famílias reais. Essas famílias eram escolhidas para liderar e guiar os seguidores, mas o poder ia contaminando suas cabeças e eles acabavam entendendo que podiam fazer o que bem entendessem. Como algumas das nossas celebridades tacanhas. Eles acham que podem tudo. O moço do “Pânico na TV” já não é a primeira vez em que é detido, e na volta da primeira prisão ele foi visto como herói pela garotada. Talvez ele fique preso só mais uns poucos dias e depois volte mais uma vez para a TV como herói que foi vítima da polícia. Seria muito bom se os juizes avaliassem o mal que fazem para uma sociedade quando soltam facilmente uma celebridade equivocada.
Escrito por Duilio Ferronato às 22h00
A virose misteriosa
Prefeitura investiga oito surtos de diarreia na cidade de São Paulo http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u679237.shtml O Rotavírus, Norovírus... viraram os grandes vilões para as coisas inexplicáveis. Qualquer mal sem explicação já dizem que é esse bicho que leva quase todo mundo para cama e várias vezes ao banheiro. Esse último surto no litoral ficou um pouco esquecido por causa da catástrofe no Haiti e as pessoas não costumam ir até um hospital ou médico por causa de uma diarreia, apenas tomam um remédio de farmácia e melhoram em uns 3 dias. Eu nunca nem acreditei muito nesses vírus misteriosos, mas na última quinta-feira comecei a sentir um desarranjo no estômago e no intestino. Uma dessas sensações de desconforto que desconcentra qualquer um. Foi crescendo e na sexta-feira já estava virando febre e dor de cabeça. A sensação de vômito foi crescendo também. Não dava para comer mais nada. A volta de Santos para São Paulo foi razoavelmente tranquila, mas foi só chegar em casa e a febre deu uma esquentada em tudo e o frio tomou conta. Dormi o dia inteiro, coisa muito fora do comum para mim, e transpirei de molhar o lençol. Há muito tempo eu não ficava tão doente como fiquei nesses 2 últimos dias. Não conseguia comer nada e a febre só abaixava com água na cabeça. Só comi bolacha de água e sal, tomei muita água, gatorade e aquele remédio para o intestino. Uns dias de cão, mas que parece que ficaram para trás. Agora ficou só uma sensação de fraqueza e corpo doido por ter ficado muito tempo na cama. Esses vírus não chegam a matar as pessoas, mas deixam um sujeito em pedaços. Talvez já tenha passado da hora de resolverem esse problema, que vai e vem sem parar, por aqui.
Escrito por Duilio Ferronato às 22h47
O pinguim Ele anda engraçado. Fala engraçado. Transa engraçado e mesmo assim parece estar sempre de mau humor. É bem bonitinho. Dá até vontade de ter um desses na geladeira de casa, mas ele iria acabar fazendo cocô na gaveta de verdura e isso não seria muito bom. Talvez dê para fazer um no tanque com ar-condicionado no quintal, mas onde encontrar tantas sardinhas para alimentar o bicho? Só que essa ave é muito estranha mesmo, ela nem voa e se não voa, por que é que ele ainda insiste em ser ave? Afinal a melhor parte de ser uma ave é poder voar, é claro que ele não é a única ave que não voa, mas certamente é a mais mal humorada. Hum, pensando bem: o peru é ainda mais mal humorado do que o pinguim. E as perninhas do pinguim? Algumas aves têm as pernas longas demais e o coitado tem umas perninhas que nem dá para chamar de pernas, parecem mesmo é com um calcanhar grudado na barriga. Um calcanhar pode até ser sexy, mas é muito difícil de articular. E as asas ? Não dá para chamar de asas, são mais nadadeiras. Por que eles resolveram parar de voar ? Não pode ser chamado de evolução um negócio desses, parece mais um erro da natureza que foi se perpetuando. E mesmo assim eles nadam bem, tem comunidades enormes e fazem parte de uma cadeia alimentar importante. Sem eles as coisas iriam ficar meio difíceis para algumas baleias e tubarões. Os peixes pequenos até que iriam gostar de se ver livres dos pinguins, mas o mundo iria ficar mais sem graça sem o mau humor deles. É, pensando bem eles devem ter evoluído para perder as asas assim não estariam voando até o pólo norte e atrapalhando as renas do Papai Noel. Esses pinguins moram no aquário de Santos.
Escrito por Duilio Ferronato às 21h37
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