A Novela, capítulo 7 - sobre namoros, aborto e tristezas
As moças que dividiam o quarto com a Marialva eram todas jovens. Todas com menos de 30 e todas já tinham engravidado mais de uma vez. O assunto aborto era comum entre elas. Todas conheciam a dona Ana do Ferro Velho. Era a mulher do dono do ferro velho da outra rua. Ela sempre dizia que tinha formação de enfermagem e que tinha trabalhado mais de 20 anos na Santa Casa – parece que era tudo mentira – ela ajudava as moças nos abortos. Cobrava bem pouquinho e até hoje só uma tinha morrido um e só sete tinham sido levadas para o hospital. As mais de duzentas moças que tinham feito aborto com ela estavam muito satisfeitas e já tinham recorrido aos serviços dela mais de uma vez.
A Marialva, desde que tinha saído da fazenda do coronel, tinha ficado meio frustrada com namoros. Perdeu a confiança nos homens e não se interessou muito por ninguém. Principalmente porque ainda mantinha uma lembrança boa do filho do coronel. Mas com o tempo foi começando a relaxar. E um rapaz, que trabalhava de cobrador no ônibus que a Marialva sempre pegava, começou a ser muito simpático com ela. Nessa época a Marialva já tinha quase 20 anos. O Filho 4 e pouco.
O namoro começou depois de um churrasco na rua do casarão. Ele apareceu do nada, sem ser convidado e grudou na Marialva. As meninas do quarto da Marialva deram a maior força. Afinal ela só pensava no filho e no trabalho. Namoram uns tempos e depois uma das amigas descobriu que o safado era casado. Quanta safadeza ! Parece que os homens desta novela são todos uns safados. Mas acreditem até o final deste drama ainda vai surgir um bom.
O caso é que o safado foi descoberto e justificou dizendo que ele só morava com a ex esposa, mas que não tinha mais nada a ver com ela. Aquela velha história que todo mundo já escutou pelo menos uma vez na vida (eu já escutei mais de uma). E dá para acreditar que a Marialva acreditou no pilantra ? Mulher quando tem talento para cair no conto de safado, acaba fazendo carreira na lama.
Ficou grávida. E no dia seguinte o moço disse que iria assumir. Mas sumiu. Mudou de rota no ônibus. Trocou o número do celular e dizem até que mudou de cidade. E a Marialva outra vez estava de barrigão e sem pai para a criança. As moças da pensão já estavam escoladas no assunto. Indicaram a Marialva para a mulher do ferro velho.
Ela disse que não iria porque tinha visto num programa feminino da televisão que era muito perigoso. Ela procurou um pronto socorro. E o médico atendeu ela com a porta do consultório aberta e ainda gritou que ela era uma criminosa querendo fazer aborto. Que ela deveria assumir o filho e não ficar abrindo as pernas para qualquer um no futuro. Parece exagero, mas segundo a Marialva foi assim mesmo que aconteceu. Imaginou fazer exame ginecológico com a porta aberta ? A falta de sensibilidade de alguns médicos do serviço público é mesmo assustador.
A Marialva saiu de lá chorando. E claro que foi procurar a dona Ana do Ferro Velho. Custou R$ 100,00. E muita dor. Ela teve que ficar em casa por uns dias descansando. Felizmente o patrão dela era um sujeito bacana, como já falamos.
E a nossa querida Marialva entrou outra vez numa fase de que não queria nem saber de namorado. Os anos passaram e ela foi ficando mais fechada. Não amarga, porque o filho, as amigas e o trabalho eram uma felicidade para ela. Ela até conseguiu estudar. Terminou os estudos básicos, que já mudaram tanto de nome que nem vou me arriscar a dizer porque não sei mais como chamam aqueles antigos primário, ginásio e colegial. Em tudo ela usou os documentos da prima, a Gilda original tinha sumido de vez. Vocês devem se lembrar que no começo da novela a Marialva chamava Gilda e que pegou os documentos da prima emprestados para vir para São Paulo. Ela nunca mais lembrou que chamava Gilda. Esqueceu totalmente.
Nesse tempo o dono do restaurante abriu uma filial perto da estação São Bento do metrô. E convidou a Marialva para ser gerente e quase sócia. Ela era responsável por tudo : compras, funcionários, clientes, caixinha para fiscais da prefeitura, segurança, finanças e tudo mais. Um bom cargo. Chegou a pensar em trazer a família para cá, mas desistiu. Preferiu mandar dinheiro para a mãe e os irmãos comprarem um terreno. E até mandou um dinheiro para irem construindo uma casinha.
O coronel ficou de olho na família da Gilda. Afinal ele queria recuperar o neto de qualquer jeito.
Talvez esta seja a parte mais triste da novela. Infelizmente é a parte que me fez começar a escrever logo de início. Me perdoem pelo ar melancólico e o engasgo na garganta, mas estou escutando Summer Time no CD e as coisas ficam mais melosas quando escuto essa música.
O Mel já tinha quase 14 anos. Já trabalhava e o Thiago já tinha saído da prisão. Mas nunca mais voltou para o casarão. Foi morar com uma mulher que ele conheceu no presídio, só que isso eu conto depois.
A Marialva um dia estava voltando para casa e quando foi atravessar a rua General Jardim foi atropelada brutalmente. O motorista parou, olhou e teve uma crise e foi embora. Outro safado na vida da Gilda. Infelizmente esse foi o último. A Gilda e a Marialva morreram. Ali mesmo. Na rua. O corpo ficou estendido por horas até o IML aparecer. Cobriram ela com jornal. O sapato dela ficou jogado longe. Era um sapato preto com uma tirinha vermelha. Lindo. Ela adorava aquele sapato. Tinha comprado com muito gosto.
Desculpem, agora estou muito triste para continuar. No próximo domingo eu conto o resto.
Quando morei em Londres, entre 1982 e 1986, no bairro de Richmond, os brasileiros começaram a ganhar fama de ladrões de leite.
Na Inglaterra era comum o leiteiro deixar as garrafinhas de leite na porta das casas. Sem nenhum tipo de preocupação. Eram deixadas na entrada das casas bem cedo e o dono, quando acordasse, pegava e preparava seu café da manhã.
Era comum ir à casa de brasileiro e encontrar um estoque enorme de leite roubado na geladeira.
Depois conheci o golpe do caixa do restaurante.
Nos restaurantes, os garçons cobravam as contas, guardavam o dinheiro no bolso e no fim da noite acertavam com o caixa. Tudo na confiança. Claro que os brasileiros, inclusive eu, guardávamos mais do que deveríamos. Desculpem o crime confesso, eu era jovem e muito influenciado pelas más companhias.
O golpe do ônibus e do metrô era o mais comum. Nem preciso dizer que esse já é famoso aqui. Ninguém pagava.
Bem aqui é meio comum ouvir alguém dizer que se a polícia não está por perto, não é errado fazer algo fora da lei. Só se respeita a lei se a polícia está olhando. Mais comum ainda é escutar gente burlando o rodízio municipal de veículos com truques ou andando por ruas onde sabe que não há policiamento.
Agora vem a história da brasileira agredida na Suíça. Os brasileiros têm tanta fama de truqueiros na Europa que será difícil que a moça seja levada a sério.
Na Suíça especialmente há um tratamento diferenciado para brasileiros, já que muitos dos migrantes são conhecidos por pequenos golpes.
Uma amiga trabalhava de camareira em um hotel na Suíça e já tinha ido prestar depoimentos mais de 20 vezes na delegacia. Toda vez que sumia alguma coisa, o delegado já mandava chamar a brasileira. A maioria das vezes ela era culpada, mas nunca admitia. Chorava, fazia um teatrinho e escapava.
Li que no Japão o número de ladrões de carros é encabeçado por brasileiros que migraram para lá. Até descendente de japonês brasileiro é safado ! Deve ser o ar da Mata Atlântica.
Outro dia vi uma mulher dizendo para o filho comer pipoca escondido no teatro porque era proibido comer dentro da sala. Isso já quer dizer que essa criança vai crescer acreditando que as leis só servem para quando alguém está vigiando.
Parece que nossa fama vai continuar suja por muito tempo.
Até quando vão fingir que maconha não foi liberada ? Está tão liberada que é só sair pelas ruas, depois do horário de trabalho ou no horário do almoço para sentir o cheiro vindo de algum grupo que andapelas ruas.
Ontem vim da Av. Paulista até minha casa a pé. Um passeio de quase 2 horas. Logo de cara na esquina da Paulista com Augusta tinha um rapaz fumando na rua. Ele nem se preocupava em disfarçar, como faziam antes.
Depois descendo a rua da Consolação tem um novo bar de grafiteiros, quase na frente do cemitério da Consolação, onde os freqüentadores fumam abertamente na calçada. E não eram poucos ontem, eram mais de 50 fumando na frente do bar.
Depois chegando na praça Roosevelt tinha mais um trio fumando. Bem na frente de uma estação da polícia.
E continuei descendo. Passei pelo largo da Memória e lá infelizmente a coisa é mais grave : muitas crianças cheiram cola e roubam os pedestres mais desatentos. Um dos piores horrores desta cidade.
Já na frente do Teatro Municipal um grupo de roqueiros, vindos da galeria do rock, fuma bem ao lado dos policiais metropolitanos.
Continuo caminhando, quase às 21h, chego na rua São Caetano e é um deserto a essa hora. Só os seguranças. Mas quase no final da rua um grupo de jovens moradores fuma maconha na esquina de suas casas.
Vou caminhando pela rua Oriente. Ali não vi ninguém fumando. Vou chegando perto de casa e vejoos conhecidos maconheiros da vizinhança, mas tinha uma novidade : eles estavam fumando junto com o guarda noturno. Não deixou de ser engraçado.
Na minha rua tem um grupo de garotos que se encontra todos as noites para fumar na esquina. Não são bandidos e nem desempregados. São garotos que vão à escola, trabalham e moram com a família.
Maconha já é consumida em todos os lugares abertamente e não é mais possível deixar essa discussão para mais tarde.
Quando mais demorar, maior será a diferença entre o que existe e o que o Estado diz existir.
Lá em Avaré, ainda antes de 1970, eu ficava torcendo para aparecer um parquinho ou um circo. O cinema nem sempre era possível. Não sei direito dizer o quê impedia a visita semanal ao cinema, se era a classificação dos filmes ou meus pais não tinham paciência de sair.
Mas no parquinho não tinha como evitar. Eu queria tudo. A maçã do amor, pipoca, algodão doce, os jogos e principalmente o carrossel. Uma vez comi tanta coisa e minha mãe ficou dizendo para eu não ir naquelecavalinho que subia e descia, mas claro que eu não iria nunca querer ir naqueles que só iam reto. O mais emocionante era o sobe e desce.
Não deu outro. Enjoei e foi tudo para fora ainda no cavalinho. Só lembro da cara do maquinista dizendo para minha mãe que ela não deveria deixar criança andar no cavalinho com a barriga cheia de doce. Ela quase me fulminou com os olhos.
Depois que vim morar em São Paulo abriu o Playcenter. Um paraíso ! Mas o carrossel ficou para as criancinhas. Eu queria o trem fantasma e o carrinho de bate bate. A maçã do amor nunca podia ficar de fora.
De longe parece que foi uma época boa. Eu até tento me convencer disso às vezes, mas não foi. Minha infância não foi muito feliz, me lembro mais de coisas ruins do que de coisas boas.
Das poucas coisas boas que me lembro daquela época estão a comida da minha avó e os parquinhos.
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O Zunido foi gravar as Paisagens Sonoras de um parquinho.
Será que existe alguém no mundo que iria preferir viver como um vegetal a morrer ? Acho que não!
Claro que existem casos de erros médicos onde é atestado que a pessoa está certamente morta e sem mais nem menos ela volta à vida. Mas isso é tão raro que não poderia servir de justificativa no caso da italiana em coma há 17 anos.
Cada vez que ouço a opinião do Vaticano, mais me afasto da Igreja Católica. Ela está cada vez mais cega e mais ultrapassada. Quase todos os discursos do Papa são anacrônicos, como se ele ainda vivesse no século 16. Talvez viva mesmo.
Eutanásia foi amplamente aplicada nos pacientes com HIV terminal na década de 1980 aqui em São Paulo. Uma vez eu estava visitando um amigo em no Hospital Emílio Ribas e ele pediu para que nós convencêssemos o médico a fazer uma eutanásia . Eu não tive coragem nem de repetir aquele assunto por algumas semanas. Fiquei com aquela imagem dele cadavérico numa maca horrorosa no hospital, quase sem vida e pedindo para morrer. Morreu naturalmente depois de uns 5 dias. Bem, assim eu achava. Mas depois de uns 10 anos descobri que um outro amigo tinha conversado com um enfermeiro que tinha ajudado, com um tipo de injeção letal,nosso amigo a morrer mais calmamente.
Na época não havia tratamento eficiente para HIV e os amigos morriam sofrendo muito nos hospitais. Levavam meses com uma doença depois da outra. Viravam uns mortos vivos. Ao mesmo tempo, um dos amigos doentes da época chegou a pesar menos de 40 kg. Quase um esqueleto. Hoje, depois de mais de 20 anos, ele está bem e vivendo uma vida normal. No caso dele a eutanásia seria uma injustiça.
De qualquer forma, eu não iria querer que nenhum amigo, nem eu,vivêssemos 17 anos em coma. Iria preferir a eutanásia.
Na natureza vários animais usam a estratégia de ficar quietinhos para não serem comidos. As codornas têm as penas camufladas para não serem vistas pelos gaviões. Assim podem continuar existindo sem serem devoradas.
Grande parte dos insetos também aprendeu a arte da camuflagem para não ser comida.
Agora os deputados usam a arte da renúncia para não serem cassados. Ser cassado é a mesma coisa que ser condenado, o sujeito perde a imunidade parlamentar (que é uma das coisas mais imorais que existem neste país) e ainda fica visado por um longo tempo.
Não sou totalmente contra a imunidade parlamentar, se não houvesse isso, haveria muito abuso do poder por parte dos partidos dominantes contra os pequenos partidos.
Mas uma pessoa nem deveria poder ser candidato se houvesse pendências com a justiça. Primeiro resolve seus problemas com a justiça e depois tenta um cargo no legislativo. Quando uma pessoa com processos na justiça é eleita, quase todos os processos contra ela ficam estagnados, a defesa começa a barrar todas acusações com argumentos políticos e o juiz tem que acatar.
Talvez nas próximas eleições pudessem colocar no cadastro de cada candidato uma lista de processos que a pessoa já passou ou que ainda tem pendentes. Isso no meio daqueles propagandas políticas insuportáveis, quem sabe assim a gente se interessaria por assistir a propaganda política obrigatória. Só a ficha do Maluf daria uma mini série.
Infelizmente com a renúncia ao cargo de Corregedor não quer dizer que o Lord do castelo cairá. Muito pelo contrário, ele fará o que já vem fazendo desde sempre : ficará camuflado e não será comido. E ainda continuará sendo deputado. Ele vai provar para todos que mineiro realmente come quieto.
Já falamos bastante das mulheres desta novela, agora vamos falar um pouco sobre os meninos : Tinha o Joel, filho da Marialva com o filho do coronel; tinha o Thiago, filho da Consuelo com um desconhecido e ele era uns 10 anos mais velho do que o Mel, como era conhecido o Joel. E também tinha o Rafael, filho da Yolanda, com a mesma idade do Thiago.
O Thiago e o Mel ficaram amiguinhos logo de cara, já que no casarão nascia muito mais meninas do que meninos. Os poucos meninos que apareciam por lá eram filhos de mulheres que não ficavam muito tempo morando na pensão. A convivência no casarão era muito mais com mulheres, já que os homens eram de estadia passageira. Mesmo os namorados das mulheres não duravam mais do que uns meses, o tempo para a namorada ficar grávida e o sujeito sumir. Pior que a maioria não aprendia e continuava a arranjar desses namorados que não valiam um pano de chão.
Mas o caso é que os 2 meninos do casarão viviam juntos, mesmo com grande diferença de idade. Iam para todos os lados. O Thiago ensinou ao Mel quase tudo de bom, e uma ou outra coisa ruim também.
No casarão não rolava drogas abertamente. Isso deixava a Marialva e a Consuelo muito mais tranqüilas. Mas o casarão ao lado já era uma dessas bocas conhecidas. Tinha garotos bem novinhos fazendo um dinheirão só vendendo maconha para os playboys dos Jardins, de Santana, da Mooca e até para os modernos do Centro da cidade.
O Thiago estudava e trabalhava de ajudante em um mercadinho do Brás. Não era lá um bom aluno, mas nunca tinha repetido. Ele até já tinha sonhado em ser jogador de futebol profissional, mas não jogava tão bem assim. Fazer faculdade era um sonho da mãe dele e ele nem pensava sobre o assunto.
Já o Mel era ótimo aluno. Aprendia tudo muito rápido e a professora já tinha até conseguido uma bolsa para ele estudar em uma escola particular bem boa ali perto. Ele adorava. Era meio difícil porque os coleguinhas eram de uma outra classe social, mas ele se destacava muito nas notas e era um menino muito querido.
O Thiago começou a freqüentar a casa da Yolanda quando um dos jardineiros pediu as contas e ele foi trabalhar de ajudante de jardinagem e faz tudo. Limpava a piscina, lavava os carros, passeava com os cachorros e logo de cara ficou amigo do Rafael. Hum. Difícil de acreditar, mas os dois tinham muitas coisas em comum. Não gostavam de estudar. gostavam de Skate. Gostavam das mesmas musicas e adoravam garotas peitudas.
O Rafael ajudava o Thiago em alguns trabalhos para desespero da Yolanda. Ela detestava aquela aproximação, mas o pai do Rafael achava bem saudável ele fazer umas tarefas na casa.
O caso é que os amigos riquinhos do Rafael descobriram que o Thiago morava ao lado do casarão que fornecia maconha para a turma toda. Que conveniente. Começaram a encomendar a droga com o moço e ele não recusou, já que começou a ganhar mais dinheiro com isso do que com o trabalho de jardineiro. E ele era tão esperto que escondia a droga na bolsa da mãe. Mesmo quando ele levava uma geral da polícia nunca era pego. A mãe levava a herva sem nem saber.
Um crime perfeito. O Thiago até abriu uma poupança no banco para guardar o dinheiro. Queria comprar uma casa para a mãe.
E o mais estranho é que o Thiago e o Mel começaram a se associar nesses negócios e dividir os lucros. O Mel ainda era bem pequeno, mas dividia a droga em pacotinhos ou em tijolinhos. Já tinha até aprendido a enrolar um baseado. Obviamente já fumava, mas só um por dia, ou dois, mas dependendo uns 4.
Em um feriado prolongado os amigos do Rafael resolveram programar uma grande festa na praia. Encomendaram um pacote bem grande de maconha e um pouco de cocaína.
O Thiago providenciou tudo. Não levou tudo de uma vez. Foi levando aos poucos para a casa da Yolanda e guardando na casa de máquinas da piscina.
Na viagem até a praia o Rafael e os amigos foram presos no caminho pela polícia. Ah, foi um bafafá. Os playboys alegavam inocência. Diziam que a droga não era deles e aquelas conversas todas que a gente tem que falar para a polícia para diminuir a nossa culpa.
Mas era muita coisa e configurava tráfeco. Foram todos para delegacia de São José dos Campos (que é no caminho do litoral norte de São Paulo). E o delegado era louco para por as mãos em uns playboys como aqueles.
Os pais dos meninos ricos eram poderosos. Não iriam deixar barato. Com advogados de R$ 50 mil para cima.
Com advogados desses ninguém fica preso, mas o delegado era mais ou menos honesto e queria saber onde era a fonte. Fez uma troca: livrava um pouco a barra dos meninos se eles entregassem a boca.
Bem nem preciso dizer que o Thiago, filho da Consuelo, foi para o presídio e de lá só sai daqui uns anos. O Rafael só pegou uns serviços comunitários leves. Os amigos ricos estão comprando maconha em outro lugar.
O Mel ficou livre dessa encrenca, porque o Thiago não era de entregar ninguém, ao contrário do Rafael que não pensou duas vezes para entregar o Thiago.
Agora o Rafael anda meio arrependido e convenceu o pai a pagar um advogado para o amigo. Foi até a penitenciária visitar o amigo e ficou horrorizado só com a entrada. Nunca mais voltou, mas manda uns presentes para o amigo.
A Yolanda arranjou uma desculpa para demitir a Consuelo que ficou sem o filho sem emprego e sem o namorado. A Yolanda achou que conseguiu agora ter o Mário só para ela, mas mal sabia ela que ele já estava catando a prima dela, mas essa parte não vai entrar na nossa história para não ficar muito longa.
A Marialva nunca ficou sabendo da sociedade do Mel com o Thiago. Mas foi muito solidária com a Consuelo.
Engraçado que as mães do playboys não ficaram nem mais nem menos amigas por causa do incidente, mas as mulheres do casarão ficaram muito mais unidas.
No próximo domingo eu conto outra parte da história.
O deputado Edmar Moreira (DEM-MG) tem o rabo mais preso de todos os deputados que se teve notícias nos últimos 1.000 anos.
O sujeito pode até ser chamado de barão, conde ou até duque. Sei lá. Ou rainha malvada! Talvez esse fique melhor para ele.
O homem construiu um castelo pra lá de cafona no meio de lugar nenhum. Tem mais processos que o bicheiro da esquina da minha casa, declarou ter R$ 9 milhões mas é dono de um castelo que vale R$ 25 milhões, que diz estar no nome dos filhos. O cartório disse não ter registro da construção. Ih, isso é sujeira na certa.
E ontem ainda na televisão vi o homem dizer que não tinha feito nada errado. Puxa. Quem fez então ?
O pior é que ele só vai sair (talvez) do cargo de corregedor por pressão da mídia. A bancada do governo vergonhosamente apoiou a nomeação dele.
Acho que hoje vou querer encontrar muitos mineiros para gozar da cara deles. Só espero que eles não contra ataquem lembrando do Maluf, do Clodovil, do Tuma, do Chalita, do Enéas, do Montoro, do Fleury e todos os outros políticos paulistas; os quais também envergonham tanto o meu Estado.
E nem vou poder dizer que mineiro tem mau gosto, porque aqui em São Paulo o que mais tem é prédio parecido com palacetes europeu medievais. Paulista endinheirado é tão cafona como qualquer outro endinheirado do país. Mas até onde eu sei, castelo não tem por aqui. Ops, tem o castelo do Safra. Mas esse, dizem, é bacana. Pelo menos tem boas obras de arte nas paredes.
Com castelo ou não. Hoje perdi mais um pouco da pouca fé que tinha no Congresso.
A produção para gravação do Projeto Tertúlia é sempre muito difícil e estressante. Eu fico sem dormir e muito ansioso.
A pior coisa que pode acontecer é um ator dizer poucas horas antes da gravação que não irá. Isso é o fim e o nome do ator vai imediatamente para a boca do sapo.
Mas felizmente isso é raro acontecer e os atores colaboram muito. Todos os meus atores favoritos são pacientes, não reclamam de ter que esperar e colaboram como podem na hora das gravações.
Não temos camarins e nem maquiadores. Os atores ajudam-se muito mutuamente. Enquanto um grava o outro cuida das coisas do outro e ajuda a arrumar o figurino.
Hoje gravamos na Estação da Luz e no Museu da Língua Portuguesa.
Otávio Martins fez um texto do Dionísio Neto. Um desse amigos que aparecem do nada. Parece que somos amigos desde sempre. Grande coração, pessoa generosa e muito paciente. Aguentou firme os atrasos e ajudou muito na produção.
Chico Ribas e Odara Carvalho fizeram um texto da Sabina Anzuategui. Um par lindo. Ela uma das mais belas mulheres da cidade e ele um fofo de Avaré. Eu casaria com os dois.
Anelie Schinaider e Juscelino Wabes fizeram um texto do António Rocco. Decoraram um texto que eu nunca decoraria. Muito simpáticos e fizeram com muito humor.
Bel Teixeira fez um texto meu. As tiazinhas choraram com ela e eu quase. Começou a chover e ela aguentou firme.
Celso Sim e Webster Santos cantaram Negro Amor. Celso é um desses amigos que nunca ouvi falar mal de ninguém (ops, só uma vez). Bom coração e está sempre muito feliz. O Webster nem sei como explicar, deu show.
Daniel Infantini, Leandro Madeiros e Joice Jane Teixeira fizeram um texto de Milton Moraes Filho. Interagiram com todo mundo, causaram um furor no rua. E ainda levaram um figurino incrível.
Gustavo da Palma e Lavínia Pannunzio fizeram um texto meu. A Lavínia já é minha parceira para sempre. Ela diz que é elenco fixo do Tertúlia e ele conheci agora e adorei. Um moço bonito, simpático e ótimo ator.
Luis Marmora fez um texto da Ariela Goldmann. Ele ficou empolgado com a interação e não queria mais parar. Descobriu coisas da vida de vários passageiros.
Somos amigos de longas viagens desde o Rio de Janeiro até Havana. Impagável esse ator. Fez lindamente e ainda ajudou muito na produção.
Priscilla Carvalho fez um texto do Otávio Martins. Não a conhecia. Adorei. Simpática, bonita e fez uma diva muito convincente. Saiu perdendo os sapatos. Fez a plataforma toda tremer.
Vanderlei Bernardino fez um texto do Sérgio Roveri. Demos muitas risadas enquanto discutíamos o texto. Um desses atores com voz forte e que se revela muito para as câmeras. Muito paciente e bom amigo.
O assistente, Renato Banti, foi trazido pelo Gabriel. Ajudou muito. Fez de tudo um pouco. Foi a primeira vez que participou e foi muito bacana.
Vincenzo Villani fez a câmera 3. Subiu nas alturas, mais alto que os urubus. Teve que andar, correr e ainda negociar com os usuários da Estação.
O Gabriel Fernandes é tudo nesse projeto. Faz a câmera 1, edita, ajuda na produção, gasta e não ganha. Sem ele não seria possível.
A Berenice Haddad também faz tudo. Ela é a outra metade da laranja. Sem ela eu não iria aguentar.
Hoje, certamente, foi um dia muito feliz.
O Projeto Tertúlia pode ser visto todas as semanas no link :
Ou Manacá da Serra é uma árvore muito típica da Mata Atlântica, em qualquer lugar você consegue encontrar. Nas cidades já são mais raras. A madeira não é muito dura,os galhos quebram com facilidade, por isso não são plantadas nas calçadas. Asprimas dos Manacás, as Quaresmeiras da cidade,também tem madeira mole, mas comgalhos pequenos.
Nas matas da rodovia Regis Bittencourt estão justamente na época da florada plena. É uma árvore que mantém a florada por bastante tempo, podendo ficar florida por 3 ou 4 meses.
As flores são frágeis, como todas as flores, mas nascem em abundância. O beija-flor passeia sempre por ali e os esquilos também.
Uma delícia de árvore com uma sombra leve e deixando passar pequenos raios de sol. Não é muito alta, normalmente tem o troco médio. Em um desmatamento é normal ver uns manacás sendo deixados para trás, já que sua madeira não tem muito valor comercial. Para sorte deles.
O PMDB é desses partidos que comem pelas bordas. É sempre muito grande em qualquer Estado. Tem um ou outro representante importante nacionalmente, mas em geral é cheio de gente meio desconhecida e rica.
Detesto esse tipo de político que vai caminhando pelas sombras e chega ao poder através de articulações obscuras.
Os deputados e senadores desse partido nunca apresentam nada de novo e nem querem. São do tipo de políticos que preferem preservar a situação como está. Principalmente porque está boa para eles.
Você já viu algum deles cair em desgraça ou ser preso ? Coisa rara. Teve o caso da governadora que foi pega com um monte de dinheiro no cofre, mas não deu em nada.
São tão cuidadosos que não deixam rastros sujos. Aqui em São Paulo tivemos 2 Governadores do PMDB, mas felizmente, parece que eles nunca mais vão se eleger a nenhum cargo executivo. Só que no legislativo eles estão sempre por perto.
Uma vez fui a uma festa e um sujeito, mais ou menos, inteligente disse ter votado no Montoro. Quase cai para trás. Nem sabia que um dia conheceria alguém que ainda votava nessa família.
Os Montoros aqui em São Paulo são uma equivalência aos Sarneys do Norte e Nordeste.
Só que aqui são mais fracos, mas estão sempre no legislativo. É o que nos restou do coronelismo paulista. Ainda bem que parece que não tem nenhum jovem Montoro aparecendo, enquanto os Sarneys não param de surgir.
Quer dizer : eles estão por todos os lados. Nunca consegui entender bem como o José Sarney foi parar no Amapá (ele é Senador pelo Amapá apesar de ser do Maranhão), mas tivemos que engolir isso. Agora temos que engolir a presidência do Senado.
Bem, agora que o PMDB re-consolidou o poder em Brasília e partiu para as cabeças, não será de admirar que eles lancem seu candidato próprio a Presidência da República.
É uma dessas coisas que tira o sono de qualquer um. Primeiro você começa imaginando como vai ser a pessoa que vai te entrevistar. Aquele monte de dúvidas aparecem: o que dizer, que camisa usar, faço a barba ou deixo barba de um dia ou dois, se perguntarem da expectativa salarial e mais uma enxurrada de coisas na cabeça.
No meio da noite é claro que surge uma insônia matadora. É melhor levantar, fazer um chá e ler alguma coisa.
Aí chega o dia da reunião. Agora tudo chama reunião. Até almoço com amigos já chamam de reunião.
Bem, para não chegar atrasado eu sempre chego horas adiantado. A ansiedade não me deixa chegar só 5 minutos antes. Vai que o carro quebre, que tenha trânsito ruim, que um caminhão vire na marginal ou algo assim ?
O pior de chegar adiantado é ter que ficar na frente do prédio fazendo hora para não chegar muito adiantado. Isso é coisa de Jeca, mas eu sou mestre nisso.
Tudo ensaiado. Só falar o que já havia ensaiado. Não deixar o entrevistador te colocar em cilada. Tente tirar dele todas informações possíveis.
Ih, a entrevista passou e você não disse nada do que tinha ensaiado, exagerou em algumas coisas, reduziu demais outras e não falou de salário.
Depois ainda tem que ficar esperando a resposta. Mais uma semana de ansiedade. Bem, gastar por conta não é vale. Contar para os amigos não dá. Dizem que não é bom ficar contando as coisas antes delas acontecerem.
Mas se a reposta vier positiva e o emprego é daquele tipo que tem que ir todos os dias até algum escritório, ficar lá umas horas, ter horário para almoçar, entrar e sair e pior ainda : só poder viajar nos fins de semana ! Ou uma vez por ano ?
Nem sei porque ainda vou a essas entrevistas de emprego que me chamam. Não quero emprego. Só quero ganhar mais.
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