Blog do Duilio
 

Paixão

 
 

Paixão

Fazer coisas sem paixão é meio chato, mas quando a paixão toma conta do racional a coisa fica mais chata ainda.

Não dá nada certo e você ainda vai ficando cada dia mais bobo. O coração parece que tem um jeito estranho de dominar a razão e que te coloca numa situação irreversível. Como cair de um prédio: não termina enquanto não chegar lá no chão.

Vai ficando tudo acelerado e o coração vira o centro de todas as atenções do dia e da noite.

Paixão deve ser algum tipo de disfunção do organismo. Talvez um jeito de fugir das obrigações  do cotidiano.

Quando as coisas andam meio chatas e não tem muito jeito para resolver, aparece uma paixão difícil e sem saída. Dessas que não vão dar em nada. Então a atenção fica toda na paixão e as outras coisas do cotidiano ficam para o segundo plano, como se fosse uma tentativa do subconsciente para resolver algumas pendências pela anestesia da pancada.

Nem sei dizer se essa pancada não acaba sendo mais dolorida do que tentar resolver os pepinos aparentemente sem solução.

Deve ser isso mesmo : uma fuga ou um disfarce. Nada concreto, só um disfarce. Para fingir que a vida tem outro sentido.

Gente apaixonada é chata, gente que não se apaixona é mais chata ainda. A paixão é, certamente,  irmã da ansiedade e as duas juntas perturbam qualquer pensamento. Tudo parece que se volta a um único ponto. O ponto responsável pela paixão. Um pensamento fixo, sem solução e ao mesmo tempo sem rumo.

Os pensamentos voltam aquele ponto fixo sem definição. É só uma fantasia. A pior das paixões é quando a certeza de que não tem futuro. E mesmo assim a paixão insiste. Vira quase uma obsessão.  Vasculha tudo, entra mil vezes nas páginas de relacionamentos, vasculha pequenas informações e tudo para descobrir o que já sabia: Não vai dar certo.

Com a idade as paixões parecem diminuir, mas é uma praga persistente. Não tem como fugir.

Coisa chata que é paixão.

Escrito por Duilio Ferronato às 15h48

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Queria ter tido essa ideia

 
 

Queria ter tido essa ideia

Escrito por Duilio Ferronato às 12h40

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A novela, capítulo 28 – o marido maconheiro

 
 

A novela, capítulo 28 – o marido maconheiro

O Marido da Yolanda era um desses sujeitos meio quietos. Não era de falar muito, mas gostava de aparecer. Sempre gostou de carros, relógios, whiskys caros, vinho e todas essas coisas que  os ricos gostam de dizer que entendem.

Quando ele tinha uns 16 anos, o pai entregou um dinheirão para ele e disse assim :

-         você tem 6 meses para aumentar este dinheiro. Se conseguir eu te dou o dobro, se não conseguir vai ter que arranjar um emprego público.

E não é que ele conseguiu ! Investiu numa plantação de maconha num sítio afastado que o pai tinha. Um traficante da região comprou a produção mesmo antes da colheita. O pai ficou maravilhado com o sucesso do filho e também investiu em maconha. Foi um sucesso financeiro. Eles ganharam muito dinheiro e usaram as terras em nome de uns laranjas. Um dos irmãos do marido da Yolanda foi e é político de Pernambuco. Um dia ele sonha em ser governador, mas anda meio sujo e resolveu fazer as coisas mais devagar, até a poeira abaixar.

O marido da Yolanda veio para São Paulo logo depois que casou. A Yolanda não gostava da vida na fazenda e surgiu uma oportunidade de gerenciar alguns negócios da família aqui em São Paulo. A princípio não tinha nada a ver com drogas. Mas o dinheiro fácil e sem impostos é muito tentador. Afinal não há ninguém neste mundo que não sofra em ver o tamanho dos descontos de imposto que caem nos nossos rendimentos. E os ricos têm um amor tão grande pelo dinheiro que sofrem ainda mais, para eles é como perder um braço ou uma perna. Eles sabem muito bem que uma grande parte dos impostos pagos são desviados por alguns safados e se recusam a pagar. Bem não posso ficar aqui dizendo que eles estejam errados pensando por esse ponto de vista, mas como eu sou obrigado a pagar todos os impostos, só posso torcer para que um dia esses ricos sonegadores sejam pegos.

Quando chegaram em São Paulo a proposta era para eles cuidarem das exportações das fazendas e das usinas. Afinal tanto o pai dele como o pai dela eram grandes fazendeiros em Alagoas, Pernambuco, Ceará e Bahia. Incrível pensar que alguém consiga ter tantas empresas, mas esse é um talento para poucos. E eles logo compraram uma casa incrível, só que meio cafona. É um dos males dos ricos brasileiros, são quase todos cafonas e adoram as colunas gregas e os arquitetura neo clássica.

O fato é que ele foi ficando cada vez mais rico com diversos negócios, uns legais e outros menos. Um sujeito esperto que sabia muito bem mesclar seus negócios para não cair naqueles buracos que alguns mais gananciosos caem. Ele até montou um banco de empréstimos. Esse parece que deu mais lucros que as drogas. Vai entender. Parece que você consegue lucrar mais emprestando para pobre do que vendendo maconha para rico. Eu mesmo já peguei dinheiro emprestado numa das empresas dele e paguei mais da metade em juros. Até hoje me dói pensar nisso. Mas ele tem um talento para ganhar dinheiro do mesmo jeito que eu tenho para perder. Pensando bem acho que eu tenho mais talento para perder do que ele para ganhar.

Mas mesmo a vida profissional andando muito bem, os homens muito endinheirados vivem numa pressão infernal e parecem sempre mais velhos do que são. Ele aos 40 já tinha tido vários problemas de saúde e aos 45 já tinha passado por quase todos cardiologistas do país.

Ele quis ter mais filhos, mas por alguma razão eles só tiveram um. Que vocês devem se lembrar, era esquizofrênico, o Rafael.

Uma das grandes frustrações dessas pessoas que deixam uma grande fortuna é saber que as coisas vão todas evaporarem depois que eles morrerem. E ele não queria isso, por isso resolveu começar a procurar um herdeiro dentro da família. Um sobrinho distante ou alguém de confiança. De confiança ele descobriu muito cedo que não existia na família.

Mas ele se encontrou com o Mel secretamente algumas vezes, e achou o rapaz incrível. Era sobrinho da Yolanda mas muito parecido com o ex-sogro. Inteligente, perspicaz e com um tanto de senso de prosperidade saudável. Não ganancioso como o resto da família, mas um rapaz com uma ambição saudável. Diferente até mesmo do avô, que queria ser o dono do mundo. Aliás esses homens muito poderosos sempre querem ser donos de uma boa parte do mundo.

Ele até chegou a falar com a Yolanda que o rapaz era bacana e que eles deveria considerar uma aproximação, mas a Yolanda tinha medo de perder uma fortuna para a aquela família de pobretões que o Mel tinha lá em Alagoas. O problema dela nunca foi ele diretamente e sim imaginar aqueles coitados morando na casa que foi da família dela. Isso ela nunca conseguia aceitar. Engraçado que às vezes as coisas que não deixam a gente progredir são coisas tão insignificantes.

Mas a Yolanda era assim e ele, o marido, teve que dar um jeito de ir moldando seu sucessor indiretamente. O emprego no escritório de advocacia não foi de propósito, na época ele ainda não pensava que o Mel fosse ser um cara bacana. Depois foi percebendo que ali tinha um potencial e foi investindo. Pagou a faculdade, as especializações e até comprou um carro para o Mel. Deu um jeito de ir moldando os amigos do Mel também. Foi arranjando empregos melhores e fazendo todos progredirem. Gente muito poderosa tem uma visão global das coisas que é muito impressionante. Nem sempre é de um ponto de vista bacana, mas é um amplo estudo da situação que é difícil de entender os caminhos por onde passam esses pensamentos.

Bem esse interesse pelo Mel foi fundamental para que o Mel e seus amigos fossem sempre agraciados. E ao mesmo tempo ele foi instruindo os advogados do escritório a mostrarem para o Mel que ele era um sujeito bacana e a Yolanda uma bruxa. Hum, isso é difícil de engolir, mas a coisa vai caminhar para isso nos próximos capítulos.

Escrito por Duilio Ferronato às 14h01

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Só drogas

 
 

Só drogas

Não dá para saber quem é mais engraçado : o delegado, o apresentador ou o ajudante de palco no final.

Escrito por Duilio Ferronato às 08h34

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Ih, o caseiro vai para cadeia

 
 

Ih, o caseiro vai para cadeia

 

A história vai se repetir. Agora o ex-ministro virou inocente e já é meio candidato a Governador ou até Presidente.

O coitado do caseiro vai ter que fugir do país ou vai acabar na cadeia. Parece que o melhor mesmo é ele ir para algum país vizinho. Aqui ele não tem mais futuro. Nem abrir conta em banco ele vai poder.

Ai seu ex-ministro, que vergonha. Conseguiu manobrar todas as informações e ficou parecendo que a maior acusação era a de quebra de sigilo, mas essa era a menor de todas. A pior sempre foi o envolvimento com o Mensalão, e isso nunca vai ser esclarecido, já que esse caso nem existe mais... milagrosamente.

E se o Mensalão nunca existiu, é mais um motivo para prenderem o caseiro. Ele mentiu dizendo que o ex-ministro estava envolvido com o Mensalão.  Como poderia estar envolvido se o Mensalão nem existiu ?

Cadeia para o caseiro ! É claro, e o ex-ministro sai bonito da coisa toda.

Foto de Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Escrito por Duilio Ferronato às 23h25

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Sujeira vinda da Inglaterra

 
 

Sujeira vinda da Inglaterra

Primeiro começou aquela história do lixo chegando nos portos brasileiros. Já foi uma coisa difícil de engolir.

Uma vez conheci um brasileiro em Londres que comprava pneus usados de caminhões ingleses e mandava para o Brasil. Ele disse que o tempo de vida de um pneu na Europa é propositadamente mais curto para que eles vendam os pneus para paises “em desenvolvimento”, assim o país que comprar o pneu usado também terá que arcar com o lixo eterno que um pneu gera. História que parece teoria da conspiração, mas faz um certo sentido.

 

Depois as moças inglesas resolveram dar um golpe no aeroporto. Ah, essa foi engraçada. Dar golpe em carioca ? Quem elas pensam que são ? Devem ter bebido muito. Acabaram indo parar em Bangu. Coitadas. Essas vão pagar pelos micos de que todos brasileiros têm sofrido nas alfândegas britânicas, e olha que não são poucos. Um amigo acabou de ser deportado e disse que teve que tirar a roupa e um policial ainda enfiou o dedo nele para ver se tinha alguma coisa escondida no intestino. Coitado, esse sofreu mesmo. E pior, teve que voltar no mesmo dia. Um vôo de ida e volta com direito a dedo no fiofó e volta algemado.

 

Bem, não dá para dizer que a gente tem a melhor fama do mundo. Ontem mesmo tinha uma notícia de que alguns brasileiros, além de usarem passaporte falso na Espanha, ainda queriam receber o auxilio desemprego. Isso é cara de pau das mais descaradas. E nossa fama vai pelo ralo. Pior do que nós, só mesmo os árabes. Esses pagam cada mico nas alfândegas que dá dó. Quando não falam inglês a coisa fica ainda pior. Bem, brasileiros falam um inglês macarrônico que também não ajuda muito.

 

O mais estranho de todas essas histórias foi saber que quem mandou o lixo inglês para o Brasil foi um empresário brasileiro que morava na Inglaterra. Ai minha Santa Gertrudes, assim não dá.

Escrito por Duilio Ferronato às 21h54

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Nomes

 
 

Nomes

 

Passando por um muro de uma escola fiquei olhando os nomes dos alunos. Estranho pensar que um nome possa definir tanto uma pessoa ou sua origem.

Uma menina com nome de Kelly poderia ser filha de americanos ou ingleses, mas aqui no Brás essa possibilidade parece remota. Um menino Jonathan da Silva Santos é para lá de estranho. E os nomes vão seguindo por uma linha de filmes. Richard, Maicol, Hillary, Lidsei e tantos outros.

Bem, imaginar que os nomes tragam muito da cultura dos pais da criança, é de se imaginar que os pais dessas crianças adorem filmes americanos. O mais estranho é que essa mania está demorando a passar, como se ainda fossemos aquele país lá do fundão que nem identidade de nomes conseguiu. Triste.

Nossos artistas e atletas até que conseguem influenciar várias gerações, conheço muitos Roberto Carlos, Edson, Marcelo, Regina e tantos outros com mais identidade nacional.

Agora grande moda entre os bem sucedidos é colocar um nome depois da consulta de numerologia, por isso tantas letras dobradas, nomes maiores do que necessários e até com ph.

E os  descolados adoram nomes em italiano. Ah, sim, por causa da ascendência da querida Itália. Esses nomes italianos são mesmo bizarros, bem, isso eu nem posso falar muito.

Nos paises árabes os nomes são sempre os mesmos. Engraçado como a tradição empurra todos a um senso comum que reflete nos nomes. Nunca se ouve um nome novo em árabe, são sempre os mesmos. Em Japonês já surgem uns mais americanizados e nos chineses uns completamente em inglês.

E os nomes de cachorros e gatos brasileiros ? Esses quase sempre são em inglês. Conheço vários Tobbies, Dukes, Astors e tantos outros astros da TV americana. Raro ouvir um Pipoca, Neguinha, Flor ou Tapioca.

Talvez nossa identidade ainda esteja em formação e não tenhamos conseguido definir um nome bem brasileiro, nem para gente e nem para bichos  E aqueles  que surgiram com junções entre o nome da mãe e do pai causam muita estranheza. 

Escrito por Duilio Ferronato às 14h54

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Vergonhas assumidas

 
 

Vergonhas assumidas

Vergonha é algo difícil de assumir.Ter que encarar aquelas pessoas que você teimou em brigar por causa de política é a pior parte. Alguns eu até desisti de conversar por causa disso. Eram os radiais da direita, esses ainda não tenho paciência.

Mas alguns viviam dizendo que o PT era igual a qualquer outro partido, e eu sempre defendia. Agora vem o PT e prova que, na verdade, na faz nenhuma diferença, que é igual ao PMDB, PSDB, DEM ou qualquer outro que chegue ao poder.

Só sei que a vergonha e a decepção com o  PT  foram coisas as quais eu preferia não ter que passar.

 

 

Escrito por Duilio Ferronato às 10h06

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Recompensa de R$ 500,00

 
 

Recompensa de R$ 500,00

O bairro de Higienópolis, em São Paulo, é muito engraçado. Tem bilhões de cachorros nas calçadas e os moradores fizeram uma grande campanha para que os donos dos bichos limpassem o cocô de seus animais. Parece que funcionou. Antes você andava pelas calçadas desviando como se tivesse jogando amarelinha.

E os cachorros devem ser os mais mimados da cidade, alguns têm babás que os levam para o pet shop de motorista. Os donos devem gastar mais com o cachorro do que com o salário da empregada. Uma coisa muito bizarra.

E não sei como os donos de alguns ainda aguentam ter aqueles cachorros da moda. Existem levas deles, agora parece que todo mundo quer um desses pequenos, peludos e chatos. São os mais vistos pelas ruas.

Como agora foram proibidas aquelas faixas que ficavam penduradas nos postes, as pessoas voltaram a colar cartazes nas árvores e nos postes com a foto e um textinho meloso. As faixas eram sempre melosas também, diziam que uma criança doente chorava pelo cachorrinho amado. As crianças mimadas de Higienópolis choram quando não compram coisas caras e quando perdem seus animaizinhos que serão trocados quando ficarem velhos, mas mesmo assim ainda os pais têm coragem de escrever umas barbaridades dessas nas faixas. Mas deve ter gente que acredita.

Mesmo assim eu bem que queria achar esse cachorrinho para receber a recompensa.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h54

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A volta da novela, capítulo 27 – O Golpe

 
 

A volta da novela, capítulo 27 – O Golpe

Vocês devem se lembrar que o Wil era um moço bem inocente. Que acreditava em quase tudo que diziam. Um dia ele recebeu um torpedo no celular que dizia assim : Você foi selecionado para ganhar um Ford EcoSport. Para isso compre 3 produtos da Nestlé e envie para este número o código de barras.

E ele acreditou, foi até o supermercado mais próximo e comprou 3 coisas da Nestlé e enviou imediatamente os números.

Não demorou nem meia hora e a resposta veio : parabéns você foi sorteado e acaba de ganhar um EcoSport. Para confirmar ligue para um número tal e fale o código 3377. E ele fez.

Atendeu uma moça dizendo que era de um escritório de concursos organizados pela Nestlé e pela Ford. Mas que era um escritório secreto que poucos conheciam. Para ele receber o carro ele precisaria passar todos os dados dele e depositar o valor da documentação do carro. O carro chegaria na casa dele em no máximo 10 dias com toda a documentação e uma equipe de televisão para gravar a entrega para o programa do Gugu.

Dá para acreditar que não só ele acreditou, como todos os amigos dele também acreditaram? Fizeram uma vaquinha para juntar os R$ 1.100,00 para a documentação e depositaram numa conta no nome de José da Silva Pereira (diretor da empresa, segundo a moça).

Eles depositaram e ficaram ansiosos esperando o carro.  Quando o Mel chegou em casa e soube da história comeu a rir sem parar da idiotice dos amigos. Eles ficaram todos bravos com o Mel e disseram que ele não assistia TV e não sabia que essas coisas sempre aconteciam nos programas de domingo.

E eles ligaram para o número para confirmar. Só que como era tarde não houve resposta. E eles nem dormiram com a pulga atrás da orelha.

Logo de manhã já ligaram para o número, e ligaram o dia inteiro e ligaram nos próximos dias. E qual não foi a surpresa depois de 10 dias quando uma pessoa atendeu e disse que aquele número tinha sido clonado e que andou bloqueado por uns dias.

Ah, eles não acreditaram que tinham caído nesse golpe. Foram até a delegacia dar queixa e o delegado riu da cara deles, para piorar a situação. Ficaram na delegacia umas 4 horas para registrar o boletim de ocorrência e saíram de lá com cara de taxo.

Ligaram para o 0800 da Ford e da Nestlé e só confirmaram que esse sorteio nunca tinha existido.

O mais impressionante desses golpes é saber como algumas pessoas caem. O Wil disse que nunca mais iria acreditar nessas histórias e o Thiago para sacanear com ele, pediu para um amigo ligar imitando a voz do Silvio Santos convidando ele para participar de um programa. E ele acreditou outra vez. Claro que foi motivo de piadas por anos.

Escrito por Duilio Ferronato às 21h10

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Spam que dá medo

 
 

Spam que dá medo

Abro minha caixa de e-mails e surge uma lista de 30 spans quase que diariamente. Fico só imaginando quantos e-mails esses spanzeiros têm que mandar para que 1 funcione.

Tem gente que compra viagra por e-mail ? Ou plano de saúde, palestra de faculdade, coleção de livro, assinatura de revista, doação de sangue ou órgãos, hotel fazenda ou panela de aço ?

 

Muitas vezes eu ainda entro naquelas páginas para descadastrar, mas fico com certo receio que seja um vírus traiçoeiro. Os telemarketings por telefone pararam finalmente, só a Vivo que ainda liga oferecendo um incrível pacote de vantagens por um pouquinho a mais na minha conta eterna e eu nunca aceito.

 

Os fazedores de spam devem ser todos da área comercial. Que aliás inventam coisas que não tem nada a ver com o produto.

 

Às vezes você vê alguns anúncios de uma empresa dizendo isso e aquilo e o produto é totalmente diferente, parece que o pessoal que fez o anúncio nem conhece o produto. O pessoal da área comercial da Folha e do UOL é meio assim, outro dia conversei com uma menina do telemarketing da Folha e ela disse que só lê meu blog, os quadrinhos e o Zé Simão, e ela ainda fica lá atendendo as reclamações dos leitores sem nem ler o jornal. Cacildis. Um conhecido trabalha no telemarketing do Santander mas tem conta no Bradesco. Isso não pode dar certo.

Uma amiga que trabalha na Volkswagen disse que lá os funcionários só podem entrar no pátio quem tem carro da marca deles. Parece meio ditadura, mas faz um certo sentido. Como você pode trabalhar numa empresa e usar produtos de outra ? Um amigo trabalha na Natura, mas disse que só usa cremes importados...hum, ele é meio metido. Eu até gosto daquele creme de barbear que a Natura tem e as embalagens deles são sempre muito boas.

 

Outro dia uma menina da Folha me disse que preferia ler o Estadão, eu fiquei meio chocado com essa revelação e achando ela meio tacanha . Como você pode trabalhar em um lugar sem vestir a camisa ? É como ir todos os dias para um lugar só pelo dinheiro, isso deve provocar câncer. É claro que o jornal do concorrente tem coisas interessantes para ler, isso não dá para negar, mas gostar mais do outro ? Já é forçar a barra.

 

É mais ou menos o caso do pessoal do departamento comercial. Os anúncios são tão sem vida que poderiam estar vendendo qualquer coisa. Pegue um desses spans e troque o produto : não vai fazer nenhuma diferença. São anúncios desenvolvidos por gente que nem conhece o produto direito. Vendem qualquer coisa só pelo negócio e não pelo envolvimento com a marca.

 

Trabalhar em um lugar onde você não acredita no conceito ou na validade das coisas que você está fazendo é como ir se envenenando aos poucos e o resultado do seu trabalho vira algo patético. Como os spans, eles são feitos por gente tão sem noção que acabam virando patéticos. Chega a dar dó de quem tem que fazer esse tipo de trabalho. Fico imaginando como é viver anos trabalhando em um lugar onde você só finge estar presente. Como vai ser sua vida fora daquele lugar ? Devem ser essas pessoas que xingam no trânsito, que destroem coisas na rua e que odeiam o resto da humanidade. Por isso mandam spans.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h47

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Moto Táxi

 
 

Moto Táxi

 

Estive em Avaré ontem resolvendo uns pepinos da casa da minha avó. A cidade está muito bonitinha e parece estar progredindo sem cair no pastiche que o progresso às vezes joga algumas cidades.

 

Os moto táxis chamaram muito atenção. São vários pontos e vários motoqueiros esperando pela clientela. Aqui em São Paulo as autoridades estão resistindo a liberação. Parece que vai ser quase impossível liberar; é só olhar os índices de acidentes envolvendo motoqueiros que qualquer um desiste. Aqui morre 1 motoqueiro por dia, só perde para as mortes do tráfico de drogas.

 

Mas em Avaré eles não devem ter muitas chances de morrer, não dá para correr e as valetas são absurdamente fundas. Nunca tinha visto valetas tão fundas, parece que o prefeito espera que um dilúvio passe pela cidade.

 

Os moto taxistas ficam ali esperando horas. Não vi ninguém usando e pior ainda : fiquei com preguiça ou vergonha de ir lá perguntar quanto custava. Cada coisa que a gente perde na vida por preguiça ou por vergonha. Às vezes chego em casa com alguma foto e fico pensando porque não fui lá saber mais sobre o assunto ou porque não parei para prestar mais atenção. Um vício do corre corre diário. A gente passa pelas coisas sem prestar atenção nelas, nem se envolver e depois fica um buraco. Ou eu invento ou vou ter que voltar lá outro dia para saber mais. Daqui uns 20 dias terei que voltar para Avaré e vou criar coragem e perguntar tudo, talvez até pegue um moto táxi para experimentar.

 

Algumas vezes tento me convencer de que interagir com as pessoas na rua é muito mais saudável do que ir daqui até a esquina e não ter falado com ninguém, mas não dá. Alguns pensamentos tomam conta da minha cabeça e me deixam cego, não vejo nada além de minha própria existência. Coisa mesquinha e egoísta.

 

Bem, para me redimir dessa falha, hoje sairei prestando mais atenção nas pessoas e nas coisas da rua. Vou tentar esquecer da pouca vergonha que tem vindo da Capital, dos meus assuntos urgentes e enxergar os detalhes do caminho.

Escrito por Duilio Ferronato às 12h38

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Peixe na feira

 
 

Peixe na feira

 

Escolher peixe é uma dessas tarefas que sempre dá um certo receio. O peixe pode estar passado e dar uma dor de barriga daquelas matadoras. Mas não é lá uma missão impossível.

Uma das regras básicas é verificar se os olhos não estão turvos e as guelras não podem estar esbranquiçadas e nem muito escuras.

Fora isso, tem que torcer. Mas eu sigo essas 2 regras básicas e até onde eu sei nunca comprei peixe estragado.

Peixe de água doce nem pensar, não gosto daquele gosto de terra que eles sempre têm. Só de pescar. Mas comer nunca !

O favorito da feira é a tainha. Tainha no forno é fácil de fazer, muito gostosa e nem é muito cara. É só pedir para o peixeiro limpar, tirar o rabo e a cabeça que dá para comer todo o resto.

Chegando em casa, é só colocar limão, umas ervas, 2 tomates picados, sal, azeite e cobrir com papel alumínio. Coloque no forno por uns 30 minutos e já está ótimo.

Feirante pesando coisas não é lá de muita confiança, mas o gordinho que me atende quase toda semana já é meu amigo e parece que não me rouba muito. A balança dele é daquelas que ninguém confia, mas o peixe é bom.

Camarão e outras coisas não dão vontade de comprar na feira. Frangos e carnes nem pensar, os açougueiros da feira parecem ser os mais desonestos do mundo. Uma vez comprei frango e desconfiei do peso, pesei quando cheguei em casa e tinha 150 g a menos. O safado perdeu um cliente fiel.

Escrito por Duilio Ferronato às 21h11

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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