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Conversinhas

A volta da novela – capítulo 32 – novos rumos

 
 

A volta da novela – capítulo 32 – novos rumos

Aqui a nossa novela é mais ou menos parecida com as novelas do SBT: quando o dono não gosta, a novela sai do ar. E foi um corre-corre danado. Saiu no último Data-Novela que a nossa novela estava em último lugar. Tinha menos audiência do que o programa do Ronie Von. Dá para acreditar ?

Tivemos que demitir os roteiristas, os câmeras, os atores e até o diretor. Só eu mesmo que fiquei porque sou o dono do blog e nem os acionistas conseguiram me colocar para fora porque tenho 51% das ações.

Mas resolvemos mudar o rumo da novela contratando só atores famosos e bonitos, bem nem todos são famosos e nem todos são bonitos, mas alguns são sim. E colocar mais cenas de sexo e violência gratuita para causar furor.

Então a classificação que era livre para todos os públicos teve que ser alterada para maiores de 27 anos.

 

E se você não está preparado para cenas fortes de nudez e sexo explícito não leia esta novela. Pode causar desconforto e pressão alta nos mais sensíveis.

Só mais um aviso : os patrocinadores exigem que façamos muita propaganda de seus produtos ruins. Então teremos que forçar algumas cenas em bancos, caixas eletrônicos, supermercados, shoppings, carros cafonas, sabão em pó ruim,  cerveja amarga e até café de terceira. Mas por favor finjam que não percebem e não comprem nenhum dos produtos anunciados durante a novela.

 

Os nossos 4 personagens: Mel, Wil, Jailson e Thiago tiveram que mudar para um bairro mais rico. Essa história dos protagonistas viverem no centro da cidade não estava agradando aos patrocinadores e eles foram forçados a mudar para um apartamento em Higienópolis, quase na Santa Cecília, mais perto do prédio da Folha que é para os diretores controlarem de perto as gravações.

 

A malvada da novela teve que ganhar algum vício, os patrocinadores acreditam que quem tem um vício é sempre malvado e querem passar essa mensagem para a população. Os bonzinhos não podem ter nenhum vício e nem fumar maconha. Então tudo que foi dito sobre drogas entre os rapazes terá que ser apagado e esquecido. É mais ou menos como os personagens da Malhação : não bebem, não transam de verdade e nem fumam maconha. Coisa de novela é claro: imagine se é possível alguém virgem com mais de 20 anos! Só se for muito feio ou desajustado. Que não é o caso dos nossos heróis, que são bonitinhos, bem ajustados e adoram uma boa sacanagem. E as garotas também não são  santas aqui, só que temos que agradar os patrocinadores, então elas devem  sonhar em casar ou sonhar com uma profissão linda como: medicina, direito ou alguma dessas que tenha destaque social.

 

Ganhamos estúdios modernos com equipamentos de última geração. E as locações serão em Higienópolis, no Jardim América (onde a Yolanda mora), algumas cenas nas ruas da cidade, gravaremos algumas cenas numa fazendo no sertão de Alagoas e umas poucas em Maceió, mas a maioria das cenas será gravada nos nossos luxuosos estúdios na al. Barão de Limeira, onde fica a Folha. O helicóptero que a Yolanda usa para viajar é alugado e os carros e motos são todos em permuta, por isso teremos que destacar sempre a marca do carro.

 

O figurino foi desenvolvido especialmente para a novela. Contratamos os mais destacados estilista da Casa de Criadores e da SPFW para essa função.

 

Por hora é só o que podemos adiantar. No próximo domingo não percam o primeiro capítulo da nova fase da nossa novela.

Escrito por Duilio Ferronato às 09h32

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Mais novela – capítulo 31 – deu errado

 
 

Mais novela – capítulo 31 – deu errado

E a Yolanda em sua tentativa de prejudicar o Mel, foi passando por cima de muitas coisas. Tornou uma ideia fixa. O filho dela, o Rafael, ficou internado, fugiu de casa, quase foi preso e nada disso foi suficiente para que ela percebesse que as coisas não andavam bem para o lado dela. A vida dá umas dicas sutis que a gente tem que prestar atenção e se a gente não ouve atentamente, ela acaba mandando o recado à pauladas.

E a Yolanda foi ignorando os sinais de que essa perseguição só iria prejudicar a vida dela e a coisa foi piorando para o lado dela. Além dos problemas com o filho, também haviam surgido muitos problemas lá na fazenda. Um grande processo trabalhista estava minando os recursos da fazenda, além de uma doença ter se espalhado pelo gado e deixado o rebanho muito debilitado; e o pior de tudo foi descobrir que um dos sócios dela na usina tinha se envolvido em negócios ilícitos e a usina tinha sido interditada pela justiça. (Essa parte vai ficar para outro dia.) Mas o caso é que muitas coisas estavam dando errado na vida dela e ela não se dava conta que ela mesma estava atraindo tanta coisa ruim.

Atrair coisas ruins é um enigma que as pessoas não acreditam muito e fingem que se mantiverem uma certa conduta radical, que nada chegará nelas. Mas estava certa minha tia que plantava umas folhagens protetoras: ela plantava Espada de São Jorge, Quebra Demanda, Arruda, Alecrim e Comigo Ninguém Pode. A Yolanda não acreditava em nada disso, mas ia bastante à missa. O estranho é que ela ia à missa e ao mesmo tempo planejava fazer maldades com o sobrinho. Muito estranho, mas isso nem é muito raro entre as pessoas que se dizem tementes a Deus.

E chegou a um ponto que o marido dela saiu de casa e foi morar em um hotel. Ah, isso foi um grande golpe. Ela não suportava o marido, mas também não suportava a ideia de ser uma mulher sem marido. Só que, por mais estranho que pareça o mal alimenta o mal; e ela ia ficando cada vez mais obcecada com a ideia de que tinha que acabar com a vida do Mel. Não sei dizer se ela se redimisse ou mudasse de atitude,  as coisas iriam mudar na vida dela. Se ela virasse uma pessoa boa, as coisas iriam melhorar nos negócios dela, no casamento e o filho iria se curar ? Difícil saber. Talvez a maldade alimentada por rancor seja um processo que a humanidade ainda não tenha conseguido solucionar. Às vezes fico pensando: será que eu não sou mau ou só não tenho coragem de fazer maldades ? Hum, um covarde ! Credo, nem pensar. Acho que sou mais ou menos bonzinho...às vezes, outras vezes sou mauzinho. A Yolanda também se achava boazinha, afinal ela doava coisas para um asilo, ajudava uma Ong e dava presentes de natal para os empregados. Bem, difícil de entender. Conheço uma outra mulher que é um doce com os netos e horrorosa com os filhos, vai entender.

A Yolanda na sua guerra contra o Mel tentou aquele golpe sujo da última semana, até deu certo até um determinado ponto, mas no dia em que o depósito entrou na conta do Mel, ele ficou tão surpreso que contou para o chefe dele. Perguntou o que deveria fazer, e vocês têm que lembrar que o chefe dele era um advogado poderoso e devem imaginar qual foi o conselho que ele deu: guarde o dinheiro e não conte para ninguém! O Mel ficou meio preocupado e foi tentar identificar de onde tinha vindo o dinheiro e descobriu que o depósito tinha sido feito em nome do escritório rival, que surpresa! Ele contou tudo para chefe. E o chefe dele, que já era mais do que esperto, já alertou todo mundo da equipe que o escritório rival estava preparando alguma armadilha para eles, para que todos ficassem atentos. Coitada da Yolanda, gastou 50 mil e não resolveu nada. O Mel  saiu com fama de mais honesto ainda e a secretária que colaborava com a Yolanda ficou tão apavorada com o rumo das coisas que resolveu dar uma pista de que a Yolanda estava por trás disso tudo e que ela própria tinha um dia sido convidada, pela Yolanda, para almoçar num restaurante chique e que tinha sido sondada para preparar uma armadilha para o Mel, claro que ela não contou que ela tinha aceitado a oferta e ainda embolsado uns trocos. Ela também quis ficar com fama de honesta, mas não colou por muito tempo. Foi descoberta e mandada embora. Uma safada que nunca mais vai arranjar emprego em escritório de advocacia.

Um dia o chefe do Mel foi almoçar com a Yolanda e disse para ela :

-         ah, já ia esquecendo, seu sobrinho mandou agradecer os 50 mil que você depositou na conta dele.

Ela ficou completamente atordoada, não conseguiu disfarçar e se fez de desentendida, mas não deu, caiu na própria armadilha. Virou uma fera e até quebrou uma garrafa de cristal caríssima na parede. Daquelas cenas que todo mundo tem vontade de fazer, mas acho que só acontece em novelas...ops, pensando bem, um amigo meu, o Marcelo, uma vez jogou meu telefone sem fio na parede depois de brigar com a namorada. Até hoje ele não me pagou, acho que vou aproveitar que lembrei e cobrar.

Na próxima semana eu conto mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h41

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A novela – capítulo 30 – negócio arriscado

 
 

A novela – capítulo 30 – negócio arriscado

Algumas pessoas desenvolvem uma ideia fixa e não arredam o pé. Custe o que custar – e não é programa de TV – a Yolanda é uma dessas pessoas.

Ela acreditava que o filho bastardo do sobrinho era uma ameaça e não conseguia nem pensar na possibilidade de juntar forças com o rapaz ou de, pelo menos, tentar uma aproximação. Continuava perseguindo o moço como o Dick Vigarista no desenho Corrida Maluca fazia : armava um monte de armadilhas e perdia todas as chances de ganhar a corrida - porque perdia tempo tentando sacanear com os outros. A Yolanda é uma mistura de Dick Vigarista com Nicéia Pitta. Uma mulher cheia de ódios e com propósitos equivocados na vida. Estranhamente, ao contrário do Dick Vigarista, essas pessoas se dão bem por um longo tempo, é claro que lá no fim da vida acabam sozinhas. Afinal a gente tem que acreditar que a vida é justa e que os malvados vão sofrer no fim da história... bem não sei se isso é verdade, mas prefiro pensar que sim.

A Yolanda não conseguia relaxar, a simples ideia do Mel estar vivo já a fazia ficar furiosa. Se fosse lá em Alagoas ela já teria arranjado alguém para dar fim no Mel, mas aqui é um pouco mais arriscado fazer esse tipo de coisa. Lá em Alagoas vocês devem lembrar do caso do PC Farias, pois é, é mais ou menos assim que as coisas ainda são resolvidas por lá entre os poderosos.

 

 

Aqui acho que não é assim, se fosse liberado dar fim nos chatos, eu já teria dado um fim no meu vizinho e mais alguns outros chatos; mas não dá, tem que resolver de outro jeito. E o jeito que a Yolanda arranjou não foi lá muito criativo, mas sempre e funciona.

Ela resolver incriminar o Mel por um crime que ele não tinha cometido. Ah, eu sei que vocês vão dizer que isso é um golpe manjado e que ninguém iria acreditar nisso, mas isso é uma novela e pode quase tudo. Bem ela conseguiu convencer uma das secretárias do escritório onde o Mel trabalhava a ficar do lado dela (isso nem custou muito, a secretária aceitou trair o colega de trabalho por R$ 2 mil). Coisa de gente sem caráter.

O plano inicial era sumir com alguma coisa do escritório e colocar a culpa no Mel, mas isso seria difícil, já que o Mel era de total confiança dos chefes e seria muito arriscado fazer algo do tipo.

A Yolanda resolveu depositar R$ 50 mil na conta do Mel e contratou um escritório de advogados rivais para deixar escapar que tinha subornado o Mel a liberar informações confidenciais. E ainda mostrariam o comprovante de depósito.

Seria uma bomba. Uma ideia genial. Eles planejaram tudo nos mínimos detalhes. Estudaram casos do escritório e armaram tudo para que a secretária roubasse informações confidenciais, passasse para os rivais e deixasse a culpa cair no Mel.

O que a Yolanda não contava é que a secretária não era de muita confiança. É claro que uma pessoa que faz uma sacanagem dessas com um colega, faria com qualquer um.

E outra coisa que a Yolanda não contava, mas essa parte eu vou deixar para contar na próxima semana porque é meio difícil de acreditar.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h21

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Novela – capítulo 29 – o sumiço de R$ 50

 
 

Novela – capítulo 29 – o sumiço de R$ 50

Você já deve ter tido aquela sensação de ter perdido algum dinheiro ou que alguém tenha tirado da sua carteira. É uma dessas dúvidas que tiram sua tranqüilidade. Você começa a desconfiar de tudo e de todos. E no final nem tem certeza se perdeu, se gastou ou se foi roubado. E o mais chato é que nunca vai solucionar o problema. Talvez numa outra vida.

E numa sexta-feira o Jailson passou no caixa eletrônico e sacou R$ 100 para o fim de semana. Ele ainda tinha R$ 10 na carteira. Passou num mercadinho e comprou umas coisas e gastou uns R$ 20, depois foi para casa e saiu com uns amigos para tomar uma cerveja. Ficou na rua até tarde, bebendo ali na praça Roosevelt, no bar dos Parlapatões. Gastou uns R$ 15 e foi para a casa de um conhecido na rua Augusta para ver um DVD. Lá foram umas 4 pessoas e mais o dono da casa.

O Jailson tirou a carteira do bolso e colocou sobre uma mesa junto com o celular e a chave de casa. Às vezes essas coisas ficam incomodando no bolso e o melhor é tirar. Ficaram lá na casa desse amigo, bebendo e conversando até quase o sol nascer. Depois ele foi embora para casa e dormiu.

Só no dia seguinte ele foi à padaria comprar pão e percebeu que estava faltando uma nota de R$ 50. Hum. Que coisa estranha.

Começou a tentar lembrar de tudo que tinha feito. Refez o trajeto, as compras e os gastos da noite anterior. Tentou lembrar quando tinha sido a última vez que tinha visto a nota. Ficou remontando a cena de pagar a conta no bar umas mil vezes na cabeça para ver se conseguia lembrar da nota na carteira. Umas vezes tinha certeza absoluta de que a nota estava ali e em outras já não tinha.

Começou a desconfiar de que na hora que tinha tirado a carteira na casa do amigo, alguém pudesse ter tirado a nota. Coisa difícil de acreditar, já que eram todos conhecidos, não havia ninguém estranho e até onde ele sabia todos eram honestos. Ai que dúvida dolorida. Desconfiar de amigos é a pior sensação que uma pessoa pode ter na vida. É como perder as bases. Você fica tão decepcionado, ao mesmo tempo se culpando e a ansiedade vai tomando conta do seu peito e chega até a dar uma dor física.

Ele comentou com o Mel sobre o caso e o Mel levantou mais um monte de hipóteses. Disse que ele poderia ter deixado cair na hora em que foi pagar, ou que entregou uma nota de R$ 50 para pagar a conta e a moça devolveu o troco como se tivesse sido uma nota de R$ 20, essas notas são meio parecidas e até dá para confundir. E ele ficou repassando a cena mais um monte de vezes na cabeça, mas nada. A dúvida só foi aumentando. Depois ele começou a lembrar das histórias de vida de cada um que estava na casa do amigo. Lembrou até de uma história que um deles tinha contado há mais de 4 anos (pois é, eles eram todos conhecidos há bastante tempo) e lembrou que esse amigo disse que uma vez tinha roubado alguma coisa no supermercado. Mas depois tirou isso da cabeça porque afinal roubar ou comer escondido no supermercado é a coisa mais comum que existe. Principalmente naquele Pão de Açúcar da av. Higienópolis que cobra tudo mais caro e tem cada coisa gostosa.

Perder R$ 50 não é o fim do mundo, vai fazer um pouco de falta, mas a possibilidade de ter sido roubado por algum amigo é muito dolorida. Isso ele não vai esquecer tão cedo e ainda vai ficar olhando para os outros com aquele olhar de desconfiança que a gente nunca deve ter dos amigos.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h37

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A novela, capítulo 28 – o marido maconheiro

 
 

A novela, capítulo 28 – o marido maconheiro

O Marido da Yolanda era um desses sujeitos meio quietos. Não era de falar muito, mas gostava de aparecer. Sempre gostou de carros, relógios, whiskys caros, vinho e todas essas coisas que  os ricos gostam de dizer que entendem.

Quando ele tinha uns 16 anos, o pai entregou um dinheirão para ele e disse assim :

-         você tem 6 meses para aumentar este dinheiro. Se conseguir eu te dou o dobro, se não conseguir vai ter que arranjar um emprego público.

E não é que ele conseguiu ! Investiu numa plantação de maconha num sítio afastado que o pai tinha. Um traficante da região comprou a produção mesmo antes da colheita. O pai ficou maravilhado com o sucesso do filho e também investiu em maconha. Foi um sucesso financeiro. Eles ganharam muito dinheiro e usaram as terras em nome de uns laranjas. Um dos irmãos do marido da Yolanda foi e é político de Pernambuco. Um dia ele sonha em ser governador, mas anda meio sujo e resolveu fazer as coisas mais devagar, até a poeira abaixar.

O marido da Yolanda veio para São Paulo logo depois que casou. A Yolanda não gostava da vida na fazenda e surgiu uma oportunidade de gerenciar alguns negócios da família aqui em São Paulo. A princípio não tinha nada a ver com drogas. Mas o dinheiro fácil e sem impostos é muito tentador. Afinal não há ninguém neste mundo que não sofra em ver o tamanho dos descontos de imposto que caem nos nossos rendimentos. E os ricos têm um amor tão grande pelo dinheiro que sofrem ainda mais, para eles é como perder um braço ou uma perna. Eles sabem muito bem que uma grande parte dos impostos pagos são desviados por alguns safados e se recusam a pagar. Bem não posso ficar aqui dizendo que eles estejam errados pensando por esse ponto de vista, mas como eu sou obrigado a pagar todos os impostos, só posso torcer para que um dia esses ricos sonegadores sejam pegos.

Quando chegaram em São Paulo a proposta era para eles cuidarem das exportações das fazendas e das usinas. Afinal tanto o pai dele como o pai dela eram grandes fazendeiros em Alagoas, Pernambuco, Ceará e Bahia. Incrível pensar que alguém consiga ter tantas empresas, mas esse é um talento para poucos. E eles logo compraram uma casa incrível, só que meio cafona. É um dos males dos ricos brasileiros, são quase todos cafonas e adoram as colunas gregas e os arquitetura neo clássica.

O fato é que ele foi ficando cada vez mais rico com diversos negócios, uns legais e outros menos. Um sujeito esperto que sabia muito bem mesclar seus negócios para não cair naqueles buracos que alguns mais gananciosos caem. Ele até montou um banco de empréstimos. Esse parece que deu mais lucros que as drogas. Vai entender. Parece que você consegue lucrar mais emprestando para pobre do que vendendo maconha para rico. Eu mesmo já peguei dinheiro emprestado numa das empresas dele e paguei mais da metade em juros. Até hoje me dói pensar nisso. Mas ele tem um talento para ganhar dinheiro do mesmo jeito que eu tenho para perder. Pensando bem acho que eu tenho mais talento para perder do que ele para ganhar.

Mas mesmo a vida profissional andando muito bem, os homens muito endinheirados vivem numa pressão infernal e parecem sempre mais velhos do que são. Ele aos 40 já tinha tido vários problemas de saúde e aos 45 já tinha passado por quase todos cardiologistas do país.

Ele quis ter mais filhos, mas por alguma razão eles só tiveram um. Que vocês devem se lembrar, era esquizofrênico, o Rafael.

Uma das grandes frustrações dessas pessoas que deixam uma grande fortuna é saber que as coisas vão todas evaporarem depois que eles morrerem. E ele não queria isso, por isso resolveu começar a procurar um herdeiro dentro da família. Um sobrinho distante ou alguém de confiança. De confiança ele descobriu muito cedo que não existia na família.

Mas ele se encontrou com o Mel secretamente algumas vezes, e achou o rapaz incrível. Era sobrinho da Yolanda mas muito parecido com o ex-sogro. Inteligente, perspicaz e com um tanto de senso de prosperidade saudável. Não ganancioso como o resto da família, mas um rapaz com uma ambição saudável. Diferente até mesmo do avô, que queria ser o dono do mundo. Aliás esses homens muito poderosos sempre querem ser donos de uma boa parte do mundo.

Ele até chegou a falar com a Yolanda que o rapaz era bacana e que eles deveria considerar uma aproximação, mas a Yolanda tinha medo de perder uma fortuna para a aquela família de pobretões que o Mel tinha lá em Alagoas. O problema dela nunca foi ele diretamente e sim imaginar aqueles coitados morando na casa que foi da família dela. Isso ela nunca conseguia aceitar. Engraçado que às vezes as coisas que não deixam a gente progredir são coisas tão insignificantes.

Mas a Yolanda era assim e ele, o marido, teve que dar um jeito de ir moldando seu sucessor indiretamente. O emprego no escritório de advocacia não foi de propósito, na época ele ainda não pensava que o Mel fosse ser um cara bacana. Depois foi percebendo que ali tinha um potencial e foi investindo. Pagou a faculdade, as especializações e até comprou um carro para o Mel. Deu um jeito de ir moldando os amigos do Mel também. Foi arranjando empregos melhores e fazendo todos progredirem. Gente muito poderosa tem uma visão global das coisas que é muito impressionante. Nem sempre é de um ponto de vista bacana, mas é um amplo estudo da situação que é difícil de entender os caminhos por onde passam esses pensamentos.

Bem esse interesse pelo Mel foi fundamental para que o Mel e seus amigos fossem sempre agraciados. E ao mesmo tempo ele foi instruindo os advogados do escritório a mostrarem para o Mel que ele era um sujeito bacana e a Yolanda uma bruxa. Hum, isso é difícil de engolir, mas a coisa vai caminhar para isso nos próximos capítulos.

Escrito por Duilio Ferronato às 14h01

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A volta da novela, capítulo 27 – O Golpe

 
 

A volta da novela, capítulo 27 – O Golpe

Vocês devem se lembrar que o Wil era um moço bem inocente. Que acreditava em quase tudo que diziam. Um dia ele recebeu um torpedo no celular que dizia assim : Você foi selecionado para ganhar um Ford EcoSport. Para isso compre 3 produtos da Nestlé e envie para este número o código de barras.

E ele acreditou, foi até o supermercado mais próximo e comprou 3 coisas da Nestlé e enviou imediatamente os números.

Não demorou nem meia hora e a resposta veio : parabéns você foi sorteado e acaba de ganhar um EcoSport. Para confirmar ligue para um número tal e fale o código 3377. E ele fez.

Atendeu uma moça dizendo que era de um escritório de concursos organizados pela Nestlé e pela Ford. Mas que era um escritório secreto que poucos conheciam. Para ele receber o carro ele precisaria passar todos os dados dele e depositar o valor da documentação do carro. O carro chegaria na casa dele em no máximo 10 dias com toda a documentação e uma equipe de televisão para gravar a entrega para o programa do Gugu.

Dá para acreditar que não só ele acreditou, como todos os amigos dele também acreditaram? Fizeram uma vaquinha para juntar os R$ 1.100,00 para a documentação e depositaram numa conta no nome de José da Silva Pereira (diretor da empresa, segundo a moça).

Eles depositaram e ficaram ansiosos esperando o carro.  Quando o Mel chegou em casa e soube da história comeu a rir sem parar da idiotice dos amigos. Eles ficaram todos bravos com o Mel e disseram que ele não assistia TV e não sabia que essas coisas sempre aconteciam nos programas de domingo.

E eles ligaram para o número para confirmar. Só que como era tarde não houve resposta. E eles nem dormiram com a pulga atrás da orelha.

Logo de manhã já ligaram para o número, e ligaram o dia inteiro e ligaram nos próximos dias. E qual não foi a surpresa depois de 10 dias quando uma pessoa atendeu e disse que aquele número tinha sido clonado e que andou bloqueado por uns dias.

Ah, eles não acreditaram que tinham caído nesse golpe. Foram até a delegacia dar queixa e o delegado riu da cara deles, para piorar a situação. Ficaram na delegacia umas 4 horas para registrar o boletim de ocorrência e saíram de lá com cara de taxo.

Ligaram para o 0800 da Ford e da Nestlé e só confirmaram que esse sorteio nunca tinha existido.

O mais impressionante desses golpes é saber como algumas pessoas caem. O Wil disse que nunca mais iria acreditar nessas histórias e o Thiago para sacanear com ele, pediu para um amigo ligar imitando a voz do Silvio Santos convidando ele para participar de um programa. E ele acreditou outra vez. Claro que foi motivo de piadas por anos.

Escrito por Duilio Ferronato às 21h10

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A novela, capítulo 26 – uma conversa séria

 
 

A novela, capítulo 26 – uma conversa séria

Os quatro amigos resolveram ter uma conversa séria com a Ailton para resolver a situação. Numa noite, quando  o Thiago e o Wil estavam sozinhos com a Ailton :

Thiago – Ailton, outro dia o Jailson pediu para você me fazer um favor lá no cartório onde você trabalha, e você enrolou e não fez...

Ailton – Como não fiz ? eu perguntei para a secretária e ela disse que não dava, é minha culpa ?

Thiago – quando a gente precisa de uma coisa resolvida, a gente tem que insistir, não dá para acreditar no primeiro não !

Ailton – você queria que eu insistisse ?

Thiago – se você tivesse me pedido um favor, eu teria feito de tudo para conseguir fazer ?

Wil – as coisas funcionam melhor se você tiver um certo empenho.

Ailton – mas se ela disse que não dava...

Wil – as pessoas sempre dizem que não dá, e se você der uma pesquisada, vai descobrir que dá, e você resolve o problema que está pendente.

Ailton – os meus problemas eu sei resolver !

Thiago – é exatamente esse o ponto que a gente queria conversar com você.

Ailton – já sei, vocês querem que eu vá embora e resolveram usar esse problema como desculpa.

Wil – não é nada disso. Ninguém quer que você vá embora. Nós só queremos conversar para ver se as relações melhoram.

Ailton – e as relações estão ruins ?

Thiago – não exatamente ruins, mas podem vir a ficar. Outro dia nós quatro conversamos, quando você não estava em casa, sobre apoio e como um pode contar com o outro. Isso é uma coisa de amizade.

Ailton – vocês acham que não podem contar comigo ?

Wil  – achamos.

Ailton – mas vocês estão falando isso porque eu tenho menos dinheiro do que vocês ? Ou porque eu não posso ainda pagar as despesas em partes iguais ?

Thiago – não é nada disso, mas imagine se eu perdesse o meu emprego ou ficasse doente, eu poderia contar com você ? Você deixaria de comprar coisas para você para me ajudar ?

Ailton – claro que sim...que tipo de coisas ?

Thiago – qualquer coisa. Quando um de nós precisa, os outros fazem de tudo para que esse um se levante. E achamos que você não entendeu o espírito de viver junto ainda. Parece que você só pensa em você.

Ailton – mas eu estou enrolado e cheio de dívidas...

Wil – o que estamos falando não tem nada a ver com dinheiro, tem a ver com apoio. Fazer coisas para os outros sem esperar nada em troca. Fazer coisas pelos outros porque gosta dos outros, porque é amigo ou porque acha que o outro está precisando. Então a gente faz tudo que for possível. Inclusive insistir com uma secretária para que a coisa funcione.

Ailton – isso tudo é só porque eu não insisti com a secretária para ela fazer aquele favor ?

Wil – não só aquele favor, mas todos os favores que os amigos precisam.

Ailton – mas se eu for ficar o dia todo fazendo as  coisas para os outros, eu não vou ter tempo para fazer as minhas.

Thiago – não é deixar de fazer as suas coisas para fazer as dos outros, é colocar um pouco de empenho nas coisas dos outros. Como se fossem suas, ou entender a importância que as coisas têm para os amigos e colocar um certo interesse. Eu me interesso pelas necessidades de todos aqui e os outros se interessam pelas minhas. Assim nós conseguimos viver bem e como uma família que se dá bem.

Ailton – mas vocês vivem brigando.

Wil – não brigamos, discutimos e quase sempre chegamos num acordo. É assim que as coisas funcionam entre amigos. Se o acordo não aparece, a gente fica sem se falar por uns dias e depois descobre que ser amigo é mais importante que qualquer besteira.

Thiago – nós crescemos em um lugar onde quem não se ajudava acabava se dando mal. E essa é nossa filosofia aqui também. Só estamos conseguindo as coisas porque somos unidos, sem união a gente já teria caído.

Ailton – e o que vocês esperam de mim ?

Wil – só queremos que você perceba ou tente perceber quando alguma coisa é importante para um de nós e tente dar uma força e se não puder fazer nada, pelo menos converse e veja se dá para ajudar.

Ailton – vocês foram muito bacana comigo me deixando ficar aqui, vou prestar atenção e se eu der mais alguma mancada pode falar na lata.

Thiago – acertado assim, amigos são para ouvir e falar.

 

A conversa parece que ajudou, vamos esperar para ver se funcionou ou se entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

Escrito por Duilio Ferronato às 21h30

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A mesma Novela – capítulo 25 – Ailton, um amigo egoísta

 
 

A mesma Novela – capítulo 25 – Ailton, um amigo egoísta

Só para lembrar : no apartamento do centro moravam o Thiago, o Wil, o Jailson e o Mel.

O Thiago conheceu o Ailton no trabalho, o sujeito pareceu muito simpático e tinha acabado de chegar do Rio de Janeiro, onde ele trabalhou uns anos e não se adaptou. Nasceu em Belo Horizonte e depois de uma temporada frustrada no Rio, veio para São Paulo.

Morava na casa de um primo  lá no Taboão. Não estava se dando muito bem  a mulher do primo, ela vivia dizendo que ele era folgado e muito desorganizado. Um dia ele teve um briga feia com o primo e com a esposa e teve que sair de lá. Os motivos da briga nunca ficaram muito claros, mas na versão dele o casal era muito estranho e neurótico.

O Thiago convidou o Ailton para ir ficar uns dias lá no apartamento. Eles tinham um quartinho de empregada que dava para acomodar uma pessoa por uns dias.

Logo depois de sair da casa do primo, o Ailton saiu do emprego. Ele justificou que o emprego era ruim e pagava mal. O Thiago trabalhava na mesma empresa há uns 5 anos e estava bem satisfeito. E na versão do Thiago, o Ailton foi mandado embora porque era muito lerdo.

Mas os rapazes estavam acostumados a um ajudar o outro em tempos difíceis e nem se importaram muito em ter um desempregado em casa por uns tempos.

O Ailton era do tipo que só lavava a louça dele . Os 4 amigos estavam acostumados a fazer um revezamento e quando encontravam alguma coisa suja, só recolhiam e lavavam sem  maiores problemas, e se algum começasse a abusar, eles já logo reclamavam e o abusado tomava jeito.

Depois de um tempo o Mel arranjou um emprego para o Ailton num cartório onde trabalhava um conhecido.

O Ailton tinha se enrolado todo com prestações das Casas Bahia, cartão de crédito e empréstimos abusivos na época em que estava desempregado. O Mel ajudou no que pode para dar uma aliviada na situação do colega. Até emprestar a conta dele no banco para que o primeiro salário do Ailton fosse depositado lá. Já que se depositassem na conta dele, o banco tomaria tudo sem sobrar nada para ele. E foi assim por uns 6 meses. Bem aqui no Brasil se você fica desempregado uns meses,  é capaz de levar anos para pagar as dívidas que fez durante o tempo de desemprego. Isso todo mundo sabe. Mas quem tem amigos, fica um pouco mais fácil aguentar.

Um dia o Jailson pediu para o Ailton fazer um favor para ele lá perto do cartório. E o Ailton disse que faria e acabou não fazendo alegando falta de tempo. Depois um de cada vez percebeu que tudo que pediam para o Ailton fazer, ele dizia que faria e acabava arranjando uma desculpa para não fazer.

Depois de todos acabaram percebendo isso e durante uma noite quando  estavam em casa, menos o Ailton, eles resolveram começar a falar sobre o hospede :

 

Wil – vocês não acham que o Ailton é um pouco egoísta ?

Jailson – eu pensei sobre isso ontem. Ele é do tipo que parece que dói fazer um favor para alguém.

Thiago – e vocês já notaram como ele tem medo que roubem as coisas dele ? Parece que ele está o tempo todo prestando atenção se não está faltando nada dele e se alguém usou alguma coisa dele.

Wil – e ele está sempre usando tudo que é nosso, mas outro dia eu pedi para testar um DVD no computador dele e ele meio que regulou.

Jailson – regulou ? mas ele vivia usando o seu !

Wil – pois é. Ele usa o meu o tempo todo e um agora que ele tem o dele, fica com história.

Thiago – pior que esse computador dele a loja ia tomar porque a prestação estava atrasada e eu emprestei dinheiro para ele pagar ; e ele ainda não me pagou.

Mel – vocês já repararam que gente egoísta é sempre meio medrosa ? Lembram aquela garota, a Joyce, que vivia com medo de assalto, medo de perder o emprego, medo de acidente e todos os medos do mundo ? Ela também era tão egoísta que dava até um certo constrangimento respirar perto dela.

Jailson – você acha que tem a ver o fato dele ser egoísta e medroso com as coisas não darem muito certo na vida dele ?

Wil – mas é claro. As coisas só dão certo na sua vida se você pensa num bem maior do que seus próprios interesses. Se você só faz as coisas para você e só pensa no que pode te trazer de benefícios, as coisas começam a não encaixar em lugar nenhum. Fica só você e sua sombra.

Thiago – olha, falando em apoio, sabe que aconteceu uma coisa muito estranha outro dia : eu estava fixando aquele armário da cozinha e o Ailton ali perto. Eu subi na pia para parafusar e na hora que fui descer pisei errado e cai no chão. O Ailton só se mexeu depois que eu já estava no chão. O reflexo dele foi se proteger em vez de me ajudar.

Mel – você se machucou ?

Thiago – não, foi só uma batida leve.

Jailson – acho que isso define bem como ele pensa : numa situação difícil, ele pensa primeiro nele e só se você pedir ele pode te ajudar.

Wil – você acha que pedir ajuda para ele adianta ?

Jailson – é...talvez, não.

Mel – acho que no caso dele... ele só ajude se você dizer que ele vai ganhar alguma coisa com isso.

Thiago – será que a gente poderia tentar explicar para ele, que esse caminho dele é meio um buraco sem apoio ? Que se ele não apóia as pessoas, que ele vai acabar ficando sem ninguém ?

Jailson – acho que quem não faz isso naturalmente não vai fazer nunca.

Wil – e conviver com uma pessoa assim é bom para nós ?

Mel – vamos tentar falar com ele e ver se ele entende ?

Thiago – é bom dar mais uma chance, às vezes ele não teve muita sorte na vida e ficou meio desconfiado. Quem sabe com uma conversa ele mude.

 

No próximo domingo eu conto mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 18h43

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O Palmito Juçara e os Vutupís

 
 

O Palmito Juçara e os Vutupís

 

Vutupí na língua dos Vutupís quer dizer habitante das árvores. E é nas árvores que os vutupís passam a maior parte do tempo. Apesar de ser fácil de vê-los andando pelo chão entre a grama e as flores.

Eles são muito leves e têm muita força nos braços, conseguem pular de uma árvore para outra e se agarram aos  galhos e quase nunca caem. Claro que eles são mais atrapalhados do que os sagüis e de que os esquilos, mas mesmo assim são bem melhores nisso do que nós.

O lugar favorito deles é nas palmeiras Juçara, ou palmito Juçara. Essas árvores são ótimas para fixar as suas pequenas casas. Eles usam a palha das folhas e os ramos dos cachos de coquinhos para construir as casas. Dos cachos eles também tiram os seus alimento favorito, que é o coquinho.

Essa palmeira andou meio em perigo porque umas pessoas bobas cortaram muitas árvores para tirar o palmito; e quando o palmito é extraído a árvore morre e o vutupí fica sem casa e com pouca comida. Mas os vutupís são uns homenzinhos muito espertos e começaram a espalhar as sementes das palmeiras por todos os lados. Até no parque do Trianon, bem no meio da av. Paulista, tem algumas palmeiras Juçara.

O Palmito Juçara é primo do Açaí. As árvores são muito parecidas, só que o Açaí corre menos perigo de extinção do que a Juçara. As Juçaras também são aparentadas dos Jerivás, que são aqueles coquinhos amarelinhos que se vê muito aqui na cidade. Esses são os favoritos dos periquitos e das maritacas. E se você olhar com bastante cuidado vai conseguir ver um vutupís pilotando um desses periquitos. Eles adoram voar nas costas deles como se fossem cavalos alados.

Cada vutupí tem sua própria casa, umas bem pertinho das outras, mas cada um na sua. Eles acham mais saudável morar separados. Eles são muito parecidos com a gente nesse ponto, gostam de morar um perto do outro, mas cada um na sua casa.

Os vutupís têm alguns inimigos : os lagartos e as cobras, mas diferente de nós, eles não matam seus inimigos, apenas os mantêm longe de suas casas e de suas crianças. Eles são vegetarianos e não acreditam que matar  outro bicho possa trazer algum benefício. Por isso eles só se afastam e no máximo jogam umas melecas na cara das cobras e dos lagartos. Os vutupís sabem fazer umas bombas de meleca de árvore que gruda e só sai se esfregar bastante. As cobras odeiam essas melecas e ficam longe dos vutupís.

 

Outro dia eu conto como foi a briga entre os Vutupís e as cobras Jararacas.

Escrito por Duilio Ferronato às 01h36

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Novela – capítulo 24 – a namorada ciumenta

 
 

Novela – capítulo 24 – a namorada ciumenta

Um dia o Wil conheceu a Miriam uma garota bem bonitinha  no trabalho. Saíram umas 2 vezes e já deram uma de namorados no terceiro encontro. Aí foi todo o problema :

 

Ela – mas você não ficou de me ligar na hora do almoço ?

Ele – eu estava sem crédito.

Ela – e não dava para avisar ?

Ele – mas eu estava sem crédito !

Ela – eu perdi a hora de almoço esperando.

Ele – e não dava para almoçar e esperar ao mesmo tempo ?

Ela – é que eu não queria que as meninas lá do trabalho escutassem a nossa conversa.

Ele – e você não comeu nada ?

Ela – quando eu estou apaixonada eu não tenho fome.

Ele – e você está apaixonada ?

Ela – e você não está ?

Ele – é...mais ou menos...estou...não sei

Ela – ou é ou não é !

Ele – então, não muito

Ela – ah, eu sabia. Você deve sair com aquelas vagabundas lá do seu trabalho e achou que eu ia ser igual.

Ele – não saio não !

Ela – eu conheço bem uns brous como você.

Ele – conhece ?

Ela – conheço sim, dizem umas coisas nos primeiros encontros, só para ficar com a gente, e depois na hora do compromisso, caem fora.

Ele – mas a gente nem se conhece direito.

Ela – e como vai conhecer se você nem me liga na hora do almoço ?

Ele – eu estava sem crédito

Ela – devia ter ido até a porta do meu serviço para ver se eu estava lá.

Ele – eu já te disse que eu não tenho horário certo de almoço, a gente faz um rodízio e cada dia eu como num horário diferente.

Ela – pior ainda, você sabe direitinho o meu horário de almoço, e eu nunca sei o seu. Como a gente pode se conhecer melhor se não se fala pelo menos 2 vezes por dia ?

Ele – mas a gente se conheceu faz menos de 1 semana.

Ela – a Fátima conheceu o Ednei e casou em 2 semanas.

Ele – tô fora.

Ela – você não quer casar ?

Ele – não estou pensando nisso agora...

Ela – então você só quer transar ?

Ele – não é isso, mas casamento é outra coisa.

Ela – se você não quer nada sério acho que a gente não vai dar certo. Quando você me conheceu você disse que você era do tipo quieto, que não saia para balada, que ficava sempre em casa, isso não é indireta para dizer que quer casar ?

Ele – não

Ela – não ? os homens da sua idade saem todos fins de semana para balada, têm várias minas e só aquietam quando querem casar. Eu sei bem quando um homem quer casar.

Ele – sabe ?

Ela – sei. E você é do tipo que está querendo casar.

Ele – acho que não.

Ela – e como vai ser sua vida ? solteiro ? vai viver para sempre com seus amigos ?

Ele – não sei...quero primeiro comprar uma casa, apartamento...

Ela – para casar não precisa ter casa, a casa vem depois. Você pode ir morar lá comigo.

Ele – na casa da sua mãe ?

Ela – e o que tem ? eu tenho um quarto só meu, pago minha contas e a minha mãe não é dona da casa. Eu pago minha parte do aluguel.

Ele – nem pensar.

Ela – você nem conhece minha mãe direito.

Ele – e nem quero conhecer.

Ela – é, acho que você só queria mesmo era ir para cama e depois me dar um pé na bunda.

Ele – que isso ? eu só pensei que a gente podia ir se conhecendo...

Ela – ir se conhecendo, ir para cama, e depois que você cansar, vai embora e eu como fico?

Ele – acho melhor a gente se falar outro dia...

Ela – ah, me liga amanhã na hora do almoço

Ele - ....

Escrito por Duilio Ferronato às 14h21

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O Vutupí do Antônio

 
 

O Vutupí do Antônio

Um vutupí é um homenzinho do tamanho de um duende. Eles vivem em todas as partes da Mata Atlântica. Não são barbudos como os duendes e nem azuis como os Smurfs.

Eles são mais parecidos com os esquimós do que como os gnomos ou fadas. As mulheres vutupís são muito parecidas com a Juliana Paes, ops, é verdade, podem acreditar. Eles são muito parecidos com a gente mas são um pouquinho mais dentuços. Sabe aqueles dentinhos de coelho ? Pois é, o dente deles é mais ou menos assim.

O PimPom era um vutupí bem esperto, mas um dia estava distraído e acabou caindo numa armadilha de passarinho que um homem muito estranho tinha armado.

Esse homem era do tipo que prendia passarinhos para vender ilegalmente na feira. Era uma sacanagem, já que a maioria dos passarinhos acabava morrendo nas gaiolas. Mas o homem ganhava bastante dinheiro com esse negócio e não escutava as pessoas que diziam que ele deveria parar com isso.

O  PimPom era de uma família muito grande que vivia na mata perto de São Lourenço da Serra. Eles adoravam comer castanhas e pinhão. Não eram muito grandes, mas ou menos do tamanho de um coelho, talvez um pouco menores. Mas eram muito rápidos, subiam em árvores e pulavam de galho em galho. Os vutupís enxergam muito bem durante a noite, por isso quase nunca são vistos durante o dia. Mas quem procura entre as flores da mata é capaz de encontrar algum dormindo. Eles adoram as flores e gostam de dormir sentindo o perfume delas, principalmente as flores do campo.

O PimPom um dia estava procurando nozes quando foi apanhado pela armadilha de passarinhos. Ah, era dessas armadilhas de ferro bem fortes e por mais força que o PimPom fizesse, não conseguia fugir. Os parentes dele correram para ajudar, mas não eram fortes o suficientes e o homem caçador já estava chegando. O caçador ficou muito contente de prender um vutupí, ele sabia que iria conseguir vender por um bom preço na cidade.

Os outros vutupís não se conformavam, jogavam coisas no caçador, gritavam, tentaram fazer com que ele caísse, mas nada adiantou. O caçador era tão malvado que nem conseguia ver os vutupís. Ah, esqueci de dizer que só gente muito boazinha é que vê os vutupís que andam livres pela mata. As pessoas ruins só conseguem enxergar os vutupís quando eles caem presos nas armadilhas.

E ele acabou levando o PimPom para a cidade. Os outros vutupís ficaram muito tristes, mas sabiam que o PimPom iria encontrar um jeito de fugir e voltar para mata.

Na cidade foi fácil para vender o vutupí. As pessoas ruins gostam de prender os habitantes das matas.

E o PimPom foi trazido para Higienópolis, um bairro bem rico da cidade. O homem que comprou o pobrezinho morava em um apartamento muito grande e gelado. Mas ele tinha uma faxineira muito bacana, a Marilda. Ela quando viu o vutupí ali na gaiola, ficou horrorizada. Nem o caçador e nem o homem que tinha comprado o vutupí conseguiam entender a língua dele. Mas a Marilda conseguia entender um pouco . E conversaram a tarde toda. Ela, antes de ir embora, deixou com ele um cortador de unhas, assim ele conseguiria cortar a grade da gaiola e fugir durante a noite. E o dono da casa nem iria colocar a culpa nela.

Não deu outra, o PimPom conseguiu fugir durante a noite, mas ele não voltou para a mata. Resolveu ficar ali na praça Buenos Aires, onde outros vutipís estavam morando.

Lá eles brincam pulando de árvore em árvore, voam nas costas das pombas e comem os coquinhos e sementes das árvores.

Não é muito difícil de vê-los. É só ficar quietinho sentado em um banco da praça que você começa a escutar as risadinhas deles e se você olhar bem entre as flores, vai ver algum dormindo. O meu amiguinho Antônio consegue conversar sempre com o PimPom.

Escrito por Duilio Ferronato às 17h06

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A mesma novela – capítulo 23 – a primeira discussão

 
 

A mesma novela – capítulo 23 – a primeira discussão

A Yolanda tinha encontrado poucas vezes pessoalmente com o Mel. Na verdade foram só 3 encontros. E ela pretendia nunca mais ver o moço, mas como em novela tudo é possível, ela acabou encontrando com ele um dia sem querer.

Vocês não pensem que porque a Yolanda fosse uma mulher rica e malvada que ela não trabalhasse. Muito pelo contrário. Trabalhava muito. Ela tinha investido um bom dinheiro numa rede de restaurantes de shopping, desse tipo que tem nome estrangeiro e comida meia boca. Ela trabalhava no escritório dos restaurantes e às vezes ia dar uma olhada na cozinha central. Um dia um dos restaurantes do shopping Ibirapuera teve um probleminha  e ela foi até lá ver. Depois de resolver, ela decidiu ir ao cinema ali perto.

No mesmo dia o Mel teve que ir atender um cliente bem na frente do mesmo shopping. Se isso acontecesse na televisão, vocês já imaginam a tensão que seriam esses minutos antes do encontro. Eles mostrariam a Yolanda recebendo uma ligação da loja, anotando num papel o endereço, deixando claro onde ela estaria naquele horário. E do lado do Mel a mesma coisa, talvez eles até dividissem a tela, mostrando um de cada lado marcando de ir nas vizinhanças. E explodindo no encontro final entre os dois na frente do cinema. Se fosse na televisão ficaria para o próximo capítulo, mas aqui nós revelamos quase tudo no mesmo dia. Os patrocinadores andam pedindo por cenas mais quentes, se possível inserir cenas de nudez ou de seres se transformando em monstros, mas isso acho difícil acontecer por aqui. Na verdade a cena de nudez eu tenho considerado muito, até já conversei com alguns atores para ver quem vai querer fazer. Como o ator mais bonito da novela é o Jailson e a namorada dele é a mais gostosa, vocês já podem imaginar que isso vai acabar acontecendo com eles. Só que vai ficar para outro dia.

Enquanto a Yolanda olhava os cartazes dos filmes para escolher o Mel chegou e nem percebeu que era ela ali ao lado e ficou olhando os horários. Os dois se viram na mesma hora. Não deu para correr. Essa sim foi uma cena de tensão. Certamente teria um comercial do Glaide ou de remédio para gripe bem nessa hora para deixar todo mundo puto.

Eles ficaram uns segundos se olhando sem dizer nada. Até que ela disse:

-         como vai ?

-         bem, e a senhora ?

-         bem também, você vai ao cinema ?

-         é, vou aproveitar que terminei tudo mais cedo hoje e ver alguma coisa, e a senhora ?

-         é, também...eu nem sei o quê ver, aqui só tem filmes de ação e hoje não estou muito para isso.

Apesar do ódio entre os dois ser visível, a conversa correu bem tranqüila.

-         bem, acho que eu não vou ver nada. Vou aproveitar e ir para faculdade mais cedo e colocar umas coisas em ordem.

-         eu soube que você esteve na fazenda.

A tensão cresceu muito com essa pergunta. A câmera fechou no rosto do Mel. Ele ficou visivelmente sem saber o que dizer. Ela também não planejava ter essa conversa com ele, mas foi sem querer. A Yolanda detestava perder o controle, mas nessa hora a situação começou a correr para o descontrole.

-         é, estive. Eu nunca tinha saído de São Paulo antes. Foi uma viagem muito boa. Fui conhecer minha avó, meus tios e primos.

-         Eu conheci sua mãe

Ah, essa foi uma revelação que ninguém esperava. Nem eu sabia que a Yolanda tivesse conhecido a Gilda. Mas ela conheceu quando a Gilda era ainda bem criança.
Quando ela tinha ido passar uns tempos na fazenda. Vocês devem lembrar de que a Gilda tinha ido trabalhar na casa do coronel bem pequena e foi numa das visitas da Yolanda à fazenda que ela conheceu a pequena Gilda.

-         foi mesmo ? E ficaram amigas ?

outra revelação : o Mel tinha desenvolvido um humor muito cínico. Essa pergunta foi para afrontar a Yolanda, mas ela não se intimidou.

-         não exatamente. Ela trabalhava na casa do meu irmão e eu cheguei a conversar com ela uma ou duas vezes.

-         Ah, seu irmão era o meu avô ?

A coisa começou a ficar estranha.

-         você deve saber que o teste de DNA do meu sobrinho deu negativo com o seu. Não é possível que você fosse filho dele.

outra coisa que vocês devem lembrar é que a Yolanda tinha trocado os restos mortais do sobrinho dela com o de outro rapaz para que o teste de DNA desse negativo quanto a paternidade do Joel com o Mel.

-         e como se explica a semelhança ?

-         isso eu não sei, nem acho vocês tão parecidos assim. Aliás, nem sei quem inventou essa história toda. Isso já foi desgaste demais para nossa família. Enfim, acho que não vou mais ao cinema. Até mais Joel. (o nome do Mel é Joel, como o pai dele)

-         Até logo dona Yolanda.

Ela saiu emburrada e ele também. Foram em direções opostas, mas quando o destino quer brincar com alguém, ele capricha. O Mel tinha estacionado a moto bem ao lado do carro da Yolanda e eles se encontraram mais uma vez no estacionamento. Mal se olharam e foram embora com certo estranhamento no olhar.

Essa última cena foi digna de novela da Record. Ele saindo de moto e ela de carrão.

 

Não vai parar por aí a discussão. No próximo domingo eu conto mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 12h24

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A novela – capítulo 22 – o tio gay

 
 

A novela – capítulo 22 – o tio gay

Bem como hoje é dia da Parada Gay aqui em São Paulo, eu vou contar a história do Alexandre. Ele é irmão do marido da Yolanda, aliás o marido da Yolanda chama Plínio.

Assim como o Plínio, ele também nasceu em João Pessoa, era filho de um fazendeiro poderoso e usineiro dos grandes. Muitos primos e parentes são envolvidos em política. O Alexandre e o Plínio tinham mais duas irmãs, uma morava em Miami – por motivos meio desconhecidos dos negócios do marido dela – e a outra morava em João Pessoa e era casada com um irmão do Governador da época, quer dizer : na Paraíba as mesmas famílias governam desde sempre.

O Alexandre foi morar no Rio de Janeiro aos 19 anos, não agüentava mais a pressão familiar e a vida numa cidade pequena. Um dia o Plínio foi visitá-lo e acabou conhecendo a Yolanda justamente numa festa na casa do Alexandre. Na época a Yolanda já procurava um marido que fosse mais rico do que o pai dela ou pelo menos com potencial para isso.

A festa de casamento eu nem preciso contar como foi. Vocês já devem ter visto dessas festas na Revista Caras. Tinha uma fonte de champanhe. Todas as coisas cafonas do mundo foram encomendadas para a festa. Até coluna grega tinha. E a festa aconteceu na casa da avó da Yolanda em Maceió. Essa casa era um escândalo. Foi inspirada na casa da fazenda do filme O Vento Levou. E o mais engraçado é que diziam que tinha sido construída com dinheiro público que seria usado para construir uma usina hidroelétrica. Isso nunca ficou provado, principalmente porque a casa custou mais caro do que construir a própria usina.

Um amigo do Alexandre, de Recife, quem organizou a festa. Esse amigo é  especializado em festas de milionários. Ele sabe gastar em besteiras. Um talento para poucos. E ganha uma fortuna para fazer essas coisas.

O Plínio e o Alexandre eram  muito amigos quando criança. Depois que o Alexandre foi morar no Rio a amizade ficou meio abalada por uns tempos. É que o Alexandre um dia chegou e contou para o irmão que estava namorando um ator famoso. O Plínio ficou traumatizado. Saiu do apartamento do Alexandre batendo a porta e dizendo que iria contar tudo para os pais. O coitado do Alexandre ficou morrendo de medo. Na época ele tinha uns 20 anos e o irmão uns 18. Isso foi antes da Yolanda entrar na vida deles.

Mas o Plínio ficou atordoado a noite inteira, andando pela praia e no dia seguinte voltou para o apartamento do Alexandre e nunca mais falou no assunto. E não fala até hoje.

Depois que o Alexandre fez 30 anos, a mãe dele  foi passar umas semanas no Rio com ele, mas para a mãe ele não teve coragem de contar nada. Fingiu que tinha uma namorada e a mãe nunca desconfiou, quer dizer : aquelas coisas que as mães dos gays fazem, fingem que não sabem e no fundo sabem de tudo mas não querem admitir. O pai nem sonhava, mas não gostava muito das ideias do filho, achava que ele era muito esquisito.

Obviamente que o tempo foi passando e o Alexandre nunca casou com nenhuma moça. Os pais foram ficando preocupados e viviam falando que ele já tinha idade para casar. O Plínio casou com a Yolanda quando tinha 25. O Alexandre um dia chegou para a mãe e disse que estava muito triste porque tinha se separado do namorado. Ela olhou bem firme para ele e disse : meu filho, os casamentos de hoje em dia não duram muito mesmo. Daqui um tempo você esquece esse moço e arranja outro. Ela nunca mais falou no assunto e ele, apesar do susto da reação da mãe, ficou muito feliz. O pai uma vez disse para ele que se ele não pretendia casar, que pelo menos adotasse um filho. Mas parou a conversa por aí mesmo.

O Plínio e a Yolanda já foram muito mais companheiros. Freqüentaram muito o apartamento do Alexandre e ele também visitou o irmão várias vezes aqui em São Paulo.

Quando o Rafael, filho da Yolanda e do Plínio, pirou, o Alexandre veio dar uma força. Cuidou de tudo e até acompanhou o rapaz na clínica por uns dias.

Se fosse esta novela fosse na TV, o Alexandre seria uma bicha comportada, com namorado fixo e pouco afetado. Mas o Alexandre não é nada disso. Ele é da pá virada. Um safado de primeira. Louco por homem e já desistiu dessa coisa de namoro sério. Agora ele está numa fase de sacanagem. Quando vem para São Paulo, vai para todas as festas. Não gosta muito da The Week, mas adora a Loka, principalmente às terças e quintas. Depois da Loka vai direto para a sauna 269 ou quando está querendo ver gente feia vai até a Labirintus. Chega na casa do Plínio com as pernas trançando e dorme até às 2 da tarde. Gosta de passear na Oscar Freire à tarde, correr no Ibirapuera, comprar livros na Livraria Cultura e Livraria da Vila, vai ao teatro e cinema. Fica pouco tempo aqui em São Paulo e quando volta para o Rio, tem que descansar uns 2 dias para poder voltar ao trabalho normalmente. Lá no Rio, ele trabalha numa empresa de Marketing. Ganha rios de dinheiro. Essa é uma profissão que ainda paga muito bem. Além dele ser um grande herdeiro ainda tem um bom emprego.

Vai ser a primeira Parada Gay de São Paulo que o Alexandre comparece. Lá no Rio as bichas são mais enrustidas e não vão às Paradas para não serem vistos. Aqui a coisa é um pouco mais liberada, apesar de ter sempre uns bobos que ainda não saíram do armário. O Alexandre, agora que tem 40, resolveu escancarar a porta do armário e não esconde nada de ninguém.

Só não teve coragem de ir para João Pessoa  e contar para os amigos. Mas quando você chega aos 40, nem precisa dizer nada para ninguém, as pessoas sabem e fingem que não sabem. E ele finge que ninguém sabe também.  

 

No próximo domingo eu conto mais, agora vou sair para ir à Parada.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h22

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Novela – capítulo 21 – outra moça, a Roseilde

 
 

Novela – capítulo 21 – outra moça, a Roseilde

Na semana passada, contei sobre a Tânia, que é uma moça muito equilibrada. Agora a Roneilde, namorada do Wil é outra história.

A mãe dela teve 8 filhos com o mesmo marido. Criaram os filhos juntos até uma certa fase da vida deles. Mas, 8 filhos - é pobreza na certa e a Roseilde era a sexta filha.  Ela nunca leu um livro na vida e nem entende muito como uma pessoa consegue se concentrar numa leitura por mais do que 2 segundos. Ela só lê frases, nunca lê notícias e por mais que eu diga para ela que os filhos terão mais chances na vida se lerem bem, ela não incentiva os meninos. Ela teve 4 filhos. A primeira filha foi com um namorado que ela conheceu quando tinha 16 anos. O sujeito sumiu e logo ela conheceu o Wil, com ele ela teve a Bia, que é uma menina muito esperta.

O namoro com o Wil não durou muito. Ela era muito ciumenta. Ultimamente, tenho começado a acreditar que ciúmes vem sempre junto com algum outro sentimento ruim ou burrice. Todas pessoas ciumentas que conheço ou são burras,  feias,  egoístas ou pouco honestas. Incrível como ciúmes é um sentimento que atrai outras coisas ruins. E a Roseilde era cheia dessas coisas.

Ela começou a demonstrar ciúmes já no primeiro encontro. Dizia que o Wil tinha cara de namorador, isso já é a dica de que a pessoa é ciumenta : ela desconfia antes de conhecer.  E ela demorou até o quarto filho para entender que ela tinha que saber se cuidar para não engravidar. Ela sempre acreditava que a tabelinha funcionava ou que os rapazes iriam usar camisinha. Deu no que deu : 4 filhos, sendo 3 pais diferentes.  Depois que ela se separou do Wil conheceu o Otávio e teve mais 2 filhos com ele. Já se separou do Otávio, mas felizmente ela fez uma cirurgia para não ter mais filhos. Fez de um jeito meio forçado. Um médico muito bacana lá de São Miguel Paulista (bem na periferia da cidade) conseguiu que ela e as irmãs fizessem a cirurgia. Todas as irmãs dela foram para o mesmo caminho : todas com mais de 3 filhos e com pais diferentes.  O sistema de saúde brasileiro não permite que uma mulher, com menos de 26 anos, faça essa cirurgia, mas alguns médicos mais esclarecidos têm conseguido fazer ou convencidos os rapazes a fazerem vasectomia. Claro que convencer os moços é muito mais difícil.  Já no parto do quarto filho as meninas são convencidas a fazer a laqueadura. Isso em alguns hospitais onde o médico é capaz de acompanhar o desenvolvimento da gravidez e percebe que a mãe não vai parar no quarto filho e nem no quarto marido.

A Rosenilde fez a laqueadura no quarto filho apesar de ter só 23 anos na época. Infelizmente isso não tirou os filhos dela de viverem beirando a pobreza. O Wil ajudava bastante a cuidar da Bia. Tentou até ficar com a guarda dela, mas a Rosenilde, outro probleminha dela, achava que se ele ficasse com a guarda da filha ela iria perder a pensão que ele dava para elas. Foi muito mais pela pensão do que pelo amor à filha, mas ela não deixou a guarda ir para o Wil.  Foi um tipo de guarda compartilhada. Apesar dele ficar mais tempo com a Bia do que a mãe. A menina gostava de tudo cor de rosa, e o quarto dele tinha várias coisas para agrada-la.  Os irmãos da Bia tinham menos sorte do que ela. A primeira filha da Rosenilde morava mais com a avó do que com a mãe e só tinha visto o pai umas 4 vezes na vida. Os 2 irmãos mais novos eram super sapecas e o pai já tinha mais 2 filhos antes deles e  mais 1 filha, com outra mulher, depois que se separou da Roseilde. Um rapaz bacana mas muito desmiolado. Trabalha num posto de gasolina e fazia bicos de pintor. Não vê muito os filhos da Roseilde porque ela é muito briguenta e é só ele chegar para ela começar a falar sem parar. Ela dispara a acusa-lo disso e daquilo, e ele vai cada vez mais se afastando dos filhos.

O Wil agüenta a Roseilde porque finge que não escuta nada, e acho  que ele nem escuta mesmo. Ele desenvolveu um sistema de defesa que as palavras dela entram por um lado e saem por outro sem ele nem perceber. Só responde com uns grunidinhos para ela pensar que ele está ouvindo.

Se  esta novela fosse na televisão a Roseilde seria um tipo de vilã meio vitima. Daquelas meninas que foram excluídas de qualquer chance. E que se uma pequena chance aparece para ela, ela, sem querer, ou por auto sabotagem, acaba estragando tudo. A vida dela é uma corrente de coisas chatas. De todos os lados aparecem problemas que ela resolve do pior jeito. Sempre se dá mal. Talvez quando ficar mais velha as coisas vão se acertando, mas parece que essas pessoas vão esquecendo de sorrir e a vida vai ficando mais pesada para elas. Pior que acabam levando os filhos junto para esse poço de tristeza.

Mas uma coisa engraçada desta novela é que a Roseilde era irmã de uma das empregadas da Yolanda, mãe do Rafael e tia do Mel. Isso por pura coincidência. Sabe aquele núcleo da novela onde os empregados ficam sempre fofocando na cozinha? Pois é. É aí que a irmã da Roseilde vai aparecer.

Mas no próximo capítulo vou contar um pouco da vida dos ricos, os pobres só voltam daqui a 15 dias, ih pensando bem ainda vou ter que contar um pouco de uns personagens de classe média que nesta novela ainda não apareceram muito e ainda tem a vida daquele dono do bar. Lembram-se dele ? Aquele que foi morto no tiroteio. Ah, esse tem uma história muito boa, mas vai ficar para outro capítulo.

Escrito por Duilio Ferronato às 14h55

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A mesma novela – capítulo 20 – os rapazes e a Tânia

 
 

A mesma novela – capítulo 20 – os rapazes e a Tânia

A parte que eu mais gosto desta novela é falar da vida dos rapazes. Se fosse na televisão eles seriam os bonitões que apareceriam sempre sem camisa. Mas o caso é que  na verdade-verdadeira eles eram até feinhos. Mas se a dona Íris Abranavel comprar os direitos desta novela, vou recomendar que este núcleo seja dos moços bonitos e gostosos.

Vocês devem se lembrar que no apartamento moravam o Thiago, Mel, Wil e Jailson.

O Thiago era o único com namorada fixa, a Tânia, os outros viviam enrolados com namoradas e casos.

O Jailson era o mais enrolado. Tinha muitas namoradas e vivia arranjando uma encrenca nova por semana. Era meio compulsivo, não conseguia ficar sem ver uma mulher que já caia matando. Inventava histórias, gostava de contar que a namorada tinha morrido em um acidente e desde então ele não tinha conseguido se envolver com ninguém. Ele até chorava para ficar mais convincente. Um safado de marca maior. Mas sempre se dava mal, era um mentiroso daqueles que já nem lembrava mais o que era verdade o que era mentira, só que era tão burrinho que nunca conseguia lembrar qual mentira tinha contado para qual namorada e acabava caindo em contradição, mas parece que as mulheres gostam de homem safado e ele estava sempre com uma maluca no pé dele. A Tânia sempre punha algumas para correr, mas elas acabavam voltando. De um jeito ou de outro o Jailson conseguiu passar os últimos 10 anos enrolando mais de 100 mulheres e não engravidando nenhuma delas.

Já o Wil, era o contrário. Muito mais tímido e só tinha tido umas 3 namoradas. Engravidou 2 ! Um tonto. E pior é que as ex-namoradas dele mandavam e desmandavam na vida dele. Viviam cuidando dele, quer dizer não exatamente cuidando, mas controlando. Não queriam que ele se envolvesse com mais ninguém. Mas sempre acabava sobrando um prima ou amiga das namoradas do Jailson para ele.

A Tânia morava no Tucuruvi, um bairro muito feio que tem aqui na cidade, apesar de ser perto da Serra e ter o Horto florestal por lá, é um lugar cheio de casas feias. Dizem as más línguas que o mau gosto do paulista tem sementes na Zona Norte, entre Santana e Tucuruvi. Mas eu não acredito nisso, acho que essa semente veio de Moema, que é um bairro mais ao sul. Ih, aquela leitora de Moema vai reclamar outra vez. Tomara que ela não leia este capítulo.

Voltando à vida da Tânia : ela era muito trabalhadora e tinha muita vontade de fazer faculdade e ser independente. Não queria ter que depender da família e nem do marido para nada. Isso era uma das coisas que o Thiago mais gostava nela. Ela conseguia dar um rumo na vida dele. Engraçado como uma mulher, com cabeça boa, consegue arrumar a vida de um maluco; e uma, com a cabeça ruim, consegue desandar a vida de um cara certinho. Se esta novela fosse na Globo, talvez, ela fosse uma daquelas moças que é do núcleo pobre, mas com cara de rica, cabelo liso, corpinho para sair na playboy, seria como aquelas moças que o pai é bem honesto mas foi sempre passado para trás e a mãe seria uma dona de casa amorosa. No fim da novela, no último capítulo, a Tânia iria casar com um moço lindo, rico e muito bacana. Claro que com a verdadeira Tânia não foi nada disso. Ela nunca casou com o Thiago e nunca tiveram filhos. Namoraram por 12 anos. Brigaram muito, mas também foram muito felizes.

O mais engraçado é que quando se separaram; ela casou logo em seguida com outro rapaz e teve 2 filhos e ele casou com outra moça e já teve 2 filhos também. Ficaram uns 8 anos sem se ver e nem se falar. Um dia  encontraram-se  por acaso na rua e bateu uma saudade infernal. Nem se falaram direito, fingiram que estavam com presa e foram embora. Tiveram insônia por 2 noites seguidas e uma vontade louca de ligar um para o outro, mas não ligaram. Estavam bem no casamento atual, foi só uma dessas coisas estranhas que toma conta de gente quando encontramos um amor do passado.

 

No próximo domingo tem mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 13h55

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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