Blog do Duilio
 

Kit To Aqui da Telefônica

 
 

Kit To Aqui da Telefônica

Reclamar dos serviços das empresas de internet ou xingar políticos é como chutar cachorro morto, não tem nenhuma função lógica. Você só expõe como você é bobo reclamando de coisas que nem deveria afetar muito a sua vida. Quer dizer, afetar, afeta ! E muito, mas o mais racional seria você conseguir passar por esses aborrecimentos sem estragar seu dia. Mas tem coisas que realmente estragam o dia : ver a foto do Lula e do Collor hoje na capa do jornal, ler mais falcatruas do Senado, observar com detalhes sua conta de telefone, olhar aqueles pequenos débitos suspeitos da sua conta no banco, ver 10 funcionários da prefeitura varrendo sua calçada em um mesmo dia, depois passar quase um mês sem aparecer mais nenhum e um monte outras coisinhas que a gente deveria fingir que não vê para não se aborrecer. Mas eu me aborreço e reclamo de tudo !

E a Telefônica, a Net e a Prefeitura são as coisas que mais me aborrecem ultimamente.

 

O Kit To Aqui eu nunca pedi , mas começou parecer na minha conta em maio no valor de  R$ 5,70.

Em maio eu nem conferi a conta e deixei passar, em junho conferi e tentei reclamar, mas demorou tanto para conseguir falar que desisti.

Tentei mais uma vez ontem. Ligo às  11h30 e termino a ligação às 11h59. Quase meia hora de aborrecimento.

Primeiro uma gravação que parece do futuro fica entendendo tudo o que você diz : se você diz reclamação, ela responde : entendi, mas para que eu possa ajudá-lo, por favor, fale : reclamação de contas, de defeito, de...e eu interrompo dizendo : FATURA ERRADA ! e ela diz calmamente (por que as gravações nunca perdem a calma ?) entendi e tenta falar alguma outra coisa e eu digo : FALAR COM ATENDENTE e ela calmamente : entendi, aguarde um momento que irei transferir para um atendente, e lá vem a musiquinha por uns bons minutos.

Surge um o Marcelo e pergunta meu nome completo, telefone com DDD e CPF . Depois de tudo confirmado, ele diz que o serviço foi ligado a pedido do cliente, então eu digo que só eu uso essa linha e que ninguém mais poderia ter pedido e ele diz que vai verificar...um momento sr. Duilio, que estou verificando...mais um momento sr. Duilio, que estou verificando no sistema...mais um momento sr. Duilio...e mais musiquinha...mais um momento sr. Duilio...e finalmente ele me vem com uma proposta ! Cacildis. Por essa eu não esperava, ele tenta me vender o mesmo serviço que eu estou reclamando que estão me cobrando sem eu nunca ter pedido e nem usado ! Dá para acreditar ? E ele insiste, mas insiste muito mesmo, até eu dizer que já estou ficando irritado e que vou começar a falar palavrões e provavelmente vou xingar a mãe dele, coitado, ele desiste.

Cancela o serviço, mas o reembolso é em outro setor. Cacildis outra vez ! Foram 29 minutos só para cancelar o serviço que eu nunca pedi, agora vou ter que ligar mais uma vez para pedir o reembolso de R$ 17,10, mas vou fazer isso outro dia porque a paciência já foi.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h41

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

Querido Sarney

 
 

Querido Sarney

Eu sei que as coisas andam meio feias aí para o seu lado, mas aqui as coisas também andam meio difíceis. Por isso eu queria pedir uns favorzinhos para o senhor :

Primeiro queria saber se dava para o senhor arranjar uma boquinha para mim aí no Senado ou em algum daqueles Estados que o senhor é dono ? Não precisa ser nada de muito luxo, sou um sujeito simples e prometo que não vou atrapalhar ninguém. E se o senhor quiser eu nem me incomodo de não ir trabalhar, só quero mesmo o salário. Se possível que venha um salário caprichado, desses que a gente lê nos jornais e nem acredita. Pode ser só metade do que o motorista da sua filha ganha que para mim já vai ser bom.

Em segundo lugar queria pedir para o senhor aprovar umas leizinhas que acho meio importantes, será que dá para colocar logo em prática um sistema penal de verdade ? Um sistema que coloque realmente gente criminosa na cadeia ? Claro que teremos que excluir os políticos e blogueiros dessa lista. Afinal não queremos acabar dando tiro no próprio pé.

Uma outra leizinha que eu queria ver se o senhor dá um jeito é aquela que limita os impostos para 10 %. Afinal nós já pagamos tantas coisas e os 35% que pagamos é um vexame. Fala lá com seu amigo Lula para ver se ele aceita, eu sei que o senhor tem uma certa moral com o chefe.

Por hoje é só. Mas por favor tente apressar esses meus pedidos porque ando achando que a coisa vai piorar para o seu lado em breve e o senhor vai ter que tirar umas férias, mas não se preocupe, lá de onde o senhor vem todo mundo vota no senhor outra vez e o senhor volta ainda mais forte.

Um abraço e se der mande um adiantamento do meu salário porque dia 20 vence meu cartão e não sei de onde tirar o dinheiro para pagar.

PS – ainda não terminei de ler seu livro Crônicas do Brasil Contemporâneo, mas acho que vou terminar em breve. Não estou gostando muito, mas outra hora falamos sobre isso.

PS2 – alguns leitores vão deixar aqui alguns pedidos também, por favor atenda alguns deles. Não vá atender a todos porque alguns leitores são muito folgados e só estão interessados em explorar o Governo; e eu sei que o senhor  detesta esse tipo de gente que se aproveita do dinheiro público.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h50

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

Prótese

 
 

Prótese

Leitura quinta-feira, dia 16 de julho às 20h.

Na Oficina Cultural Oswald de Andrade. Grátis.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h02

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

A mesma Novela – capítulo 25 – Ailton, um amigo egoísta

 
 

A mesma Novela – capítulo 25 – Ailton, um amigo egoísta

Só para lembrar : no apartamento do centro moravam o Thiago, o Wil, o Jailson e o Mel.

O Thiago conheceu o Ailton no trabalho, o sujeito pareceu muito simpático e tinha acabado de chegar do Rio de Janeiro, onde ele trabalhou uns anos e não se adaptou. Nasceu em Belo Horizonte e depois de uma temporada frustrada no Rio, veio para São Paulo.

Morava na casa de um primo  lá no Taboão. Não estava se dando muito bem  a mulher do primo, ela vivia dizendo que ele era folgado e muito desorganizado. Um dia ele teve um briga feia com o primo e com a esposa e teve que sair de lá. Os motivos da briga nunca ficaram muito claros, mas na versão dele o casal era muito estranho e neurótico.

O Thiago convidou o Ailton para ir ficar uns dias lá no apartamento. Eles tinham um quartinho de empregada que dava para acomodar uma pessoa por uns dias.

Logo depois de sair da casa do primo, o Ailton saiu do emprego. Ele justificou que o emprego era ruim e pagava mal. O Thiago trabalhava na mesma empresa há uns 5 anos e estava bem satisfeito. E na versão do Thiago, o Ailton foi mandado embora porque era muito lerdo.

Mas os rapazes estavam acostumados a um ajudar o outro em tempos difíceis e nem se importaram muito em ter um desempregado em casa por uns tempos.

O Ailton era do tipo que só lavava a louça dele . Os 4 amigos estavam acostumados a fazer um revezamento e quando encontravam alguma coisa suja, só recolhiam e lavavam sem  maiores problemas, e se algum começasse a abusar, eles já logo reclamavam e o abusado tomava jeito.

Depois de um tempo o Mel arranjou um emprego para o Ailton num cartório onde trabalhava um conhecido.

O Ailton tinha se enrolado todo com prestações das Casas Bahia, cartão de crédito e empréstimos abusivos na época em que estava desempregado. O Mel ajudou no que pode para dar uma aliviada na situação do colega. Até emprestar a conta dele no banco para que o primeiro salário do Ailton fosse depositado lá. Já que se depositassem na conta dele, o banco tomaria tudo sem sobrar nada para ele. E foi assim por uns 6 meses. Bem aqui no Brasil se você fica desempregado uns meses,  é capaz de levar anos para pagar as dívidas que fez durante o tempo de desemprego. Isso todo mundo sabe. Mas quem tem amigos, fica um pouco mais fácil aguentar.

Um dia o Jailson pediu para o Ailton fazer um favor para ele lá perto do cartório. E o Ailton disse que faria e acabou não fazendo alegando falta de tempo. Depois um de cada vez percebeu que tudo que pediam para o Ailton fazer, ele dizia que faria e acabava arranjando uma desculpa para não fazer.

Depois de todos acabaram percebendo isso e durante uma noite quando  estavam em casa, menos o Ailton, eles resolveram começar a falar sobre o hospede :

 

Wil – vocês não acham que o Ailton é um pouco egoísta ?

Jailson – eu pensei sobre isso ontem. Ele é do tipo que parece que dói fazer um favor para alguém.

Thiago – e vocês já notaram como ele tem medo que roubem as coisas dele ? Parece que ele está o tempo todo prestando atenção se não está faltando nada dele e se alguém usou alguma coisa dele.

Wil – e ele está sempre usando tudo que é nosso, mas outro dia eu pedi para testar um DVD no computador dele e ele meio que regulou.

Jailson – regulou ? mas ele vivia usando o seu !

Wil – pois é. Ele usa o meu o tempo todo e um agora que ele tem o dele, fica com história.

Thiago – pior que esse computador dele a loja ia tomar porque a prestação estava atrasada e eu emprestei dinheiro para ele pagar ; e ele ainda não me pagou.

Mel – vocês já repararam que gente egoísta é sempre meio medrosa ? Lembram aquela garota, a Joyce, que vivia com medo de assalto, medo de perder o emprego, medo de acidente e todos os medos do mundo ? Ela também era tão egoísta que dava até um certo constrangimento respirar perto dela.

Jailson – você acha que tem a ver o fato dele ser egoísta e medroso com as coisas não darem muito certo na vida dele ?

Wil – mas é claro. As coisas só dão certo na sua vida se você pensa num bem maior do que seus próprios interesses. Se você só faz as coisas para você e só pensa no que pode te trazer de benefícios, as coisas começam a não encaixar em lugar nenhum. Fica só você e sua sombra.

Thiago – olha, falando em apoio, sabe que aconteceu uma coisa muito estranha outro dia : eu estava fixando aquele armário da cozinha e o Ailton ali perto. Eu subi na pia para parafusar e na hora que fui descer pisei errado e cai no chão. O Ailton só se mexeu depois que eu já estava no chão. O reflexo dele foi se proteger em vez de me ajudar.

Mel – você se machucou ?

Thiago – não, foi só uma batida leve.

Jailson – acho que isso define bem como ele pensa : numa situação difícil, ele pensa primeiro nele e só se você pedir ele pode te ajudar.

Wil – você acha que pedir ajuda para ele adianta ?

Jailson – é...talvez, não.

Mel – acho que no caso dele... ele só ajude se você dizer que ele vai ganhar alguma coisa com isso.

Thiago – será que a gente poderia tentar explicar para ele, que esse caminho dele é meio um buraco sem apoio ? Que se ele não apóia as pessoas, que ele vai acabar ficando sem ninguém ?

Jailson – acho que quem não faz isso naturalmente não vai fazer nunca.

Wil – e conviver com uma pessoa assim é bom para nós ?

Mel – vamos tentar falar com ele e ver se ele entende ?

Thiago – é bom dar mais uma chance, às vezes ele não teve muita sorte na vida e ficou meio desconfiado. Quem sabe com uma conversa ele mude.

 

No próximo domingo eu conto mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 18h43

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Conversinhas | PermalinkPermalink #

My Playground

 
 

My Playground

Quando alguma coisa é muito linda, nem precisa falar muito

 

Escrito por Duilio Ferronato às 12h39

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

Lençol térmico

 
 

Lençol térmico

É uma grande invenção. Você coloca por baixo do lençol e liga na tomada por uns minutos antes de ir deitar. Quando você chega na cama é como se tivesse alguém já deitado esperado com  a cama  quentinha. Uma delícia. O lençol térmico não ronca, não faz nenhum barulho durante a noite, não puxa sua coberta e melhor : dá para você desligar na hora que quiser.

E se você é uma dessas pessoas que sofre de solteirice crônica, não pode deixar de comprar um. Em qualquer shopping tem e custa uns R$ 200,00.

O melhor mesmo seria namorar, mas como isso anda cada dia mais difícil e complicado, o lençol térmico vai resolver pelo menos aquela parte chata que é dormir sozinho nas noites frias.

Estranhamente tem um comportamento de adolescente que tem enveredado para o lado dos adultos. Os adolescentes vivem dizendo que não querem namorar sério e que ainda é cedo para isso ou aquilo, que querem aproveitar a juventude – ao contrário dos adolescentes do fim do século passado que diziam que já sabiam de tudo, que queriam ter filhos, que queriam ser adultos – agora parece que os adolescentes ficam adiando a maturidade como se fosse um mal incurável.

Outro dia, ouvi um dizendo que estava muito apaixonado por uma garota, mas não queria namorar sério porque atrapalhava a liberdade. Parece história para boi dormir, mas esse argumento está tomando conta dos adultos também. Bem essa nova adolescência pode durar até perto dos 40. Não é difícil escutar um sujeito de mais de 30 dizendo que mora com os pais porque tem conforto e isso e aquilo. Coisa mais broxante na vida é conhecer uma pessoa de mais de 30 que ainda mora com os pais. Cruz credo, como dizia minha avó.

Mas se as pessoas não querem nenhum relacionamento sério, preferem morar até os 30 e tantos com os pais e depois se mudarem para um apartamento sozinhas; vai ser cada vez mais difícil arranjar alguém para dormir junto o inverno inteiro.

Então a solução será comprar um lençol térmico com urgência.

Escrito por Duilio Ferronato às 09h13

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

O engraxate

 
 

O engraxate

 

O seu Carlos nasceu em Campo Mourão, no Paraná. Veio para São Paulo sozinho com 14 anos. Disse que veio numa leva de trabalhadores que vieram trabalhar na construção de algumas avenidas.

 

A construtora ia até lá, trazia alguns rapazes, dava alojamento e comida. Trabalhavam muitas horas por semana. Ele teve que mentir um pouco a idade para poder vir. Ficou na mesma empresa, que foi mudando de nome, por mais de 20 anos. Depois comprou um táxi e foi morar Penha com a mulher e 3 filhos.

Com o táxi conseguiu comprar uma casa aqui e outra na praia. Um primo dele quebrou a mão numa das obras e nunca mais conseguiu sarar direito dessa mão, resolveu aceitar o serviço de engraxate que tinha no Hotel Excelsior. Ficou lá quase 30 anos. Depois foi trabalhar no Largo do Café e na Praça da Sé.

O seu Carlos era muito próximo do primo; os dois tinham quase a mesma idade e sempre moraram próximos. O primo do seu Carlos morreu com algum problema no pulmão, com quase 70 anos. O Seu Carlos já estava aposentado na época, tinha vendido o táxi e andava a procura de alguma coisa para fazer. Não agüentava ficar em casa o dia inteiro.

Resolveu assumir a vaga do primo de engraxate. Agora ele sai todos os dias bem cedo de casa e vai para o centro da cidade e fica lá. Não engraxa muitos sapatos porque isso anda meio fora de moda, mas conversa o dia todo com todo mundo e ainda tira uns cochilos na própria cadeira.

Ele disse que se ele ficar em casa a mulher faz ele trabalhar muito mais e na rua ele pode se distrair com os conhecidos.

O seu Carlos é desses que adora trabalhar, não importa onde. Parece que trabalhar é um vírus que a gente pega desde pequeno e não se livra mais dele.

Agora uns deputados querem diminuir a carga horária de trabalho. Parece até razoável essa ideia, já que aqui no Brasil se trabalha mais horas do que em outros lugares civilizados. Mas talvez devessem diminuir primeiro a carga tributária do emprego legal, antes de diminuir a carga horária.  Assim trabalho informal não seria a única solução para muitos. O valor da previdência é um dos que mais assusta : R$ 93,00 por mês para quem ganha um salário mínimo.  Parece inacreditável que um dos piores serviços prestados pelo Governo seja tão caro.

O seu Carlos até tentou arranjar um trabalho formal depois de vendeu o táxi. Mas não conseguiu.  Tomara que um dia a gente chegue numa carga tributária de 10% e o Governo, com esse dinheiro, consiga fazer as coisas com eficiência.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h09

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

Diminuíram as janelas

 
 

Diminuíram as janelas

A invasão de janelas de alumínio foi tão forte e arrebatadora que as pessoas nunca nem chegaram a perceber como essas janelas são feias.

Aquela bela vista que deveria ser um direito de todos, virou um luxo para poucos. E alguns que até poderiam ter alguma vista interessante, preferem instalar uma janela pequena e tirar a árvore da frente da própria casa.

Parece até que combina a janela pequena com a falta de árvores. Quem tem janela pequena não se importa muito com o olhar, ou com a visão do horizonte. Então a janela pequena é só mais um dos acessórios da pessoa que não consegue enxergar a beleza de se olhar para fora.

Mas olhar para fora é como ficar sentado em algum lugar e só ficar observando as pessoas passarem. Um costume que foi se perdendo e a ansiedade foi crescendo tanto que é comum escutar as pessoas dizendo que não conseguem ficar paradas sem fazer nada.

E pior que sem fazer nada pode querer dizer: ler, ir ao cinema em silêncio, observar um pássaro ou até passar uma tarde deitado na grama tomando sol e pensando.

Observar é um exercício cerebral muito complexo que exige um certo esforço, é como pensar ou estudar. Um tipo de exercício solitário, e que foi sendo colocado na prateleira dos preguiçosos. Como se o fato de ficar observando fosse um fazer nada por preguiça.

Mas se uma pessoa não observa, como ela pode tirar suas próprias conclusões ? Obviamente não tira, apenas repete as conclusões dos outros.

Talvez esse fenômeno das janelas pequenas seja uma anomalia passageira. Algo como uma doença que afetou o senso de proporção. A falta de proporção nas coisas anda tão gritante que os carrinhos de supermercados denunciam essa doença. Repare no tamanho das garrafas de refrigerante que as pessoas compram. Cada vez maiores. E nos restaurantes as pessoas pedem uma garrafa de 600 ml para acompanhar o almoço. Afinal 600 ml já não é quase o tamanho do que deveria ser o estômago de uma pessoa bem ?

E se o senso de proporção foi afetado, isso poderia explicar porque as televisões andam cada vez maiores.

Uma outra coisa impressionante é como as pessoas que moram em casas com janelas pequenas, têm televisões grandes!  Isso é bem fácil de confirmar : passe na frente desses prédios com janelas pequenas e observe as lixeiras, tem sempre uma caixa de TV gigantesca. Mas a pessoa trocou a vista da janela pela vista da televisão.

Então a conclusão só pode ser uma : quanto maior a televisão, menor a janela e portanto menor a capacidade de conclusão. E tudo isso é o que afeta o tão valioso senso de proporção.

Mas não é possível desenvolver um bom senso de proporção sem observação. Mas se a observação anda cada vez mais rara, então a proporção está mesmo condenada à desarmonia.  

Escrito por Duilio Ferronato às 22h08

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

O Palmito Juçara e os Vutupís

 
 

O Palmito Juçara e os Vutupís

 

Vutupí na língua dos Vutupís quer dizer habitante das árvores. E é nas árvores que os vutupís passam a maior parte do tempo. Apesar de ser fácil de vê-los andando pelo chão entre a grama e as flores.

Eles são muito leves e têm muita força nos braços, conseguem pular de uma árvore para outra e se agarram aos  galhos e quase nunca caem. Claro que eles são mais atrapalhados do que os sagüis e de que os esquilos, mas mesmo assim são bem melhores nisso do que nós.

O lugar favorito deles é nas palmeiras Juçara, ou palmito Juçara. Essas árvores são ótimas para fixar as suas pequenas casas. Eles usam a palha das folhas e os ramos dos cachos de coquinhos para construir as casas. Dos cachos eles também tiram os seus alimento favorito, que é o coquinho.

Essa palmeira andou meio em perigo porque umas pessoas bobas cortaram muitas árvores para tirar o palmito; e quando o palmito é extraído a árvore morre e o vutupí fica sem casa e com pouca comida. Mas os vutupís são uns homenzinhos muito espertos e começaram a espalhar as sementes das palmeiras por todos os lados. Até no parque do Trianon, bem no meio da av. Paulista, tem algumas palmeiras Juçara.

O Palmito Juçara é primo do Açaí. As árvores são muito parecidas, só que o Açaí corre menos perigo de extinção do que a Juçara. As Juçaras também são aparentadas dos Jerivás, que são aqueles coquinhos amarelinhos que se vê muito aqui na cidade. Esses são os favoritos dos periquitos e das maritacas. E se você olhar com bastante cuidado vai conseguir ver um vutupís pilotando um desses periquitos. Eles adoram voar nas costas deles como se fossem cavalos alados.

Cada vutupí tem sua própria casa, umas bem pertinho das outras, mas cada um na sua. Eles acham mais saudável morar separados. Eles são muito parecidos com a gente nesse ponto, gostam de morar um perto do outro, mas cada um na sua casa.

Os vutupís têm alguns inimigos : os lagartos e as cobras, mas diferente de nós, eles não matam seus inimigos, apenas os mantêm longe de suas casas e de suas crianças. Eles são vegetarianos e não acreditam que matar  outro bicho possa trazer algum benefício. Por isso eles só se afastam e no máximo jogam umas melecas na cara das cobras e dos lagartos. Os vutupís sabem fazer umas bombas de meleca de árvore que gruda e só sai se esfregar bastante. As cobras odeiam essas melecas e ficam longe dos vutupís.

 

Outro dia eu conto como foi a briga entre os Vutupís e as cobras Jararacas.

Escrito por Duilio Ferronato às 01h36

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Conversinhas | PermalinkPermalink #

O Limpador de Chicletes

 
 

O Limpador de Chicletes

Na avenida Paulista trocaram todas as calçadas há pouco tempo. E se você der uma volta por qualquer parte da avenida vai notar que o chão está forrado de chicletes grudados.

 

Fico imaginando o que deve passar pela cabeça de uma pessoa que tira um negócio da boca e joga direto no chão. Como pode ainda existir gente que ache isso normal ? Jogar cigarros e papeis já é um costume medonho, mas é mais fácil de limpar.

 

No sábado, ao lado do Museu da Língua Portuguesa  3 limpadores de chicletes pelejavam nas calçadas. É muito difícil de desgrudar chiclete da calçada. Na verdade eu nunca tinha reparado nessa profissão, mas ela existe, ou só existe naquela calçada bacana. Aliás aquele museu é realmente muito bacana. Mesmo no sábado que estava cheio de crianças foi possível passear por toda a exposição tranquilamente e o melhor : de graça. Sim aos sábados é grátis.

Mas voltando ao elástico de mascar. Engolir não é recomendável, mas a avenida Paulista é um dos lugares onde tem uma lixeira a cada 10 metros, então não haveria nenhuma razão para jogar o negócio no chão. Só que se você prestar bem atenção, há muito lixo jogado no chão mesmo perto das lixeiras. Por quê ?

Não venham me dizer que as lixeiras são pequenas ou não há manutenção. Isso não é verdade. Os garis limpam constantemente e os sacos de lixo estão sempre meio vazios. Pelo menos na av. Paulista é assim, no resto da cidade é um pouco diferente. Por isso mesmo não dá para entender porque o lixo é jogado no chão entre as lixeiras.

Na Pinacoteca do Estado é proibido entrar mascando chiclete. Ao saber dessa proibição a gente é até capaz de pensar que seja uma coisa ridícula, mas olhando para qualquer chão e indo ao cinema e percebendo que sempre tem chiclete grudado nas cadeiras, dá para entender essa proibição.

E no cinema é outro lugar que fica difícil de entender porque as pessoas grudam chiclete nas poltronas.

Dá um certo desanimo pensar que ainda vai demorar muito para as pessoas entenderem que jogar lixo nas lixeiras é só uma pequena parte das obrigações de todo mundo.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h44

Comentários (Comente) | Enviar por e-mail | Kalo no pé | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.