O novo portal da Record (www.r7.com) fez muito barulho no mercado jornalístico e nos meios de internet antes de ser lançado. Prometia revolucionar, prometia grandes tecnologias e um monte de outras coisas.
E lá foram eles com tudo o que prometeram, mas não entregaram. É mais ou menos como quando lançaram aquela novela dos Mutantes, em que diziam que a tecnologia para os efeitos especiais seria de ponta, que seria a novela mais bem feita tecnicamente no país. Mas quem viu um capítulo pode dizer que não era nada disso. Era na verdade constrangedora. Uma porcaria mal feita que dava até vergonha de ver alguns bons atores se prestando aquilo por dinheiro vindo de lugares suspeitos.
Agora lançam um site bobinho e sem graça. Queria conhecer o diretor que teve coragem de dizer que aquilo seria revolucionário ou inovador. Parece até o site da revista Caras ou da revista Quem. Só que mais feio e mais sem graça.
Bem, pelo menos eles têm menos publicidade do que nós aqui - que cá entre nós atrapalha muito. Eu sei que a publicidade paga as contas, mas que é muito chato ter que aguentar tanta publicidade, isso é! Ainda bem que aqui ao lado do meu blog eles resolveram colocar uma lista de livros mais bacanas do que a que estava antes (que era de matar qualquer de constrangimento. Toda vez em que eu entrava no blog, ficava envergonhado com a lista dos livrosao lado da minha foto - como se fosse eu quem tivesse indicado. Agora melhorou.) Mas a publicidade no UOL e na Folha ainda é muito ruim. Na capa do jornal dá vontade de queimar, por isso nem assino mais o jornal. Acho até que o jornal deveria ser distribuído gratuitamente, já que eles colocam publicidade na capa. Mas não é.
Felizes são os leitores do site R7 e os telespectadores da Rede Record que não precisam aguentar tanta publicidade. Outro dia mesmo eu vi um pastor dizendo que eles eram os sócios de Deus aqui na Terra. Virgi ! Por isso que eles nem precisam de muita publicidade, eles têm um sócio bem rico e poderoso. Mas se Deus fosse tão relaxado quanto os sócios dele aqui na Terra, nós iríamos nascer todos muito feios.
Alguns amigos ficam o ano todo sem sair da cidade e quando saem, vão para algum lugar agitado e com coisas para fazer.
Coisas para fazer e coisas urgentes vão minando nossa vida de um jeito muito traiçoeiro, quando você percebe já está totalmente tomado por um negócio parecido com uma síndrome da urgência. Tudo precisa ser feito rápido e tem que fazer mais de uma coisa de cada vez.
Bem, eu não quero mais isso para minha vida. Quero apanhar frutas no pé, comer devagar cada uma, sem ter que lavar freneticamente e nem ficar pensando em doenças.
Quero aproveitar que comi a fruta e guardar a semente para plantar.
Quero também poder ficar olhando as flores por um tempão. Vendo as abelhas chegarem, irem, voltarem e perceber que o tempo delas é o nosso tempo também, só que com mais cuidado. O tempo que nós esquecemos e que agora chamam de perda de tempo. Estranho, quanto mais coisas eu faço, mais a sensação de urgência cresce. Talvez e tenha que sempre fazer uma coisa de cada vez para que o tempo fique mais valorizado e menos urgente.
Depois quero ficar na rede de pés para cima sem fazer nada, só olhando as árvores, os pássaros, balançando um pouquinho e dormindo no embalo.
Setembro é um dos meses mais bonitos do ano. É bom aproveitar os últimos dias. Outro setembro é só no ano que vem.
É um sujeito que está sempre te elogiando. Diz coisas que você gosta de ouvir. Ele é amigo de todo mundo – ops, hum isso é suspeito – O amigão é aquele que nunca diz não, mas na hora de fazer, não faz. Enrola, inventa uma desculpa e não faz.
Ele que ficar bem com todo mundo por isso nunca diz não ou nunca diz que não dá, que não pode ou coisa assim, sempre diz sim e sempre acaba te deixando na mão.
Ele adora bajular. Se você for com ele numa estreia, ele vai elogiar os atores, diretores e autor, mas na hora que sair do teatro vai dizer secretamente que não gostou da peça. Mas se você disser que gostou, ele também vai gostar.
Ele também adora gente importante. Para essas ele sempre diz sim. Um tipo bajulador interesseiro. Simpático, todo mundo fala bem dele e se ressente de alguma coisa que ele prometeu e não fez. As desculpas são sempre boas. Ele diz que alguém esteve doente, essa é uma desculpa clássica do amigão ou ele diz que teve que viajar ou aquelas outras que você já conhece.
Se você for um amigão, por favor fique longe de mim. Prefiro aqueles amigos que dizem a verdade. Às vezes é chato escutar a verdade, machuca principalmente se você sabia que alguém iria dizer aquilo, mas você achava que estava se dando bem.
O amigo é muito diferente do amigão. O amigão marca 20 vezes um café com você e nunca confirma. Marca de ir ao cinema e nunca vai. Marca de jantar e fura.
Amigão diz sim para todos os convites, mas nunca avisa que não vai poder ir. No dia seguinte ele, às vezes, manda um e-mail com uma daquelas desculpas.
Infelizmente há tantos amigões na cidade e tão poucos amigos. E quando você resolve ser sincero com alguém a pessoa fica chateada com você. Se você disser para alguém que não gostou de algo que ela fez, pode ter certeza de que ela irá jogar na sua cara daqui uns anos como uma mágoa e não como uma opinião de amigo. É difícil ser amigo, é muito mais fácil ser amigão.
RG. CPF.CNH.PASSAPORTE.INSS. PIS. CERTIDÃO DE NASCIMENTO.RESERVISTA.TÍTULO DE ELEITOR.CREA.CNPJ.INSCRIÇÃO ESTADUAL (ISENTO).CCM.PLANO DE SAÚDE...
Não dá para decorar. Não dá para sair de casa sem eles. Nem pense em tentar viver sem eles. Sem eles não tem senha e sem senha não tem mais dinheiro.
Senhas são uma doença contagiante. Pega em tudo que você fizer. E não tem cura. Cada vez mais sofisticadas e cada vez mais estranhas. Minha vó nunca conseguiu decorar nenhuma.
Viver sem números é como não ser civilizado, é como não saber ler ou não saber falar. Tem que ter muitos números para ser civilizado. Se você juntar todos os seus números, lado a lado, talvez fique um desses números que a gente nem consegue falar, mais ou menos assim: 13945803009898947262994573839823826292943628348292036126303867256181617829181619198639398129512309774315445988786437887886421479002822138382319301813181-1-1-1927290978742659009795424276-66342876-854....e nem são todos, ainda faltam os números de telefone, placa do carro, seguro, número do IPTU...ih, nem sei.
Mas se civilização tem a ver com números, como é que cada vez mais a gente tem números e ainda temos tantas coisas incivilizadas ? Talvez os números não ajudem muito, ou talvez até atrasem. Quanto maior o lugar, mais os números são necessários. Numa cidade pequena eles nem usam número nas casas, só dizem assim : ali, depois da árvore ou lá depois daquela curva. Parece bom. Mas e se construírem um edifício ? Como seria ? Lá sobre a fulana ou embaixo do seu Zé, muito mais divertido.
Telefone não ia funcionar ou talvez eles colocassem só letras e você escolhesse um nome para seu telefone. Acho que eu iria colocar no meu algo assim : ME LIGA ou GRITA-ME, seria fácil para decorar.
Se viver sem números é impossível, porque a gente não ganha mais números no salário ? Para mim bastaria só um zero a mais, um bem depois do primeiro número já me deixaria muito feliz. Já pensou ganhar um salário com um zero a mais ? Que delícia seria. Só um zero faria toda diferença. Um zero extra me proporcionaria gastar muitos 90, muitos 700 e muitos 8000. Uma maravilha o que um zero pode fazer.
De amanhã em diante vou começar a desejar, todos os dias, um zero a mais no meu salário, umas senhas a menos e poucos documentos.
E a Yolanda em sua tentativa de prejudicar o Mel, foi passando por cima de muitas coisas. Tornou uma ideia fixa. O filho dela, o Rafael, ficou internado, fugiu de casa, quase foi preso e nada disso foi suficiente para que ela percebesse que as coisas não andavam bem para o lado dela. A vida dá umas dicas sutis que a gente tem que prestar atenção e se a gente não ouve atentamente, ela acaba mandando o recado à pauladas.
E a Yolanda foi ignorando os sinais de que essa perseguição só iria prejudicar a vida dela e a coisa foi piorando para o lado dela. Além dos problemas com o filho, também haviam surgido muitos problemas lá na fazenda. Um grande processo trabalhista estava minando os recursos da fazenda, além de uma doença ter se espalhado pelo gado e deixado o rebanho muito debilitado; e o pior de tudo foi descobrir que um dos sócios dela na usina tinha se envolvido em negócios ilícitos e a usina tinha sido interditada pela justiça. (Essa parte vai ficar para outro dia.) Mas o caso é que muitas coisas estavam dando errado na vida dela e ela não se dava conta que ela mesma estava atraindo tanta coisa ruim.
Atrair coisas ruins é um enigma que as pessoas não acreditam muito e fingem que se mantiverem uma certa conduta radical, que nada chegará nelas. Mas estava certa minha tia que plantava umas folhagens protetoras: ela plantava Espada de São Jorge, Quebra Demanda, Arruda, Alecrim e Comigo Ninguém Pode. A Yolanda não acreditava em nada disso, mas ia bastante à missa. O estranho é que ela ia à missa e ao mesmo tempo planejava fazer maldades com o sobrinho. Muito estranho, mas isso nem é muito raro entre as pessoas que se dizem tementes a Deus.
E chegou a um ponto que o marido dela saiu de casa e foi morar em um hotel. Ah, isso foi um grande golpe. Ela não suportava o marido, mas também não suportava a ideia de ser uma mulher sem marido. Só que, por mais estranho que pareça o mal alimenta o mal; e ela ia ficando cada vez mais obcecada com a ideia de que tinha que acabar com a vida do Mel. Não sei dizer se ela se redimisse ou mudasse de atitude, as coisas iriam mudar na vida dela. Se ela virasse uma pessoa boa, as coisas iriam melhorar nos negócios dela, no casamento e o filho iria se curar ? Difícil saber. Talvez a maldade alimentada por rancor seja um processo que a humanidade ainda não tenha conseguido solucionar. Às vezes fico pensando: será que eu não sou mau ou só não tenho coragem de fazer maldades ? Hum, um covarde ! Credo, nem pensar. Acho que sou mais ou menos bonzinho...às vezes, outras vezes sou mauzinho. A Yolanda também se achava boazinha, afinal ela doava coisas para um asilo, ajudava uma Ong e dava presentes de natal para os empregados. Bem, difícil de entender. Conheço uma outra mulher que é um doce com os netos e horrorosa com os filhos, vai entender.
A Yolanda na sua guerra contra o Mel tentou aquele golpe sujo da última semana, até deu certo até um determinado ponto, mas no dia em que o depósito entrou na conta do Mel, ele ficou tão surpreso que contou para o chefe dele. Perguntou o que deveria fazer, e vocês têm que lembrar que o chefe dele era um advogado poderoso e devem imaginar qual foi o conselho que ele deu: guarde o dinheiro e não conte para ninguém! O Mel ficou meio preocupado e foi tentar identificar de onde tinha vindo o dinheiro e descobriu que o depósito tinha sido feito em nome do escritório rival, que surpresa! Ele contou tudo para chefe. E o chefe dele, que já era mais do que esperto, já alertou todo mundo da equipe que o escritório rival estava preparando alguma armadilha para eles, para que todos ficassem atentos. Coitada da Yolanda, gastou 50 mil e não resolveu nada. O Mel saiu com fama de mais honesto ainda e a secretária que colaborava com a Yolanda ficou tão apavorada com o rumo das coisas que resolveu dar uma pista de que a Yolanda estava por trás disso tudo e que ela própria tinha um dia sido convidada, pela Yolanda, para almoçar num restaurante chique e que tinha sido sondada para preparar uma armadilha para o Mel, claro que ela não contou que ela tinha aceitado a oferta e ainda embolsado uns trocos. Ela também quis ficar com fama de honesta, mas não colou por muito tempo. Foi descoberta e mandada embora. Uma safada que nunca mais vai arranjar emprego em escritório de advocacia.
Um dia o chefe do Mel foi almoçar com a Yolanda e disse para ela :
-ah, já ia esquecendo, seu sobrinho mandou agradecer os 50 mil que você depositou na conta dele.
Ela ficou completamente atordoada, não conseguiu disfarçar e se fez de desentendida, mas não deu, caiu na própria armadilha. Virou uma fera e até quebrou uma garrafa de cristal caríssima na parede. Daquelas cenas que todo mundo tem vontade de fazer, mas acho que só acontece em novelas...ops, pensando bem, um amigo meu, o Marcelo, uma vez jogou meu telefone sem fio na parede depois de brigar com a namorada. Até hoje ele não me pagou, acho que vou aproveitar que lembrei e cobrar.
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