Dona Dagmar e dona Ruth
Ele entrou em um hall e começou a olhar umas fotos. A dona Dagmar chegou e perguntou brava :
- O que o senhor está fazendo aqui ?
- Eu vim trazer uma encomenda para senhora.
- Eu quero dizer: o que o senhor está fazendo dentro da minha casa ? Eu não gosto de gente estranha dentro da minha casa!
- Eu só estava olhando a foto dos meninos. Eles continuam com a mesma cara.
Foi só falar nos filhos que ela se derreteu. Abriu um sorriso e disse:
- Ele sempre foi assim, meio tímido e as meninas viviam correndo.
- É ! Ele ainda é meio quieto...
- É só com os outros, em casa ele fala bastante. O senhor aceita um café ?
- Uma água, café me dá dor de estômago.
E ela voltou com a água e mais fotos dos filhos em porta-retratos. Contou histórias deles quando criança. Parece que mesmo essa mulher brava não resistia a contar história sobre os filhos.
A dona Ruth também não conheci, só sabia de histórias sobre a vida dela. Um dia eu estava no bar Balcão e ela entrou. Na segunda vez que eu fui lá, estava com outros amigos e contei que tinha visto a dona Ruth naquele lugar. Assim que falei no nome dela, ela entrou outra vez. Levei um susto, principalmente porque ela veio na minha direção. Achei que ela tivesse ouvido eu falar e fosse me dar uma bronca. Na época o marido dela ainda era imperador.
A dona Dagmar eu só vi uma vez no teatro, bem elegante e séria, com o marido sorridente. A dona Ruth, vi várias vezes em restaurantes e cinemas da cidade. Ela gostava muito do restaurante La Frontera, que eu gosto muito também, só que é meio caro e vou pouco lá.
Duas mulheres impressionantes. A dona Ruth resolveu morrer sem avisar. Como meu pai: teve um troço e morreu. Foi ruim para todo mundo, mas eu fiquei com a certeza que ele morreu bem. Sem sofrer, sem ficar doente e numa hora boa da vida dele.
A dona Dagmar foi diferente : morreu de saudade. Daquelas saudades que matam. O marido havia morrido há pouco mais de um ano. Ela foi entristecendo e morreu.
Falando... parece que foi uma morte ruim. Mas só gente que amou muito é capaz de morrer de saudade. Só gente muito especial é capaz de morrer de amor.
Às vezes penso que só vale a pena morrer, se for por amor.


No Teatro Municipal de São Paulo
No Teatro São Pedro

Elas são fofinhas

Tem gente que ainda acredita que o problema do Sistema de Saúde
púlbica é falta de arrecadação ?
Você já foi herói alguma vez ?
Você pára para ajudar quem precisa ?
Quando foi a última vez que você ajudou ?
Ajudar é muito gostoso