Blog do Duilio
 

As unhas

 
 

As unhas

quase todo mundo tem 20

o presidente tem 19

não dá para saber para que servem

um dia já serviram

agora virou adorno

ou descascador de mexerica

umas pessoas cortam bem curtinhas

outras roem

umas deixam sujas

martelada doe muito

fica roxa

demora a sair

fica feio

mas pior é quando fica doente

cortar em público é horrível

uns  pintam de preto

outros de vermelho

talvez as próximas gerações nasçam sem

não vai mais ter serventia

não combina com evolução

comprida no dedinho é medonha

as do pé servem menos ainda

mas dão trabalho

tem gente que tem fetiche

tem gente que nem cuida

tem umas bem bonitas

outras bem feias

a minha está roxa

foi pancada

doeu de morrer

quase chorei

não tinha ninguém por perto

é chato não ter ninguém quando a gente se machuca

Escrito por Duilio Ferronato às 20h14

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A novela, capítulo 11 – casa nova

 
 

A novela, capítulo 11 – casa nova

Depois do coronel ter morrido, a Yolanda ficou ainda mais rica. Era a parente mais próxima da única filha viva do coronel, a menina era deficiente mental. Trouxe a sobrinha para São Paulo e a colocou numa clínica no Pacaembu, onde os ricos colocam seus parentes deficientes. Outro dia eu conto a história toda da menina.

Ao mesmo tempo a Yolanda proibiu o Rafael de continuar visitando o Mel e o Thiago, é claro que isso não aconteceu. O Rafael e o Thiago, apesar das diferenças, eram muito amigos. Mas ficaram meio distantes por um tempo.

O Rafael tentou convencer a mãe de que ela deveria dar alguma coisa para o Mel, já que ele deveria ser o herdeiro natural do coronel. E ela não concordou, como era de se esperar. Mas o pai do Rafael também insistiu e ela acabou concordando em fazer alguma coisa para ajudar, afinal o Mel tinha apenas 16 anos, morava com amigos e não tinha mais nenhum parente.

O pai do Rafael conseguiu um emprego para o Mel em uma advocacia bem poderosa na avenida Angélica. Era desses escritórios grandes com clientes importantes e muito dinheiro. Todos os advogados eram muito bacanas e muito cultos. Foi nesse emprego que a vida do Mel começou a tomar um rumo. Ao mesmo tempo o escritório conseguiu uma bolsa de estudos para o Mel em uma escola boa de Santa Cecília. O Mel já era bom aluno, mas teve uma certa dificuldade para acompanhar no começo, afinal o ensino Estadual noturno é quase nada comparado ao ensino particular noturno.

E a Yolanda comprou um apartamento no Edifício Esther no nome do Rafael e deixou que ele emprestasse para o Mel.

O Edifício Esther é aquele na praça da República. É projeto da década de 1930, um dos prédios mais bacanas da cidade, só que há muito tempo tem sofrido umas reformas medonhas e perdeu muito da suas características originais. Hoje a prefeitura quer desapropriar o prédio para transforma-lo numa das secretarias. Os moradores andam resistindo. Mas o caso é que o Mel foi morar lá com seus 3 amigos. O Thiago, o Wil e o Jailson. Eram os rapazes que haviam mudado para o quarto dele quando a mãe morreu e de certa forma eram a família dele. O Jailson tinha vindo para São Paulo com 7 anos, foi morar no casarão com o irmão mais velho, depois o irmão resolveu voltar para Bahia e ele ficou sozinho aqui. O Wil era de uma família mineira que também tinha se desfeito. Ele era meio sozinho aqui na cidade. A irmã dele mora em Guarulhos e trabalha em uma padaria perto da casa da minha mãe. Hum, esse mundo é muito pequeno. O Thiago vocês lembram que era filho da Consuelo que tinha trabalhado na casa da Yolanda, a Consuelo ainda estava morando no casarão, mas tinha feito uma inscrição para comprar um apartamento do Governo de Estado e já estava quase conseguindo.

O apartamento era muito bacana : tinha 2 quartos grandes e ainda um quartinho menor que era chamado de quarto de empregada, claro que os meninos preferiram chamar de quarto da privacidade. É que quando algum levava uma namorada para casa, que era quase todo dia, o outro tinha que dormir lá ou na sala. A cozinha era uma bagunça, mas super equipada. O Rafael tinha comprado geladeira, fogão e até micro ondas. Os quartos também tinham camas novas e na sala tinha sofá, televisão e vídeo – estamos falando da década de 1980. O Thiago e o Rafael já tinham 25 anos e o Mel quase 17. A vida melhorou muito para os rapazes com o apadrinhamento do Rafael, que sabia ajudar sendo bem discreto para não causar desconforto. E os moços sabiam aceitar a ajuda sem ficar dependentes. Pagavam as despesas do apartamento e ainda tinham planos de ajudar suas famílias, o Wil era o mais bobo de todos, já tinha 2 filhos, um com cada menina diferente. Tinha que pagar pensão e vivia endividado. Pegava dinheiro emprestado para pagar outros empréstimos. Um buraco sem fim. O Jailson era bem mais esperto. Tinha 23 anos e nenhum filho, apesar de ter umas 15 namoradas ao mesmo tempo. Vivia enrolado com as mulheres, mas sabia ficar longe das que queriam ter filhos. O Thiago estava namorando a Tânia há mais de 4 anos. Era quase um noivado, mas ela não queria ter filhos. Estava estudando administração na Universidade São Judas. Moça esperta  que fazia o Thiago andar na linha. Não era do tipo ciumenta mas partia para cima se alguma coisa aparecia fora do lugar. Aliás a Tânia foi fundamental para que o apartamento sempre ficasse em ordem. Ela organizava as contas dos rapazes e não deixava que nada faltasse na casa. A Consuelo ia lá toda semana e fazia a limpeza, lavava as roupas e passava. A tia do Jailson, uma baiana muito faladeira, cozinhava para os rapazes 2 vezes por semana. Ela era dessas cozinheiras que sabem fazer de tudo. Até o Rafael ia comer lá de vez em quando. A Yolanda, é claro, nunca apareceu.

O Mel estava bem feliz no emprego e na escola, nunca mais tinha pensado no coronel e nem tinha achado estranho o Rafael emprestar o apartamento. Achou que ele tinha emprestado por causa do Thiago e não por causa dele.

Com isso o apartamento virou uma festa quase diária. Eram muitos amigos o tempo todo, muita cerveja e namoradas. Só o Mel que não tinha namorada, apesar dos outros sempre arranjarem algumas moças dispostas a ficarem com ele. Ele era do tipo mais reservado com as mulheres, dava uns beijos nas mais atrevidas mas não queria nem saber de namoro. Ele dividia o quarto com o Wil. A filha do Wil tinha 4 anos e às vezes vinha dormir ali com eles. Ela era uma menina muito esperta, que chamava Bruna. Uma fofinha sem fim. Falava sem parar. Queria mandar na vida do pai e se sentia a mulher da casa. Queria tudo cor de rosa e no banheiro tinha um tapete cor de rosa que só ela podia pisar. A mãe dela era uma burra que já tinha mais 2 filhos com outros namorados. E pior:  só tinha 19 anos.

No escritório o Mel fazia de tudo : ia aos bancos, entregava envelopes importantes, fazia pequenas viagens, ia ao fórum, começou a entender dos processos e até arriscava em uns palpites quando algum advogado perguntava. Virou imediatamente o advogado do casarão. Quando alguém do casarão tinha algum problema com a lei ou problemas no trabalho, vinham falar com o Mel e ele fazia uma rápida consulta com um dos advogados do escritório para ver como seria a melhor forma de resolver.

Isso foi estimulando o Mel a estudar direito e ele vivia falando isso. É claro que os amigos achavam isso impossível. Em 1980 pensar em fazer faculdade era uma coisa impossível para quem tinha vindo da favela ou de uma pensão. Mas ele tinha esperanças. Não tinha repetido nenhum ano, tinha boas notas e escrevia bem. Bem, na USP e no Mackenzie ele não passou. Mas passou na UNG, Universidade de Guarulhos, mas era longe e ele preferiu fazer na UNIP, Universidade Paulista. As duas, todo mundo sabe que não são lá as melhores faculdades do mundo; mas dá para aprender alguma coisa. No escritório todos os advogados tinham estudado na USP ou no Mackenzie. Eles até tinham um certo preconceito de advogados que vinham de outros lugares. Bem, isso continua até hoje.

Mas o caso é que o Mel começou a estudar direito na UNIP e o escritório pagava 80% da mensalidade. Claro que o pai do Rafael era quem pagava por isso indiretamente. O dono do escritório achava que o pai do Rafael era pai do Mel e não contava para ninguém, mas como ele era um cliente importante, fazia tudo que ele pedia sem perguntar nada. O pai do Rafael justificava dizendo que o Mel era filho de uma empregada da fazenda que era muito chegada da família dele.

 

Bem no próximo domingo tem mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h18

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Motoristas de ônibus kamikazes

 
 

Motoristas de ônibus kamikazes

 

 “Acidente deixa 18 feridos e interdita faixa da avenida Marechal Tito, em São Paulo”

No link : http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u533980.shtml

 

Eu e os leitores deste blog  já temos reclamando dos motoristas de ônibus há séculos.

Eles correm como uns loucos, dão freadas bruscas, não respeitam carros, motos e muito menos as bicicletas. Quem sabe se uma campanha começasse assim : todo motorista deveria levar sua própria mãe para andar com ele um dia inteiro. Ela deveria ficar andando dentro do ônibus e tentar ficar em pé. Se ela conseguisse, então o motorista estaria aprovado.

Depois deste acidente será que não está na hora da prefeitura começar com um treinamento mais apropriado para os motoristas ? Ou fazer valer as reclamações dos usuários ?

A Secretaria do Meio Ambiente prometeu fazer uma cartilha para educar os motoristas a respeitar os ciclitas. Parece que vai demorar mais uns 30 anos para essa cartilha sair, mas a promessa já foi feita.

Talvez o prefeito, os secretários e os vereadores devessem tentar pegar um ônibus após às 22h,  para ver como a coisa funciona. Ou pelo menos fornecer air bags portáteis para os passageiros.

O mais estranho é que em todas vezes em que escrevi sobre o problema dos motoristas kamikazes, nunca recebi nenhum comentário elogiando ou defendendo motoristas de nenhum lugar do país. Parece ser um problema nacional e não só municipal.

 

Foto : Gomes / Folha Imagem

 

Escrito por Duilio Ferronato às 10h03

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Rei das Esfihas

 
 

Rei das Esfihas

Já existe desde sempre, eu como esfihas no Largo da Igreja Santo António do Pari desde que minha tia casou e eu era bem pequeno.

Meu tio (irmão dessa tia)  me pegou pela mão na hora do casamento na igreja e disse que detestava aquela palhaçada de mulher vestida de bolo e levou eu e meu irmão para comermos esfihas na esquina. Viciamos na primeira dentada. Acho que eu tinha uns sete ou oito anos.

O Rei da Esfiha já passou por muitas reformas, a esfiha até mudou um pouco, mas continua boa. Está um pouco menos artesanal. Antigamente tinha umas mulheres libanesas fazendo, agora tem uns migrantes nordestinos. Os nordestinos são mais bem humorados é claro.

Se você comer 2 esfihas e um suco de laranja vai gastar menos de R$ 10 que é uma maravilha. Já que os almoços, aqui em São Paulo, já estão custando quase R$ 20.

A última reforma deixou a casa mais moderninha e com cadeiras mais confortáveis e o velho garçom que trabalhava lá há mais de 100 anos desapareceu. Agora tem uns moços mais simpáticos.

Já os doces não são lá muito bons, mas tem uma doceira cruzando a rua que faz um quindim daqueles crocantes por baixo e macios por cima. Uma delícia. É meio caro, mas é só uma vez por mês, então tudo bem.

Rei das Esfihas – rua dr. Ornelas, 58 – Pari – tel. 3313-0022

Escrito por Duilio Ferronato às 09h17

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Tertúlia - Ainda bem que vocês chegaram com Gustavo da Palma

 
 

Tertúlia - Ainda bem que vocês chegaram com Gustavo da Palma

Tem gente que perde a confiança nos amigos e passa tratar todo mundo mal.

O Gustavo está em cartaz em :

Chorávamos Terra Ontem à Noite

Viga Espaço Cênico Rua Capote Valente,  1323 – Tel.  3801.1843

Sábado às 21h e Domingos às 19h

Escrito por Duilio Ferronato às 14h17

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Conta do mecânico

 
 

Conta do mecânico

R$ 653,00 !!!!  Eu preciso arranjar um emprego que pague uma verba indenizatória.

A oficina mecânica é um lugar onde a gente não gosta nem de passar na frente. A calçada é suja, com cheiro de óleo queimado e tem sempre um carro sobre a calçada bloqueando a passagem. Mas é como dentista : não tem como escapar.

Meu carro andava engasgando muito, não chegou a parar, mas estava à beira. Aprendi a fazer aquele negócio de abrir o filtro, tirar o diesel sujo e fechar - e nem isso deu certo. Tive que levar ao mecânico, já estava dando medo de pegar a estrada. O diagnóstico era o esperado  : diesel sujo ! Isso deveria dar cadeia para o dono do posto. Eu sempre abastecia em um posto Shell da Radial Leste, agora mudei para aquele Ipiranga da Rua da Consolação. Espero que não tenha mais problemas. Se vocês virem um posto ir para os ares, talvez seja eu revoltado com diesel sujo.

E já que estava no mecânico resolvi fazer umas outras coisinhas. O freio de mão não estava bom. Foi uma paulada : rolamento R$ 105,00 e óleo de freio R$ 19,00. Dava para passar o fim de semana inteiro só com o dinheiro do freio de mão.

E aproveitando resolvi acertar o motor de arranque que estava arranhando : Bendix R$ 210,00 !  Ai que paulada. Esse dava para passar duas semanas  comendo no restaurante vegetariano ou comprar um pato no mercado municipal e fazer um jantar para os amigos.

Bem...o Jeep parece que ficou bom, mas se você me encontrar pela rua e eu estiver num humor horroroso, já vai saber a razão.

Escrito por Duilio Ferronato às 18h42

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2 peças bacanas e um boteco simpático

 
 

2 peças bacanas e um boteco simpático

COMUNICAÇÃO A UMA ACADEMIA

Texto: Franz Kafka . Direção: Roberto Alvim. Com: Juliana Galdino e Gê Viana

 

A cada espetáculo que acompanho Juliana Galdino, saio mais e mais impressionado. A expressão resumida, sem nada de afetação é muito impactante. (alguns dizem que sua voz é um pouco afetada; eu acho que faz parte da brilhante composição).

O texto é igualmente brilhante. Um macaco que aos poucos vai se transformando em homem, mas não pelas qualidades mais valorizadas da civilização, um macaco que toma como exemplo os modelos mais distantes do que poderíamos chamar de civilizado. Mas mesmo assim, desenvolve um certo carinho pelos modelos de conduta. Pequenos gestos, que deixamos de perceber até mesmo nos primeiros gestos de crianças, são relatados pelo símio como se fossem grandes conquistas. Os relatos poderiam durar horas, mas infelizmente é uma peça curta com apenas 60 minutos. Roberto Alvim vai se tornando um grande diretor - um pouco esquisito pessoalmente, mas muito coerente com o trabalho – o cuidado com os detalhes e a precisão de cada momento é como se eles tivessem trabalhado por horas em cada pausa. As vírgulas são percebidas em todos os momentos. Pequenas pausas que abrem caminhos para novas e perturbadoras revelações de um símio que observa e se iguala ao homem, deixando no final uma sensação de que o macaco superou muito o modelo.

O cenário e iluminação são igualmente perfeitos. Raramente se vê na cidade uma obra tão boa e tão precisa.

Nem pense em deixar de ver.

 

Teatro Imprensa - Espaço Vitrine - tel. 3241-4203 -Ter. e qua.: 21h. Maiores de 16 anos. Ingresso: uma lata de leite em pó.  A foto da Julina é da Lenise Pinheiro.

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ELE PRECISA COMEÇAR

Texto e interpretação: Felipe Rocha. Direção: Felipe Rocha e Alex Cassal

 

O Felipe é, antes de tudo, um dos atores mais gostosos do planeta. E também:  bonito, simpático, inteligente e bom ator. Só peca  no sotaque exageradamente e desnecessariamente carregado. Mas dá para aguentar se você prestar atenção ao texto.

Escreveu uma peça como se estivesse passando por uma crise de roteirista. Quase uma aula de auto ajuda daqueles livros de como escrever um roteiro. A peça é cheia de situações engraçadas e boas sacadas. É sempre bom ver um ator que escreve, dirige e atua no mesmo trabalho. O cenário é um quarto de hotel com diversas distrações, inclusive com participação do público.

Mas o melhor parece ser uma forma muito inusitada de contar uma história. Ele é um pouco palhaço, um pouco contador de histórias e encantador de platéias.

 

Sesc Consolação - tel. 3234-3000. Qui. e sex.: 21h. Para maiores de 12 anos. 

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Z CARNICERIA  BAR

 

Um bar muito bacana na rua Augusta. O segurança da porta dá um pouco de medo, mas lá dentro é tudo simpático e a comanda eletrônica é individual. Evita aqueles problemas de contas misturadas numa mesa com muita gente.

A comida pareceu boa e a ambientação foi mantida do antigo matadouro, açougue e mercadinho que já ocuparam o mesmo lugar.

 

Rua Augusta, 934 -  www.zcarniceria.com.br -   para maiores de 18 anos

Escrito por Duilio Ferronato às 14h05

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Muamba importada

 
 

Muamba importada

“Estudo aponta sonegação de R$ 200 bi no país”

 

No link : http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0903200902.htm

 

IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) aponta a indústria como um dos principais suspeitos de sonegar.

Bem, talvez eles sejam só suspeitos, porque o comércio é certamente onde mais se sonega. Precisa fazer pesquisa para se saber disso ? Ou é só dar uma voltinha em qualquer cidade do país e comprar alguma coisa, pode ser um carro ou uma caixa de fósforos. Você sempre consegue um desconto se não precisar da nota.

Até na Av. Paulista tem um centro de muamba funcionando bem na cara de todo mundo. Fecharam de um lado, eles abriram do outro. Fecharam outra vez e eles abriram outra vez. Agora eles nem mais colocam aquelas letreiros, mas as lojinhas ficam cheias.

É muito mais barato do que comprar a mercadoria legalizada. Só para ter uma ideia : um par de óculos que ontem mesmo vi por R$ 800 no shopping Santa Cruz , na lojinha do coreano hoje encontrei por R$ 75 em dinheiro ou R$ 80 no cartão. Não comprei.

Tem de tudo : DVD, CD, câmeras fotográficas, filmadoras, note books, camisetas e tênis da Nike e da Adidas, perfumes, pen drives de todos os tipos, I Pod, I Phone, todos os modelos de celulares...é tanta coisa que dá vontade de comprar tudo. Só que agora estou em contenção e não comprei nem o chocolate suíço por R$ 55 a caixa. Mas sei que vou sonhar com o chocolate, talvez volte lá amanhã.

Como pode um lugar desses funcionar bem na esquina da Av. Paulista com Rua Pamplona ? Não passa polícia por ali e nem fiscais da Prefeitura ? Ou vai me dizer que ali todo mundo está vendendo mercadorias legalizadas ?

De qualquer maneira o lugar está tão lotado de gente trabalhadora legalizada que nem dá para dizer que ali só compram os mais pobres ou que só compra gente que não respeita o comercio legal...todo mundo compra mercadoria sem nota. Dá para recriminar essas pessoas que preferem esse tipo de comércio ? Quando você fica sabendo que um deputado federal pode gastar R$ 15 mil com verba indenizatória, não resta nenhuma dúvida de que sonegar é perdoável.

Escrito por Duilio Ferronato às 22h52

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Vila Madalena - Edu Chaves - via inferno

 
 

Vila Madalena - Edu Chaves - via inferno

É o ônibus que vai da Paulista até a minha casa e é sempre uma aventura, mas hoje o motorista exagerou. Ou ele estava empolgado com o Corinthians ou estava apertado para ir ao banheiro.

Correu tanto que eu e nem nenhum dos outros passageiros conseguiamos ficar sentados. Ou escorregavamos ou eramos jogados de um lado para o outro. As freadas eram tão fortes que vi uma moça quase passando por baixo do banco da frente.

As valetas eram como um pula pula. Naquela valeta perto do Teatro Municipal meu celular pulou do bolso e o cobrador teve que levantar para pegar as moedas que pularam da gaveta - e olha que a gaveta estava fechada.

Talvez o motorista tenha feito estágio com os taxistas cariocas ou era motorista de ambulância antes de aceitar o emprego na empresa de ônibus. Felizmente não tinha nenhum idoso e nenhuma criança a bordo.

A lataria desses ônibus  parece que vai despencar com essas viagens kamikazes. É um barulho tão alto que nem o som dos celulares dos adolescentes sem noção chega a incomodar.

Só agora chegando em casa me ocorreu que eu deveria ter reclamado ou pelo menos anotado o número dele. Mas como sou muito acomodado e falo mais do que faço, resolvi deixar por isso mesmo. Quem sabe na próxima eu resolva começar a exercer meu direito e reclamar.

E só hoje percebi que o Bilhete Único vale por muitas horas aos domingos. Peguei 3 ônibus e só paguei 1 vez. Isso já é uma compensação pela viagem de montanha russa, mas mesmo assim acho que deveria ter reclamado ou pelo menos xingado algum parente do motorista.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h17

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A mesma novela já chegamos no capítulo 10 – enganação

 
 

A mesma novela já chegamos no capítulo 10 – enganação

E o coronel encontrou o Mel. Era um jantar desses informais. Meio lanche, meio comidinhas para comer com as mãos. Tudo muito gostoso. Preparado pela Neka Mena Barreto.

O Mel e o Thiago nunca tinham comido nada assim. Ficaram super impressionados. Principalmente o Mel, que tinha uma certa sensibilidade para coisas mais elaboradas. (se é que vocês entendem onde eu quero chegar) O coronel, ao contrário, não gostava nada dessas coisas.

Mas os dois se deram bem logo de cara. O Mel conversou com o coronel muito sobre o trabalho, a vida, sobre a mãe dele e sobre como ele e a mãe tinham vivido esses quase 15 anos de apertos. A Marialva tinha deixado um dinheiro guardado numa poupança, mas o Mel não poderia tirar até completar 18 anos; ele nem tinha ido muito atrás dessas coisas porque tinham dito para ele que o Conselho Tutelar poderia impedir dele morar sozinho. Iriam querer que ele arranjasse uma família porque menor de idade não pode ficar sozinho. E ele resolveu ficar quieto e esperar até os 18.

O coronel contou sobre suas fazendas, seus filhos e sua vida de fazendeiro. Claro que o coronel só contou as partes boas. Disse que os filhos tinham morrido todos em acidentes e a mulher doente. Uma infelicidade. Mas não disse que o filho dele também chamava Joel e que o pai dele também tinha esse nome. Só para continuar respeitando o trato com a irmã, a Yolanda, que achava que contar tudo para o Mel agora seria muito arriscado.

O coronel não tinha nenhuma dúvida. Aquele era o neto dele. E por estranho que pareça o Mel desconfiou muito da situação. Chegou a achar que o coronel fosse pai dele. Quando saiu da casa tinha certeza que eles estavam escondendo alguma coisa. O Rafael deu carona para eles até o casarão.

O casarão não é muito longe da casa do Rafael, é só pegar a av. 9 de Julho direto e lá na frente da Pinacoteca entrar à esquerda na rua São Caetano e depois a segunda a esquerda para chegar na rua do casarão.

No caminho o Mel interrogou o Rafael. Disse que já sabia que alguma coisa estava acontecendo. O Rafael, mesmo sendo um rapaz muito bacana, mentiu. Disse que ele estava imaginando coisas. O Mel insistiu e perguntou como ele explicava que os dois eram tão parecidos e que o coronel era ainda mais parecido com ele. Até o jeito de andar era o mesmo. O Thiago teve que admitir que parecia que eram todos da mesma família. Mas os Rafael manteve a mentira. Afinal a mãe dele já tinha alertado que o Mel poderia custar milhões para eles.

O coronel resolveu voltar para Alagoas e acionar seu advogado imediatamente. A Yolanda sugeriu cautela e  alertou dos perigos, mas o coronel estava decidido : aquele era o neto dele.

A Yolanda e o marido eram muito ricos, ricos mesmo. Nem corriam o risco de perderem tudo e muito menos de ficarem menos ricos. Só que parece que esse negócio de ser muito rico é uma tortura. Eles ficam tentando arranjar um jeito de ficarem ainda mais ricos. E se  dinheiro não vem por bem, virá por mal.

E o marido da Yolanda, como vocês devem lembrar, era filho de outro coronel que era aparentado daqueles que brigavam até a morte com os filhos do coronel.

Bastou uma ligação da Yolanda para uma das primas dele dizendo que o coronel tinha vindo para São Paulo avisar que pretendia exterminar toda família dos inimigos. Foi uma mentira bomba. Mal o coronel chegou de volta à fazenda e já tinha um jagunço assassino esperando por ele. Matou o coronel com um facão. Pobre do coronel, não teve tempo nem de olhar para a cara do assassino. Foi uma morte muito violenta e sujou de sangue a sala toda. Uma cena horrorosa mas eu prefiro deixar para imaginação de vocês, não quero ficar enchendo mais ainda esta novela de violência.

O plano da Yolanda tinha dado mais certo do que ela tinha imaginado. Ela pensou que levaria algum tempo até o coronel morrer e que talvez não desse tempo para salvar a herança. Ela já tinha até imaginado assumir a criação do Mel para poder ficar tutora da fortuna dele. Mas não foi preciso. Agora só tinha a filha deficiente mental do coronel. E certamente a Yolanda seria a sua tutora. Plano perfeito.

O Rafael não desconfiou da mãe, mas mesmo assim não contou nada para o Mel, aliás, deu um tempo na turma do casarão. Um bom tempo.  O Rafael começou a se distanciar dos amigos não por causa dessas histórias familiares, mas porque tinha conhecido um rapaz muito bacana. Estava meio apaixonado e sabia que o Thiago era meio contra. Já tinha falado sobre isso com ele. Disse uma vez que não suportava essas coisas.

O Mel, por outro lado, já tinha muito mais a ver com o Rafael do que a simples semelhança física.

Não pensem que estou inventando tudo isso. É uma história muito parecida com uma história verdadeira que escutei da boca do próprio Mel, que por razões obvias  mudei os nomes de todo mundo. Só o casarão é o mesmo da história verdadeira e o Estado de origem dos personagens é outro.

 

Mas as histórias de namoros secretos serão reveladas no próximo capítulo

Escrito por Duilio Ferronato às 13h39

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Água de coco de caixinha

 
 

Água de coco de caixinha

Água de coco em caixinha parecia ser uma das coisas mais improváveis do mundo. Quando surgiu nas prateleiras dos supermercados não convenceu muito. Quase como algo irreal. Artificial ao extremo. Como poderia um produto tão natural ser colocado dentro de uma caixinha que dura mais do que nossa própria existência na Terra ?

Só que a improbabilidade tomou corpo e já tem até falta do produto. Em dias de muito movimento nos supermercados some mais do que qualquer outro produto. Quase mais raro que lagosta e mais procurado do que feijão.

Nosso último herói da resistência foi vencido. Primeiro colocaram o alho em potinhos, depois a cebola, e já dá até para comprar cheiro verde em saquinhos desidratados.

Tá valendo tudo mesmo. Se os caras colocam água de coco numa caixinha e a gente compra, então pode tudo mesmo. Até aquele ex presidente ser eleito senador eu consegui engolir. Mas se não fosse suficiente, colocaram o ex condenado cuidando de bastante dinheiro público.

O engraçado é que o Estado do ex-condenado e ex-corrupto (ops, isso existe ?) produz muita água de coco. As estradas à beira mar de Alagoas são lindas. Como aqui em São Paulo só vemos plantações de cana de açúcar lá só se vê coqueiros. E uma fazenda de coqueiros é muito mais bonita do que uma fazenda de cana de açúcar.

 

Na TV UOL tem  uma análise interessante do Fernando Rodrigues : 

 

É uma análise bem pertinente. Mais improvável do que água de coco em caixinha só mesmo a performance do Senado brasileiro no cenário político nacional.

O Fernando Rodrigues é um dos colunistas políticos que eu mais gosto. Ele é mais equilibrado e menos afetado que o embaixador do PSDB, o Clóvis Rossi, e menos mal humorado e menos previsível  do que a Eliane Cantanhêde.

Ele, Fernando Rodrigues, diz que vale tudo em Brasília. Mas se vale colocar água de coco na caixinha, vender alho moido em copinhos, cebola picada em vidros e cheiro verde seco, então vale tudo mesmo. O Tim Maia estava muito certo. 

 

Escrito por Duilio Ferronato às 10h17

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Tertúlia com Isabel Teixeira

 
 

Tertúlia com Isabel Teixeira

Ainda bem que vocês chegaram é sobre 3 pessoas que têm dificuldades com os amigos. Cada um tenta, de sua maneira, manter amizades nada sinceras.

Escrito por Duilio Ferronato às 01h35

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Leitura no auditório Folha

 PEÇA "OLERÊ! OLARÁ!" TEM LEITURA NO AUDITÓRIO DA FOLHA

A Folha promove hoje, às 20h, leitura da peça "Olerê! Olará!", escrita e dirigida por Dionisio Neto, com base no teatro de revista. Interessados em assistir à leitura, da qual participam o elenco e os músicos do Trio Cha-Cha-Cha, podem se inscrever de graça até amanhã pelo tel. 0/xx/11/3224-3473 ou poreventofolha@grupofolha.com.br. Informar nome, RG e telefone.

PS elenco – JEYNE STAKFLETT, GIOVANNA VELASCO, MAYANNA NEIVA, SABRINA ORTHMANN, MAIRA DVOREK, MILANTA PLUS E CLAUDIO AGULLO.

Direção musical de Naná Rizzini     Coreografias de Katia Barros

Al. Barão de Limeira, 415

Escrito por Duilio Ferronato às 10h37

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Ficamos em 2o lugar

 
 

Ficamos em 2o lugar

 

 “Brasil é 2º país latino-americano com mais atratividade turística, diz estudo”

No link http://viagem.uol.com.br/ultnot/efe/2009/03/04/ult3903u704.jhtm

 

É para comemorar ou para chorar ? Ficamos na 45o posição e ainda perdemos para Costa Rica na América Latina. Que chato.

A violência ainda pesa muito contra nossa reputação no turismo internacional . Essa fama de país inseguro não acaba nunca. Parece que vai ser meio difícil mesmo de acabar.

Durante o Carnaval, um turista sueco foi morto em Natal. Isso só piora. Um pouco antes do carnaval foi aquele caso dos assaltos nos albergues de turistas no Rio de Janeiro - essa pegou mal mesmo. Assaltar gente que se hospeda em albergue é a maior covardia.

Bem, um amigo foi roubado em um albergue em Paris e depois a polícia ainda deu um esculacho nele, disseram que se ele era brasileiro, já deveria saber como se defender de assaltos. Dá para acreditar ? Mesmo assim Paris é sempre apontada como o melhor lugar para se visitar. E nem dá para dizer nada contra, é quase unanimidade mundial.

Mas felizmente São Paulo já aponta como grande atrativo para turistas estrangeiros e brasileiros de outras regiões. Os hotéis da cidade já estão alcançando a marca de 100% de ocupação. Mesmo durante a crise financeira mundial.

São Paulo está longe de ter as belezas naturais de outras capitais. As praias batem longe daqui e a arquitetura dominante é medonha – bem, belezas naturais nunca teremos, praias talvez...algumas cidades ricas do interior já mandaram fazer praias artificiais (coisa de caipira cafona) e a arquitetura só dá sinais de pioras, cada vez mais surgem prédios neo clássicos e são vendidos imediatamente. Mas a gastronomia sai na frente, os restaurantes aqui são certamente umas das melhores coisas da cidade. Depois tem a vida noturna com uma infinidade de coisas para fazer, tem um bom número de cinemas e teatros abertos quase todos os dias e ainda temos o paraíso de compras : desde de a medonha Daslu até a diversificada rua 25 de Março.

Mas a onda de violência assusta todo mundo. Inclusive brasileiros. Alguns amigos dizem ter medo de ir ao centro da cidade, outros dizem que não vão ao Rio por medo de bala perdida, outros dizem que não vão ao Recife por causa dos tubarões (ops esse não deveria contar!).

Faltam alguns lugares para eu conhecer,  ainda não fui à Amazônia, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Amapá, Roraima, Acre, Tocantins e Goiás - por falta de dinheiro.

Senão já teria ido para todos os cantos deste nosso país bacana.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h06

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Milk

 
 

Milk

É um filme sobre gente corajosa. Dessas pessoas que acreditam que o mundo é muito maior e mais interessante do que suas próprias vidas.

Em 1975 as pessoas ainda não entendiam que as diferenças eram fundamentais para o desenvolvimento humano. Claro que em alguns lugares e algumas religiões isso ainda não ficou muito esclarecido. Mas graças à coragem de alguns militantes das décadas de 1970 e 1980, hoje já podemos conviver com as diferenças sem acreditar que elas sejam danosas ou algum tipo de doença contagiosa.

Harvey Milk acreditava que com coragem as coisas iriam mudar e realmente mudaram. Não foi na primeira, nem na segunda e muito menos na terceira tentativa, foi preciso muita insistência para que a coisa começasse a mudar. Mas por fim : mudou.

Não deixe de ver. Mas se você não agüenta ver cenas de sexo entre dois homens, não vá !

 

Escrito por Duilio Ferronato às 00h26

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Grafite em guerra com os pichadores

 
 

Grafite em guerra com os pichadores

Parece que os grafiteiros e os pichadores  já não se entendem mais. Há algum tempo as paredes grafitadas nunca eram pichadas. Agora os pichadores resolveram declarar guerra e picham sobre os grafites. No túnel da av. Paulista, onde já foi o maior painel de expsoições de bons grafites, agora está sempre borrado com pichações estranhas e meio feias por cima dos belos grafites.

Os pichadores escrevem algo assim : "tava muito branco"  ou " coisa de burgues" . 

 

Está cada vez mais raro de se ver um grafite bacana sem uma pichação perturbando a imagem. Mas como sempre a nova onda vem para deixar o que está estabelecido meio perturbado, talvez esse movimento dos pichadores insatisfeitos traga algo de bom para a arte de rua.

Não tenho visto nada interessante entre os trabalhos dos pichadores ou não tenho entendido. Eles parecem uns quase analfabetizados que  quando tentam falar alguma coisa, só sai besteira.

A menina pichadora, presa na Bienal, é a maior referência de como eles são uns perdidos. Ela não diz nada com nada e ainda acha que está dizendo  grandes revelações.  Uma chata.

 Já os grafiteiros têm cada vez mais o que dizer e menos espaço. A prefeitura de São Paulo tem uma lista secreta dos que podem e dos que não podem pintar as paredes. É estranho. Como uma censura disfarçada. Mas melhor isso do que não deixarem ninguém.

 

 

 

 

 .

 

 

Gosto dos grafiteiros mais anarquistas. O grafite da catraca é muito bom. Só não sei como eles conseguem pular a catraca do Metrô, que é tão vigiado. No ônibus já vi alguns deles fazendo, mas é sempre por baixo da catraca.

 

 

Escrito por Duilio Ferronato às 19h57

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A novela, capítulo 9 – assassinatos

 
 

A novela, capítulo 9 – assassinatos

Antes de falar sobre os encontro do Coronel com o Mel eu vou contar como foi o crime envolvendo os dois filhos do Coronel.

Na pequena cidade do interior de Alagoas, onde fica a maior fazenda do coronel, a prefeitura é disputada há mais de 80 anos da mesma forma, ou seja : na pistola.

O coronel, seu filho Armando e a filha Maria sempre foram envolvidos com isso. Aliás já era uma coisa de família, já que o pai do coronel e o avô sempre foram metidos na política local. O coronel queria muito que o Armando fosse prefeito, sem nem ter passado pelo cargo de vereador. E o Armando era do tipo encrenqueiro. Um tipo que se sentia o dono do mundo, apesar de só conhecer uma pequena parte dele –claro que era a parte mais óbvia- costumava sair pela cidade em sua grande caminhonete e não respeitar nenhuma regra de trânsito e muito menos respeitar os moradores. Achava que todos lhe deviam obrigações, já que a fazenda do pai trazia muita riqueza para a região. Quer dizer: trazia muita riqueza para a família dele.

A família rival, de outro coronel, também tinha lá uns filhos esquentadinhos. Um dia o Armando se encrencou com um dos filhos do coronel rival. Foi uma dessas brigas bobas, que começou com uma pequena provocação e terminou em juras de morte.

Armando armou uma emboscada o moço numa estrada de terra. Chamou uns 14 matadores que ficaram de tocaia numa estrada de terra. Parece que gastaram mais balas no massacre do que na guerra do Vietnã. O carro do moço e o outro que o acompanhava ficaram tão furados que dava impressão de serem feitos de tela de galinheiro. Os corpos dos ocupantes ficaram irreconhecíveis. Há quase 20 anos que esse tipo de coisa não acontecia por lá, já que o coronel e seus oponentes declararam uma trégua depois de quase todos os homens das 2 famílias terem sido mortos nessas emboscadas. É claro que o ódio foi transmitido para os descendentes. Mas as mortes haviam parado.

Aquilo desencadeou uma pequena guerra local. Tudo no maior segredo. Afinal a polícia nunca foi envolvida em nenhuma das chacinas.

Não demorou muito e a vingança deu as caras. O coronel tinha contratado mais de 50 seguranças, já esperando retaliação e mandou o filho para o Rio de Janeiro por uns tempos. Mas a filha, a Maria, era um tipo de patricinha invocada. Um dia no centro da cidade encontrou uma das irmãs do falecido e disse que se ela não tomasse cuidado que ela também iria virar peneira. Ah, não deu outra. A moça se enfezou e descarregou uma pistola todinha na cara da Maria, na frente de todo mundo da cidade. A Maria morreu e o rosto dela ficou irreconhecível com mais de nove balas. O pior foi que como na cidade todo mundo tinha medo dos dois coronéis, resolveram deixar o corpo da moça ali na rua até o coronel aparecer. Ela ficou estendida naquele sol de rachar coquinho por mais de 6 horas. O coronel e o a mulher quase morreram de desgosto. A Maria era uma filha muito mimada. Diziam que ela ainda seria uma grande política da região e que seria a herdeira administradora da família, já que tinha boa cabeça para os negócios. Bem cabeça ela nem tinha mais agora.

O Armando, quando ficou sabendo do caso, voltou para fazenda sem a autorização do pai. A mãe tentou fazer as pazes com a família do outro coronel para evitar o pior, mas já era tarde. As coisas tinham ficado mais confusas do que o conflito entre Israel e palestinos. Ninguém queria admitir nada e ninguém estava disposto a perdoar.

Nessa guerra morreram mais de 50 pessoas, já que os seguranças ou jagunços eram os mais atingidos. Mas alguns trabalhadores das fazendas também acabavam levando umas balas perdidas ou de advertência.

O Armando  estava se dando bem, já tinha conseguido pegar uns dois primos do rival,  até que um dia em um bar da cidade, um bando entrou atirando. Ele percebeu e correu para o banheiro. Ficou escondido empoleirado na privada. Mas encontraram o covarde e encheram o infeliz de balas. Foram tantas balas, que as paredes dos fundos do banheiro ficaram parecendo com uma colméia. A água começou a jorrar e o sangue foi todo lavado. Só foi possível reconhecer o corpo pelas roupas e pelos restos dos documentos que sobraram no pedaço do bolso que conseguiu escapar.

Foi um daqueles enterros macabros. Morreram umas 10 pessoas no bar e o dono do bar, que não tinha nada a ver com a coisa também morreu. A história do dono do bar ainda vai render um capítulo. O cemitério da cidade ficou muito movimentado naquele ano. Tiveram até que ampliar a área.

Foi um padre da cidade quem conseguiu apaziguar temporariamente a coisa. Falou com as duas famílias, com primos distantes, amigos e armou uma trégua de um ano. Foi no mesmo ano em que a mulher do coronel descobriu que estava com câncer e passou por várias cirurgias e tratamentos que não derem resultado. Acabou morrendo numa daquelas mortes muito demoradas e sofridas. O que levou o coronel para uma depressão obsessiva. Ele se dedicou ao trabalho mais do que nunca para esquecer tudo. Ficou melancólico e acabou saindo de herói para a população da região, que votou nele em peso. Ele foi eleito três vezes deputado federal. Ia pouco à Brasília, mas enriqueceu muito. Até consegui que asfaltassem a  estrada que ia até a sua fazenda. O estranho que na cidade não tinha um bom asfalto, mas na fazenda dele tinha. Outra coisa bizarra é  que na fazenda tinha  um zoológico com vários animais selvagens. Tinha leão, girafa, elefante e até pingüim. Era um lugar privado, só para amigos e familiares. Tinha custado uma fortuna trazer aqueles animais, mas obviamente nada foi declarado para o IR. Uma excentricidade que ele tinha aprendido em Brasília com os colegas.

Com tudo isso o coronel era uma pessoa muito diferente da época em que a Gilda deixou a fazenda. Era mais megalomaníaco e mais determinado e ao mesmo tempo deprimido.

 

No próximo domingo eu conto mais.

Escrito por Duilio Ferronato às 14h04

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A vagabundagem venceu

 
 

A vagabundagem venceu

 

Justo na primeira semana em que a coisa deveria ser séria neste país, eu caí na vagabundagem. Dormi muito, comi muito doce, assisti horas de televisão e nem abri o jornal.

Deve ser uma resistência a encarar o ano apertado que parece anunciar. Olhando hoje no blog percebi que não tinha postado nada. Pura preguiça. Nem posso dizer que estava muito ocupado, que estava com muito trabalho acumulado ou culpar a NET ou a Telefônica. Nada disso. Foi resistência ao trabalho e à vida séria, que às vezes toma conta de mim. A preguiça de fazer qualquer tipo de esforço. Ou talvez uma desesperança ou falta de perspectiva de dias mais prósperos para 2009.

O pessimismo consegue turvar as coisas. Mas felizmente essa não é minha natureza e hoje mesmo vou colocar a vida em dia. Já fui ao supermercado para abastecer a geladeira, vou mais tarde até a feira para comer um pastel e comprar umas frutas e verduras frescas. Amanhã vou levar o Jeep para uma revisão, anda engasgando muito, acho que foi diesel ruim. Tomara que seja só isso.

Amanhã tenho que ir até o banco para resolver o buraco da minha conta. A gerente já me ligou dizendo para eu fazer um parcelamento do meu cartão. Vou ter que cair no buraco negro do parcelamento bancário. Deveria ter jogado na Mega Sena.

Mas não posso dizer que a semana de carnaval foi toda de preguiça. Fiz longos passeios a pé, mexi bastante na horta do sitio, fiz uma grande plantação de mamão (só com mudinhas de sementes que eu tinha plantado em um vaso), dei um banho bem gostoso de mangueira na Sasha – minha cachorra – e ainda terminei de ler 2 livros que tinha emprestado da biblioteca da Folha. (ops, tenho que devolver amanhã).

Amanhã, segunda-feira, vai começar de verdade o ano de 2009. Vou deixar de preguiça, esquecer a televisão, pegar mais no jornal, voltar a nadar e colocar este blog em dia.

Escrito por Duilio Ferronato às 11h13

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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