Eles apitavam e gritavam para os lojistas que iriam quebrar tudo se não fechassem as portas. Alguns mais corajosos quebravam o cercopolicial e partiam para cima dos lojistas. Mas no fim a polícia estava bem equipada e deu um amansa camelô neles. Ficou quase tudo como estava antes, alguns ficaram com dor nos braços e nas pernas de levar porretada.
Eu quase levei, mas meu crachá me salvou mais uma vez. Os policiais queriam arrancar minha câmera, mas um jornalista da Bandeirantes começou a gravar e eles desistiram.Viva a Bandeirantes! Por pouco não levo um amansa camelô também.
Depois dessa... não fiquei até o fim da manifestação e continuei meu caminho até o Mercado Municipal para comer um pastel de bacalhau... com as pernas bambas.
quase tudo em paz
o dono da loja deu uma de valente e quase levou uns tapas
até a Ronda Escolar estava lá. Deve ter camelô estudante !
E você já sabe: esse santo é bom para arranjar um amor. Nem precisa colocar o coitado de cabeça para baixo em um copo d’água.
É só ir até uma igreja e fazer o pedido com fé que ele ajuda. Mas não adianta pedir e não fazer uma forcinha. Tem que sair à luta.
Você está careca de saber que o príncipe encantado só vem acordar a bela adormecida e como você não tem nada de adormecido... saía bastante, vá ao cinema, teatro, faça um curso e vá à festas. O príncipe e a princesa vão estar em um desses lugares.
No Largo São Francisco vai ter uma grande festa . Os Franciscanos vão distribuir pão de Santo Antônio.
Das 7h às 19h, Largo São Francisco, 133 – Centro tel. 3291-2400
Lá do 41o andar do Edifício Itália o som parece ser a coisa menos importante do mundo. Se não fosse pelo Julio eu nem teria escutado nada. Os olhos dominam todos os outros sentidos.
Mas se você ficar sozinho bem na beirada, vai sentir um vento entrando por um ouvido e saindo pelo outro. Junto vem um som baixo-contínuo da cidade. E um pouco abaixo : trânsito de helicópteros !
Os nossos microfones captam as interferências das antenas, dá até para imaginar que se as ondas afetam os microfones, o que será que acontece com nosso corpo ? Um dia ainda vão descobrir que essas ondas fritam a gente por dentro; talvez já tenham descoberto, mas não vão falar nada.
desenhar é quase impossível
o por do sol vale até pelo preço abusivo do lugar
((Zunido )) foi gravar a Paisagem Sonora no Terraço do Edifício Itália. Click no play para ouvir.
Isso deve fritar o cérebro dele ou está preparando caminho para um mundo que é meio incompreendido para mim. Acho que quando eu tinha uns 12 anos, não havia nada que eu conseguisse ficar 8 horas concentrado. Talvez esse negócio de vídeo game não seja tão mal assim; e as brincadeiras na rua sejam coisas de pais saudosistas.
Mas para alguns saudosistas é confortante ver um menino brincando com um pedaço de ventilador quebrado. Ele girava o negócio em volta do corpo e fazia uns barulhos de espaço nave.
É claro que não resisti e fui lá perguntar o quê era aquilo. Ele me disse : é um pedaço de ventilador !
Bem...tentei tirar uma confissão e ele não resistiu : é! Mas eu finjo que é uma nave!
Agora sim ! Era isso que eu queria ouvir. Ainda bem que ainda têm crianças que conseguem enxergar uma nave espacial em um pedaço quebrado de ventilador.
Nasceu aqui mesmo, em São Paulo, no Jardim Japão. Tem 23 ou 26 anos, ele não lembra direito. Perdeu os documentos mais de 10 vezes e agora resolveu deixar com o pessoal da igreja, eles cuidam de tudo para ele.
O pai dele era branquinho de olhos azuis, bem pelo menos foi isso que a mãe dele sempre disse. Ele mesmo não conheceu o pai, só conheceu os padrastos, pais dos 8 irmãos que ele tem. Talvez ele tenha mais alguns; a mãe dele ainda continua querendo casar.
Ele mesmo já tem uns filhos, mas não conhece direito, nem sabe se são dele mesmo. A Vilma dava para todo mundo na rua, mas dizia sempre que o filho era dele. O primeiro menino era parecido com ele, só que mais branco, deve ter puxado o pai dele.
Desde muito pequeno ele já trabalhava; trabalhou de ajudante de feira, guardador de carro, lavador de carro – aliás o dono do lava rápido disse que ele era o melhor lavador de carros do Jardim Japão – depois arranjou emprego numa loja de tintas, ficou lá quase 1 ano. Um outro menino do estoque apresentou as delícias da cola e ele nunca mais largou.
Foi para rua e lá conheceu os irmãos de rua: o Fabiano e o Mariano. Parece brincadeira, mas é esse mesmo o nome deles. Por isso até, que ficaram amigos! Os nomes rimam.
A cola ele deixou de lado faz tempo, mas a pinga não consegue largar. Já fez tratamento, foi internado e quase morreu no hospital. Só que não consegue largar.
Cuida dos carros na rua e com o dinheiro, ele e os amigos compram aquela pinga de garrafinha de plástico por R$ 1,00. Comer, eles quase não comem. Dá enjôo !
No frio a prefeitura ajuda bastante; mas morar no albergue, ele não quer. Voltar para casa da família não dá mais, mesmo porque ele nem sabe direito por onde andam os irmãos e a mãe.
Bem, se você quiser conhecer o Cristiano e seus irmãos de rua, é só passar ali perto da Câmara Municipal que eles estão sempre por ali.
Os paulistas não podem mais viver sem os camelôs. Na verdade a história da cidade está vinculada à história dos ambulantes.
Até 1800 a cidade só progrediu graças aos acampamentos dos bandeirantes e tropeiros que tinham dois pontos preferidos : um era o largo da Memória e o outro a praça da Luz.
Nesses dois pontos os tropeiros acampavam e vendiam suas mercadorias. Muitos não eram bem vindos na cidade, ou por escravizarem índios, coisa que os jesuítas não permitiam, ou por serem criminosos procurados.
No início do século 20, lá por 1920, era comum as pessoas irem até o largo da Luz na feira livre. Era um mercado a céu aberto que vendia de tudo. Os ricos preferiam comprar nas lojas chiques da rua São Bento, 15 de Novembro e rua Direita. Mas os mortais comuns iam às feiras de ambulantes para comprar similares.
O tempo passa, os bandeirantes e tropeiros não existem mais; a feira da Luz acabou há quase um século, mas parece que a coisa continua muito parecida.
Uma cigana me garantiu que morar numa esquina em forma de triângulo seria uma certeza de prosperidade.
Bem, talvez a prosperidade tenha fase; e no momento a fase boa do Largo da Memória esteja em baixa. Olhado de qualquer lado é sempre possível ver um triângulo. Meio inclinado para um lado, meio distorcido pelos anos de re-urbanizações malucas e quase comido pela estação do metrô.
Os prédios em volta do largo têm um ar de decadente, um deles – o em forma triangular – parece primo do edifício São Vito, quase beirando uma favela. Da rua Xavier de Toledo dá para ver o interior dos apartamentos, são quitinetes com cortinas dividindo os ambientes e as varandas acabaram virando um puxadinho para ser outro quarto ou área para estender roupa.
Nos bares em volta dá até medo de entrar e pedir um guaraná, o chão gruda. Não devem passar nem um paninho úmido uma vez por mês, no máximo varrem o lixo para a calçada.
Descendo mais um pouco está o hotel Cambridge, quase virando prédio fantasma e do outro lado da av. 9 de julho está o prédio amarelo que pegou fogo nos anos 70. Está pintado de uma cor bem duvidosa, já tentaram de tudo para valoriza-lo, mas não deu, também está parecendo outro prédio fantasma.
A fonte de água, bem no meio do largo, não tem mais água. Tem cheiro de xixi. A Pirâmide de Piques é o monumento mais antigo da cidade; coitada, é regada com xixi e restos de lata de cola dos meninos que viajam por ali.
As árvores do largo têm copas bonitas e estão bem verdinhas, dá até uma certa esperança que o lugar volte a ser bacana um dia.
Talvez a cigana tenha esquecido de dizer que alguns lugares fiquem marcados pelas maldades que alguns homens fizeram sobre seu solo.
No Largo já funcionou um mercado de escravos índios no século 16 e no século 19 funcionou um mercado de escravos negros, bem onde fica a estação do metrô. Quem sabe mais alguns anos e essa energia ruim desapareça e o Largo da Memória assuma um lugar de destaque na nossa história.
Indiana Jones - O homem continua bonitão, mas perdeu a graça totalmente. Um filme bobo de matar.
Já começa mal : colocaram a belíssima Cate Blanchett fazendo papel de ridícula, depois encontraram um garoto tonto para fazer o filho, e se não fosse suficiente ainda arranjaram um amigo gordo para ser ganancioso e morrer tentando agarrar um monte de ouro. O pior foi um Et misturado com Contato Imediato. Deu uma meleca de doer!
História mais do que batida, não tinha nada de novo e as cenas de ação nem davam aquele friozinho na barriga. Tudo mais do que previsível. É ir ver para ficar decepcionado.
E parece que os americanos aprenderam com o James Bond : que é possível pegar um barco na Amazônia e cair nas cataratas do Iguaçu. Só faltou alguém dançando mambo em Copacabana para completar o equívoco.
A outra porcaria é A Megera Domada, peça montada pelo grupo Ornitorrinco, com direção do mais que picareta do Cacá Rosset equem faz a Megera é a mais canastra de todas:a Chistiane Tricerri. A última peça deles, O marido vai a caça, já era uma dica que esse grupo deveria ser exilado para os Cafundós do Judas, mas infelizmente não foi! E ainda, fizeram um conchavo com políticos e conseguiram arrancar do Governo do Estado uma grana alta para fazer uma produção impressionante e ruim.
Era tudo com cara de caro, mas de gosto duvidoso. O figurino beirando o patético e o cenário quase parecendo que não deu tempo de fazer melhor, então usaram aquele mesmo. Ficou péssimo. Bem, na verdade tinha o desenho do Angeli na abertura que era maravilhoso, mas era a única coisa visualmente boa. O resto era medonho. O figurinista era o José de Anchieta, vou ficar de olho nele para ver se ele é ruim mesmo ou se foi só um erro no currículo.
Nem tudo era ruim, teve uma moça, Chiris Gomes, que cantou muito bem e um anão, Ronaldinho Malachias, muito engraçado. E não posso de deixar de elogiar o Eduardo Silva que salvou várias cenas da peça. Os outros atores...coitados! Deviam estar precisando muito de dinheiro para aceitar um trabalho ruim desses.
A noite de estréia foi uma festa política. Estava lá o Governador acenando para todo mundo e sendo mencionado pelo Cacá mais de 1 vez.
Tudo isso com apoio do dinheiro da Nossa Caixa – ou seja: dinheiro público patrocinando teatro ruim. No programa da peça tinha agradecimento para o ex-presidente Fernando Henrique. Era praticamente um encontro do PSDB.
Se eu fosse você não perderia meu tempo vendo nenhuma das duas melecas.
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