Blog do Duilio
 

Desenhando

 
 

Desenhando

Desenho é alheio a escrever. Alguém já disse que são habilidades que ocupam lugares opostos no cérebro.

Se ficam em lugares opostos não sei dizer, mas sei dizer que a sensação de desenhar é muito diferente da de escrever.

Desenhar no computador ou com réguas é mais próximo a escrever do que desenhar a mão.

Só o desenho à mão livre que consegue hipnotizar. O cérebro para de pensar e você fica meio lento, meio imóvel, os olhos vão de um lado para outro, os dedos tomam a frente e fazem tudo.

Estranho pensar que tanto para desenhar como para escrever os dedos são fundamentais. Já escrever no computador não parece tão diferente de escrever à mão como acontece com o desenho.

O desenho à mão é mais abstrato. Escrever é sólido. Desenhar é mais gasoso.

Escrever requer conhecimentos específicos. Desenhar requer observação. Escrever pode ser reflexo de observação. Desenhar e escrever devem ser reflexos de observação. Ah, finalmente chego a uma conclusão.

Escrever sobre um banheiro não tem nada em comum com desenhar um banheiro. Escrever sobre o azulejo é mais elaborado. Desenhar é só um risco.

Mas o risco é muito elaborado. No toque do risco está sua essência. Desenhar é mais escancarado. É obvio. O texto engana. O desenho...pode enganar.

Desenhar da mais vontade de desenhar, escrever dá mais vontade de ler, tomar café, pensar...

Escrever sobre desenho é estranho.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h24

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Ministro Temporão podia sair de fininho

 
 

Ministro Temporão podia sair de fininho

 

Ministro da Saúde volta a fazer campanha por "nova CPMF"

No link http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u637350.shtml

 

É meio estranho ainda existir gente que acredite que aumentar impostos possa resolver alguma coisa. O pessoal de Brasília parece viver num mundo paralelo e não entende o que acontece aqui no mundo real.

Se o Ministro não anda conseguindo dinheiro para financiar a saúde pública, vou mandar umas sugestões para ele economizar dinheiro público e investir na Saúde e aproveitar a sobra e investir na Educação:

-         diminuir o número de deputados federais

-         fechar o senado federal

-         acabar com a estabilidade para os servidores públicos

-         acabar com as férias de mais de 30 dias que alguns servidores têm

-         diminuir o número de vereadores

-         fechar todas as Câmaras Estaduais

-         diminuir os gastos com propaganda do Governo

-         fechar todos os cartórios

 

E já que vai fazer essas mudancinhas, podia aproveitar e:

-         acabar com ICMS

-         IPI

-         IPTU

-         I...

-         E todos os outros Is.

-         Nada de impostos indiretos

-         Crie um I-Único com no máximo  10% de alíquota para quem ganha menos do que R$ 6 mil.

 

Pronto, já vai ter dinheiro para fazer tudo que quiser e as pessoas que não vivem no mundo paralelo de Brasília iriam voltar a acreditar no Governo, seja qual for ele.

E só mais uma coisinha :

-         o contribuinte poderia indicar onde ele acha que o dinheiro deveria ser usado.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h13

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Sequestraram a Arruda

 
 

Sequestraram a Arruda

Aqui na frente de casa plantei um canteiro de ervas protetoras. Um pé de quebra-demandas, uma pimenteira, um alecrim e uma arruda.

O quebra-demandas já foi pisoteado uma vez, não resistiu e foi para o paraíso das plantas lá no céu. Coitado, morreu jovem. Trabalhou muito no curto tempo de vida dele. Aqui na minha rua tem uns vizinhos que não gostam de mim e ficam me olhando torto, o coitado do pezinho de quebra-demandas teve que me proteger de várias situações difíceis, mas logo após a morte dele eu comprei outro maior e mais forte, que tem feito um bom trabalho de protetor.

O alecrim é uma planta que eu sempre gostei e segundo a lenda protege a casa contra ladrões. Eu tenho vários pés de alecrim em vasinhos. Gosto do cheiro, do gosto e da planta também. É resistente e muito bonitinha. Tenho até um ramo no carro para deixar tudo protegido.

A pimenteira é muito bacaninha, produz muita pimenta e minha vizinha sempre pega as que vão amadurecendo. Estranhamente essa vizinha nunca plantou nada, mas já a vi pegando uns galhos do meu alecrim e várias pimentas do meu canteiro. E olha que ela tem bastante espaço para plantar mas prefere pegar do meu. Gente estranha que não entende o prazer que é ter um canteiro.

A arruda sempre foi vítima de depredações. Logo quando plantei, alguém já veio e arrancou um galho e depois outro. Arruda é boa para tirar mau olhado. E as pessoas gostam do cheiro estranho dela, eu não gosto muito, mas a cor é bonita e é uma plantinha bem simpática. Hoje pela manhã o pé de arruda não estava mais lá. E ela nunca tinha saído sozinha de casa. Estou desconfiado que foi sequestrada. Quem iria querer sequestrar meu pé de arruda ? Deve ser uma pessoa muito sem coração. Agora meu canteiro ficou mais uma vez meio triste, vou esperar uns dias para ver se o safado pede resgate, senão terei que comprar outro pezinho.

Escrito por Duilio Ferronato às 22h40

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Ai, se você

 
 

Ai, se você

Se você vier morar comigo

Vou abusar dos teus lábios

Vou lhe encher de beijinhos

Se você vier me ver

Vou lhe abraçar muito

Vou lhe fazer carinhos

Se você  conversar comigo

Vou lhe contar histórias boas

Vou lhe contar histórias tristes

Vou lhe contar histórias alegres

Se você sorrir para mim

Vou viver feliz para sempre

Vou dormir tranquilo

Vou correr sem parar

Se você me der um presente

Vou guardar no travesseiro

Vou mostrar para todo mundo

Vou chorar e soluçar

Se você disser que me ama

Eu nem sei o que vou fazer

Escrito por Duilio Ferronato às 21h30

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Racismo e burrice são irmãos

 
 

Racismo e burrice são irmãos

“Justiça manda soltar engenheiro acusado de racismo em São Paulo”

 

No link : http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u635626.shtml

 

Na última terça, postei um texto sobre o MST e o que mais me espantou foi o número de comentários racistas.

Um leitor muito esclarecido disse que o brasileiro na hora do aperto sempre mostra sua cara: racista e de direita. Pode estar certo mesmo. É meio difícil controlar o racismo, ele cresce numa parte do cérebro que foi desenvolvida para nos defender de coisas diferentes. É algo muito ancestral que tem que ser controlado pelo racional e o que menos temos na hora do aperto é controle pelo racional.

Talvez a justiça devesse ser mais flexível com quem diz coisas racistas na hora da raiva, afinal aquela pessoa não diria isso enquanto está com a razão controlada.

Mas ao mesmo tempo um leitor mandou um comentário bem burrinho, mais ou menos assim: O governo devia mandar todos MSTs de volta para África. Coisa estranha para escrever. Primeiro que os integrantes do movimento nem parecem ser na maioria negros e outra que os descendentes de africanos chegaram no Brasil muito antes dos italianos, japoneses e alemães.

E sendo racismo uma coisa produzida pela parte irracional do cérebro, talvez seja por isso que as pessoas que soltam comentários racistas tendam a ser menos habilidosas nas artes do raciocínio e vivam guiadas por sistemas de defesas que não fazem mais sentido. Ter medo e ódio do estranho ao nosso convívio é coisa de homem das cavernas.

Escrito por Duilio Ferronato às 09h20

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Bicicleta nova

 
 

Bicicleta nova

Finalmente comprei uma bicicleta nova. A velha eu tinha dado para o pedreiro e acabei ficando sem por muito tempo. Lidíssima, prateada e de alumínio. R$ 490 em 6 x no cartão. Ih, vai ser mais uma conta para pagar até abril do 2010. Não deu para resistir.

Já tinha feito um pacto com meu amigo Beto que não iria mais gastar nada até juntar R$ 20 mil no banco, mas juntar dinheiro está tão difícil que o máximo que consigo é deixar a conta zerada sem chegar no negativo. E a bicicleta estava entre as urgências que tinham que ser resolvidas.

Na verdade fui até o Extra para comprar uma que tinha visto anunciando de R$ 299 em 10 x sem juros. Mas era uma promoção que só valia para o cartão Extra e a bicicleta nem era tão bacana assim. Eu sempre caio nessa história dos anúncios. E fiquei com uma impressão de que a promoção era para justamente pegar gente como eu que acredita em anúncios.

A bicicleta  prateada foi amor a primeira vista. Trouxe para casa dentro de uma caixa e tive que montar, só percebi que dizia na caixa que a montagem era grátis depois que já tinha feito tudo. Essa mania de não ler todas instruções antes de abrir  ainda vai me dar prejuízo.

Toda montada, só deixei de fora alguns acessórios que não pareceram muito úteis. Fui dar uma volta na chuva. Hoje, aqui em São Paulo, está daqueles dias que vai ficar chovendo fino o dia todo e por mais alguns dias.

Mas eu fui assim mesmo. A coincidência engraçada é que quando eu ganhei minha primeira bicicletinha com rodinhas estava chovendo muito e minha mãe não deixou eu sair para experimentar. Pode um trauma desses? Imagina ficar com uma bicicleta nova dentro de casa e não poder sair?

Meu irmão, que é virginiano, não é e nunca foi ansioso, por isso nem se importou muito em esperar até o dia seguinte para experimentar a bicicletinha, eu quase tive um ataque cardíaco. Não adiantaram todos os meus argumentos da época e entendam que eu já era argumentativo desde que aprendi a falar (para desespero dos meus pais e todos adultos que estavam a minha volta).

Bem hoje fui dar um volta de bicicleta nova mesmo na chuva. Que sensação boa. Deveria ter comprado antes. No feriado vou andar muito, fiquei imaginando enquanto comprava que iria acordar bem cedo todos os dias para pedalar, mas acho que isso é só uma fantasia da hora da compra, depois passa. 

Escrito por Duilio Ferronato às 16h22

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MST anda muito mal

 
 

MST anda muito mal

Uma das piores cenas que vi na televisão nos últimos tempos foi a do trator do MST derrubando as laranjeiras. As pobres laranjeiras estavam completamente carregadas e com laranjas lindas.

Afinal o Movimento dos Sem Terra não era para invadir só propriedades improdutivas? Agora eles invadem pomares produtivos, destroem a plantação e depois declaram que a terra é improdutiva para que eles possam pedir a posse?

Eles alegaram que iriam plantar milho e feijão, mas pelo que eu saiba dá muito bem para plantar feijão e milho entre os pés de laranja. Isso já é feito há muito tempo. Não precisaria derrubar as laranjeiras. E derrubar uma árvore carregada é como chutar uma mulher grávida, é totalmente contra a natureza. Uma agressão injustificável e covarde. Fico imaginando que esse sujeito que estava dirigindo aquele trator não poderia ser considerado um homem da terra, não dá valor a uma árvore carregada e não entende que passar por cima de uma planta linda daquelas não vai levar ninguém a nada.

De qualquer forma parece que o MST teve um revés incrível. Agora só mesmo os comunistas mais fanáticos para defenderem o Movimento. E mesmo assim só defendem por paixão e sem nenhuma razão.  O fanático que derrubou as árvores não pode ser considerado um dos pensadores do Movimento, mas agora vai virar referência.

Vai ser muito difícil para o MST conseguir conquistar a simpatia das pessoas de volta, se é que algum dia teve, a minha já andava abalada  e agora está completamente assolada.

Tomara que eles voltem a razão e pensem melhor nas próximas ações, afinal Reforma Agrária é algo que realmente precisamos, mas tem que ser feita de um jeito um pouco mais inteligente e com menos violência.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h59

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Perfume é parecido com música

 
 

Perfume é parecido com música

Sentar ao lado de uma pessoa muito perfumada no teatro é uma tortura. O cheiro começa a arder nas narinas e vai dando um certo enjôo. Se o perfume for adocicado é ainda pior.

Ir ao teatro aos domingos é quase sempre fatal : vai ter um monte de senhoras perfumadas. E elas também têm cheiro de spray nos cabelos, amaciantes nas roupas e desodorantes fortes. Tudo na mesma pessoa.

E assim como a música, o perfume demais estraga. Aqui no meu bairro é muito comum que alguns sujeitos coloquem umas aparelhagens de som no porta-malas do carro e liguem no volume máximo. Estranhamente passei um domingo escutando música no volume máximo de um vizinho e depois fui ao teatro e sentei atrás de uma senhora muito perfumada. Fiquei imaginando que aquela senhora deveria ser mãe do rapaz do carro. Os dois com sentidos afetados pelos excessos.

Claro que os dois não devem ter nenhum tipo de parentesco, mas o universo deles é muito parecido. Ele expande o território dele com uma música medonha e ela conquista mais espaço com um cheiro adocicado.

Ela deve imaginar que as pessoas prefiram o cheiro adocicado ao cheiro natural dela e ele deve imaginar que existam pessoas que gostem da música medonha dele.

Já não consigo identificar direito qual música ele escutava e nos fazia escutar. Só sei dizer que era uma aberração musical e com  letras mais absurdas ainda.

Ela já era mais fácil de identificar, tinha um certo cheiro de fruta artificial, quase um cheiro de gelatina de cereja com um pouco de desinfetante bucal.

Um domingo tendo que aguentar excessos dos outros. Nada como viver em sociedade para desenvolver a paciência.

Pensando bem : durante a semana a gente tem que aguentar vários outros excessos. E sem excessos, talvez a maioria das pessoas passasse totalmente despercebida.

Escrito por Duilio Ferronato às 22h57

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Mais tacanho do que Renato Aragão

 
 

Mais tacanho do que Renato Aragão

Às vezes fico tentando encontrar uma razão para que o Renato Aragão ainda esteja no ar. Ele tem um programa machista, homofóbico  e com piadas óbvias o tempo todo.  E junto com o Dedé Santana são as  pessoas mais sem graça do humorismo nacional.

Tudo parece previsível e antigo. Ninguém diz para eles que um bom roteirista faria muita coisa por eles ?  A mesma piada é repetida desde sempre. Outro dia assisti um trecho do programa e ele contou a mesma piada que contava quando eu era criança. Não dá Seu Didi!

Passou na Sessão da Tarde um dos filmes (outra vez). O cenário era pobre e mal feito, de dar dó. Era pior do que aqueles filmes de monstros japoneses antigos. O cenário balançava. Patético e sem ser de propósito.

Podem até dizer que ele tenta colocar um pouco de inocência naquilo tudo, mas a inocência de quem fatura milhões é um pouco duvidosa. Não custaria nada investir em qualidade: chamar bons cenógrafos, bons roteirista, bons diretores e bons atores também. Que aliás ele pega a raspa da panela para colocar no programa dele. Só tem ator ruim. Ops, aquele magrinho até que é engraçado, mas é o único, os outros são horrorosos.

Aí me vem uma tentativa de entender como alguém consegue ficar tanto tempo no ar e surgem algumas hipóteses :

-         A falta de uma boa crítica na TV brasileira leva as pessoas a não enxergar a diferença de bom, ruim e péssimo.

-         Um público que  não leva em conta o que o crítico diz.

-         Uma “artista” que fez tanto sucesso no passado se vê livre de ter que escutar opiniões e continua fazendo o mesmo de sempre sem evoluir.

-         A falta de profissionais qualificados em roteiro. (essa hipótese eu ainda não estou convencido)

-         Alguns “artistas” são tão articulados com a máquina administrativa que conseguem ficar no ar mesmo sem apresentar um bom trabalho. (essa é a hipótese que eu mais aceito)

-         A falta de conteúdo tem a ver com a falta de conteúdo de quem assiste. (hummmm)

-         A inércia do público faz com que eles deixem a TV ligada no mesmo canal desde sempre e isso afirma uma audiência suficiente para manter um programa ruim no ar.

Bem qualquer que seja a hipótese aceitável, eu não vou conseguir engolir esse tipo de programa. E o pior : ele vai ter mais um programa em breve. Acabei de ler essa triste notícia  no jornal. Credo.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h49

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Festival do Rio 2009

 
 

Festival do Rio 2009

Sem o apoio da Petrobrás, do apoio das Leis de incentivo e de algumas prefeituras o cinema brasileiro não estaria decolando tão rápido como está. Ainda falta surgir um grande filme. Até agora não vi nenhum inesquecível, mas em breve vai surgir um grande roteiro com um grande diretor e boa fotografia. Quase todos os que tenho visto têm boa fotografia, roteiro com falhas, direção irregular e atores mal explorados.

Uma amiga acaba de voltar do Festival e disse que alguns filmes estão dando grandes passos para alcançar o tal filme inesquecível. Tomara que surja logo, estou meio cansado e filmes brasileiros mais ou menos bons.

No site do Festival  dá para ter uma ideia do que virá para o próximo ano http://www.festivaldorio.com.br

E veja esta vnheta que foi feita em homenagem  ao Festival, aliás, as vinhetas são sempre boas.

Escrito por Duilio Ferronato às 09h02

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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