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Só dia 2

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volto dia 2 de janeiro

Escrito por Duilio Ferronato às 13h50

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Conversa com Ângelo

Conversa com Ângelo

 

Ângelo – hoje tá bom para fotografar aqui.

 

DF – é, bem vazio é mais fácil.

 

Ângelo – você tinha que ver isso aqui antes de ontem !

 

DF – eu vi na televisão, estava parecendo um mar de gente. Você trabalhou aqui todos os dias ?

 

Ângelo  direto! nem 1 dia de folga. Só no ano novo que vou tirar uns dias para ir para praia com a molecada.

 

DF – foi muito puxado o mês de dezembro ?

 

Ângelo – você nem diz ! a gente trabalhou mais de 10 horas por dia sem sentar.

 

DF – mas como assim ? não podia sentar ?

 

Ângelo – nem dava ! era gente de tudo quanto era lado e eu tinha que ficar de olho em tudo .

 

DF – você é segurança só desta esquina ou das lojas também ?

 

Ângelo – isso de hoje é só um bico. Na verdade sou segurança daquela loja ali. E aos domingos e feriados cubro folga dos colegas.

 

DF – como é isso, você trabalha numa empresa de segurança ?

 

Ângelo – empresa...mesmo, não é ! É uma organização. Os “cabeças” passam nas lojas arrecadando o dinheiro e pagam a gente por mês. Nunca atrasam, mas não tem registro, nem beneficio. Apesar de que neste ano não posso reclamar. A dona da loja, deu cesta de natal, pagou uma festa no Bovinus e com bebida e tudo.

 

DF  é bom ganhar umas cestas para animar. Os cabeças que você disse são os chefes ? Os seguranças mais antigos ?

 

Ângelo – dizem que são todos militares, tem até um delegado. Eu não conheço muito, estou nisso só há 6 meses.

 

DF – deve ser um bico para eles também. E facilita o contato com a Polícia.

 

Ângelo – é. Quando acontece alguma coisa na nossa área, é só passar um Nextel – que a viatura chega em menos de 5 minutos. Mas é só nas áreas protegidas, nas que não pagam proteção demora mais.

 

DF – parece meio mafioso.

 

Ângelo – não é bem assim. É que nem qualquer serviço: se você dá caixinha você recebe atendimento preferencial.

 

DF – e a polícia é assim também ?

 

Ângelo – quer dizer...não sei direito. Mas eles chegam rapidinho. É só chamar.

 

DF – e os camelôs ? eles dão muito trabalho ?

 

Ângelo – a gente tenta fazer eles ficarem longe da porta das lojas, mas alguns são cara dura e enfrentam a gente.

 

DF – e o Rapa, não leva todos embora ?

 

Ângelo – leva... só os que não dão caixinha.

 

DF – ah ! vai me dizer que o Rapa também recebe caixinha de camelô ?

 

Ângelo – ehhhh ! você acha que os funcionários do Rapa não têm família na rua ? fica só vendo. Eles têm um rádio que avisa os parceiros que estão chegando. Assim só dançam os patos. Os que não fazem parte da turma. Você já viu que às vezes eles chegam e prendem só uns e deixam os outros ?

 

DF – eu vejo que eles chegam, as pessoas correm e depois voltam em seguida.

 

Ângelo – eles correm, mas ficam por perto. Já é tudo combinado. Só dançam os que não sabem. Outro dia deu dó. Uma senhora com uma sacola, eles levaram tudo. Ela chorava e dizia que era tudo que ela tinha na vida. Mesmo assim eles levaram. Os camelôs organizados eles não levam.

 

DF – camelô ganha bem ?

 

Ângelo – tem um aqui na ladeira que tem um Eco Esporte novinho. Ele chega às 5 da manhã e até as 3 já fez mais de 300. Até o fim do dia já fez mais de 500.

 

DF – isso por dia ? todos os dias ?

 

Ângelo – é ! tem uns aqui que fazem mais 8 mil por mês.

 

DF – você já tentou ser camelô ?

 

Ângelo – já, mas não é vida pra mim. Tem que fazer cada coisa para viver... que eu não nasci pra isso. Prefiro ter um emprego mais seguro.

 

DF – mas ser segurança sem registro é seguro ?

 

Ângelo – esse serviço de segurança é só um bico. Estou procurando outro. Já falei com a dona da loja e quero começar a ser ajudante de vendas e depois vendedor. Mas com registro. Agora com filho tenho que ter registro, senão é embaçado.

 

DF – quantos filhos você tem ?

 

Ângelo – 2 ! um casal. Uma de 5 e um de 3 .

 

DF – mas você é bem novo, não ?

 

Ângelo – tenho 23.

 

DF – vai ter mais filho ?

 

Ângelo – não ! com essa mulher, não ! chega !

 

DF – chega por causa dela ou porque é muito mesmo ?

 

Ângelo – criar filho é embaçado. Tudo que eu ganho tenho que dar para os moleques. Não sobra nada. É embaçado.

 

DF – é embaçado mesmo. E tem muitos roubos por aqui ?

 

Ângelo – tem muito ladrão cortador .

 

DF – o que é isso ?

 

Ângelo – aqueles que passam com uma tesoura, cortam a bolsa da mulher e levam tudo. Assalto não tem. Só têm os cortadores mesmo.

 

DF – eu já vi umas mulheres chorando porque tiveram a bolsa cortada. Dá dó de ver gente ser roubada.

 

Ângelo – quando a gente pega um desses, encaminha para o DP mais próximo, mas no dia seguinte eles já estão de volta.

 

DF – não ficam presos ? Saem no mesmo dia ?

 

Ângelo – levam uns tapas e voltam. Aí, ficam sem vergonha. Só ficam presos mesmo se roubarem as lojas. Se, só  roubar bolsa saem no mesmo dia.

 

DF – Você só está me contando coisa ruim. Assim eu fico sem esperança.

 

Ângelo – não cabe todo mundo preso. Não tem lugar. Então, eles ficam lá descansando um dia. Tomam um choque se não respeitarem o delegado e depois voltam.

 

DF – me conta uma coisa boa .

 

Ângelo – a boa é que eu vou para praia no domingo.

Escrito por Duilio Ferronato às 17h59

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Passeio pela 25 de março

Passeio pela 25 de março

 

 

Para quem viu na televisão as imagens da região nesses dias antes do natal, nem vai acreditar o sossego que aquilo virou hoje.

 

 ruas vazias e lojas fechadas

 

 uma chuvinha chata

 

 os varredores estavam bem tranquilos

 

 só o papai noel - que continuava pendurado

 

 só que agora, ele não usa mais trenó

 

 promoção imperdível, pena que a loja estava fechada !

 

 aviso importante

 

 eu perdi esta também !

 

 até Ele mandou recado

 

 era o único camelô ! Não deve ter vendido muito.

 

 

 

 

Escrito por Duilio Ferronato às 17h42

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Árvore de natal reciclada

Árvore de natal reciclada

A Caixa Econômica Federal e a prefeitura de São Paulo, instalaram algumas árvores de natal com lixo que deveria ser reciclado.

 

Ficou bonito e  educativo.

 

 

 

 muito colorido, de longe parecia uma pintura

Escrito por Duilio Ferronato às 16h08

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Cabeça de pobre

Cabeça de pobre

Parece que tudo ficou mais tranqüilo.  Para onde foi todo mundo ? A cidade está meio vazia e nem tem trânsito.

 

Aproveitei e joguei na mega sena, não tinha fila na lotérica. Quem sabe começo o ano novo com 9 milhões na minha conta. Está acumulado.

 

Pode ser um pouco menos...afinal nem sei direito o quê fazer com tanto dinheiro... Ai, que cabeça de pobre que eu tenho, deve ser por isso que não fico rico. Sou daqueles que acha que 9 milhões é muito dinheiro. Isso só pode ser doença de pobre. Os ricos acham que pouco dinheiro é 100 milhões, e eu fico achando 9 muito.

 

Outro dia vi um anúncio de apartamento por 3 milhões.  Logo já me veio a pergunta: Quanto custa o condomínio desse apartamento ? Viu como eu tenho cabeça de pobre ? Fico pensando em valor do condomínio...é a mesma coisa que comprar um carro e ficar pensando no valor do IPVA ou do seguro. Só pode ser coisa de cabeça de pobre.

 

Vou tentar começar o ano com cabeça de rico. Quem sabe no próximo ano ganho  mais dinheiro e vai até sobrar .

 

Sobrar dinheiro é um sonho difícil. Nunca sobrou por estas bandas, fico feliz quando dá certinho para pagar o cartão de crédito e a conta não fica negativa. Mas sobrar, mesmo, nunca sobrou !

Escrito por Duilio Ferronato às 11h08

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Gente que voltou

Gente que voltou

No final do ano, muitos que foram morar no exterior ou em outras cidades voltam para visitar suas famílias.

 

E, sem esperar, você acaba encontrando algumas pessoas que não via há anos. Estão mudados, uns para melhor outros para tão pior que nem dá para reconhecer.

 

Outros são daquele grupo que você já tinha esquecido e nem lembra o nome direito, mas reconhece como alguém que fez parte da sua vida em algum momento.

 

E amigos de escola , lá da infância, também aparecem. Não porque foram morar longe, às vezes moram até bem perto, mas você nunca vê.  Esses são mais difíceis de esquecer, as coisas da infância têm um poder de grudar forte na pele e não deixam esquecer.

 

Mas os piores são aqueles que você tinha dado graças a Deus por eles terem sumido. E acabam aparecendo sem aviso. Aparecem numa festa, na rua ou numa loja.

 

Só que, como não sou muito saudosista e não alimento essas relações antigas, acabo deixando lá onde estão, não vou procurar. Nem as coisas boas e nem as ruins.

 

Então sendo assim, acabo esquecendo porque não gostava de certas pessoas também. Devia ser por alguma coisa que era importante lá naquela época, agora não é mais. E se é assim, não faz mais sentido não gostar ou ter birra de alguém que não vejo há mais de 5 anos.

 

Agora, só falta lembrar se fui eu que quis brigar com a pessoa ou se foi ela quem não quis mais falar comigo. De qualquer forma, acho que vou manter distância dessas velhas recordações e deixar a nostalgia para depois dos 70, agora tenho mais o quê fazer.

Escrito por Duilio Ferronato às 15h21

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Lugar certo das coisas

Lugar certo das coisas

Escrito por Duilio Ferronato às 13h31

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Os preços vão cair

Os preços vão cair

Sempre que anunciam uma nova medida ou nova tecnologia, vem em destaque que a expectativa é que os preços caiam.

 

Agora com esses leilões do novo sistema 3G, já li que os preços das ligações vão cair. Acho que vou ficar esperando sentado, porque essa história de preço cair não me convence mais.

 

Falaram isso quando entraram outras operadoras de celular, quando privatizaram a eletricidade, quando privatizaram as estradas ( ops, esse acho que não) Falando em privatização das estradas, eu tinha ouvido que o IPVA dos carros iria cair porque o governo iria gastar menos com a manutenção das estradas. Então não haveria sentido em manter o IPVA (Imposto Único Veículos Automotivos). Só fica mais barato quando o carro fica mais velho.

 

Algumas coisas até ficaram mesmo mais barato : os eletrodomésticos, os computadores, passagem de avião... são muitas coisas, comparadas com os anos 80, quando vivíamos na idade das pedras e não sabíamos.

 

Bem, vou ficar torcendo para que minha conta de celular caia e da TV a cabo também. Sem eu ter que usar menos. 

 

E já que os preços vão cair, dá para cair também os valores das tarifas bancárias ?

Escrito por Duilio Ferronato às 12h33

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GOTAS DE FLOR

GOTAS DE FLOR

A ONG Gotas de Flor com Amor  atende 230 crianças e adolescentes. Vindos de áreas de risco.

 

A ong começou com um trabalho voluntário de sua fundadora Denise Robles, que é terapeuta floral. Ela atendia crianças em faróis da av. 9 de Julho e com o tempo passou a atender jovens da região do Brooklin.

 

Na Ong as crianças têm aulas, oficinas, atividades, refeições, acesso a uma biblioteca e internet.

 

Eles estão muito preocupados em desenvolver nas crianças um senso de cidadania e valores humanos. Nas aulas não se trata de acompanhamento escolar, mas sim, uma área de discussão para tentar ampliar o universo de cada criança. Assim elas conseguem levar essa nova expectativa de vida para suas casas, tornando-se multiplicadoras.

 

A Denise contou uma história muito boa : “um pai de uma das crianças, catador de papel, passou na ONG e disse que a filha, de 6 anos, tinha melhorado muito depois de freqüentar o Gotas de Flor. Antes ela não gostava de tomar banho, e agora queria tomar banho todos os dias e ainda queria que todos da casa também tomassem banho todos os dias”.

 

As crianças são capazes de mudar o universo de entendimento dos pais, por pior que as condições sejam, ela consegue abrir novos caminhos. Basta que alguém mostre que as coisas podem ser melhores.

 

Como todas as ONGs sérias, o Gotas de Flor, também é totalmente contra dar esmolas e ajudar pessoas nas ruas sem um direcionamento. Dar comida ou comprar coisas no farol não incentiva as pessoas a irem procurar um programa sócio educativo.

 

Você pode se tornar padrinho de uma criança, amigo da ONG ou voluntário. Eles têm um custo de  R$ 110.000,00  / mês para manter a estrutura, que é todo mantido com ajuda dos padrinhos e amigos.  Ligue para eles : 5049-2274 ou robles@uol.com.br    http://www.gotasdeflor.org.br/

 

 

 presentes de natal dos padrinhos

 

 eles estava esperando o dele

 

 briquedoteca

 

 você pode doar brinquedos

 

 algumas das crianças moram aqui

 

 elas têm uma oficina de papel reciclado

 

 a biblioteca é super organizada, você pode mandar livros e revistas para eles

 

 os funcionários da D'altomare Química doaram 1 tonelada de alimentos http://www.gotasdeflor.org.br/

 

 o ônibus biblioteca foi conseguido com ajuda do Instituto C&A http://www.institutocea.org.br

 

Você pode ser padrinho de uma criança, amigo da ONG ou voluntário. Eles têm um custo de  R$ 110.000,00  / mês para manter a estrutura, que é todo mantido com ajuda dos padrinhos e amigos.  Ligue para eles : 5049-2274 ou robles@uol.com.br    http://www.gotasdeflor.org.br/ 

Escrito por Duilio Ferronato às 10h49

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Quero sair daqui

Quero sair daqui

Esse tal  espírito natalino é mesmo engraçado.

 

É só dar uma voltinha pela cidade que dá para sentir os olhares de raiva de todos os lados. As pessoas estressadas com as compras de natal, com o trânsito, com as férias das crianças e com a multidão nas ruas.

 

O metrô fica lotado o dia inteiro. Até o mês passado era quase bom andar de metrô à tarde, meio vazio, tinha lugar para sentar e as pessoas nunca pareciam ter muito pressa. Em dezembro a coisa muda totalmente. Fica lotado o tempo todo, as pessoas estão num empurra-empurra maluco.

 

Sair de carro só mesmo em último caso, para andar 3 quadras leva quase meia hora. E ainda vai ter que ouvir alguém buzinando. A buzina parece uma arma dos estressados. Estão sempre com a mão enfiada nela. E não é só uma buzinadinha, é uma buzinadona, bem forte e funda, daquelas que dá para sentir o ódio da pessoa vindo pelo som da buzina sem fim. Parece até um golpe de machado na cabeça do inimigo.

 

Mas o ódio do espírito natalino mora mais forte nos shoppings e supermercados. Os shoppings eu não passo nem na frente em dezembro e o supermercado só de madrugada. Aliás, essa inovação, dos supermercados ficarem abertos 24 horas, é uma maravilha para quem quer evitar os horários familiares. Nunca tem criança nem casal chato de madrugada.

 

Tomara que esse “espírito natalino” passe logo.

Escrito por Duilio Ferronato às 14h25

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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