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O Rei

Escrito por Duilio Ferronato às 00h47

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Mandaram embora o menino do xerox

 
 

Mandaram embora o menino do xerox

Durante uma eleição de diretoria numa autarquia onde uma amiga trabalhava, pegaram um dos auxiliares de escritório fazendo panfletos para o candidato da situação.

 

Foi um bafafá danado. A oposição fez foto do menino, enrolaram a máquina de cópias com fita adesiva, colocaram cordão de isolamento e até pediram para cancelar as eleições. O caso chegou até a autarquia central de Brasília, ficou lá uns tempos e depois disso muita gente começou a ganhar carros, viagens e empregos em outras cidades.

 

O menino do xerox assumiu que tinha feito tudo sozinho, que gostava do presidente por isso estava fazendo campanha para ele irregularmente. Ele ainda afirmou que o chefe dele não sabia que ele fazia as cópias em horário de trabalho e com material oficial da autarquia.

 

O chefe dele ficou muito surpreso em saber que ele fazia essas cópias, apesar da mesa do chefe ser ao lado da máquina de cópias.

 

O rapaz foi mandado embora por justa causa. Mas estranhamente ganhou um moto zerinho e arranjou um emprego em outra autarquia logo depois que parou de receber o auxilio desemprego. 

Escrito por Duilio Ferronato às 10h46

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Cabeçadas da prefeitura

 
 

Cabeçadas da prefeitura

A prefeitura de São Paulo fez o maior alarde quando disseram que iriam plantar tantas mil árvores na cidade. E o pior é que chegaram a plantar mesmo.

As árvores foram plantadas nas margens do rio Tietê.  Agora veio o Governo do Estado e disse que vai ampliar as pistas da marginal Tiete. E o que aconteceu com as árvores que foram plantadas nos canteiros ? Coitadas.  Eles dizem que foram replantadas. Mas só quem não entende nada de árvores pode acreditar que uma muda pode ser plantada em março,  retirada em junho e sobreviver. Obviamente que mais da metade morreu.

E o dinheiro que foi gasto na plantação ? A prefeitura não sabia que o Governo do Estado tinha esse plano de ampliação ?  A Secretaria do Meio Ambiente prova que foi a mais desarticulada e mais desinformada de todas. E ainda provam que eles não têm nenhuma força. Se houvesse um secretário de meio ambiente forte tanto na prefeitura quanto no Estado, isso certamente não aconteceria. Os secretários fazem muito discurso e na hora da obra, vence o secretário de transportes ou qualquer outro interesse do Governador ou do Prefeito.

Depois a prefeitura começou a perseguir os ônibus fretados. Uma coisa que pareceu, no começo, que seria só uma medida para colocar em ordem e regulamentar todas as empresas. Mas a cabeçada foi tão grande que eles simplesmente proibiram os ônibus sem avaliar o impacto no trânsito direto da cidade. Agora estão tendo que repensar a medida e causando o maior desgaste tanto para imagem do prefeito quanto para a cidade. O secretário de transportes provou mais uma vez que deveria estar trabalhando bem longe daqui.

 

Os ônibus fretados são contratados por grupos ou empresas para levar e trazer funcionários e outros são fretados por comerciantes de outras cidades para transportar  compradores para as regiões centrais de São Paulo. Esses últimos são disfarçados de ônibus de turismo ou ônibus de viagens e alguns conseguiram escapar da perseguição da prefeitura por serem registrados como carros de turismo ou por viajarem sempre a noite. Não há fiscalização eficiente depois do horário comercial.

 

É muito difícil de montar um planejamento e prever as conseqüências ? Existe uma secretaria que chamam de Planejamento, mas pelo que parece, não planejam nada.

 

Os ônibus fretados certamente irão voltar. Mas eu realmente queria saber onde foram parar as mudas de árvores que sumiram das marginais e quanto foi gasto para plantar e depois des plantar.

 

Escrito por Duilio Ferronato às 09h53

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A viagem da minhoca

 
 

A viagem da minhoca

Em dias de chuva é muito comum ver as minhocas indo de um vaso para o outro. Não dá para saber se elas fazem isso porque o vaso delas inundou ou se aproveitam que chão está úmido para procurar novas terras.

 

E na semana passada, ouvi uma conversa na padaria em que dois sujeitos diziam que a culpa de todos os problemas da humanidade é do homem ter ido à lua. Claro que eles tinham uma Bíblia debaixo do braço. Outro dia lendo sobre as teorias da evolução também vi que os grandes críticos da teoria diziam que se o homem não viajasse tanto, não teriam inventado essa tal teoria.

 

Coisas engraçadas. Se até a minhoca procura novas terras quando tem uma oportunidade, por que algumas pessoas acreditam que procurar pelo novo pode trazer desgraças ? Talvez seja um medo de encontrar com o desconhecido. Um medo que estagna. Um dia vi um documentário sobre pessoas que ainda moram em lugares onde não há nada para comer. Por que elas não se mudam ? Talvez uma esperança de que dias melhores virão ou aquele medo de mudar. Parece que essas pessoas não aprenderam com a minhoca.

 

Uma moça outro dia enviou um e-mail dizendo que gostaria muito de ter estudado jornalismo, mas que era a única herdeira e que tinha que cuidar da empresa do pai. Fico imaginando se uma minhoca diria isso : este vaso aqui foi do meu pai e do meu avô, não posso deixá-lo. 

 

Algumas vezes eu tiro uma planta de um vaso pequeno e passo para um maior, o vaso menor eu deixo guardado em um lugar seco por uns tempos. Nesse vaso sempre sobra um pouco de terra e umas minhocas; e para minha surpresa, durante a noite, elas mudam para o vaso novo também. Seguem a planta e a nova terra, mesmo que o vaso antigo seja colocado longe. Elas rastejam a noite inteira em busca de uma nova oportunidade. Nunca ficam lá para morrer secas. Ou contrário de muitas pessoas que ficam no mesmo lugar até definharem.

 

Viver sempre da mesma fonte seria como se uma minhoca ficasse a vida toda em um único vaso, talvez isso aconteça com elas também. Não dá para dizer qual minhoca é corajosa e qual é acomodada. Mas parece pouco provável que existam minhocas inertes.

O natural seria a gente estar sempre em movimento, procurando coisas novas para fazer sem ter que destruir o antigo. Ampliando. Coisa que nós somos capazes, já a minhoca só pode mudar.

 

Quer dizer, nem todos nós somos capazes de ampliar, uma grande parte só é capaz de consumir do velho. 

Escrito por Duilio Ferronato às 12h34

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Greve de notícias

 
 

Greve de notícias

Eu estive uns dias de greve com as notícias. Fiquei quase 10 dias  sem ler os jornais e nem ver os noticiários na TV, no máximo escutava algumas coisas no rádio, e cheguei a uma conclusão insuportável : não fez nenhuma falta. Ops, acho que desta vez meu chefe vai brigar comigo.

 

Mas não é minha culpa se as notícias são insuportavelmente desnecessárias e repetitivas. Hoje resolvi comprar o jornal na banca. Esqueci de dizer que há mais de um mês decidi cancelar minha assinatura por medidas de economia, afinal este querido jornal só me dá 3 % de desconto na assinatura e isso é pra lá de ridículo. Então cancelei a assinatura depois de muito custo com o departamento de relacionamento, que é tão insistente quanto a qualquer outro.

 

Agora depois de ficar todo esse tempo sem ler, acabo descobrindo que as notícias continuam iguais. Que as notícias que li de rabo de olho quando passava pela banca eram as mesmas que saíram hoje. Afinal qual o sentido de ficar repercutindo uma frase do presidente ou quantos mortos a gripe fez ou até como andam as finanças do Lord Sarney ou até com os gols do gordinho ou com a posição do Rubinho ? Não faz diferença para minha vida direta.

 

Parece que até passei uns dias mais agradáveis; sem saber de nada, sem escutar as besteiras do presidente, sem saber das falcatruas de Brasília e muito menos sabendo sobre essa epidemia de gripe que parece que já está virando uma histeria coletiva.

 

Mas hoje fiquei lendo os comentários de leitores em blogs e nas notícias da Folha Online. Os comentários são os mais bizarros. Parece que as pessoas adoram dar palpites nas coisas mais irrelevantes. Adoram dar palpite na política, mas não fazem nada para mudar. Aposto que aqueles que deixam os comentários mais revoltados são os primeiros a não saírem de casa para fazer campanha para um candidato honesto, ou são os primeiros a não se mexer para ir fazer um trabalho voluntário para melhorar a situação de uma comunidade. Ainda aposto que esses que ficam comentando também não se mexem para ir às passeatas de protestos e que ficam em casa fazendo campanha por internet achando que essa bobagem resolve.

 

Talvez as notícias sejam mesmo uma maneira de manipulação em que as pessoas acham que ficam bem informadas e quando dão palpite nas matérias e fazem comentários nos blogs, já estão fazendo uma grande colaboração. O circo romano mudou de lugar, agora ele está nos noticiários.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h12

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Primeiro dia de Ioga

10 mulheres, a professora e eu.  Sem possibilidades de distração.

As posições ou “asanas” vão complicando no decorrer da aula, mas não são muito difíceis. Já o alongamento é o pior. Não alcanço os pés nem com guindaste, talvez daqui a 6 meses eu chegue lá. A parte mais chata de fazer aula com um monte de mulheres é que elas sempre conseguem alongar muito e eu fico parecendo um tonto que não consegue alongar nem metade do que elas conseguem.

A respiração lenta e só pelo nariz é uma das barreiras que parece que vai levar um tempinho, e sincronizar a respiração com os movimentos vai levar um tempão. Só consigo lembrar da respiração  se a professora fala, senão deixo correr solto.

Deixar a coluna reta é outra dificuldade intransponível, quase do outro mundo para quem, como eu, fica sentado o dia todo torto. A parte de ficar equilibrado em um pé só não é difícil, o difícil é manter a concentração se alguém ao seu lado fica caindo ou se você perde o equilíbrio e percebe alguém te olhando, aí fica difícil de voltar, mas é só fechar os olhos e ir.

Os exercícios são feitos sobre um emborrachado macio e gostoso. Como um playground de crianças. E o cheiro e a música são suaves e agradáveis.

Os mantras são como orações, levam você a uma sintonia com os exercícios que é impossível você não começar a repetir em poucos minutos.

Ioga é certamente muito mais fácil e menos cansativa  do que capoeira ou caratê. O corpinho  do  professor da aula ao lado é que  não chega a estimular.  Isso é uma coisa que estimula muito na capoeira : o corpinho dos praticantes, sempre incríveis.

O ritmo da aula vai dando uma tranquilidade que é difícil de se conseguir aqui na cidade, e no final você fica como se estive muito leve. Meio entre o sono e a tranquilidade de um dia no campo. Muito bom. Vou continuar tentando.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h25

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Queijo na lareira

 
 

Queijo na lareira

 

Os nordestinos juram que o queijo coalho é o único queijo genuinamente brasileiro, mesmo o queijo de Minas eles dizem ser de origem portuguesa e não brasileira, mas isso é conversa que não dá para a gente discutir. Cada um puxa a sardinha para seu lado.

Os queijos argentinos  conseguem ser um pouco melhores do que os nossos, infelizmente. Ainda não entendo como os argentinos conseguem fazer vinho, queijo e doce de leite melhor do que nós. Um mistério que talvez esteja ligado a padrão de qualidade que aqui no Brasil só há pouco tempo temos começado a falar seriamente e os argentinos já falam nisso há mais de 50 anos.

Isso me frustra um pouco, porque existia um doce que chamava Pingo de Leite Avaré, da cidade onde eu nasci, mas agora ficou com gosto meio estranho e o nome meio cafona. Uma parte da família resolveu colocar o nome de Milk e a outra, Pingos de Leite produzidos em Avaré. Os sites são horríveis e não dá nem vontade de comprar. As embalagens também são péssimas, mas mesmo assim, às vezes, acabo comprando para matar a saudade da minha avó. Um produto está  muito ligado a direção de arte, quando um produto é mal apresentado, pode ter certeza que a qualidade também é ruim. Isso fica muito evidente no doce de leite de Avaré.

O único doce de leite brasileiro industrializado que gosto realmente é da marca Aviação, é delicioso e a embalagem e o site são ótimos. No site tem receitas, dicas e é muito bonito. Um produto de qualidade vindo de Minas.

Mas o queijo coalho anda invadindo os supermercados e cada vez melhor. A primeira vez que provei foi numa praia e achei meio bobo e sem gosto. Agora parece que eles aprenderam a apurar o gosto e o jeito de fazer. Talvez acabe virando uma delícia bem brasileira e com qualidade. Alguns sites de produtores, como o da Fazenda Tamanduá,  dão muitos detalhes interessantes sobre a fabricação.

O preço  ainda não é lá muito convidativo, mais ou menos R$ 10 e vem um pacotinho com 6 espetinhos.  Só que 2 espetinhos já valem um jantar. Fica muito bom na lareira com vinho.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h51

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A novela, capítulo 26 – uma conversa séria

 
 

A novela, capítulo 26 – uma conversa séria

Os quatro amigos resolveram ter uma conversa séria com a Ailton para resolver a situação. Numa noite, quando  o Thiago e o Wil estavam sozinhos com a Ailton :

Thiago – Ailton, outro dia o Jailson pediu para você me fazer um favor lá no cartório onde você trabalha, e você enrolou e não fez...

Ailton – Como não fiz ? eu perguntei para a secretária e ela disse que não dava, é minha culpa ?

Thiago – quando a gente precisa de uma coisa resolvida, a gente tem que insistir, não dá para acreditar no primeiro não !

Ailton – você queria que eu insistisse ?

Thiago – se você tivesse me pedido um favor, eu teria feito de tudo para conseguir fazer ?

Wil – as coisas funcionam melhor se você tiver um certo empenho.

Ailton – mas se ela disse que não dava...

Wil – as pessoas sempre dizem que não dá, e se você der uma pesquisada, vai descobrir que dá, e você resolve o problema que está pendente.

Ailton – os meus problemas eu sei resolver !

Thiago – é exatamente esse o ponto que a gente queria conversar com você.

Ailton – já sei, vocês querem que eu vá embora e resolveram usar esse problema como desculpa.

Wil – não é nada disso. Ninguém quer que você vá embora. Nós só queremos conversar para ver se as relações melhoram.

Ailton – e as relações estão ruins ?

Thiago – não exatamente ruins, mas podem vir a ficar. Outro dia nós quatro conversamos, quando você não estava em casa, sobre apoio e como um pode contar com o outro. Isso é uma coisa de amizade.

Ailton – vocês acham que não podem contar comigo ?

Wil  – achamos.

Ailton – mas vocês estão falando isso porque eu tenho menos dinheiro do que vocês ? Ou porque eu não posso ainda pagar as despesas em partes iguais ?

Thiago – não é nada disso, mas imagine se eu perdesse o meu emprego ou ficasse doente, eu poderia contar com você ? Você deixaria de comprar coisas para você para me ajudar ?

Ailton – claro que sim...que tipo de coisas ?

Thiago – qualquer coisa. Quando um de nós precisa, os outros fazem de tudo para que esse um se levante. E achamos que você não entendeu o espírito de viver junto ainda. Parece que você só pensa em você.

Ailton – mas eu estou enrolado e cheio de dívidas...

Wil – o que estamos falando não tem nada a ver com dinheiro, tem a ver com apoio. Fazer coisas para os outros sem esperar nada em troca. Fazer coisas pelos outros porque gosta dos outros, porque é amigo ou porque acha que o outro está precisando. Então a gente faz tudo que for possível. Inclusive insistir com uma secretária para que a coisa funcione.

Ailton – isso tudo é só porque eu não insisti com a secretária para ela fazer aquele favor ?

Wil – não só aquele favor, mas todos os favores que os amigos precisam.

Ailton – mas se eu for ficar o dia todo fazendo as  coisas para os outros, eu não vou ter tempo para fazer as minhas.

Thiago – não é deixar de fazer as suas coisas para fazer as dos outros, é colocar um pouco de empenho nas coisas dos outros. Como se fossem suas, ou entender a importância que as coisas têm para os amigos e colocar um certo interesse. Eu me interesso pelas necessidades de todos aqui e os outros se interessam pelas minhas. Assim nós conseguimos viver bem e como uma família que se dá bem.

Ailton – mas vocês vivem brigando.

Wil – não brigamos, discutimos e quase sempre chegamos num acordo. É assim que as coisas funcionam entre amigos. Se o acordo não aparece, a gente fica sem se falar por uns dias e depois descobre que ser amigo é mais importante que qualquer besteira.

Thiago – nós crescemos em um lugar onde quem não se ajudava acabava se dando mal. E essa é nossa filosofia aqui também. Só estamos conseguindo as coisas porque somos unidos, sem união a gente já teria caído.

Ailton – e o que vocês esperam de mim ?

Wil – só queremos que você perceba ou tente perceber quando alguma coisa é importante para um de nós e tente dar uma força e se não puder fazer nada, pelo menos converse e veja se dá para ajudar.

Ailton – vocês foram muito bacana comigo me deixando ficar aqui, vou prestar atenção e se eu der mais alguma mancada pode falar na lata.

Thiago – acertado assim, amigos são para ouvir e falar.

 

A conversa parece que ajudou, vamos esperar para ver se funcionou ou se entrou por um ouvido e saiu pelo outro.

Escrito por Duilio Ferronato às 21h30

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Camisa nova

 
 

Camisa nova

Comprar roupa nova é uma delícia. Eu sou daqueles que já sai usando a roupa, nem espero chegar em casa. Tênis faz um tempão que não compro nenhum, mas andei paquerando alguns nas vitrines. Depois que acabei de construir a casa do sítio minha vida virou um mar de dívidas que nunca mais tinha comprado nada novo. Desde outubro do ano passado que não comprava roupa nova, já andava me sentindo um farrapo e tinha esquecido a sensação gostosa que é usar uma camisa nova.

Ontem eu fui lá na Loja do Mário Queiroz, lá no al. Franca, escolher uma camisa. São meio caras, mas a loja está em liquidação de inverno. Com preços mais ou menos razoáveis.  Tive vontade de comprar blusas, tênis, calça e até um casaco (coisa que realmente não preciso; já tenho 3 e uma pessoa não precisa mais do que 3 casacos na vida, se eu comprar um novo vou ter que dar um dos velhos e não terei coragem de dar nenhum dos que eu tenho). Ainda bem que antes de entrar na loja eu fiz uma pequena concentração e disse para mim mesmo que só iria comprar uma camisa, nada mais. Se gostasse de alguma outra coisa teria que voltar outro dia.

Consegui comprar só a camisa e já sai usando. Agora estou com vontade de usar hoje outra vez. É meio assim, coisa nova dá vontade de usar sempre.

Só que ontem encontrei o Heitor Werneck, estilista, que me disse que eu sempre uso o mesmo modelo há 25 anos. E não é que é verdade ? Só escolho roupas parecidas, sempre saio com o mesmo tipo de roupa, tênis e calças. Nunca consigo mudar muito. Outro dia encontrei um amigo de adolescência e ele estava vestido praticamente igual aquela época, e fiquei achando que ele estava muito convencional, mas eu acabo fazendo o mesmo. É uma dificuldade de mudar, mesmo as pequenas coisas. Mudar coisas de lugar ou mudar hábitos é como perder certa estabilidade. Outro dia mudei uma mesa de lugar e bati o joelho umas 3 vezes nela. Mudanças podem ser muito doloridas.

Uma vez entrei na loja da Diesel em Milão e comprei uma calça vermelha, achando que iria abafar e conseguir usar. Foi um desastre, ficou quase um ano guardada até que tomei coragem e tingi de preto. Calça vermelha não consigo usar, não adianta. Tem que ser de cor básica.

O próximo tênis será daquelas com umas coisinhas que parecem molas na sola. Não sei se vou usar para sair, mas usarei muito para a academia que pretendo voltar em breve. Ops, esse é outro assunto delicado, mas na próxima semana vou criar coragem e voltar.

Escrito por Duilio Ferronato às 18h17

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Ansiedade e Preguiça de trabalhar

 
 

Ansiedade e Preguiça de trabalhar

Outro dia já escrevi sobre a dificuldade que é trabalhar em casa, mas apesar de ser uma delícia não precisar encarar o trânsito maluco desta cidade, o fato de poder trabalhar a qualquer hora, pode ser uma armadilha fenomenal.

Primeiro você precisa preparar sua própria comida todos os dias e se sai para comer fora, fica com a consciência pesado porque gastou sem necessidade, já que a geladeira estava cheia. O café da manhã é fácil de preparar e até necessário para que o dia comece, mas o almoço, lanchinho da tarde e jantar são impossíveis. Preparar tantas refeições só para 1 ? Por incrível que pareça fazendo umas contas malucas, acaba saindo mais caro comer em casa do comer no quilo. Claro que se você aguentar comer a mesma comida por uns 3 dias, acaba ficando mais barato. Só que eu não aguento nem repetir o almoço na janta.

Depois chega a fatura do cartão e vem aquela paulada. Claro, comer fora mesmo trabalhando em casa é absurdo, mas inevitável.

E cozinhar sem vontade a comida acaba saindo ruim e fica na geladeira até você ter coragem de jogar fora. Isso sim é uma das piores sensações de desperdício. Jogar comida fora é uma das coisas que minha avó iria odiar ficar sabendo. Ainda bem que eu faço pouco isso.

Depois aparecem aquelas fases sem ideias e sem animo para começar nada novo. Como começar algo novo se as coisas antigas estão todas encalhadas ? Acho que quem tem filhos ou dependentes consegue arranjar animo transferindo  para o sustento da prole; isso é outra dificuldade que tenho: não tenho prole e ninguém que dependa de mim. No máximo o salário do caseiro do sítio e da Jandira.  Mas eles conseguem viver bem mesmo sem a merreca que pago para eles.

Ainda bem que ontem um projeto que estava encalhado há 18 séculos resolveu desencalhar e hoje tem leitura da minha peça na Oficina Oswald de Andrade e bastante gente confirmou que iria. Tomara que não chova. Queria tirar um dia de noiva porque não dormi a noite de ansiedade. Esse negócio de fazer coisas em público tira o sono de qualquer um. Só que o dia de noiva não deu certo, tive que ir logo cedo cuidar de coisas do carro, mas vou falar de manutenção do carro num outro dia, hoje já fiquei com vontade de vender o carro de tanta raiva.

Vou ficar torcendo para que o público não me pergunte muitas coisas difíceis. Agora que as coisas do carro foram parcialmente resolvidas, é hora de sair para comprar uma camisa nova para a leitura e tomar um sorvete para relaxar.

Escrito por Duilio Ferronato às 13h47

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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