Se fosse só um ou outro vexame seria bem fácil de entender. Mas é um atrás do outro. A moça trama para matar os pais, fica um tempo presa, se arrepende e vai poder aproveitar da herança e da liberdade. Quer dizer que o crime compensou ! E ela ainda já deve estar aproveitando da herança, afinal com que dinheiro ela está pagando um advogado tão eficiente ?
Agora o caso do rapaz que cortou a moça inglesa em pedaços. Ele confessou e disse que quer mudar, o advogado disse que ele tem problemas mentais. Mas isso, eu, ou qualquer um, poderia ter dito. E nem precisava ter olhado para a cara dele. É só imaginar que alguém tenha coragem de cortar a cabeça de outra pessoa, já é motivo para ficar 30 anos preso.
O chato dessas 2 sentenças é que os dois irão sair da prisão com menos de 40 anos de idade. Mesmo o rapaz que foi condenada a 21 anos, certamente não ficará todo esse tempo preso.
A Hebe é criticada por dizer aquelas barbaridades vingativas e com pitacos de que é a favor da pena de morte, mas dá para entender a revolta da tia, depois dessas barbaridades da Justiça.
Pensando bem, a Justiça não é só cega, deve ser surda e muito bem paga também.
Nas vagas para idosos e deficientes tem sempre algum carro de algum espertinho estacionado. Tenho desenvolvido uma certa obsessão por ficar olhando quem estaciona nessas vagas.
Outro dia vi uma mulher olhando para os lados para ver se ninguém via que ela estava entrando numa vaga para idosos. Depois estacionou e quando viu que eu estava olhando, abaixou os olhos e foi para dentro do supermercado, deixando o carro dela na vaga dos idosos.
Talvez ela pense que está tirando muita vantagem com uma pequena safadeza dessas. Talvez ela ache que dá muito trabalho andar uns metros mais para frente para estacionar. Ou até ela realmente seja uma idosa presa no corpo de uma mulher de uns 30 e poucos. Não dá para saber, mas se nessas vagas apenas alguns desavisados entrassem sem querer, a gente ficaria mais tranqüilo. Agora no supermercado Extra, aqui perto de casa, colocaram um vigia para cuidar dessas vagas. Que coisa mais triste saber que precisa de vigia para assegurar que os idosos tenham um espaço garantido. Alguns lugares eles colocam um cone para proteger as vagas especiais.
Prefiro pensar que as pessoas ainda não entenderam a situação. Do mesmo jeito que não entenderam que devem esperar as pessoas saírem do vagão do metrô para depois entrarem, ou devem ficar do lado esquerdo da escada rolante. São coisas tão simples de fazer, mas que parecem não estar funcionando com a maioria. Seria bom se um ou outro ainda não tivessem entendendo isso, mas o chato é que é a maioria.
Perto de casa não é raro de se ver alguém lavando a calçada ou a garagem com a mangueira no máximo. Usam a mangueira como vassoura. E sem nenhum constrangimento. A mulher da foto não parecia nada preocupada em quanto de água estava desperdiçando. Ficou muito tempo lavando a calçada e o quintal dela com o jato d’água.
Triste pensar que ainda vai demorar para que as pessoas entendam que é só um pouquinho de esforço da parte de cada um para que as coisas melhorem para todos.
Sai de casa com a câmera fotográfica para ver a guerra que a polícia estava metida com os traficantes na Marginal Tietê.
Fui andando. Passei pela ponte da Vila Guilherme e fui andando pela Marginal. Um barulho infernal e um cheiro de fumaça dos carros que deixa qualquer um meio tonto.
Passei pela ponte da Vila Maria e cheguei até a av. Maluf.
Ali fiquei sentado um certo tempo observando os carros e os moradores de rua, que fizeram um acampamento no meio de uma alça da Ponte. Essas alças estão muito arborizadas e a maioria bem cuidada. Algumas já viraram um pequeno bosque. Deve ser gostoso ficar ali em um dia de sol.
Desse ponto eu desisti de ir até o campo de guerra. Na televisão pareceu que iria durar dias. Talvez, se durar, eu vá de carro amanhã para ver. Parece que vai durar mesmo. Os traficantes estão cada vez mais abusados e um amigo disse que os traficantes de São Paulo estão dizendo que vão superar os do Rio. Tomara que isso só seja conversa de boteco. Já pensou se aqui, além de todas as mazelas, ainda tivéssemos que aguentar as balas perdidas ?
Atravessei por cima da ponte e comecei a voltar pelo outro lado da Marginal. Muita gente anda por essas estreitas calçadas. Mas todos passam com ar de desconfiados. Isso já tinha passado mais de uma hora andando.
Não resisti e entrei no Carrefour para comprar um sorvete. Na frente da fábrica da Nadir Figueiredo tem uns bancos muito engraçados na sombra de uma grande e velha seringueira. Um lugar ideal para tomar sorvete.
Depois andei mais um pouco. Esse trecho entre a Ponte da Vila Maria e a da Vila Guilherme, na direção do centro, é o mais cheio de atrações. Tem borracheiro todo decorado, tem posto de gasolina de caminhoneiro muito movimentado, tem 2 supermercados, vários cachorros e um monte de gente andando de lá para cá.
Na ponte de Vila Guilherme tem uma escada metálica, dessas de construção, que vai dar direto na margem do rio. Para se chegar às margens do rio é uma aventura quase suicida, já que você tem que atravessar 8 pistas onde passam carros em alta velocidade o tempo todo. Mas essa escada fica ali, toda aberta para quem quiser descer. Desci até a margem.
Alguns moradores de rua usam essa escada para chegar à margem. Ali dá para fazer um bom acampamento, mas não conseguem ficar por muito tempo. Sempre tem alguém que vem e manda todos embora debaixo de cacetada.
Passear na margem a noite é uma experiência maluca. Não tem absolutamente ninguém ali. A água passa muito mais devagar do que os carros, de alguns canos saem águas que não cheiram mal. Deve ser verdade essa história de que eles conseguiram eliminar todos os esgotos clandestinos. O rio não cheira a esgoto como cheira no século passado. Daria para ir longe pela margem, mas meus pés já estavam pedindo socorro. Mesmo assim andei mais ou menos meia hora pela margem e voltei pelo mesmo caminho que tinha descido.Subir a escada metálica deu mais medo do que descer.
Andei mais de 3 horas a pé. Nem preciso ficar preocupado com a barra enorme de chocolate que comi hoje, devo ter queimado tudo.
O Snay vai fazer 19 anos em outubro. Veio para cá quando tinha uns 2 meses de vida. Bem pequeno e miou muito nos primeiros dias. Na verdade ele mia muito até hoje. E mia muito alto. Às vezes eu dou umas broncas nele de tanto que ele mia.
Quando ele era jovem brigava sem parar com os gatos da rua, até que um dia não aguentei mais e levei para castrar. Ele já tinha 3 anos e várias ninhadas, já tinha feito a parte dele de reprodutor.
Depois de castrado diminuíram as brigas, só brigava se algum gato entrasse aqui em casa sem ser convidado. Isso ele sempre fez : festas! Muitas festas. Dizem que os gatos são animais anti sociais, mas não é o caso dele. Ele sempre teve muitos amigos, gatos, cachorros e outros bichos. Quando a Sasha chegou, há 12 anos, ele reclamou muito, fez greve de fome e fez um monte de coisas chatas, mas acabou gostando dela. Eles adoram tomar sol juntos, mas é a única coisa que fazem juntos. Na maior parte do tempo ele ignora ela e ela dá umas lambidas nele e sai de perto antes que ele revide com uma arranhada.
Sempre foi um grande caçador. Teve uma época que caçava todos os dias, e todos os dias trazia um rato meio vivo para casa. Até que fechei todas as saídas e ele ficou proibido de sair à noite. Não porque eu quisesse que ele parasse de caçar, mas não agüentava mais ter que ficar pegando os ratos pela casa. Ele sempre fazia questão de mostrar que tinha caçado e colocava os defuntos bem na porta do meu quarto ou pior : na minha cama.
Uma vez teve a cara de pau de caçar o hamister do filho do vizinho. Pegou o bicho de dentro da gaiola e trouxe para eu ver. Ainda bem que não machucou o bicho e eu pude devolver. Disse para o vizinho que o hamister dele devia ter escapado da gaiola e fugido para minha casa, mas eu sabia muito bem que o Snay tinha tirado o infeliz de dentro da gaiola.
Depois foram diminuindo as caçadas aos ratos, e ultimamente só caçava borboletas e outros insetos no sítio. No penúltimo fim de semana ele estava no riozinho do sitio tentando pescar, ficou todo sujo de lama, mas não sei se pescou.
Há algum tempo deixou de cuidar direito do pelo. Antes era muito cuidadoso, passava horas se penteando e adorava a escova. Tinha até um miado e uma mexida de pata especial quando queria ser escovado.
Os irmãos e filhos dele já morreram todos. Ele resistiu bastante. O veterinário disse que ele é o mais velho que já passou por lá.
Mas agora não está mais dando. O tempo dele está chegando ao fim, já não come desde sexta-feira. Tomou soro, vitaminas, forcei uma comida e nada. Perdeu muito peso nos últimos meses. Já foi um gatão enorme e pesado.Agora parece um casaco de pele mirrado.
Anda devagar e quando pula do sofá, perde o equilíbrio.
Nem sei como vai ser minha vida sem ele. Hoje não tive coragem de levar ele até o pet shop com medo do veterinário recomendar uma injeção para dormir.
O Snay morreu hoje, quarta-feira, no sofá. Miou até no último suspiro.
Quando a Rafael sumiu e o carro dele foi encontrado na garagem do prédio do Thiago, a coisa ficou feia para o lado do moço. Vocês devem se lembrar que ele foi preso e condenado uma vez por tráfico de maconha, e na verdade foi tudo meio culpa do Rafael. Não que ele fosse totalmente inocente nesse crime, mas o Rafael tinha uma boa parcela de culpa, só que o Rafael era filho de rico e o Thiago filho da empregada. Claro que nada aconteceu com o Rafael e o Thiago ficou preso uns tempos.
O delegado já chegou dando porrada. Nem tocou a campainha, esmurrou a porta com a arma na mão. Claro que quando umdelegado faz isso é porque quer mostrar serviço e sabe que não corre nenhum risco, senão nunca faz isso. Ele estava acompanhado por advogados poderosos e um escritório que cuidava de seqüestros.
O pai do Rafael achava que ele tivesse sido seqüestrado. Quando o Wil, que morava com o Thiago abriu a porta, já levou um empurrão e teve que deitar no chão com um cano de revolver na cabeça. O Jailson, outro amigo que morava no apartamento, estava no banho e teve que ficar deitado molhado no chão do banheiro por mais de uma hora. Ficou com uma baita dor de garganta e ainda um dos policiais deu um tapa na orelha dele que deixou ele meio surdo por bastante tempo.
O Thiago chegou depois de uma hora em casa e já foi apanhando, achou que estava sendo assaltado ou sofrendo um ataque terrorista. Apanhou sem saber porque e ficou todo doido. A tática da polícia é bater primeiro, perguntar depois, bater mais um pouco, afirmar a acusação, bater mais um pouco, levar os moços algemados para delegacia, bater mais um pouco e depois que não conseguiram provar nada, mandam os moços para casa - mas com algumas ameaças.
Mais ou menos como em uma guerra de quadrilhas. Só que de um lado tem a polícia armada e em maior número e do outro, 3 rapazes pobres que moravam num apartamento no centro de São Paulo.
A saída da casa também foi um espetáculo. Mais ou menos como os da PF quando prendia as celebridades, agora eles aprenderam que não podem mais fazer isso. Os moços saíram algemados de casa e foram jogados dentro de um camburão. O apartamento deles ficou aberto e graças a um vizinho bacana, não foram roubados. O vizinho tinha certeza de que eles não eram culpados de nada e chamou um advogado que era colega no trabalho para ajudar. O advogado conseguiu liberar os moços rapidinho. Mas se não fosse por ele, eles teriam ficado lá até envelhecer.
No prédio ficou um clima ruim, todo mundo ficava olhando desconfiado para eles depois do problema com a polícia. É engraçado que depois que você teve um problema com a polícia, sua fama nunca mais voltará ao normal na vizinhança. Imagina se você um dia saísse algemado de casa ? Depois fosse tudo provado que foi um engano. Como ficaria sua cara com os vizinhos ? Foi o que aconteceu com eles. Depois desse episódio, eles passaram a ser vistos com muita desconfiança pelos vizinhos. É morar em prédio é sempre uma coisa estranha. Você nem chega a conhecer seus vizinhos, mas monta uma imagem deles que pode ser muito equivocada.
Mas o caso só ficou resolvido depois de 2 meses. Quando o Rafael, que estava num abrigo em Ourinhos, teve um retorno a consciência e resolveu ligar para a casa. Ele tinha passado quase 1 mês sem falar nada com ninguém. Ficou mudo. Só delirando. Tomou uns remédios e foi voltando aos poucos.
Ligou para a mãe e disse onde estava e que estava bem. Foram buscar o rapaz na mesma hora e avisaram a polícia. Limpou um pouco a imagem dos moços do prédio, mas as marcas da visita da polícia vão ficar por bastante tempo. Principalmente no Wil e no Jailson, que nunca tinham passado por nada desse jeito.
No próximo domingo conto como foi o retorno do Rafael e o encontro do Mel com a Yolanda.
O curta Gentileza é sobre o Profeta Gentileza que anda pelas ruas do Rio de Janeiro pregando a arte de ser Gentil. Nas livrarias tem um livro muito bacana sobre ele também.
Já o curta A Invenção da Infância é meio triste. Deu uma certa tristeza assistindo, mas é bem bonito.
Cuidar do próprio dinheiro é tarefa árdua. Quando meu pai administrava meu dinheiro era muito mais fácil. Eu chegava para ele e dizia que queria comprar alguma coisa, ele dava um esculacho e negava. Assim eu controlava meus gastos.
Agora ninguém mais me dá esculacho e eu só percebo que gastei muito quando chega a fatura do cartão.
Resolvi fazer um controle vigiado do meu dinheiro até o fim do ano. Para isso elaborei uma lista de onde acho que o dinheiro é mais mal gasto :
1 -Flanelinhas – ah, esse nem é muito dinheiro, mas é onde tenho mais raiva de gastar. Estacionar o carro na rua, já deixa a gente com certa culpa e ainda ter que pagar um sujeito que te ameaça e ainda diz que não se responsabiliza por qualquer coisa que aconteça com seu carro, caso você não deixe o dinheiro adiantado. Isso é o fim do mundo. Entrego a dinheiro com tanto mau gosto que deve até fazer mal para o safado que recebe.
2 – Taxas de bancos e juros – pagar aquelas taxas surpresas que aparecem no extrato é uma das coisas que estragam meu dia, mesmo que seja uma taxa em centavos eu já fico mal humorado; principalmente porque acho que a taxa em centavos é um jeito que eles arranjaram de arrecadar um monte de dinheiro e a gente não vai ter paciência de ligar para reclamar. Agora os juros além de serem altíssimos, ainda dá aquela culpa. Claro. Se está pagando juros é porque gastou mais do que deveria.
3 – INSS – hum, isso é uma coisa que me deixa muito inseguro, mas ao mesmo tempo me dá uma certa confiança de que quando eu ficar velhinho, vou receber uma merreca de aposentadoria. Um dinheiro que considero mais como uma obrigação social do que como um investimento para o futuro. Algumas vezes fico tentado a não pagar isso, mas depois fico com medo e acabo pagando.
4 – Zona Azul – aqui em São Paulo não sobrou quase nenhuma rua que não tenha essa taxa de estacionamento, que chamamos de Zona Azul - que é um carne que você compra e coloca no painel do carro e pode ficar estacionado por 1 hora. É uma coisa que não dá para engolir muito bem. Toda vez que preencho um desses, fico com uma sensação de que estou sendo oficialmente roubado.
5 – Café – tenho que admitir que sou viciado em café e em chocolate. São meus únicos vícios, mas o do chocolate eu não quero parar. Adoro. Mas o café sempre fico achando que é muito caro. Agora já tem lugares que estão cobrando R$ 3 por um café. É um abuso. E nem é lá o melhor café do mudo.Pior é quando além do café ainda como um pedaço de bolo. Aí sim que a coisa fica cara. Uns R$ 8 em café e bolo. É gostoso, mas se você pensar que está pagando muito caro por aquilo, já deixa uma culpa atormentando.
6 – Tempo no Trânsito – na última sexta-feira, fiquei 1 hora entre o Ibirapuera e a av. Juscelino. Fiquei imaginando quanto de combustível foi queimado ali só em manter o carro ligado e sem andar. Um trânsito medonho e sem nenhum motivo aparente. O clima estava bom, não havia acidentes e nem buracos. Só trânsito parado por falta de espaço. Quando vou abastecer fico imaginando quanto foi queimado para nada. Isso é muito mal gasto.
7 – Sindicatos – é outro dinheiro que me parece um absurdo. Eu pago um sindicato das empresas prestadoras de serviço e mais o CREA – que é o conselho dos arquitetos. Nunca usei nenhum dos dois. Mas pago. O contador insistiu dizendo que tenho que pagar. Ai que dó jogar esse dinheiro fora.
8 – Academia – esse vou ficar com vergonha de confessar. Eu sempre faço matrícula, faço exames médicos, faço aquelas fichas de adaptação e depois começo a não ir. Pago e não vou. Sou daqueles que dá muito lucro para as academias. Eita dinheiro jogado fora e com a culpa atormentando a cabeça.
9 – Conta de celular – quando chega a conta do telefone e eu vejo que gastei muito com uma ligação para algum número de celular que nem sei direito de quem é, me dá uma raiva animal.Aposto que essas longas ligações não trouxeram nada de lucrativo e ainda deixaram uma conta ridícula. Como pode uma conversa custar tão caro ? É um dinheiro mal gasto que cada vez mais tento controlar.
10 – Remédios, mecânicos e encanadores – coloco todos esses na mesma categoria porque me dá uma sensação que são gastos em coisas que não deveriam acontecer. Se compro um remédio é porque me machuquei ou fiquei doente. Coisa que não deveria ter acontecido. Se levo o carro ao mecânico é porque alguma coisa quebrou e não deveria ter quebrado, mas carro velho é fogo. Se tenho que chamar um encanador é porque alguma vazamento apareceu sem avisar. São os gastos mais chatos e inevitáveis.
Avaliando essa minha lista dá para perceber que o carro está envolvido em grande parte dela. Talvez andar menos de carro vá ajudar a economizar. Mas vai ser difícil, cada vez ando mais a pé e menos de carro.
Os juros dos bancos, são uma das coisas que pretendo nunca mais pagar. Mas é uma fantasia que tenho há muito tempo e nunca consegui realizar.
O Jornal Diário do Comércio teve uma ideia incrível : Convidaram o arquiteto Rodrigo de Araújo Moreira para projetar um museu virtual onde seriam guardados casos de corrupção. A pesquisa foi coordenada por Kássia Caldeira.
Infelizmente os casos guardados nesse museu não foram solucionados. Estão lá para todo mundo ver e confirmar que envolvidos continuam bem soltinhos.
A loja do museu tem vários pordutos úteis, como: máquinas de lavar dinheiro, cueca com dinheiro, telefone com grampo...
As galerias mostram coisas que já tinha até esquecido ou nem tinha ficado sabendo. O melhor, ou pior, é que esse museu ainda tem muito espaço para abrigar mais escândalos.
DF – O que vocês pretendem com essa manifestação ?
Timoteo – primeiro, e mais urgente, que o coordenador seja afastado. Isso tem que ser a primeira medida. Depois estamos pedindo com urgência que sejam disponibilizadas mais viaturas para as aldeias da região sul.
DF – o que são as viaturas ? ambulâncias ou policiamento ?
Timoteo – chamamos de viaturas os carros que ficam a disposição da aldeia para qualquer emergência : pode ser uma mulher grávida, um doente, uma picada de cobra ou compras de produtos. Hoje temos 1 viatura para 8 aldeias. Não é viável.
DF – A aldeia não consegue comprar um carro ?
Timoteo – sem condições ! Não temos renda suficiente nem para comprar comida. As aldeias vivem do turismo e de artesanato, e isso gera pouca renda. Dependemos da Funasa para a área da saúde e educação.
DF – e o que a Funasa tem feito ?
Timoteo – antes de entrar esse coordenador a gente era mais ou menos enganado. Nós pedíamos 10 coisas e eles nos davam 5. E nós continuávamos insistindo. Nos últimos 2 anos, desde que esse coordenador entrou, nós pedimos 10 coisas e ele não mandam nada e ainda tiram o pouco que temos.
DF – Tiram como ?
Timoteo – O Pólo Base está sendo despejado por falta de pagamento do aluguel.Alguns Pólos Bases tem tido a água e luz cortados por falta de pagamento. Somos dependentes dos Pólos Bases para várias coisas. Eles deveriam servir de intermediários entre as Aldeias e a Funasa, mas estão em perigo de desaparecer.
DF – o senhor acha que esta manifestação está sendo positiva ?
Timoteo – as pessoas estão entendendo que estamos fazendo uma manifestação pacífica. Não fizemos reféns e nem agredimos ninguém. Ocupamos o prédio em paz e assim iremos continuar.
DF – como o senhor acha que as pessoas enxergam os índios ? Eu tenho impressão que a imagem do índio é muito negativa aqui na cidade.
Timoteo – é como a imagem da favela. Você ouve as pessoas falarem que na favela do Morumbi moram bandidos e ladrões, mas a maioria que mora lá é trabalhador. Claro que a fruta podre faz a imagem do lugar parecer ruim. É o mesmo com as aldeias. A grande maioria, é gente honesta e trabalhadora. Mas só se vê a imagem do índio bêbado e encrenqueiro. Dizem que nós comemos gente, mas isso é absurdo.
DF – o senhor acha que com esta aproximação de vocês com as pessoas do centro da cidade, vai mudar alguma coisa ?
Timoteo – nestes últimos dias, muitas pessoas têm vindo falar com a gente. Eles param, conversam e querem saber como é nossa vida. Os jornais também estão mostrando um lado positivo da nossa vida, alguns mais ignorantes...ainda chamam a gente de vagabundo, mas isso é gente que não conhece nossa realidade.
DF – quantas pessoas moram na sua Aldeia ?
Timoteo – a nossa tem 1.000 pessoas e um território de 26 hectares.
DF – parece ser uma aldeia grande.
Timoteo – em número de pessoas é sim, mas o território é o menor demarcado do Estado.
DF – E as condições de saúde de sua aldeia são boas ?
Timoteo – As aldeias do município de São Paulo têm uma certa vantagem. No governo da Martha Suplicy foi criado o projeto CECI (Centro Educacional Cultural Indígena), e esse centro ajudoumuito a melhorar nossa vida. Fora do município as aldeias estão em mas condições.
DF – e até quando vocês pretender ficar aqui ?
Timoteo – até que alguma medida seja apresentada para nós. Estamos dispostos a resistir pacificamente por muito tempo. Mais índios estão chegando e vamos nos revezando até conseguirmos que nossos pedidos sejam atendidos.
Nambi – A grande parte das mulheres tem filhos pequenos e é mais difícil para as mulheres ficarem na rua. Hoje nós dormimos na rua.
DF – Dormiram aqui na calçada ?
Nambi – Foi, aqui mesmo.
DF – E como fizeram com comida e banheiro ?
Nambi – As pessoas estão ajudando a gente com comida e cobertores, banheiro as mulheres podem usar lá de dentro do prédio da Funasa, mas os homens não podem mais entrar, eles têm que procurar banheiros pelos bares. Eu tomei banho na casa de uma senhora e eles estão há 3 dias sem tomar banho. E isso é muito ruim para os índios, nós tomamos banho a toda hora.
DF – Vou ligar para a Toca de Assis e para o Projeto Protege e ver se eles podem arranjar lugar para vocês tomarem banho.
Nambi – ah, isso vai ser muito bom, porque nós só vamos sair daqui com alguma resposta da Funasa.
DF – O que vocês querem com essa manifestação ?
Nambi – Hoje estamos focando em problemas de saúde das aldeias. O principal é o saneamento que foi feito e a situação piorou. Construíram uma rede de esgotos que entope e vasa para dentro das casas. As crianças e até os adultos estão ficando doentes por causa disso.
DF – Está parecendo daquelas obras públicas que têm que ser refeitas umas 5 vezes até ficarem boas.
Nambi – A nossa foi feita só uma vez e nunca ficou boa. Já na primeira chuva a fossa transbordou e a solução nunca chegou. Há 2 anos o órgão esqueceu da gente.
DF – A Funasa vem esquecendo de vocês ?
Nambi – o Diretor não é simpatizante com a causa indígena, ele foi colocado nesse cargo por indicação política e nunca foi nem visitar as aldeias. Não recebe os índios e quando nós procuramos por ele, ele sai pela porta dos fundos.
DF – Parece que ele tem uns parentes importantes...
Nambi – É, estão falando isso por ai, mas para nós o que importa é que a causa do índio não seja tratada como problema político e sim como problema de saúde e educação pública.
DF – Você acha que as pessoas estão simpatizando com essa manifestação ?
Nambi – É a primeira vez que fazemos isso, queremos que as pessoas entendam que não estamos exigindo nada que não temos direito. Temos direito à saúde e educação como qualquer cidadão e só estamos aqui pedindo que isso seja atendido.
DF – Vocês são atendidos em hospitais comuns ou vocês têm algum tipo de apoio especial.
Nambi – Temos uma base de apoio, que atende os casos mais simples e os casos mais graves são encaminhados para os hospitais. Mas nossa Base de Apoio do Vale do Ribeira está sendo despejada por falta de pagamento do aluguel.
DF – Quem deveria pagar o aluguel ?
Nambi – a Funasa. Eles não têm feito o pagamento dos agentes de saúde há 3 meses e os remédios não chegam mais.
DF – Os índios têm uma imagem ruim com a sociedade, não é raro eu escutar as pessoas dizendo que o índio é preguiçoso ou bêbado.
Nambi – Eu aprendi isso com meu pai : ele disse que chamavam a gente de preguiçoso, mas nós cortamos uma árvore com machado de pedra e construímos nossas casas com material da mata. Depois fomos proibidos de cortar árvores, mesmo para construir, fomos proibidos de falar nossa língua e fomos limitados em um território muito pequeno. Passamos a depender de doações a ações do Governo. Não queremos isso. Queremos desenvolver nosso trabalho e ter nossa própria renda. A Funasa deveria ser o órgão que facilitasse essa transição, mas todas nossas propostas ficam engavetas por anos e não conseguimos levar nada para frente. Não somos preguiçosos, somos presos em aldeias sem perspectivas e com jovens com baixa auto estima porque não podem colocar nada para frente.
DF – Como é a educação na aldeia ?
Nambi – Cada aldeia deveria ter uma casa de cultura, que funciona como escola e centro de convivência. Na escola as crianças estão estudando os problemas indígenas e as questões brasileiras. Antes só estudavam português e matemática. Agora estão recebendo uma educação mais abrangente e a nova geração estará mais capacitada para negociar com esses órgãos que têm nos enrolado há muitos anos.
DF – Vocês têm algum deputado que apóia sua causa ?
Nambi – Na época das eleições aparecem alguns candidatos com propostas, nos acreditamos e votamos neles, depois eles desaparecem e só voltam nas outras eleições.
DF – ah, isso eles fazem com todo mundo, não é só problema de índio.
Nambi – Em alguns Estados têm políticos mais voltados para a causa do índio, mas no Estado de São Paulo não tem.
O Senado é um lugar tão burocrático e lento que um presidente brasileiro só consegue governar através de MP (medidas provisórias) que são mais ou menos ordens do presidente que não precisam ficar anos na fila para serem discutidas e postas em prática.
O mesmo acontece com a Câmara Federal. Agora Michel Temer achou um jeito de conseguir votar algumas Leis em sessões extraordinárias, passando por cima do bloqueio das MPs, esse bloqueio das MPs é uma das justificativas que a Câmara tem para votar tão pouco e de alguns projetos de Leis que ficam anos na fila. Alguns projetos de Leis já estão nessa fila há mais de 10 anos, vão e voltam sem parar.
Quando um deputado não entende algum projeto de Lei,fica com preguiça de ler ou é pego de surpresa sobre esse projeto, ele sempre pode pedir mais tempo. Vai colocando um projeto lá para o fim da fila outra vez.
O presidente da Câmara ainda pode escolher quais projetos vai levar para a votação. Isso é um poder quase imperial para o presidente da Câmara. Outra coisa que já deveria ter sido mudada.
Mas as MPs vão continuar sendo as grandes vilãs. O congresso enxerga nas MPs uma maneira de tirar alguma lasquinha do Governo. E para aprovar algumas MPs o Governo tem que liberar verbas para alguns deputados e senadores. É só você procurar quais as MPs que fizeram mais sucesso e já dá para sentir quanta verba tinha ali. Por isso eles caem como moscas sobre isso e todos querem participar daquelas comissões especiais para discutir um assunto de interesse público (segundo eles).
Assim os nossos representantes não estão interessados em votar em Projetos de Leis. As MPs são muito mais lucrativas.
Na lista de refrigerantes com potencial cancerígeno, as águas e alguns famosos estavam de fora.
Já é meio estranho venderam água como se fosse refrigerante e toda vez que vejo alguém comprando aquelas águas, disfarçadas de refrigerante; fico tentando imaginar como é aquela pessoa. Deve ser alguém meio viciado em refrigerante ou algo assim. Tenho que confessar que já comprei uma dessas por curiosidade, mas fiquei morrendo de raiva de ter descoberto que era só uma água com um gostinho de hortelã ou algo assim, quer dizer : algumas nem esse gostinho de hortelã têm.
Mas descobrir que refrigerante pode estimular o desenvolvimento de câncer é o mesmo que descobrir que sair sem camisa depois de tomar banho quente pode dar dor de garganta. Lembra quando diziam que TV colorida dava câncer ? E quando diziam que microondas cozinhava o fígado da gente ?
Essas notícias de que as coisas dão doenças sempre fazem sucesso. No fundo as pessoas adoram saber quais as maneiras mais eficientes para morrer.
Agora em todos os jornais têm fotos de pessoas com mascaras de pano para proteger da gripe suína. Essa é boa. Mascara de pano protege alguma coisa ? O vírus da gripe não passa pelos buraquinhos do tecido ? Até parece.
O medo de ficar doente parece ser alguma coisa que movimenta mais as pessoas do que qualquer outra coisa na sociedade. Elas falam muito sobre coisas que dão medo, compram coisas para se proteger de alguns medos absurdos, fazem cursos para não pegar doenças e até tomam remédios para prevenir. Alguns conhecidos deixaram e comer carne, tomar leite e até de comer certas frutas por motivos bizarros.
Havia um charlatão que viajava pelo interior dos EUA vendendo um elixir que protegia as pessoas de todas as doenças. Era na verdade um suco de maça. Acabou preso em uma cidade que o acusaram de causar uma doença desconhecida. Nada ficou provado, mas ele passou um tempão na cadeia.
Aqui sempre vejo nas lanchonetes suco de clorofila e ainda colocam as propriedades do suco. Na verdade essa clorofila que eles fazem é um matinho bem comum, que você conseguiria os mesmos nutrientes se comesse uma salda verde.
Eu não tenho medo de câncer, mas morro de medo de ficar barrigudo, então não bebo refrigerantes.
Enquanto o Mel visitava a nova família em Alagoas, o Rafael, seu primo e colaborador, entrou em crise profunda.
Ele sempre foi um rapaz meio infeliz. Nunca recebeu muita atenção da mãe e por parte do pai só ouvia críticas negativas. Apesar do pai ser muito mais bacana do que a mãe, ele não conseguia entender porque o Rafael não se interessava pelos negócios da família e ainda só andava com gente estranha.
Primeiro começou a andar com os mais problemáticos da escola. Não tinha nenhum amigo normal, segundo os pais. Depois começou a andar com o pessoal do casarão, coisa ainda mais estranha para um moço que morava em um bairro rico e era sócio do Clube Paulistano.
Quando o segredo do Mel veio à tona, o Rafael entrou numa paranóia sem fim. Começou a achar que os amigos do casarão iriam tentar mata-lo, já que o Mel se tornaria mais rico ainda. Teve visões, ouviu vozes, achou que estava sendo seguido e começou a desconfiar que a mãe e o pai queriam manda-lo para uma clínica (essa parte era verdade). Depois ele resolveu tirar um monte de dinheiro do banco e entregar para o Mel, disse que era um adiantamento da herança dele. Até fez um documento no cartório passando o apartamento do centro da cidade para o nome do Mel, mas isso não deu muito certo porque o pai dele descobriu e boicotou.
No dia em que o Mel viajou, o Rafael foi até o apartamento conversar com o Thiago. Ele sempre considerou o Thiago o melhor amigo dele, e de certa forma o Thiago também considerava ele um grande amigo, apesar das várias vaciladas que o Rafael tinha dado. Na conversa o Rafael falou tudo : disse que achava que estava sendo seguido, que achava que estava apaixonado pelo Thiago, que achava que a mãe queria mandar ele para um lugar de recuperação e por fim começou a delirar ainda mais, disse que achava que havia um complô contra ele. O Thiago não sabia que isso era um princípio de esquizofrenia, achou que ele estava viajando de ácido ou de maconha.
Só conseguiu dizer para o amigo parar com essas doideiras e tomar rumo na vida. Assegurou Rafael de que ninguém estava tentando mata-lo, mas o maluco saiu de lá com mais ideias na cabeça do que quando tinha ido.
Deixou o carro na garagem do prédio e saiu andando : andou da Praça da República até a av. Tiradentes, foi caminhando até a Marginal Tietê, virou a esquerda e foi andando até a entrada da Rodovia Bandeirantes, andou pelo acostamento da estrada por horas, pegou o Rodo Anel até a Castelo Branco, andou pelo acostamento da Castelo a noite toda, andou muito. Os pés começaram a reclamar, as pernas a doer e a barriga roncar, mas ele não parou. Sentiu frio de madrugada mas não parou. Andou sem parar por mais de 20 horas. A cabeça dele parecia que iria explodir. Ficava anotando as placas dos carros e somando os números. Nas somas sempre acabava achando que dava a data de aniversário da mãe dele ou do pai, e às vezes achava que era um código secreto de espiões que queriam seqüestra-lo. Foi ficando cada vez mais pirado e continuou andando. Parou para entrar em um restaurante na estrada, mas assim que entrou, desconfiou que todos estavam querendo dar uma injeção nele para ele dormir. Uma hora passou uma moça ao lado dele e ele chegou a dar um pulo de medo que ela fosse espetá-lo com um sonífero.
Saiu do restaurante sem comer nada. Continuou andando sem parar, perdeu a conta e parou de observar as placas de quilometragem e dos nomes das cidades. Não comeu nada por dias.
Numa sombra de viaduto acabou adormecendo por muito tempo, parecia que tinha dormido por 2 dias, mas isso ninguém vai poder dizer com certeza porque ele já tinha jogado fora o celular no começo da viagem e já tinha perdido a noção de tempo. Um pouco por causa do cansaço e um pouco por causa da fome. Estava meio atordoado quando acordou e muito sujo e fedido. Um motorista de caminhão tinha parado na mesma sobra para verificar a carga. Viu o Rafael dormindo ali num dos pilares do viaduto e foi falar com ele. Perguntou se tudo estava bem e se ele precisava de alguma coisa. Percebeu que a coisa não estava bem para o Rafael, ele não tirava o tênis há dias e os pés estavam inchados. O motorista ofereceu uma carona até a cidade mais próxima e o Rafael meio atordoado aceitou. Já tinha perdido a carteira e a blusa, só estava com a mesma calça, camiseta e os tênis quase furados. Nem conseguia falar direito, tinha entrado num estado de transe que parecia um bicho assustado. Comeu umas bolachas que o caminhoneiro tinha e bebeu quase 5 litros de água. Tinha perdido muito peso.
A mãe e o pai dele já tinham chamado a polícia, que já tinham descoberto que ele havia abandonado o carro na garagem do prédio do Thiago. Claro que o Thiago teve que ficar horas dando explicações numa delegacia, mas o delegado ficou mais ou menos convencido de que ele não sabia de nada, principalmente porque o porteiro tinha conversado com o Rafael na saída do prédio e o Rafael tinha dito que ia dar uma volta para refrescar a cabeça e que depois voltaria para pegar o carro.
Até lá no interior de Alagoas a história do sumiço do Rafael já tinha chegado. Essas coisas sempre se espalham muito rápido, um vai contando uma parte, outro conta outra e depois de um tempo a história já virou um caso de horas com detalhes impressionantes, mesmo que ninguém saiba de nada.
O caminhoneiro acabou levando o Rafael até um posto de estrada onde ele tomou banho e trocou o tênis por umas Havainas e ficou com pés para cima por bastante tempo. Não falou nada, mas o posto era próximo a Ourinhos. Dá para acreditar que ele andou de São Paulo até Ourinhos a pé ? Pois é, andou. Foram dias andando e sem comer, talvez tenha comido e dormido em algum canto, mas ninguém vai saber. O pai dele descobriu que os documentos dele tinham sido encontrados em um banheiro de beira de estrada perto de Tatuí.
Todos achavam que ele tinha sido seqüestrado. Já tinham até acionado um escritório de negociação de seqüestros. É, isso existe, mas é só para gente rica e de preferência judeus.
Do posto o Rafael foi levado para um abrigo de moradores de rua. Não quis falar nada por dias.
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