Foi um desses dias que não valia a pena sair de dentro da geladeira. Só de ir daqui até a esquina já grudou tudo.
A roupa ficou molhada, a cabeça ardeu e veio uma preguiça matadoura.
De onde vem um calor desses ? Afinal aqui não deveríamos ter uma temperatura mais temperada ?
Na minha rua só tem 3 árvores. Nas ruas mais movimentadas do Brás não tem nenhuma. É uma catástrofe. Ir daqui até o vendedor de água de coco não é possível descansar sob nenhuma sombra. Só toldos. Nada de uma boa sombra de uma árvore com um banquinho.
O pessoal da Secretaria Municipal do Meio Ambiente tem prometido plantar mais de tantas mil árvores. Quem sabe isso ajude a conter um pouco do calor.
Fico imaginando como será se essa história do aquecimento global realmente acontecer enquanto eu estiver vivo. Vai ser um tormento.
Vou entrar para o MCSP - Movimento dos Caras Sem Piscina - e invadir algumas piscinas.
E depois de todo esse calor ainda vem uma tempestade Tissunâmica. Encheu tudo de água e não resolveu o calor. Bem pelo menos regou as poucas plantas que temos nesta cidade impermeabilizada.
Os escritores dos livros sagrados com certeza ainda não conheciam os mosquitos ou pernilongos, senão, tenho certamente teriam incluído esse inseto dos infernos na lista das piores coisas do mundo.
No século passado acreditavam que as baratas iriam dominar o mundo, mas depois de ter lido essa matéria na Folha, estou começando a acreditar que o mosquito é quem vai dominar tudo. Aliás, eles já andam dominando tudo.
Aqui em São Paulo eles estão por todos os lados. Até apartamentos bem altos eles chegam. Já aprenderam a pegar o elevador. Vi ontem no "National" ou no "Discovery" que o mosquito é o maior causador de mortes nos seres humanos. Muito mais que cobras, tubarões, tigres e só perde mesmo para nosso maior inimigo : nós mesmos.
Eu sou daquele tipo que fica todo cheio de bolotas. E esses bichos horrorosos não se contentam em me picar nas pernas e braços, adoram minhas orelhas e testa. Sempre tenho que ficar explicando o que aconteceu na testa.
O repelente funciona até um certo momento. Depois vai perdendo a validade e os insetos ficam só esperando para atacar. E parece que todos atacam ao mesmo tempo, como se fosse um exército organizado.
Já tomei vitamina B, complexo B e todos os outros tipos de recomendações. Mas basta um descuido e volto todo cheio de picadas.
Até plantei várias mudas de citronela pela casa, mas nada adiantou.
Aqueles comprimidos antialérgicos são outra desgraça. Nem tenho muita certeza se funcionam, mas dão um sono que atrapalham o dia todo. Não adianta tomar café e nem guaraná em pó. O sono consome o dia.
E jeito deve ser criar uns sapinhos na pia da cozinha.
The Hellstrom Chronicle foi indicado pelo Mário Mendes. Tem várias partes no Youtube.
A não foi fácil a chegada da Gilda na cidade grande. Ela nunca tinha visto tanta gente junta. A Amélia, amiga que ela tinha conhecido no ônibus, convidou a Gilda para ficar com ela lá na pensão.
Era uma pensão no Brás, uma coisa mais ou menos como um cortiço. Era um casarão antigo onde cada família tinha um quarto. No quarto da Amélia tinha uma cama sobrando e ela alugou a cama. Era desse tipo de "aluga-se vagas para moças". Tinha até um fogão e geladeira no quarto. Muito conveniente.
O próximo passo foi arranjar um emprego. Que nem foi tão difícil assim. Ela escondeu a gravidez até onde deu.
Arranjou emprego de faxineira em um restaurante. Ela tinha trazido os documentos da prima de 18 anos. Assim ela passou a se chamar Marialva. Tirou carteira de trabalho e identidade. Tudo com a certidão de nascimento da prima. Mudou tudo na vida dela.
A barriga começou a aparecer. O dono do restaurante ficou cismado, mas como ela trabalhava duro e aprendia rápido, ele deixou passar.
Não demorou nem 2 meses e a Gilda, nova Marialva, já estava cozinhando no restaurante. Aprendeu rápido e ainda deu um toque a mais na comida. A freguesia gostou da mudança.
A barriga já denunciava a gravidez. Não deu mais para esconder. A única coisa que ela continuaria escondendo seria o verdadeiro nome e a idade. Mas ela e a prima eram da mesma família, então a Gilda acabou acreditando que não estava fazendo nada de errado. E de mais a mais, uma menina menor de idade nunca poderia tirar os documentos sozinha.
Mas essa parte foi tudo fácil. E já estava chegando a hora do bebê nascer. O barrigão não parava de mexer. As pessoas diziam que seria menino porque a barriga era pontuda. Outros diziam que seria menina porque chutava a noite.
Uma amiga da pensão sugeriu a Marialva que entregasse o bebê para adoção. Já que ela não poderia criar. Foi isso que umas outras tinham feito. Afinal seria melhor que a criança arranjasse uma casa do que crescer ali naquela pensão, onde os adolescentes já eram quase todos bandidos mirins. Os únicos que salvavam eram os que faziam parte de uma associação ali perto.
A Marialva ficou morrendo de medo de que o filho dela virasse bandido ou se fosse menina, entrasse para a vida, como algumas meninas dali. Mas decidiu que iria tentar criar a criança sozinha, ou com ajuda das amigas.
Conversou com o patrão e ele disse que se ela se comprometesse a voltar depois do parto que ele pagaria os dias de licença. Não é fácil encontrar um patrão assim. Mas esse era daqueles raros e que tinha gostado da Gilda, Marialva, logo de cara.
A Gilda arranjou uma creche, mesmo antes do bebê nascer. Arranjou um hospital e começou a comprar as roupinhas. Muita coisa ela ganhou ali mesmo na pensão. Afinal o que não faltava ali eram crianças que não paravam de nascer.
Chegou o dia de nascer. Ai que coisa difícil essa de parto. Dói muito e parece que vai durar para sempre. Mas levaram a Gilda para a maternidade e lá já deram uma anestesia. Naquele hospital eles preferem parto de cesariana, é mais fácil para o médico e a mãe - dizem - sofre menos.
Nasceu um menino. Bem fortinho e bonito. Parecido com ela, quer dizer, disseram isso porque bebês não parecem com nada.
Ela ficou uns dias na maternidade e depois voltou para a pensão. Foi uma festa. As colegas de quarto já tinham arranjado um berço para o menino, só que era um berço de menina. Todo cor de rosa, mas isso seria fácil de acertar. Depois pintariam de azul para o menino não criar fama logo de cara. (nunca pintaram)
Gilda sempre pensava na mãe e no Joel. Resolveu colocar o nome do menino de Joel, ficou um pouco arrependida depois, e só chamava o menino de Mel. E as amigas gostaram do apelido e o menino passou a chamar Mel para todo mundo.
Marialva voltou para o trabalho e foi muito bem recebida. Por um tempo achou que as infelicidades da sua terra natal teriam sido revertidas para a mais fantástica felicidade. Ela morava com amigas bacanas e tinha um emprego bom. Era pura felicidade.
Escrevia sempre para a mãe, mas nunca deu o endereço para poder receber a resposta. Queria acertar a vida e se tornar de maior para que o coronel não pudesse encontra-la e tomar o filho das mãos dela.
Mas não pensem que a vida da Gilda foi uma maravilha o tempo todo. Só que a parte ruim vou deixar para contar no próximo domingo.
Já deu um certo arrepio na espinha quando o Itaú casou com o Unibanco. Agora o BB vem comprando outros bancos capengas para voltar a liderança.
É mais ou menos como ir a feira e comprar frutas passadas. Dá para fazer uma refeição decente com frutas passadas ? Acho que não, mas vamos esperar para ver a meleca que vai sair.
Parece que o BB, que tem um dos piores serviços do universo. E digo Universo incluindo qualquer planeta que possa existir. Eita banquinho (quer dizer bancão) horroroso com um dos piores serviços da rede bancária nacional, é tudo com cara de meia boca.
Quando o BB comprou a Nossa Caixa, banco do Estado de São Paulo, foi até um alívio. A Nossa Caixa nunca conseguiu decolar muito e o serviço era bem precário. Fico imaginando se vale mesmo a pena englobar um monte de tranqueiras só para conseguir a bolsa de clientes. E como é uma instituição com mentalidade de pública, mesmo não sendo totalmente, as coisas andam bem devagar.
Só falta o BB começar a cobiçar a CEF. Aí não vai ter para mais ninguém.
Agora além de comprarem os banquetas meio quebrados ainda vão querer ficar pousando de lider outra vez. Claro que é lider não por competência, mas pela força das operações do governo. Que agora vão dominar todos os governos estaduais também.
Mas até ai, nem é para preocupar muito. O que anda dando um certo medo é o tamanho desses bancos. Onde vão parar ? E se um dos gigantes resolver quebrar ? Como nós ficamos ?
É quase como : Se em uma cidade só tem um grande supermercado e esse fecha, as pessoas ficam sem comida. Se numa cidade tem vários mercadadinhos, o perigo de desabastecimento é muito menor. Sei que é um exemplo meio simplista, mas é a sensação que fico quando imagino que daqui para frente estaremos nas mãos de no máximo 5 grandes instituições financeiras.
Bem, acho que vou colocar um pouco do meu dinheiro no colchão só para garantir.
La Belle Personne. Mais um desses filmes franceses que não dá para não ver. Um aperto no coração durante o filme vai te esmagando na poltrona. Quase dá vontade de sair, mas se você agüentar vai sair muito feliz da sala do cinema.
E como não poderia faltar é mais um filme com Louis Garrel, o bonitão do momento. Tem muita gente linda em cena. Como se fosse uma versão dos filmes de escola americana, só que bem resolvidos e sem finais de pastelaria.
As cenas de Paris vão dando uma certa nostalgia. Uma beleza que só aquela cidade tem e não adianta querer negar. No inverno é que os franceses ficam ainda mais lindos e os lugares mais aconchegantes. Os parques com pequenos montes de neve dão impressão de um cenário fabricado, mas não é. É daquele jeito mesmo. Tudo lindo.
As escadas da escola parecem ter mais de 100 anos e provavelmente têm mesmo. E as portas pintadas com uma cor pastel meio envelhecida é como se a escola tivesse ali há muito tempo. As aulas são uma realidade quase inexistente para nós. Os alunos de 16 anos discutem literatura em línguas estrangeiras de uma forma que estamos a milhões de anos luz de distância. Mas o professor se envolver com as alunas já é uma coisa um pouco mais conhecida nossa.
O filme é uma adaptação do romance "La Princesse de Clèves", de Madame de La Fayette, escrito no século 17. A princesa vira uma estudante e divide seu amor entre um professor e um colega.
O diretor, Chistophe Honoré, quase que repete algumas seqüências do seu outro filme "canções de amor" de uma forma muito suave e que te deixa querendo conhecer esse moço de qualquer jeito. Quando ele vier aqui para o Brasil vou fazer campanha para encontrar com ele. Ou vou acabar indo para Paris para vê-lo de perto. Acho que ele aparece no filme, no bar com o nome de Patrick, mas não tenho certeza, vou verificar com alguém que saiba mais detalhes.
Direção: Christophe Honoré. Com: Louis Garrel, Léa Seydoux e Grégoire Leprince-Ringuet. 90 min. Não recomendado para menores de 14 anos
Adolfo era um beija-flor muito trabalhador. Acordava cedo e já partia em busca de coisas doces. Mas era muito medroso. Acreditava que todo mundo queria come-lo ou roubar-lhe o ninho.
Não confiava em ninguém. Um dia mandou cercar seu ninho com arame, não achando suficiente mandou colocar alarme e não achando suficiente ainda contratou uma equipe de segurança.
Ah, mas o medo do Adolfo não passava. Ele era muito influenciado por qualquer história. Uma vez contaram para ele que um outro beija-flor fora atropelado. Então Adolfo parou de chegar perto de qualquer carro.
Outra vez contaram para o Adolfo que um outro beija-flor tinha morrido afogado em um bebedouro. O Adolfo imediatamente parou de passar perto dos bebedouros.
De uma outra vez contaram para o Adolfo que tinham visto um gato perto do jardim de margaridas. O Adolfo nunca mais chegou perto de uma margarida.
Não demorou muito Adolfo começou a se sentir inseguro na própria casa e comprou uma ratoeira para se defender de qualquer intruso. As ratoeiras eram legalizadas naquela época.
Só que a primeira ratoeira foi roubada pelos gatos. Aqueles safados. E foram usadas para caçar outros beija-flores. E pior ainda. Uma prima do Adolfo acabou caindo na ratoeira que o Adolfo tinha comprado. Coitada ! Caiu na ex-legalizada ratoeira.
Adolfo não se intimidou e comprou outra ratoeira. Desta vez mais moderna e mais eficiente. Só que o pior da história vem agora : o filhote mais jovem do Adolfo, que nunca podia sair do ninho porque o pai tinha medo de tudo, um dia ficou preso na ratoeira e morreu.
A foto do beija-flor é do Flávio Cruvinel Brandão que tem um flickr muito bacana de pássaros
Isso sim é de deixar qualquer um com falta de esperança em um mundo melhor ! 9 mil armas novas registradas quer dizer o que ? Por que mais 9 mil pessoas têm direito a se "defender" com armas de fogo ?
Santa falta de visão. É a mesma coisa que aquele sujeito que diz que só um papel de bala jogado no chão não fará diferença. É a mentalidade do que se acha excluído das responsabilidades e ao mesmo tempo proprietário das regalias infinitas.
Muito comum um sujeito reclamar que está inseguro e ao mesmo tempo ameaçar a segurança dos outros. Uma moça me disse outro dia que não pára em farol vermelho depois das 22h. por proteção. E eu fico pensando : proteção de quem ? E o carro que vem na outra direção ?
Estranho achar que sua proteção vale o risco dos outros. Deve ser um tipo de egoísmo esquizofrênico. Outra conhecida, apesar de ter uma babá para cuidar do filho, pega o menino no colo para não ter que enfrentar filas nos bancos e no supermercado. Dá para acreditar que alguém faça um negócio desses ?
E outro conhecido, médico dermatologista, que usa o privilégio de não respeitar o rodízio municipal alegando que atende emergências médicas, mas na verdade ele só atende clientes de luxo na av. Angélica. Dá para acreditar ?
Fico imaginando até onde vão as pequenas manobras para se conseguir esses privilégios egoístas. Deve realmente ser uma sensação de que as pessoas têm de que são mais importantes do que as outras, que têm mais direitos que alguns pelo seu cargo, sua função ou condição econômica.
Ou eu que sou alienado e acredito que as pessoas deveriam ter os mesmos direitos e deveres. E que ninguém deveria ter privilégios ou poder ficar de fora de alguma lei. Fica parecendo com aqueles privilégios que os fidalgos tinham durante a monarquia brasileira. Talvez seja esse o sentimento de fazer parte de uma monarquia que faz com que algumas pessoas queiram ter armas, quebrar o rodízio, furar filas ou passar o farol vermelho.
"Jovem é assassinada a tiros na saída de academia pelo ex-namorado" leia no link :
Chegar em São Paulo é uma felicidade e por outro lado uma tristeza. Agora vou poder ir muito ao cinema, teatro e comer na rua. Por outro lado o sossego não vai voltar tão cedo.
Começando pelas contas, no sítio parece que a vida é bem baratinha. Aqui a vida é bem cara.
Uma boa surpresa foi o trânsito bem comportado, as ruas tranqüilas e ninguém buzinando histericamente. Bem pelo menos de lá da ponta da Regis Bittencourt até a porta de casa não vi nada.
O pedágio da Regis é uma das novidades chatas (R$1,50). Mas vou ficar achando que é para melhor, só para não ficar em implicância daquelas cancelas. Já instalei um "sem parar" no Jeep. Nem dá para perceber que custou alguma coisa. A conta vem no cartão. Ih, nem posso lembrar do cartão! Gastei 1 bilhão e não tenho como pagar neste mês. Vou cair naquela armadilha de pagar o mínimo. E no próximo mês virá um extrato de encargos absurdo que vai me dar a maior raiva, mas vou ter que engolir.
Uma outra boa surpresa foi que a casa estava bem cheirosa quando cheguei, foi encerada e a Jandira finalmente tirou aquela teia de aranha que estava na parede do escritório desde 1920. Ficou parecendo casa nova.
Voltar para internet rápida também é uma delícia. Lá no sítio só tem aquela Internet discada ilimitada. Um horror sem fim, quase pré-histórica. E olhe que eu tive que ler tantos comentários e responder alguns a força. Deu um trabalhão. Acho que vou pedir adicional por ter trabalhado durante as férias. Já ouvi dizer que algumas pessoas recebem um bônus por trabalhar nos feriados. Vou querer o meu também.
Outra coisa difícil vai ser escolher os filmes para ver. Vou fazer como quase sempre faço : chego na porta do cinema, vejo os horários e entro.
Amanhã, volto a realidade dura do trabalho pesado. Quer dizer : nem tão pesado assim.
Esta novela começa lá no interior de Alagoas. Numa fazenda bem grande. Cheia de plantações de várias coisas, animais e pessoas.
As plantações e os animais vamos deixar para contar em outro capítulo. Hoje vamos saber da vida da menina Gilda.
Uma mocinha já. Com 16 anos. Bonita e inteligente. Cabelos encaracolados e olhos firmes. Tinha dessas presenças fulminantes, daquelas que qualquer um percebia já de longe.
Filha mais velha de um dos trabalhadores da fazenda. O pai da Gilda morreu em um acidente com o trator há algum tempo. E em seguido o dono da fazenda quis colocar a família toda para fora. A mãe da Gilda, que não tinha para onde ir, combinou que todos os 6 filhos iriam trabalhar duro na terra, mesmo os bem pequenos. Assim o dono deixou que eles ficassem, ganhando bem pouco é claro.
Gilda começou a trabalhar com 10 anos. Fez de tudo um pouco, mas acabou indo trabalhar na cozinha da sede onde morava a família do coronel. Ah, sim, todo mundo chamava o dono da fazenda de coronel, mesmo ele nunca tendo estado no exército. Era uma família bem boa para Gilda. Tratavam a menina bem e até deixavam ela comer uns doces a mais. A esposa do coronel era uma mulher submissa que obedecia cegamente o coronel e educava os 4 filhos com muita dedicação.
A Gilda se enamorou com o Joel, filho do coronel. Um rapaz de 17 anos. Bonito e esperto que estudava na capital e vinha passar as férias e os feriados na fazenda.
Era um namoro meio escondido. Nem a família do coronel aprovaria e muito menos a mãe de Gilda. Os dois se encontravam escondidos sempre que podiam. Iam nadar no rio e passear pela mata. Uns dias deliciosos. Quase um amor de novela. Gilda vivia sonhando com esses amores de novela. E o rapaz mais ou menos que estimulava esse sonho. Ele prometia a ela leva-la para capital, disse que arranjaria um jeito para ela estudar na faculdade. Ah, esse era o grande sonho de Gilda : entrar para a faculdade. Na família da Gilda ninguém nunca tinha passado das primeiras letras. Ela já havia lido várias coisas, inclusive revistas e jornais do sul.
Sem mais nem menos a Gilda engravidou. Chorou, chorou e chorou muito.
O moço, que era todo romântico até aquele dia, mudou de atitude, não quis nem saber. Deu uma desculpa e voltou para capital no dia seguinte de manhã. Era um safado e tinha muito medo do pai.
Ela teve que contar para a mãe toda a história. A mãe de Gilda quase matou menina. Gritou que todo mundo ouviu de longe.
No outro dia, foram, as duas, conversar com a mãe do moço lá na sede da fazenda. A mulher quase teve um troço. Teve que tomar com copo de água com açúcar para acalmar. Mas despachou a Gilda e a mãe dizendo que iria ter uma conversa com o coronel.
Coitada da Gilda, ficou morrendo de medo. E a saudade do rapaz apertou. Ela não ficou com raiva dele. Entendeu que ele talvez se arrependesse em breve e voltaria para busca-la. Ela tinha certeza disso. Mas no fim do dia chegou o coronel com uma caminhonete e disse para mãe da Gilda : arruma as coisas da menina que ela vai hoje mesmo ficar com minha irmã lá em São Paulo por uns tempos.
A mãe da Gilda tentou retrucar, mas o coronel já estava com tudo arranjado. A Gilda colocou numa sacola umas poucas roupas e partiu chorando. A mãe da Gilda quase morreu, mas acabou se conformando e acreditando que assim seria melhor. Juntou todas suas economias e ainda pediu mais um pouco emprestado para os amigos. O coronel também entregou um bom tanto de dinheiro nas mãos da Gilda.
A Gilda foi colocada em um ônibus que ia direto para São Paulo. Foram dias de tristeza naquele ônibus. Ela até já tinha sonhado em ir para o sul, mas não sendo separada da família daquele jeito.
Quando chegasse na rodoviária teria que ligar para a irmã do coronel. Mas já tinha decidido que não faria isso. A irmã do coronel já tinha fama lá na fazenda. Outras moças já tinham ido trabalhar de empregadas domésticas na casa dela e escreviam cartas contando as tristezas do trabalho. Não podiam sair da casa nunca. Trabalhavam o tempo todo e não podiam conversar com os empregados das casas vizinhas. Quase uma prisão. Seria melhor ter ficado na fazenda, onde só trabalhavam 12 horas por dia e tinham pelo menos 1 domingo livre a cada 15 dias.
Gilda já estava resolvida a não procurar a irmã do coronel. No ônibus tinha conhecido a Amélia. As duas ficaram amigas imediatamente. Conversaram o caminho inteiro. E Amélia já morava em São Paulo há 4 anos. Conhecia quase tudo. Só havia voltado para casa da família para o enterro da mãe. Estava voltando para o sul porque achava que aqui as coisas eram mais justas.
No caminho Gilda chorou muito pelo rapaz e pelos irmãos e a mãe que tinha deixado para trás. Mas estava resolvida que assim que arranjasse a vida iria mandar buscar todos.
Sonhou muito com o bebê que estava por nascer. Imaginava que ele seria doutor. Doutor de verdade, formado pela faculdade de São Paulo. Que iria ser o orgulho da família e o pai iria querer que ele sempre ficasse perto dele.
Gilda chegou na rodoviária de São Paulo e resolveu tomar rumo na vida.
Bem, no próximo domingo eu conto o resto da história.
Nem quero pensar nas previsões para o ano. Mas olhando a capa dos jornais e das revistas dá uma certa falta de perspectiva para ganhar dinheiro. Claro que a vida não é só ganhar dinheiro, mas que isso deixa a gente bem mais tranqüilo, isso é verdade.
Se todos dizem que ganhar dinheiro vai ser difícil por causa dessa crise, o negócio e mudar o foco para não ficar frustrado. Já venho sonhando com alguém que resolva patrocinar meus projetos na TV UOL, mas isso parece que vai ficar ainda mais complicado. Vou tentar não pensar muito nisso e continuar fazendo tudo a beira da pindaíba.
Saúde é sempre bom ter, então é bom cuidar da alimentação e tomar vergonha na cara e começar sério na academia. Nadar ! Vou nadar muito em 2009. Já matricular na próxima semana numa academia.
Se a saúde vai bem, o resto vem junto. Então é melhor cuidar de manter a tranqüilidade e não ficar muito aflito com as faturas do cartão. Ih, isso vai ser a parte mais difícil. O cartão já tem tanta coisa pendurada que vai ser difícil de esquecer. Ainda bem que eles não ficam ligando para minha casa para lembrar que está tudo meio turvo. Acho até que eles gostam quando você não paga a fatura total para que no próximo mês venha aquela multa e os juros - que nunca dá para entender as contas que eles fazem.
Mas como fazer planos sem ter perspectivas de dinheiro? Acho que eu ando muito materialista. Não consigo pensar em nada que eu queira que não envolva dinheiro. Credo. Fui contaminado pelo consumismo. Mas talvez consiga começar a pensar em namorar outra vez. Afinal o período de separação já anda mais ameno. Já estou solteiro há uns 10 meses.
É isso ! Vou namorar sério em 2009. Nem envolve muito dinheiro e é só sair de casa para dar chance para ser encontrado.
Então é isso : fazer natação e ficar disponível para um novo amor. Esses serão meus planos para 2009. (e lá no fundo ficar torcendo para que entre uns trocos extras)
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