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A mesma novela – capítulo 20 – os rapazes e a Tânia

 
 

A mesma novela – capítulo 20 – os rapazes e a Tânia

A parte que eu mais gosto desta novela é falar da vida dos rapazes. Se fosse na televisão eles seriam os bonitões que apareceriam sempre sem camisa. Mas o caso é que  na verdade-verdadeira eles eram até feinhos. Mas se a dona Íris Abranavel comprar os direitos desta novela, vou recomendar que este núcleo seja dos moços bonitos e gostosos.

Vocês devem se lembrar que no apartamento moravam o Thiago, Mel, Wil e Jailson.

O Thiago era o único com namorada fixa, a Tânia, os outros viviam enrolados com namoradas e casos.

O Jailson era o mais enrolado. Tinha muitas namoradas e vivia arranjando uma encrenca nova por semana. Era meio compulsivo, não conseguia ficar sem ver uma mulher que já caia matando. Inventava histórias, gostava de contar que a namorada tinha morrido em um acidente e desde então ele não tinha conseguido se envolver com ninguém. Ele até chorava para ficar mais convincente. Um safado de marca maior. Mas sempre se dava mal, era um mentiroso daqueles que já nem lembrava mais o que era verdade o que era mentira, só que era tão burrinho que nunca conseguia lembrar qual mentira tinha contado para qual namorada e acabava caindo em contradição, mas parece que as mulheres gostam de homem safado e ele estava sempre com uma maluca no pé dele. A Tânia sempre punha algumas para correr, mas elas acabavam voltando. De um jeito ou de outro o Jailson conseguiu passar os últimos 10 anos enrolando mais de 100 mulheres e não engravidando nenhuma delas.

Já o Wil, era o contrário. Muito mais tímido e só tinha tido umas 3 namoradas. Engravidou 2 ! Um tonto. E pior é que as ex-namoradas dele mandavam e desmandavam na vida dele. Viviam cuidando dele, quer dizer não exatamente cuidando, mas controlando. Não queriam que ele se envolvesse com mais ninguém. Mas sempre acabava sobrando um prima ou amiga das namoradas do Jailson para ele.

A Tânia morava no Tucuruvi, um bairro muito feio que tem aqui na cidade, apesar de ser perto da Serra e ter o Horto florestal por lá, é um lugar cheio de casas feias. Dizem as más línguas que o mau gosto do paulista tem sementes na Zona Norte, entre Santana e Tucuruvi. Mas eu não acredito nisso, acho que essa semente veio de Moema, que é um bairro mais ao sul. Ih, aquela leitora de Moema vai reclamar outra vez. Tomara que ela não leia este capítulo.

Voltando à vida da Tânia : ela era muito trabalhadora e tinha muita vontade de fazer faculdade e ser independente. Não queria ter que depender da família e nem do marido para nada. Isso era uma das coisas que o Thiago mais gostava nela. Ela conseguia dar um rumo na vida dele. Engraçado como uma mulher, com cabeça boa, consegue arrumar a vida de um maluco; e uma, com a cabeça ruim, consegue desandar a vida de um cara certinho. Se esta novela fosse na Globo, talvez, ela fosse uma daquelas moças que é do núcleo pobre, mas com cara de rica, cabelo liso, corpinho para sair na playboy, seria como aquelas moças que o pai é bem honesto mas foi sempre passado para trás e a mãe seria uma dona de casa amorosa. No fim da novela, no último capítulo, a Tânia iria casar com um moço lindo, rico e muito bacana. Claro que com a verdadeira Tânia não foi nada disso. Ela nunca casou com o Thiago e nunca tiveram filhos. Namoraram por 12 anos. Brigaram muito, mas também foram muito felizes.

O mais engraçado é que quando se separaram; ela casou logo em seguida com outro rapaz e teve 2 filhos e ele casou com outra moça e já teve 2 filhos também. Ficaram uns 8 anos sem se ver e nem se falar. Um dia  encontraram-se  por acaso na rua e bateu uma saudade infernal. Nem se falaram direito, fingiram que estavam com presa e foram embora. Tiveram insônia por 2 noites seguidas e uma vontade louca de ligar um para o outro, mas não ligaram. Estavam bem no casamento atual, foi só uma dessas coisas estranhas que toma conta de gente quando encontramos um amor do passado.

 

No próximo domingo tem mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 13h55

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OAB dando vexame

 
 

OAB dando vexame

Advogada ganha frigobar na prisão, e OAB quer também ar-condicionado

 

No link : http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/05/30/ult5772u4193.jhtm

 

Defender alguns bandidos a gente até agüenta que os advogados façam, afinal todo mundo tem direito à defesa, mas defender os privilégios já é vexame.

 

Se um sujeito teve boa educação com formação superior o seu crime deveria ser considerado ainda mais grave do que o coitado que cresceu sem nenhum tipo de aparato familiar ou do Estado.

 

Uma pessoa com formação superior tem que ter conduta exemplar, e se a conduta não é exemplar, a prisão deveria ser.

 

Agora a OAB de Alagoas (tinha que ser desse Estado suspeito) afirma que advogados têm direitos especiais. O que é esse negócio de “direitos especiais” ? O que eles têm de especial ? Deve ser o sangue azul ou no caso de alguns:  roxo.

 

Fico imaginando que se um jogador de futebol ou qualquer outra celebridade for pega fazendo alguma coisa errada, ela não fica nem 1 dia presa.  Pode até matar que não vai para cadeia. Pode comprar cocaína e pode vender crack. Nada acontece. No máximo elas passam um tempo numa clínica cara.  Se for deputado ou senador pode ainda mais.

 

Talvez surjam, nas próximas eleições, alguns candidatos prometendo acabar com os privilégios, mais ou menos como aquele que prometeu acabar com os marajás. E, certamente, vão ganhar um monte de votos.

Escrito por Duilio Ferronato às 16h46

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Delícias do Bom Retiro

 
 

Delícias do Bom Retiro

Escrito por Duilio Ferronato às 22h49

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O pernilongo inventou o dentista

 
 

O pernilongo inventou o dentista

Um dia os pernilongos se juntaram numa conferência lá em Manaus. Chegaram pernilongos do mundo inteiro. Uma reunião parecida com aquelas da ONU.

A intenção da assembléia seria descobrir alguma coisa mais irritante do que o som do violino que os pernilongos tocam na orelha humana.

 

Foram várias sugestões :

-         A comissão do Egito sugeriu criar o Homem Bomba. Não foi aceito. Todos disserem que isso nunca iria funcionar. Afinal quem seria burro suficiente para aceitar essa missão ? Só que naquela época ainda não tinham inventado o fundamentalismo religioso.

-         A comissão japonesa sugeriu obrigar as pessoas a falarem baixo. Como assim ? Isso é irritante ? Nada pior do que uma pessoa que fala muito! Fala baixo e você não escuta e tem que ficar fingindo que está entendendo tudo. Mas essa sugestão foi repudiada. Os japoneses esqueceram de sugerir que as pessoas só falassem baixo durante uma festa barulhenta. Mas não colou, quer dizer, naquela época não colou, mas hoje parece que muita gente é adepta disso.

-         A comissão chinesa sugeriu o DVD pirata com defeito. Essa sugestão fez muito sucesso. Alguns gritavam sugestões empolgantes : um DVD que nos últimos 4 minutos do filme desliga. Outros gritavam que seria melhor um DVD com filme trocado. Só que apesar dessa sugestão ter sido muito bem recebida não foi a mais aclamada.

-         A comissão sul africana, junto com a comissão alemã, sugeriu instalar o racismo. Mas não fez nenhum sucesso. Os pernilongos do mundo inteiro diziam que apesar dos seres humanos não serem muito espertos, isso eles nunca iriam querer instalar. O engraçado é que essa sugestão acabou caindo nas ruas e foi um sucesso imediato entre os humanos.

-         A comissão Colombiana sugeriu criar um policial corrupto. Todo mundo riu. Os pernilongos diziam que isso não poderia existir, que os seres humanos nunca iriam aceitar uma barbaridade dessas. Seria como eleger políticos corruptos pela terceira vez seguida. Foi voto vencido com unanimidade. Engraçado como os pernilongos tinham certa esperança nos humanos.

-         Os australianos sugeriram mandar uns tubarões para o litoral brasileiro. Virgi. Esses foram totalmente vaiados. Onde já se viu tubarão atacar banhistas, sendo que no litoral brasileiro tem tanta comida natural para os tubarões. Isso nunca iria funcionar. Foram vaiados, mas, não sei como, parece que eles andam fazendo sucesso lá pelos lados de Recife.

-         Por fim um pernilongo americano Bill e um pernilongo inglês Gates, sugeriam inventar o dentista. No começo os pernilongos do mundo todo acharam uma invenção boba. Mas a dupla já tinha pensado em tudo : primeiro iriam falar com Deus para que ele fizesse com que os dentes humanos parassem de crescer, depois convenceram uns cientistas malucos a inventarem a cárie. Eles disseram para esses cientistas que se eles inventassem uma doença muito poderosa, eles ficariam ricos inventando a cura.

As dúvidas não paravam, mas a dupla tinha resposta para tudo : eles diziam que seria uma prestação de serviço totalmente obrigatória, que nenhum ser humano ficaria livre deles e que custaria muito caro e ainda seria dolorido. Todos os participantes da conferência acharam ambicioso demais, mas resolveram tentar.

 

Bem, não foram só essas as sugestões que acabaram virando lei aqui no nosso planeta, mas essas foram as que eu entendi na letra de uma música que um pernilongo cantou para mim na noite passada.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h31

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Revista Pororoca

 
 

Revista Pororoca

Hoje tem lançamento do número 3 da Revista Pororoca.

 

Galeria Vermelho, rua Minas Gerais, 350 às 20h – tel. 3257-2033

Escrito por Duilio Ferronato às 14h52

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Caminhou 132km

 
 

Caminhou 132km

Prefeito de Porto Feliz diz que lutará até "as últimas consequências" para impedir construção de presídio

 

No link : http://noticias.uol.com.br/politica/2009/05/27/ult5773u1282.jhtm

 

O prefeito de Porto Feliz, Cláudio Maffei, virou um herói. Nem sei dizer se ele é um bom prefeito ou não. Não conheço ninguém de Porto Feliz. Mas dá para ver que ele é decidido. Andar tudo isso e ainda não ser recebido pelo Governador é sacanagem. Mas se o Duque do Palácio dos Bandeirantes recebesse esse andarilho de Porto Feliz, teria que receber vários. E os Duques não podem ficar recebendo gente que não marca hora e anda a pé.

 

O prefeito fez essa caminhada para tentar impedir a construção de um presídio na cidade dele. Os presídios têm sido motivo para muitas brigas nos municípios que são candidatos a receberem uma instalação nova. O Governo do Estado desapropria uma área e, normalmente, faz um tipo de troca com o prefeito. Promete infraestrutura, escolas, bibliotecas, postos de saúde ou qualquer outra coisa que o município esteja precisando.

 Só que os Municípios que já receberam um presídio de “presente” começaram a espalhar que a troca não valia a pena. E parece que não vale mesmo.

Pelo menos meus amigos de Avaré, onde tem um presídio grande, dizem que foi a maior cilada. Toda vez que tem rebelião, a cidade entra em pânico e as rebeliões são bem comuns por lá.

 

Também  são atraídos para a cidade vários parentes de presos, que nem sempre são bem vistos pela população, e a contra partida oferecida pelo Governo Estadual, nem sempre é lá muito lucrativa.

 

E além disso, o assunto sobre os presídios já virou tema de campanha. Muitos foram eleitos com a promessa que não haveria mais presídios e outros perderam reeleições porque deixaram que os presídios fossem construídos.

 

O jeito vai ser alguém inventar uma solução para que as pessoas não cometam mais crimes e não aumentem a população dos presídios.

foto Robson Ventura - Folha Imagem

Escrito por Duilio Ferronato às 22h38

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Mais um show da polícia

 
 

Mais um show da polícia

No Paraná, motorista que deixar de entregar CNH cassada será preso

No link : http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u572597.shtml

Ainda tem gente que acredita nessas coisas que a Polícia diz ? Você conhece alguém que foi preso porque foi pego dirigindo embriagado ?  Claro que não.

O deputado Fernando Carli Filho, que se envolveu no acidente que matou 2 rapazes quando dirigia a mais de 140km/h, anda bem soltinho e ele tinha a carteira suspensa.

No link : http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u570733.shtml

Agora andam dizendo que os donos de bares e restaurantes serão multados e até serão presos, a partir de 7 de agosto, se não respeitarem a nova Lei Anti Fumo do Estado de São Paulo.

Ao que tudo indica essa Lei não vai durar mais que 3 meses e vai ter um monte de lugares esfumaçados antes de dezembro. Talvez a Lei funcione por uns 2 ou 3 meses, como a Lei da bebida.

 

Essa do motorista paranaense ter que entregar a CNH ou ser preso é mais uma piada. E se eles alegarem desobediência, será a coisa mais hipócrita do mundo. Se um motorista chegou a ter a carteira suspensa é porque ele já é um desobediente por natureza. Perdeu a carteira porque não respeitou as leis de trânsito.

A Polícia uma vez por ano resolve soltar uma notícia dessas para causar algum tipo de comoção ou até fazer propaganda, mas na verdade acaba jogando ainda mais a ideia de Lei na lama. E fica parecendo que os Secretários de Segurança Pública, de qualquer Estado, gostam de brincar de bandido e mocinho por um teminho e depois mudam de brincadeira.

E vindo das autoridades de trânsito, como o Detran, é mais suspeito ainda. Eita lugarzinho cheio de coisas suspeitas.

Escrito por Duilio Ferronato às 19h58

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14 km andando

 
 

14 km andando

 

Foi dia de fazer exame de sangue. Uma das piores invenções da medicina.   Tem que fazer e tem que ser de manhã. Fui até a rua Santa Cruz no DST – Centro de Referência, de metrô. Depois do exame, ainda meio chapado, sim fico tonto toda vez, não adianta, não me acostumo com isso.

Fui andando pela Av. Domingos de Morais, que é uma dessas avenidas só para carros e motoristas neuróticos. Um avenida feia e com poucas árvores, virei na rua Capitão Cavalcanti para ir até a Faculdade de Belas Artes, já que estava ali perto fui finalmente buscar meu diploma, que já tinham me avisado que se eu não fosse buscar iriam mandar para o arquivo morto e depois eu teria que pagar uma taxa para resgatar. Fui.

A rua Capitão Cavalcanti é uma ladeira bem estreita e bem chata. Tem seguranças de todos os lados, é a rua que liga o metrô Vila Mariana a Belas Artes e a ESPM. Termina na rua Humberto l, que é travessa da rua Álvares Alvim, a rua das faculdades. Pegar o diploma foi rápido e não custou nada. Veio numa pastinha, agora não sei o que vou fazer com ele. Quem sabe vou até o CREA e tiro minha carteira definitiva, outra coisa que nunca fiz.

Depois voltei pela rua Humberto l, que é uma rua cheia de casas, mas pouca gente parece morar por ali, dá impressão que as casas viraram escritórios. Uma rua simpática e com muitas árvores. Peguei a rua França Pinto, que é muito parecida com a anterior, mas tem mais movimento de carros. Ela liga aquela parte da região do Ibirapuera a região do Paraíso. Não deve ser bom morar ali, tem muitos carros e muitos bares com música duvidosa. Peguei outra vez a rua Domingos de Morais, nessa altura a rua já ficou muito confusa, ali as ruas se confundem, a rua Vergueiro, Bernardino de Campos e Domingos de Morais são muito próximas e têm a mesma cara. Nunca dá para saber qual que é qual. Andei até a Bernardino de Campos, que é  continuação da Av. Paulista, a Bernardino é uma dessas ruas que se você perguntar, ninguém sabe onde é. Não dá para entender porque ela tem esse nome, deveria chamar Av. Paulista. De qualquer forma a Bernardino está ali e tem uma vista muito boa sobre a av. 23 de Maio, ali, acho, que já mudou de nome ou está quase mudando.

Continuei pela Av. Paulista,quase entrei no metrô, já tinha dado uma certa preguiça, mas insisti. Fui até o Conjunto Nacional, na esquina com a rua Augusta, antes de chegar fui reparando que o Bradesco e o Itaú mudaram o tom  das cores dos seus logos. O Bradesco parece que ficou mais vermelho e o Itaú parece que ficou mais laranja. Espertinhos. A agência do Bradesco do começo da avenida até tão vermelha que eu pensei que já fosse o MASP, mas era só a agência.

Fui até o conjunto Nacional para finalmente trocar os pontos do meu celular por um aparelho novo. Resisti mas meu aparelho antigo ainda era da época do disco, então tive que atender ao chamado do consumo e trocar. Um novinho, tela que é só passar a mão que ela responde. Uma Delícia. O moço da Vivo queria que eu desse uma nota pelo atendimento dele, já pensou ? Que coisa mais constrangedora. E depois ainda teria que entregar a nota para ele. Ah, palhaçada. Não preenchi o papel e ele me fez uma pequena ameaça que não lembro o que foi, mas que agora estou com um pouco de medo, acho que eu deveria ter dado DEZ para ele.

Fui até o café da Livraria Cultura para ler meu manual. Essa é a pior parte de comprar uma coisa nova, tem o manual para ser decifrado. E as letrinhas são tão pequenas que dá até dor de cabeça. Aliás o café de lá é bem meia boca pelo preço que cobram. Mas as cadeiras são muito confortáveis e é gostoso de ficar ali. Tinha até gente trocando Bluetooth. Eu consegui ver que um moço ao meu lado estava conectado e disponível para conversar. Muito moderno, mas paquerar pelo bluetooth - acho que vai ficar para a próxima vida.

Uma experiência totalmente nova para mim foi colocar o fone de ouvido e ligar no rádio. Meu novo aparelho tem isso. Parece que você entra numa bolha. Vê as pessoas, os carros e tudo mais, mas só ouve a música. Uma sensação maluca.

Fui descendo a rua Augusta, na parte que está começando a mudar tudo. Antes era um lado todo decadente e agora está cheio de lugares interessantes.

Chegando lá no centro a coisa vai ficando mais feia, as pessoas ficam mais feias e mais mal vestidas também. Chegando na rua Martins Fontes  é outra paisagem. Já tinha completado mais de 8km andando e os pés reclamando.

Fui almoçar no restaurante Nutrisom, no viaduto 9 de Julho. É um restaurante de comida natural muito bom, barato e sempre tem gente bacana comendo lá. Fiquei lá mais de 1 hora conversando com uns amigos que encontrei por lá. Repeti 3 vezes a sobremesa.

Depois fui pela Rua da Consolação até a rua Xavier de Toledo, essa é uma rua muito movimentada, cheia de gente feia e com muitos moradores de rua. As lojas são feias e tudo tem cara de sujo.

Passei pela lateral do Teatro Municipal e sai na rua Conselheiro Crispiniano, o teatro está em reforma, parece que vai ficar bom, já a fonte da praça está uma desgraça. O fone de ouvido começou a incomodar. A cabeça foi ficando atordoada, mas não desisti e insisti na rádio. Eu ouço a Eldorado, Mitsubishi e a Oi; e raramente a Cultura.

Passei pelo Largo da Paissandu e desci para o Largo do Correio. Ali junta um monte de moradores de rua que dá uma certa tristeza.

Fui andando pela Av. Prestes Maia, outra avenida que não foi feita para gente, só para carros e motoristas neuróticos. Já tinha completado 10 km andando. Passei pela rua Paula Souza e deu até vontade de ir dar uma olhada nas coisas de cozinha, mas a canseira já estava batendo.

Entrei na rua Mauá, que é uma rua bem estreita que fica na frente da Estação da Luz,

Nessa rua tem a Vila dos Ingleses, um lugar muito bonito de se ver, mas meio bobinho. O resto da rua é horrível, toda cheia de lixo e com prédios caindo aos pedaços.

Entrei pela rua Cantareira, essa é aquela rua lateral do Mercadão, mas nessa parte só tem prédios fechados e feios, só que numa das travessas tem a rua Cláudio de Souza, que é um tipo de vila com casinhas iguais. Muito bonitinha. Acabei saindo do outro lado na rua São Caetano, que é a rua das noivas – credo – o lugar mais cafona da cidade.

Muitas lojas e nada muito interessante para comprar, a não ser que você seja lojista. No fim virei a direita na rua Monsenhor Andrade, uma rua muito comercial que virou mercado de muamba. Tem de tudo. E tem também uma Mesquita muito bonita, nunca entrei, mas por fora é bacana.

E fui até a rua João Teodoro, um rua horrorosa, cheia de casas decadentes e comércio de bugigangas. Na esquina com a praça da República da Coréia tem um vendedor de coco muito simpático, mas ele aumentou o preço da água de coco para R$ 2,50 – acho que a cotação está em Euros. Ali tem uns banquinhos que dá para descansar.

Depois foi só pegar a rua Silva Teles e chegar em casa. Sai da Santa Cruz às 9h30 e cheguei em casa às 16h. Meus pés estão em greve e meus tênis já avisaram que foi a última viagem deles. Consegui calcular a distância com ajuda do site : http://webrun.uol.com.br/ondepraticar

Escrito por Duilio Ferronato às 22h47

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Meu vizinho coreano

 
 

Meu vizinho coreano

O Sérgio Lee chegou na cidade há uns 10 anos. Ele e a mulher vieram por causa de um primo que estava se dando muito bem aqui em alguma coisa ligada a moda. Vieram da Coréia do Norte. Mesmo lá sendo um país mais ou menos comunista, as pessoas conseguem juntar um bom tanto de dinheiro e ir para Austrália, Nova Zelândia ou  Brasil.

Aqui eles têm uma comunidade muito grande e unida. Têm igrejas, escolas e todos os tipos de serviços, até escolas só para crianças coreanas existe.

Eles estão em grande parte trabalhando no Brás e no Bom Retiro. São normalmente acusados de escravizar os bolivianos, em parte é verdade, eu já vi e conheço alguns bolivianos que ganham R$ 200/mês  para trabalhar mais de 12 horas por dia, sem descanso.

Sérgio não é o nome dele, é um nome que ele adotou quando chegou aqui. O nome verdadeiro é Sei. Chegou sem nem saber como era o som de português. Teve umas aulas na igreja e saiu falando.

Para um estrangeiro receber uma carteira de permanência existem várias maneiras, a mais fácil é ter um filho nascido aqui.

Ele me pediu para ir com ele e a mulher até a Polícia Federal para ser testemunha de que o filho dele tinha nascido aqui. Claro que eu não vi o filho nascendo, mas vi a mulher grávida. A mulher dele me deu um pão coreano de presente por ter feito esse favor. Ela disse que era um pão da prosperidade.

O delegado da PF me tratou como bandido e perguntou quanto eu estava ganhando para fazer isso. Quando eu disse que nada ele só faltou me chamar de burro. Mas como eu estava em um dia de bom humor, não prestei atenção à barbaridade.

O vizinho baiano vive dizendo que aqui não é o país deles. Engraçado que esse vizinho baiano não se dá conta que o Brasil é formado por imigrantes de todos os lados e que os asiáticos foram fundamentais para  definir a identidade paulista. Nem daria para imaginar São Paulo sem japoneses, árabes, chineses, italianos, africanos ou nordestinos.  

Agora o mundo todo está declarando que a Coréia do Norte é o inimigo público número 1. Coitado do Sérgio Lee. Vai ter que aguentar ainda mais disparates de gente com cérebro de minhoca.  

Escrito por Duilio Ferronato às 22h26

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Desejo e Perigo

 
 

Desejo e Perigo

Ang Lee  vai se tornando mais indispensável. Não dá para perder nenhum filme do diretor. E, a cada novo projeto, o cuidado parece ser ainda mais minucioso.

Em Desejo e Perigo, as cenas devem ter sido elaboradas quadro a quadro, não há muitos diálogos, mas muitas imagens impressionantes. As pessoas, que têm dificuldades na contemplação, ligam celulares, conversam ou saem reclamando no fim da sessão. É um filme para quem gosta de ficar possuído dentro de uma sala de exibição. A respiração chega a ficar mais intensa com certas cenas.

E se tratando de um filme contemplativo, não daria para não ficar impressionado com a fotografia. É das mais belas. A atriz tomando café e deixando a marca de batom na xícara deve ter levado tanto tempo e cuidado que a imagem fica impregnada na sua memória.

Como todos os outros filmes do diretor, esse também é muito sensual. A sensualidade dos olhares discretos vão levando o espectador a um estado de paixão.

 

DESEJO E PERIGO Se, Jie. EUA/China, 2007. Direção: Ang Lee. Com: Tang Wei, Tony Leung e Wang Leehom. 157 min. Não recomendado para menores de 18 anos.

 

Escrito por Duilio Ferronato às 08h28

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Infelicidade contagia

 
 

Infelicidade contagia

Gente infeliz é muito difícil de aguentar. Elas estão sempre reclamando de tudo. Criticam tudo. Falam mal de todo mundo. Acham tudo chato. Reclamam do jeito que o garçom coloca o garfo na mesa, reclamam da temperatura da comida, reclamam do barulho. Sempre acham um motivo para reclamar de alguma coisa. Mesmo quando gostam muito de um filme, arranjam alguma coisa para criticar.

Mas infelizmente a gente não consegue ficar longe das pessoas infelizes. Elas estão em todas as partes e parece que ficam esperando uma oportunidade para jogar suas infelicidades  sobre as outras pessoas.

Quando elas arranjam um motivo para te perseguir, vira quase uma obsessão. Elas não desistem. Vão até o fim. Custe o que custar. Se elas sabem alguma coisa sua que você não quer falar sobre o assunto, elas usam isso para jogar ao vento.

A infelicidade é quase contagiosa e a maioria das pessoas percebe isso e se afasta das pessoas infelizes.

Isso é um buraco sem fim. Porque a pessoa infeliz vai ficando cada vez mais sozinha e cada vez mais agressiva.

Normalmente ela se enfia em um tipo de vício. Algumas começam a pegar gatos ou cães na rua e a criar como se fossem crianças. Elas viram defensoras dos animais, não porque têm muito amor para dar, mas ao contrário, têm pouco amor e só conseguem amar os animais, não as pessoas. E, normalmente, as pessoas infelizes não são bonitas.

Algumas pessoas infelizes resolvem se associar a uma Ong ou Seita para brigar por alguma coisa. Elas fingem que estão lá para defender um motivo maior, mas fica muito evidente que elas estão lá para esconder suas infelicidades.

O mais chato de ter que aturar gente infeliz é que você acaba contaminado e quando se dá conta, acaba pegando certas implicâncias e certas chatices.

A infelicidade tem vários sócios. É sócia dos ciúmes, da inveja, do rancor, da mesquinharia, do egoísmo, da burrice (a burrice é a melhor amiga da infelicidade) e é muito intima da arrogância.

Ficar longe das pessoas infelizes é quase impossível e também é difícil de se defender dos ataques delas sem revidar com a mesma ignorância. O jeito é aguentar e fingir que não percebeu nada.

Escrito por Duilio Ferronato às 22h27

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Proud to be gay

 
 

Proud to be gay

Escrito por Duilio Ferronato às 18h41

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Pegaram o dinheiro do banco e correram

 
 

Pegaram o dinheiro do banco e correram

Casal foge após receber R$ 12 milhões na conta por engano

 

No link : http://noticias.uol.com.br/bbc/2009/05/21/ult36u46655.jhtm

 

Se esse milagre acontecesse comigo eu nem saberia como agir, mas é uma coisa que eu venho rezando faz tempo. E quando acontecer, já vou ter umas desculpas prontas para dar se o dinheiro sumir :

 

1 – vou dizer que achei que tinha sido Deus que tinha mandado e dei tudo para moradores de rua; na verdade vou pegar só uma parte bem pequena e sair distribuindo, assim vou ter testemunhas. O resto, vou esconder no quintal dentro de uma lata ou debaixo do colchão.

 

2 – vou dizer que sofri um sequestro relâmpago e que levaram tudo. Quando percebi tinha sido roubado em 12 milhões que eu nem sabia que estavam na minha conta.

 

3 – vou transferir para um deputado sacana. Assim consigo levar pelo menos um dos safados para cadeia. Mas pensando melhor, acho que ele iria se livrar, guardar o dinheiro e eu iria para a cadeia. Melhor não.

 

4 – sacar 12 milhões não daria, acho que esse dinheiro nem existe, mas talvez eu fosse ao shopping e compraria muitas coisas inúteis - bem coisas que eu gostaria de comprar e fico tentando me convencer de são inúteis. Como : tv gigante de tela plana, celular I Phone, geladeira cromada, máquina de fazer pão...e muitas roupas, as roupas eu compraria nas ruas dos jardins.

 

5 – carro ! Ah, vou querer uns 3 ! Mas não posso comprar porque o banco e a polícia iriam achar muito fácil, veja o que aconteceu no caso da Suzane : descobriram tudo porque um dos assassinos comprou uma moto novinha na mesma semana. Acho melhor eu guardar o dinheiro por uns meses...uns anos. Depois saio gastando.

 

6 – eu poderia dizer que achei que o dinheiro tivesse vindo de um sorteio daqueles planos de capitalização ou do seguro do carro. E depois ainda iria processar o banco alegando perdas e danos. Iria pedir 1 milhão de indenização. Isso mesmo ! 1 milhão já ia resolver bastante.  Eu nunca ouvi ninguém dizer que foi sorteado nesses planos de capitalização.

 

7 – bem, uma casa com piscina no Pacaembu não daria para comprar com 1 milhão. Melhor eu pedir metade : 6 milhões. Acho que 6 milhões dá para comprar uma casa dessas no Pacaembu ! O problema seria pagar o IPTU ! Se o da minha casa eu já acho caro, imagina do Pacaembu. Talvez a casa com piscina fique para outra hora.

 

8 – só não entendo como o casal da Nova Zelândia conseguiu sumir com o dinheiro. Dá para sacar tudo isso ? Aqui, certamente não daria. E se desse, você seria roubado na porta do banco. Só político e pastor que conseguem ter todo esse dinheiro na mala, na bíblia ou na cueca. Os outros ficam presos aos bancos.

 

9 – mas, olhando essa lista, estou achando que as desculpas políticas e religiosas ainda são as que colam mais. Doença também cola bem.  Todo criminoso brasileiro dá uma dessas 3 desculpas. E sempre funciona.

 

Bem agora já preparei  várias desculpas, só falta o banco depositar R$ 12 milhões na minha conta.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h22

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E a Marieta Morreu

 
 

E a Marieta Morreu

A Marieta era uma mulher muito querida. Tinha muitos amigos na vizinhança, apesar de já ter brigado com quase todo mundo.

Ela era defensora dos animais, de todos animais. Adorava gatos, cachorros, lagartixas, passarinhos e qualquer coisa que andasse, menos gente. Ah, gente ela nunca gostou muito.

Quando era criança, era meio esquisita, queria estudar medicina veterinária. Mas era ruizinha em matemática, português, química, quer dizer : era ruim em todas as matérias. Não passou em nenhum vestibular e na época ainda não existiam as faculdades que é só levar RG para entrar.

Acabou indo trabalhar na empresa de um tio. Ficou lá milhões de anos. Era vegetariana fanática. Nem ovo ela comia, e só bebia leite em casos muito especiais, ela dizia que bebendo leite você estava estimulando o consumo de carne bovina.

Um dia teve um piripaque e morreu. Morreu de alguma coisa no intestino.

Quando ela chegou no céu descobriu que quem cuidava da porta era uma cenoura. Um Cenourão bem fortão. Daqueles cheios de raízes e calombos. Um sujeito meio mal encarado. Ah, ela quase teve outro treco.

O cenourão foi muito severo com ela. Disse que ela não deveria ter comido tantos legumes e verduras a vida toda. Que muitos dos parentes dele tinham sido devorados por ela e por isso ela iria passar uma longa temporada trabalhando na fábrica de adubos do céu. Coitada. A fábrica de adubos era um lugar parecido com o que a gente entende por inferno, só que em vez de fogo tinha cocô de vaca.  Já pensou ?

Ela tinha que acordar cedo todos os dias, comer carne moída no café da manhã com leite gorduroso; tinha que colocar uma roupa de lã e botas de couro, depois tinha que ir trabalhar com uma ferramenta feita de chifres de cabra e cabo feito com osso de pescoço de girafa.

Todos os dias tinha churrasco na hora do almoço, bolo de carne no café da tarde e ensopado de carne no jantar.

Ela ficou lá até jurar que se voltasse para a Terra não seria vegetariana.

Pois é. É uma história muito triste, mas o açougueiro da esquina quem me contou e jurou que era verdade.

Escrito por Duilio Ferronato às 20h27

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Super oferta

 
 

Super oferta

Outro dia li na “Veja”, o Abílio Diniz, um dos donos do grupo Pão de Açúcar, dizendo que daqui para frente as vendas estariam subordinadas a anúncios oferecendo descontos e ofertas.

Olhando as vitrines, não vejo mais nenhuma sem um apelo desses. São ofertas, descontos, parcelas infinitas, liquidações e um monte de outras armadilhas.

É claro que depois de perceber isso, me achei imune. Pensei que esse truque não iria me pegar. Até que a Jandira me deixou uma lista dizendo que precisava de cera liquida para o chão.

Fui ao Extra da Mooca e tinha cartazes com ofertas de todos os lados. Até pensei que só gente boba ia acreditar nisso.

Na hora de escolher a cera, não deu outra : eu não sabia qual marca escolher ! E é claro acabei comprando a que estava em oferta. R$ 0,10 de diferença no preço, mas achei que já era suficiente para uma boa compra.

Hoje a Jandira me disse que essa marca que comprei não é boa, por isso é mais barata.

Como é que consigo cair nesse truque mesmo tendo lido sobre isso, pensado sobre isso e estando ciente de que essa coisa de oferta é só enganação ?

Escrito por Duilio Ferronato às 22h43

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Pornografia infantil, comilança e jogatina

 
 

Pornografia infantil, comilança e jogatina

Polícia Federal prende dez em operação contra pornografia infantil na internet

 

No link : http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/05/18/ult5772u4017.jhtm

 

Algumas coisas são bem difíceis de entender. Outro dia um amigo contou que a mãe dele tinha perdido R$ 18 mil num bingo clandestino. Essa história é quase inacreditável para quem não é viciado em jogo. Não dá para entender como alguém chega a perder mais do que uns trocados em jogo, mas quando uma pessoa é viciada, ela faz coisas inacreditáveis.

Outra coisa inacreditável é engordar. Claro que quase todo mundo tem um gordo preso dentro do peito querendo explodir, mas felizmente apenas alguns deixam esse gordo tomar conta. Hoje vi um moço de uns 20 anos muito gordo na rua e veio aquela pergunta boba : como é que esse moço ficou desse jeito? Engordar é outra coisa difícil de entender para quem é magro. É muito fácil de controlar a comida, é só não comer. Isso para mim é facílimo, mas evidentemente é uma coisa dificílima para quem é gordo.

Outro dia passei por uma banquinha de camelô e ele estava vendendo DVDs pornográficos com gente e animais. Uma coisa muita bizarra, mas não resisti e fui olhar as fotos. Uma coisa medonha só de ver as fotos, o filme nem consigo imaginar. Mas se esse filme existe é porque tem público para comprar.

O mais difícil mesmo é entender atração sexual por criança. Será que essas pessoas confundem aquela coisa gostosa e carinhosa que é o abraço de criança com sexo ?

Criança é uma coisa deliciosa de se ter por perto, quando elas não berram e nem fazem manha é claro. Mas sentir vontade de transar ou ver filmes pornográficos com crianças é inacreditável para quem não é pedófilo.

Talvez seja tudo uma grande confusão na cabeça dessas pessoas. Os viciados em jogo confundem a diversão com obsessão, os gordos confundem prazeres do paladar com compulsão e os pedófilos confundam carinho com sexo.

O mais chato de tudo isso é pensar que a pedofilia, jogatina e comilança são parte  um mercado crescente e muito lucrativo. 

Escrito por Duilio Ferronato às 21h05

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Arroz negro com abóbora

 
 

Arroz negro com abóbora

Não é muito comum ainda, e talvez nem venha a ser, já que demora muito para cozinhar e é mais caro do que o arroz branco. O gosto está mais para arroz integral do que para arroz branco.

O processo é parecido com o do integral, tem que fazer na pressão  com um pouco mais de  água.

Eu coloquei uma lingüiça defumada picada  para dar um gosto. Ficou muito bom. Saber o tempo de cozimento é uma das coisas mais difíceis da panela de pressão, eu fico sempre com um certo medo e nem fico na cozinha enquanto aquela geringonça trabalha.

Não sei dizer como foi que deu certo, apesar de ter grudado um pouco no fundo, e a panela ficou lá de molho 2 dias.

A abóbora é muito simples : corto em pedaços médios, uma cebola em 4 partes, cenoura, uns dentes de alho e por cima coloco manjericão ou salsinha. Shoyo e azeite para temperar. Embrulho tudo com papel alumínio e vai para o forno por uns 30 minutos. Isso é muito prático e dá para fazer com qualquer legume. Tomates e abobrinhas ficam muito bons também. Ainda vou tentar fazer com abacaxi para ver como fica. E o melhor  é que não suja nada.  

O arroz negro vende na zona cerealista e em alguns armazéns de produtos naturais.

Escrito por Duilio Ferronato às 20h12

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A novela – capítulo 19 – exame de sangue

 
 

A novela – capítulo 19 – exame de sangue

O processo do Mel estava correndo na justiça e todo mundo estava certo de que ele seria reconhecido como neto e herdeiro do Coronel, já que a única filha viva do coronel era deficiente mental e estava internada numa clínica.

Foi quando os advogados da Yolanda exigiram o exame de sangue do Mel para iniciar. Só que ele teve que fazer um monte de coisas antes de tudo. Primeiro teve que acertar o nome, vocês devem lembrar que a mãe tinha adotado uma identidade falsa, ela usou os documentos da prima para registrar o Mel, isso já levou mais de um ano para resolver. Depois o processo de reconhecimento não seria fácil, já que quem teria que reconhecer seria a Yolanda ou o irmão da avó do Mel, esse irmão da avó era outro filho de coronel que tinha recebido uma grande herança dos pais dele e cuidava da parte que cabia para a sobrinha deficiente, se aparecesse outro herdeiro ele teria que liberar uma grande fortuna para esse herdeiro, e isso ele não queria.

O Mel tinha muita gente interessada que ele não fosse reconhecido como neto do Coronel.

Vocês devem se lembrar             que o pai dele, filho do Coronel, era um rapaz de 16 anos que sumiu depois que a mãe dele ficou grávida há aproximadamente 1 ano depois que o Mel nasceu, o rapaz morreu em um acidente de carro.

Ele foi enterrado no cemitério da cidade próxima a fazenda e outro rapaz, que também morreu no mesmo acidente,  era da mesma região e foi enterrado no mesmo dia no mesmo cemitério. Cada um no mausoléu de sua família.

Acontece que quando a Yolanda começou a desconfiar que isso tudo iria acontecer e que um jeito de provar que o Mel era neto do Coronel seria fazer exumação do corpo do Joel e tentar identificar como pai do Mel. Naquela época esse tipo de exame era caríssimo e difícil de fazer. Tinha que mandar para os EUA, daria para tentar identificar com a moça internada também, mas o mais direto seria exumar o corpo do Joel.

Muito antes da exumação acontecer a Yolanda mandou trocar de lugar  os restos mortais do Joel com o amigo que tinha morrido no mesmo dia.

Essa  sacanagem foi um dos golpes mais baixos que eu já tinha ouvido falar. Mas ela fez e ninguém ficou sabendo. Mesmo numa cidade bem pequena, onde todo mundo sabe de tudo, é possível fazer coisas desse tipo e manter segredo.

E a exumação foi feita : pegaram amostras de tecido do amigo, que estava no lugar do Joel, e mandaram junto com amostras de sangue do Mel para os EUA. Isso levou quase 2 anos para acontecer. Nesse tempo o Mel continuava com seu trabalho no escritório, estudando direito à noite e morando no apartamento do Rafael.

Como a Yolanda conseguiu fazer a troca foi um mistério por muitos anos, só ficaram sabendo da verdade quando uma mulher de um ex-coveiro descobriu que ele estava tendo um caso com uma menina de 17 anos, ficou com ciúmes e entregou o safado para a polícia. Contou sobre a troca dos corpos e que eles tinha recebido um dinheiro grande para mudar de cidade e ficarem calados. Eles justificaram o dinheiro dizendo que tinham ganhado na loteria. Mas a mulher do coveiro, nunca tinha gostado muito dessa história porque era evangélica, e os evangélicos têm a grande vantagem de serem um pouco mais, difícil de dizer isso, mas um pouco mais...respeitosos com os mortos, apesar dela ter ficado calada e aproveitado bem o dinheiro por todo esse tempo. Na verdade, eu acho, ela só resolveu contar porque o marido ia gastar tudo com a menina e ela ficou com medo de perder tudo. Não tinha nada a ver com religião, mas ela justificou que ouviu a voz de Cristo e resolveu contar.

Isso é uma parte da história que só vai ser revelada muito tempo depois, uns 5 anos após o resultado da exumação ter saído e concluído que o Mel não era filho e nem parente do corpo exumado. Claro, o corpo era de um rapaz que não tinha nenhum tipo de parentesco com a família do Coronel.

O caso ficou numa geladeira por muito tempo. Já que o juiz não reconheceu o Mel como herdeiro do Coronel. Ao mesmo tempo a Yolanda ficou preocupada, porque o filho dela, o Rafael, estava cada vez mais pirado. Ele saia de uma clínica, ficava em casa por uns tempos e sumia outra vez.

Durante esse tempo um dos advogados do Mel conseguiu pegar uma amostra de sangue da filha do Coronel que estava internada. E mandou o sangue para análise.

O resultado do exame deu que eles eram parentes. Mas isso foi difícil para ajudar, já que o sangue foi colhido sem nenhum tipo de legalidade e ser parente não quer dizer que ele era neto do coronel.

A coisa foi se arrastando por muito tempo, e se esta novela fosse na televisão, o ator teria que ser substituído por um mais velho ou passar por aquelas maquiagens que ficam totalmente artificiais e não convencem ninguém.

 

Sobre essa nova fase eu conto mais no próximo domingo.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h58

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Coitada da poupança

 
 

Coitada da poupança

Por volta de 1973 existia um banco só para poupança, era o Delfin, eles davam um porquinho para quem abrisse uma conta lá. Tinha outros também, mas eu só lembro desse.

Eu e meu irmão abrimos uma poupança. Foi muito bom. Economizamos um monte e conseguimos ir numa excursão para Foz do Iguaçu. A frustração foi que as outras crianças tinham levado mais dinheiro do que nós e compraram muito mais coisas no Paraguai. Mas pelo menos meu primeiro All Star foi comprado com o dinheiro do cofrinho.

E não pensem que esse dinheiro foi ganho de mesada. Nada disso. Meu pai tinha uma loja de tecidos em Guarulhos, na Av. D. Pedro,  e eu e meu irmão ajudávamos nas coisas da loja :  no caixa, fazendo pacote (eu detestava essa parte, o som do papel desenrolando da bobina me dava um treco no ouvido), cortando, enrolando tecido e tudo que fosse aparecendo. Naquela época trabalho infantil ainda não era um escândalo. Claro que nosso trabalho era bem fácil e melhor remunerado do que os outros funcionários.

Depois disso fui aprendendo a guardar dinheiro na poupança, mas minha mãe não era muito boa para guardar dinheiro, sempre gostou de gastar muito mais do que guardar. Isso era o grande motivo das brigas e eu tenho que dizer que tenho uma grande tendência a gastar muito mais do que de guardar.

Mas o caso é que ainda não consigo entender porque estão fazendo tanto barulho sobre esse negócio de poupança acima dos 50 mil. Quem é bobo para guardar mais de 50 mil na poupança ? Só gente que não entende nada sobre investimentos ou que tinha um dinheiro que não ficaria muito tempo na conta, como dinheiro da venda de um imóvel, que fica na conta por uns meses e depois vai para a compra de outro bem, assim não vale a pena investir nos fundos onde o Imposto é maior e o dinheiro deve ficar aplicado por bastante tempo. Caso contrário, aplicar muito na poupança nunca valeu a pena.

Deve ser um pouco de trauma da era Collorida, que faz as pessoas temerem tanto as coisas da poupança. O caseiro do meu sítio disse que tirou o dinheiro da poupança e trouxe para casa. Perguntei quanto ele tinha guardado e ele disse 2 mil. Deu um pouco de irritação com a má informação, mas como é que está demorando tanto para as pessoas entenderem que é só acima de 50 mil !

Mas claro que isso tudo pode ser um primeiro passo. Depois dos 50 mil, virão os 30 mil, depois os 15 mil e finalmente vão taxar qualquer tipo de aplicação.

Eu nem acho que menos de 200 mil deva ser considerado aplicação e sim reservas. Imagina você ficando bem velhinho e não conseguir ter guardado nem 200 mil ? É uma desgraça. Você vai envelhecer pobre e com serviço público ruim. Credo, quando eu tiver 70 anos pretendo ter pelo menos 1 milhão guardado. Bem, falta pouco... já tenho uns R$ 30 no cofrinho.

Escrito por Duilio Ferronato às 12h54

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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