Blog do Duilio
 

CONTROLE DE ARMAS

CONTROLE DE ARMAS

Até agora ainda não consigo acreditar que naquele plebiscito sobre armas acabou ganhando a versão reacionária.

Mas parece que vai sempre ganhar uma versão reacionária quando for feito sem uma preparação. Os medrosos, reacionários e lobistas sempre conseguirão convencer a maioria da população a ficar amedrontada.

Bem, já que os lobistas das armas ganharam. Uma opção para caminhar para o desarmamento é o Tratado Internacional de Controle de Armas.

é uma foto projetada na água

Um grupo de pessoas fazia uma projeção bem bonita no chafariz do Parque do Ibirapuera. E quando os carros passavam buzinando, eles trocavam de lado as placas.

No site dá para fazer uma assinatura de apoio ao Tratado, enviando uma foto, eu já enviei a minha. www.soudapaz.org/controlarms

http://www.soudapaz.org/controlarms/formulario.htm

 

Escrito por Duilio Ferronato às 22h45

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OS BANDIDOS

OS BANDIDOS

Zé Celso sempre foi um daqueles heróis contraditórios.  Paulo Francis disse que pessoas inteligentes são contraditórias e as burras são sempre muito
fieis a uma doutrina.
Ao mesmo tempo em que Zé Celso condena políticos por escolherem seus aliados por razões obscuras ele também escolhe alguns de seus atores por razões sexuais.

Em peças passadas alguns atores canastrões eram colocados em personagens de destaque por puro interesse sexual.
Mas graças a Deus, agora ele parece não estar interessado em ninguém e resolveu deixar os grandes atores brilharem.

No ensaio de Os Bandidos, que irá estrear na Alemanha na próxima semana, ficou evidente o brilho dos grandes atores e os atores que só têm a beleza a oferecer ficaram com menos destaque.

Se Zé Celso não fosse diretor de teatro certamente seria alguém ligado às artes visuais. Seus espetáculos têm sempre um visual muito bem cuidado, o cenário, a luz, o figurino e a própria encenação são sempre deslumbrantes de se ver.

 Teatro Oficina é um dos lugares mais interessantes da cidade

Osvaldo Gabrieli, diretor de arte, fez um trabalho maravilhoso. E faz figuração lidamente.

cena de tirar o folego

  quando Ricardo abre a boca emociona

Silvia, mulher bacana mesmo

Aury, é daqueles amigos que dá orgulho de ter

a direção de arte parece que faz tudo centímetro por centímetro

tratam de aborto de uma forma clara

 fico em dúvida sobre o talento desse moço, mas ele é esforçado

  uma experiência para o público

Dipa,bom ator e sempre uma boa performance

 

Escrito por Duilio Ferronato às 12h09

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SPFW A MISSÃO

SPFW A MISSÃO

Primeiro dia de desfiles, tomei coragem e fui

 o prédio é lindo

 a área das redes é a mais bacana

 tem um mictório com uma vista linda

 o Lounge da Natura cuidou bem dos recepcionistas

 um outro lounge contratou uma baranga e ainda colocou um vestido horroroso nela

 as entradas das salas de desfiles são super animadas

os fotógrafos parecem um bando de pedreiros na porta de uma obra, ficam gritando e fazendo gracinhas. Dá até uma vergonhinha saber que o fotógrafo da Folha está lá entre os selvagens

o desfile do Alexandre, quem entende disse que estava bom. Eu não consigo gostar

 

Irei todos os dias. Se sobreviver.

Escrito por Duilio Ferronato às 01h08

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PLACAS INVISÍVEIS

PLACAS INVISÍVEIS


Em quase todas cidades grandes do mundo você encontra umas plaquinhas, mais oi menos assim : deixe quem está com pressa passar, ou deixe um lado livre para circulação expressa.
No metrô de Londres, como lembrou meu amigo Jorge Morábito, os ingleses olham feio se você fica do lado esquerdo da escada rolante.

Aqui parece que as pessoas ainda não entenderam o que significa deixar a esquerda livre. Aquela coisa dos bancos cinza para idosos, grávidas ...parece que funcionou bem. Quase todo mundo respeita.

Agora a plaquinha parece que nem os próprios funcionários sabem o que significa. Fotografei uma moça da limpeza do metrô de São Paulo do lado esquerdo e outro dia vi 2 seguranças do metrô bloqueando o lado esquerdo.

Será que adianta colocar placas se não explicam para que servem ? Parece que as pessoas só entendem as placas depois de uma campanha. Eu mesmo, passo por algumas placas e nunca leio. Outro dia fui à loteria e tinha uma placa bem grande dizendo “fila única” e eu só percebi quando a moça ao lado chamou minha atenção.  Que vergonha!

Deve ser o excesso de informação que faz as pessoas não lerem as plaquinhas.

Escrito por Duilio Ferronato às 09h12

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SIMPATIA PARA ARRUMAR MARIDO RICO

SIMPATIA PARA ARRUMAR MARIDO RICO

Santo Antonio

Hoje é dia de namorar, mas para você que ainda não arranjou nada, tá encalacrado, tá feio, tá caído... não adianta reclamar, tem que fazer alguma coisa para melhorar. O príncipe encantado não vai bater à sua porta. Então é o seguinte :
- cuide do corpinho, porque ele é sempre a primeira coisa que os outros notam,
- use roupas bacanas, porque o que você veste mostra um pouco do que você pensa,
- leia bastante para ter assunto,
- evite dizer tudo que você odeia nos primeiros 6 anos de relacionamento,
- só reclame 1 vez por mês,
- elogie 2 vezes por dia,
- releve os probleminhas...
E pronto você já está apto a casar ou arranjar um amor quase eterno.


Agora se nada disso funcionar eu copiei umas simpatias num site para tentar ajudar :

abrir  caminho  para  o  amor
Pegue um copo novo, que nunca tenha sido usado, e encha com água e uma pitada de sal. Coloque uma rosa branca dentro. Quando essa rosa estiver murcha, você deve tomar banho com a água. A simpatia deve ser feita no terceiro dia depois da Lua Nova, de preferência no mês de junho, o mês dos namorados.

arrumar  bom  marido
Quando ouvir tocar o sino de qualquer igreja, vá até lá, entre e faça um pedido a Santo Antônio, o santo casamenteiro, para que lhe arrume um bom marido. Quando tiver seu desejo atendido, retornar à igreja para agradecer o pedido atendido.

arrumar  marido  rico
Para arrumar um marido rico, você vai ter que comprar uma imagem pequena de Santo Antônio, para pendurar numa correntinha ou guardar no bolso. Ao fazer a compra, deve dizer a seguinte frase: "Não quero Santo Antônio grande dentro dos meus oratórios. Quero o meu pequenino, que ouça meus pedidos.”


E para você que tem a mesma sorte que eu de estar bem casado, o Luís Fernando Scutari (que é professor de música)mandou uma seleção de músicas para colocar hoje na hora do encontro

Trilha sonora dos Amores
            
     
Para amores eternos : FUTUROS AMANTES - Chico Buarque no  cd PARATODOS

Para amores acabados(mas nem tanto) :CHEGA - Mart'nália no cd  PÉ DO MEU SAMBA

Para amores entre meninos  : RUBENS - Cássia Eller no cd Cássia Eller (1990)

Para amores de 1 dia : FOLHETIM - Gal Costa no cd ÁGUA VIVA

Para amores saudáveis : MAIS FELIZ - Bebel Gilberto no cd TANTO TEMPO

Para amores entre mulheres : MAR E LUA - Maria Bethânia no cd AO VIVO (1995)

Para amores orientais : DEITADO NUM GIRASSOL - Dan Nakagawa no cd O PRIMEIRO CÍRCULO

Para amores verdadeiros : NÃO ME ARREPENDO - Caetano Veloso no cd CÊ

Para amoresdesencontrados : 2 PERDIDOS - Arnaldo Antunes no cd QUALQUER

Para amores doloridos : DEIXE ESTAR - Marina Lima no cd PIERROT DO BRASIL

Para amores tesudos : MANIA DE VOCÊ - Rita Lee no cd  RITA LEE(1979)

Para amores insubstituíves : OS OUTROS - Kid Abelha no cd ACÚSTICO MTV

Para amores insatisfeitos : VOCÊ VAI ME DESTRUIR - Vanessa da Mata no cd SIM

Para amores ausentes : FEZ-SE MAR - Los Hermanos no cd 4
 
Para amores incrédulos : IMPOSSÍVEL ACREDITAR QUE PERDI VOCÊ - Toni Platão no cdNEGRO AMOR

Para amores vingativos : LÁGRIMA -Maria Bethânia no cd MAR DE SOPHIA

Para amores esperançosos : VAMBORA - Adriana Calconhotto no cd MARITMO

Para amores divididos : O MEU AMOR - Alcione e Marieta Severo no cd CHICO BUARQUE(1978)

Para amores surpresos : NÃO TEM SOLUÇÃO -Nana Caymmi no cd QUEM INVENTOU O AMOR

Obs – se você for dessas pessoas que dão coraçãozinho ou bichinhos de pelúcia no dia dos namorados, por favor nunca me dê nenhum presente.

Escrito por Duilio Ferronato às 10h37

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RESSACA

RESSACA

COMO É QUE CONSEGUEM CONTAR TANTA GENTE ? DIZEM QUE ERAM MAIS DE 3,5 MILHÕES. EU NEM SEI CONTAR ATÉ TUDO ISSO, MAS QUE TINHA MUITA GENTE ISSO TINHA. 

 1 por 5 e 2 por 8. Na segunda garrafa todo mundo ficava bonito - bebi tanto que até esqueci o caminho de casa.

 foi sacanagem, escolheram os mais gostosos para cuidar das bichas.

um programa familiar

  até a mãe da Sasha foi

 elvis não morreu

 2 fofinhos de mãos dadas

dizem que a Salete pega todos esses bofes

é um homem sério, quando não está em más companhias

deixa o pai dele saber

ele garantiu que desta vez acerta Brasília

só tinha gente bonita

tava cheio de bonitinhos nesse carro

até os ricos empresários cairam no vinho

 já pensou ?

o puteiro estava aberto, mas ninguém entrou

corpinho de miss

 

 

Escrito por Duilio Ferronato às 09h50

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COMIDA DA MODA

COMIDA DA MODA

Nesta semana começa o SPFW, então aí vai uma receitinha para você colocar seu corpinho em dia. Assim se você for louco suficiente para comprar algum dos modelinhos que as bichas lançam nas passarelas; não terá que pedir um número extra-grande.

Eles nem devem fazer números grandes, já que as modelos são número infantil.


Salada para dias quentes de um veranico que deve chegar nesse inverno ainda!


Quem mandou essa receita foi a Bárbara Oliveira, que é jornalista e resolveu morar em Floripa, fica vendo o mar todos os dias e ainda tem tempinho para escrever um blog
http://baoliveira.blogspot.com/
 
Folhas (alface americana, rúcula, radichio)
pepino japonês cortado bem fininho
rabanete cortado bem fininho (opcional, tem gente que não gosta)
pedacinhos de damasco
queijo parmesão cortado em fatias finas sobre tudo (queijo gorgonzola tbém fica muito bom)
 
molho (para 4 pessoas):
alho cortado bem miúdo (não é para ralar)
uma colher de sobremesa rasa de mostarda de grãos (do tipo L'Ancienne de Dijon, etc.)
acrescente azeite de oliva e mistura bem (para ficar mais líquido). Pode usar bastante
uma colher de chá de água
um pouco de azeite balsâmico
uma colherinha de mel
mexe bem


Agora se seu corpinho estiver todo certinho ou você já entregou a Deus...então cai matando no chocolate com leite condensado que o Robert Estevão mandou. (ele vai trabalhar todos os dias na SPFW, tadinho, vai ter que comer muito doce e beber muita champagne para agüentar aquilo tudo)


Fudge cremoso de chocolate para acompanhar o champagne

Ingredientes:

500 gramas de chocolate amargo picado,
1 lata de leite condensado,
50 gramas de nozes sem casca trituradas,
50 gramas de uva passa preta sem caroço

Modo de fazer:

Colocar o chocolate e o leite condensado juntos em uma tigela refratária em uma panela com água fervente; mexer até que o chocolate tenha se derretido completamente no leite condensado; desligar o fogo; acrescentar as nozes e as uvas-passas e misturá-las ao chocolate derretido; coloque numa forma de silicone; deixe esfriar e refrigere por no mínimo 2 horas; desenformar e corte em pequenos cubos de cerca de 2 centímetros; está pronto; luxo!

Escrito por Duilio Ferronato às 08h47

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Cozinheiro das Almas

Cozinheiro das Almas


Às vezes fico imaginando como deve ser escrever um roteiro de filme, uma novela, uma peça de teatro...talvez eu tente uma hora dessas... mas realmente gostaria de conseguir atingir o que a Nina Crintz conseguiu com a dramaturgia de O Perfeito Cozinheiro das Almas deste Mundo.

Ela partiu do diário de um grupo de amigos em volta de uma garota. A musa que enfeitiçava a todos também abriria portas para a emancipação da mulher do começo do século passado. Parecem ser várias histórias, podendo também ser apenas uma...

Os atores são lindíssimos, até confundem a platéia com suas belezas estonteantes. O cenário, além de tragar a todos, é um dos mais impressionantes desde ano.

Uma peça que não dá para perder.

 

Está em cartaz no SESC av. Paulista.
 

Escrito por Duilio Ferronato às 14h02

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PROJETO PROTEGE

PROJETO PROTEGE

 

Uma das funções do São Paulo Protege , da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de São Paulo, é tentar levar moradores de rua para abrigos e albergues.

Os  Agentes Sociais saem todas as noites para tentar ganhar a confiança e alguma cumplicidade dos moradores. Para que eles sejam encaminhados para abrigos e albergues.

Muitos moradores resistem a ir para os albergues; muitas vezes por algum distúrbio, vício, medos ou traumas.  Os agentes  (alguns são ex-moradores de rua)  fazem uma abordagem amigável e transparente.  A negociação com o morador pode ser através de uma oferta de: cama quente, banho, refeição ou até ajuda para regularizar a documentação. Muitos estão sem nenhum tipo de documento.

Seu João, 73 anos, carroceiro, já foi casado, ficou viúvo, casou outra vez mas a mulher se enrabichou com um caminhoneiro. Ele agora tem uma mulher de 35 anos e volta para casa - que fica muito depois de não sei onde - aos sábados. Ele passa a semana toda no bairro do Bom Retiro, onde os comerciantes dão comida e roupa. Ele não quer ir para o albergue porque a sua carroça é como se fosse sua casa.

O Marcio, 30 anos, já trabalhou de faxineiro, catador de latinha e agora tem vivido de ajuda das pessoas, mas não gosta disso. Tem vergonha. A mãe foi operada e agora mora num asilo, a irmã tem 2 filhos mas o cunhado, que é um cara bom, não quer que ele more lá com eles. Ele tem todos os documentos e procura emprego. Aceitou ir para o Albergue. Tomou banho, comeu e no dia seguinte irá conversar com a assistente social.

Seu António, visivelmente alcoolizado, já conhece todo mundo, mas não volta para o albergue sozinho. Tem que ser levado todas as noites. Muito alegre e não dá para entender muito bem o que ele fala. Deve ter mais de 60 anos, bem sofridos.

 

Danilo, 19 anos, desde os 13 na rua. Já trabalhou de “vários bicos”. Diz não usar drogas, mas fica junto com os “noias” para ficar seguro. Tem medo de dormir na rua porque algumas pessoas queimam moradores de rua. Ele já conheceu alguns que morreram queimados ou que levaram paulada na cabeça. Tem saudade da mãe, do irmão e das 6 irmãs, mas o pai não quer ele em casa. E a mãe bebe muito, já deu uma facada no braço dele quando ele era criança.

Os Agentes Sociais fazem um trabalho emocionante. Yara, uma das agentes aborda os moradores de rua como se estivesse falando com um velho amigo. Uma mulher firme e inteligente, fala manso, vai levando o morador na conversa e criando uma intimidade.

O Orientador Sócio Educativo trabalha dentro de um albergue, cuida durante a noite dos abrigados. Ajuda na alimentação, banho, guarda os pertences e cadastro.

 Incentiva o morador a criar um vínculo com o albergue. Para que volte sempre e desenvolva atividades lá dentro.

A Assistente Social, trabalha no abrigo e estimula o morador de rua a ter um projeto de vida. Cada um com seu projeto próprio. Eles conversam, escutam e propõem caminhos.

Alguns moradores de rua só precisaram de um empurrão para voltar ao convívio social e ao trabalho. E com esse apoio eles vão sendo estimulados a criar uma autonomia de vida, para não gerar dependência com o Estado.

 tem jeito.

Escrito por Duilio Ferronato às 15h35

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NA RECEPÇÃO

NA RECEPÇÃO

 

Sala de espera é um lugar chato, principalmente quando as revistas são velhas ou tem uma televisão ligada.
Mas às vezes prestar atenção nas conversas das recepcionistas é um passatempo engraçado.


A recepcionista falando com a secretária
- Ele veio com um papo de que transar por transar não era traição
- Então fala para ele que você transou com o melhor amigo dele para ver o que ele diz.
- Menina, acho que ele mata eu e o amigo.
- Homem fala assim só quando não é com a namorada dele.

Outra falando com a cliente
- Era homem ?
- Homem de verdade não. Mas era gente boa.
- Eu também não tenho nada contra, mas alguns são muito afetados.
- Meu cabeleireiro também é. Mas eu gosto dele.
- Alguns têm mais rivalidade que mulher.
- Meu noivo diz que é inveja da xoxota.

Cliente dedo duro
- Aquela sua funcionária é péssima
- Coitada, ela é tão boazinha
- Me fez esperar 20 minutos
- Vai ver estava ocupada
- Ocupada falando com o namorado no celular.

Prazo
- Dia 19 fica pronto
- Demora né ?
- Uma pouco, mas o senhor liga 1 dia antes para confirmar.
- Ainda tem que ligar ?
- É, porque às vezes atrasa.

Estudante falando com recepcionista de 1 clínica
- Eu posso entrevistar 1 médico ?
- É trabalho escolar ?
- É.
- Quais as perguntas ?
- Eu queria saber sobre hepatite.
- Essa eu sei. Tem 3 tipos.
- Não, eu queria saber se a origem é latim ou grego.
- Ah, isso é só com o médico mesmo.

A cliente curiosa
- O Dr. Felipe é casado ?
- É sim, com uma dentista
- Assim fica mais fácil né ? Médico com dentista
- Mas parece que eles nunca se encontram
- Trabalham em horários diferentes ?
- É. Ela sempre liga aqui para saber o que ele fez de janta.

Recepcionista para 1 médica
- Dra, seu paciente das 17 desmarcou
- Ele sempre desmarca assim
- Posso colocar 1 encaixe ?
- É particular ou convênio ?
- Convênio.
- Marca para amanhã então.

2 faxineiras reclamando da recepcionista
- Eu olhei bem para a cara dela
- E ela falou o que ?
- Falsa do jeito que ela é ? não falou nada
- Mas é só a gente virar as costas que ela já vai falar mal de nós para os médicos.

As recepcionistas
- Voltei 8 dias antes
- Credo perdeu 1 semana das férias ?
- Eu ia ficar fazendo o que em casa ?
- Por que não viajou ?
- Com que dinheiro ?
- Você não recebeu o dinheiro das férias ?
- Foi tudo para pagar dívida

Insistente
- Eu tô errada ?
- Não
- Tô errada gente ?
- Claro que não
- Mas fala verdade : tô errada ?
- Você está certa.
- Eu tinha certeza que eu estava certa.

Desconfiada
- É só levar o holerite
- Só isso ?
- Tem que levar o Rg, cpf e residência
- Eu morro de medo de dar meu endereço
- Por quê ?
- Vai que algum ladrão roube a lista de clientes
- Se roubar, vão saber que você é pobre
- Mas vão saber também que eu tenho uma Tv plana.

minha amiga Teresa Berlinck ilustra as conversinhas todas às terças. Ela também escreve um blog sobre artes plásticas www.cozinhacultural.blogspot.com

Escrito por Duilio Ferronato às 22h50

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A filhinha inocente do político

A filhinha inocente do político

ISSO DÁ UM LUCRO DANADO.

 


No site http://www.comunique-se.com.br fizeram um levantamento de quanto ganha um jornalista em todo Brasil.
Levando em conta as médias de salário dos jornalistas em Brasília cheguei a conclusão de que ter filho  com um político vale muito mais a pena.

Uma moça jornalista se deu muito bem. Teve um filho com um político envolvido com empreiteiras. 

Ele é um senhor de vida estável, suas fazendas “dão muito lucro”, ele tem amigos que entregam o dinheiro vivo, assim ela nem precisa pagar CPMF, ele aluga um apartamento bacana e paga a pensão direitinho.

Se ela precisa se preocupar com o futuro ? Que nada ! Onde já se viu político se dar mal por aqui ? Isso nunca, não vão conseguir pegar o moço de jeito nenhum, já estão até falando que inventaram tudo isso.

Todo mundo sabe que fazenda de gado no nordeste dá um lucro danado. Então para que ele iria precisar de dinheiro de empreiteira ?

Mesmo que peguem, coisa quase impossível, já viu político devolver dinheiro ? Devolver para quem ? Para as empreiteiras ? Para mim nunca devolveram nada. E filho de político então ?  Levam vidas de reis.

E ela ainda pode ficar  dizendo que a filhinha dela não faz mal para ninguém. Cara de pau danada.

Eu sou otimista e  se Deus quiser, muita gente ainda vai para cadeia.

Escrito por Duilio Ferronato às 12h16

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DVD COM PIPOCA

DVD COM PIPOCA

Cinema fim de semana é uma chatice. Primeiro tem as filas sem fim, depois as pessoas que falam sem parar na hora do filme. Por que as pessoas confundem sala de cinema com a sala da casa delas ? E ainda: os restaurantes todos lotados.

Cinema é bom durante a semana, é mais barato, menos gente e as pessoas  falam menos.

As bilheteiras não ficam implicando com os falsos estudantes, com carteirinhas falsas. Agora resolveram tentar barrar as falsas carteirinhas de estudante e estão pedindo comprovante de matrícula, é claro que a cara de pau chegou ao limite e as pessoas já estão levando os mesmos comprovantes falsos que usaram para fazer a carteirinha para mostrar na bilheteria. Daqui a pouco os cinemas vão começar a pedir para ver o boletim de notas.

Alugar DVD está ficando cada vez mais caro, deve ser por isso que o mercado do pirata está tão em alta. Tem barraquinha de DVD em qualquer esquina, e tem um aqui perto de casa que está fazendo uma promoção : leve 3 DVD por R$ 20,00, assista, devolva e leve mais 3 por R$ 10,00. Sem aquelas chatices de ter que devolver em 24 horas ou 48 horas. Pode devolver depois de 1 mês que ele aceita.

Mesmo assim, o mercado de pirata é uma das pontas da criminalidade e não vale a pena ficar incentivando . Então é melhor gastar um pouquinho e ficar com a consciência limpa.

E como o dia dos namorados está chegando é bom já ir preparando umas receitas para ficar em casa vendo DVD original, com aquecedor ligado.

Minha amiga banqueteira Rita Atrib mandou uma receita. 

Pipoca Condimentada
Ingredientes:
 
½ xícara de chá de milho para pipoca
1 colher de sopa de manteiga
1 colher de café de páprica doce
1 coher de café de curry
2 colheres de chá de caldo de galinha em pó
 
Modo de preparo:
 
Coloque a margarina para derreter, junte a pipoca, mexa bem até a primeira pipoca estourar e tampe a panela. Dê umas sacudicas na panela até todo o milho estourar, sempre com a panela tampada. Apague o fogo.
Em um recipiente, misture o caldo de galinha com a páprica doce e o curry.
Polvilhe os condimentos na pipoca e misture bem.


Rendimento: 4 pessoas (dependendo da larica, 2 ou 3)

Escrito por Duilio Ferronato às 08h55

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BERLIM

BERLIM

 

O salário aqui não deixa ninguém milionário e ainda todos os meses eu tenho que brigar com o pessoal do RH ( que não prestam atenção em mim), mas essas viagens fazem esquecer qualquer chatice.

 

Em novembro estive em Berlim a  convite da Air France-KLM e do Centro de Turismo Alemão.

é uma delícia andar a pé pela cidade

 dá para comer barato.

  marcas da Guerra nas paredes.

 Memorial do Holocausto, impressionante!

 bom humor de todos os lados.

 lado oriental restaurado.

Em 1985, na primeira vez em Berlim foi muito frustrante. O portão para passar para o lado oriental não estava aberto, por causa de algum problema político. Tive que ficar 1 semana só olhando para o muro e não indo para o outro lado. Mesmo assim o lado ocidental já era muito maluco. Foi uma época de muitas baladas pesadas, eu nem sei como consegui sair de lá. Mas saí quase inteiro.

Nesta última vez a cidade já estava completamente diferente, sem o muro e muito maior. Virou uma cidade cosmopolita, cheia de coisas para fazer. Dá para ficar o dia inteiro andando; vendo as lojas, os restaurantes, museus e as pessoas.

Os berlinenses, nem todos são alemães, são muito simpáticos. A língua nem é uma grande dificuldade, muitos falam inglês e fazem um esforço para entender os estrangeiros. Sair a noite é fundamental, bares para todos os gostos, dá para visitar vários na mesma noite. E ainda tem promoções do tipo pague 2 cervejas e ganhe a terceira gratís. Alguns bares têm cervejas especiais de algumas regiões da Alemanha, eles até contam as histórinhas de cada tipo de cerveja. Não dá para entender muito porque alemão é uma lingua pra lá de difícil. Mas só de ficar escutando aquele meio inglês, meio casteliano já vale muita risada.

Viver por lá pareceu ser mais barato que em São Paulo. E com certeza bem mais tranqüila. Os apartamentos restaurados são muito confortáveis e o transporte público muito eficiente.

E neste domingo 03/06/07  a matéria será publicada na Revista da Folha. Então pedi para alguns amigos contarem suas aventuras, aqui no blog, sobre a cidade.

 as fotos são do Alexandre Campbell.

Escrito por Duilio Ferronato às 16h02

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depoimentos de amigos sobre Berlim

depoimentos de amigos sobre Berlim

Fui a Berlim para fazer uma exposição dos artistas da minha galeria no espaço de exposições da embaixada do Brasil. Tivemos que montar e desmontar a exposição três vezes porque a embaixatriz nunca ficava satisfeita com o resultado. Pedia, através de mensageiros, que se modificasse a disposição dos trabalhos. Na noite da abertura, muita pompa, discursos, coquetel e imprensa. Após a exposição fui com a curadora Tereza de Arruda a um outro vernissage. Lá encontrei um alemão que, sem saber quem eu era, disse para não ir à exposição da embaixada do Brasil porque a embaixatriz, sua amiga pessoal, havia lhe dito que a mostra não era muito boa.Tanto esforço para nada....
 
Eu estava em uma feira de arte em Berlim e fui apresentado a um rapaz de vinte e poucos anos. Começamos a conversar sobre as obras e mencionei que era brasileiro e judeu. Ele ficou surpreso e deu um grande suspiro: você é judeu?!?!!!!!
Eu pensei ter despertado nele a culpa alemã pelo holocausto. Que nada.
Ele disse:
Tenho tanto a perguntar sobre o seriado “The Nanny” (onde a protagonista é uma babá judia de Flushing, subúrbio de Nova Iorque que trabalha em uma mansão em Manhattan). Você poderia me explicar?

Eduardo Besen, amigo de baladas. É arquiteto e dono da Galeria Gravura Brasileira. www.cantogravura.com.br


Estive lá por duas vezes, a primeira , logo depois do muro deslizar (trouxe uns pedaços, que não sei onde guardar até hoje)... gostei muito, mas fui turista somente. A segunda, foi bem diferente, não trouxe nenhum pedaço de muro, mas voltei quase aos pedaços....
Julho em Berlin,  não é p/ quem quer, nem p/ quem pode, mas p/ quem merece..e certamente, mereci.
Comemorei sem qualquer planejamento prévio, meus 40 anos por lá. Não sei se existe alguma  conspiração do universo p/ que as coisas aconteçam assim...mas acordei com um café da manhã lindo, na casa e amigos, cheio de champanhe ... e logo me vi no meio da Love Parade. Não sei quem já viveu essa “parada”, e nem se ainda acontece dessa forma, mas posso garantir que foi a experiência eletrônica mais impressionante que tive a imensa alegria de me jogar.  Nas vésperas, já ficava perplexo com a quantidade de gente linda que chegava de  toda a Europa. Não tive a menor dúvida durante toda a festa, que todos aqueles milhares de sorridentes, dançavam comemorando meu aniversário, fiquei comovido. Jamais havia dançado , tanto, por tanto tempo, com tanta gente e tantos deuses D.Js em um lugar só.... e naquele parque lindo, que virou no fim da festa (22:OO em ponto) um lugar parecido com o que deve ser o limbo....
Berlin é incrível, pensava, antes, que se tivesse que viver em outro lugar, mudaria p/ N.Y. mas não tinha idéia de que N.Y. de hoje é em Berlin. Não existe nada igual em nenhuma outra cidade européia. Antes de tudo Berlin é família... e são muitas as famílias jovens ...muitos bebês e muitas bicicletas...são muitos os festejos de verão, e os parques  fazem mais sentido por lá do que em qualquer ouro lugar que conheci, um simples pic-nic, é tratado com tanta reverencia, que se torna um evento delicioso. Nada igual, havia visto, concertos de tudo que é tipo de musica, com grupos de todos os lugares do mundo, espalhados por todos os cantos... tudo isso acontece da forma mais cool que se possa imaginar... Não existe em Berlin a afetação de N.Y. existe sim uma vontade imensa de todos em mostrarem-se  gente como agente... eu acreditei.
Essa Babel de muitas línguas, nos faz esquecer de que não é  nada fácil entender ou falar qualquer coisa em alemão, ninguém parece se preocupar muito com a comunicação, mas ela acontece solta. Tenho uma teoria, de que tanto investimento por lá, em arquitetura e arte, influiu de forma positiva perpétua no caráter gentil dos que ocupam o lugar. Não sei falar muito dos traumas que a cidade viveu, à não ser o que já  li...(aliás, desde de O Verde que Pulou O Muro, do Loyola, que Berlin me interessava muito), mas fiquei feliz de entender que cicatrizes podem ceder seus lugares a questões tão edificantes. Para se deleitar com modernidade construída, já valeria a viajem, p/ mergulhar naqueles museus e galerias, já seria importante esticar a permanência e p/ entender o que pode ser um  mundo civilizado (que não seja rançoso como em muitos lugares onde a história é tão viva) , é fundamental viver Berlin sem reservas. Corram p/ lá, o verão tá chegando.

Marco Donini, já me deu muito trabalho. É arquiteto e tem um site muito bacana www.arqdonini.com.br

DIAS DE SOL EM BERLIM

Estive duas vezes em Berlim: em 2004 a passeio, e em 2005 apresentando OS SERTÕES de Euclydes da Cunha, na montagem do Teatro Oficina de São Paulo.
Em todos os dias destas duas estadias me senti à vontade naquela cidade como se estivesse em minha casa.
As ruas largas, limpas e arborizadas; os parques sem cercas, abertos dia e noite; os lugares cheios de estrangeiros residentes ou de passagem. Nada disso me lembrava os inúmeros filmes norte-americanos produzidos na época da guerra fria, que vi nas sessões da tarde da televisão entre a minha infância e adolescência, nos quais os alemães eram sempre representados como seres truculentos e impiedosos.
Há, na cidade, certo, prédios austeros e soturnos, cheios de linhas retas e cores pastéis que serviram ou foram erguidos pelo regime nazista. Assim como há no chão, em vários pontos da cidade, cicatrizes do muro que a dividiu durante vinte e oito anos do século passado. Noutros pontos há pedaços intactos. Tudo isso conservado ao lado de inúmeros prédios de quatro ou cinco andares com varandas cheias de floreiras, e de catedrais e de castelos e... Claro que essas referências mais antigas não existem em grande quantidade já que Berlim foi campo de batalhas terríveis por duas vezes em menos de cinqüenta anos no século XX.
Fui a Berlim no início do verão e no início do outono. Peguei muitos dias de sol, e nesses dias, as pessoas sugam a luz com uma alegria contagiante. E haja cerveja! Muito embora cerveja, pra alemão, não seja um papo só para os dias de calor.
Me diverti muito nos bares com terraços de areia à beira dos canais. O balcão do bar fica coberto, enquanto as cadeiras e bancos ficam na areia que vai até a amurada dos canais. Dependendo da hora eles podem estar cheios de gente bonita e “louca”. É como se estivéssemos numa praia brasileira, só que com o banho proibido. Mas ninguém sofre com esse limite. Não dá pra mergulhar nos canais, claro, mas, por eles passam barcos de turistas, que quando vêem com uma gente bem animada podem deixar a fauna bêbada do bar em polvorosa.
As noites são fervidas e diversificadas. Dancei em pistas de música eletrônica assim como fui a festas com música e dançarinas russas, herança dos tempos comunistas.
Estimulantes e entorpecentes são fáceis naquela cidade pulsante que parece desejar ser do mundo todo. Tomara que não seja um truque sedutor, pra daqui a pouco tentar, de novo, dominá-lo (Há! Há! Há!).

Aury Porto, é ator e amigo de grandes baladas


 

Escrito por Duilio Ferronato às 15h46

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berlim continuam...

berlim continuam...

A praça famosa mais feia do mundo

Todas as noites o metrô aéreo me deixava em Alexanderplatz, onde em religiosos intervalos de sete minutos parava o tramway, aquele bonde fechado ziguezagueando feito minhoca pelo chão da cidade. Com o elétrico, eram apenas mais cinco minutos até o modesto apartamento da ex-Berlim Oriental que me hospedava. E então cinco lances de escada me separavam do tão sonhado leito. Porque aqueles conjuntos erguidos no rigor comunista dos anos 60 pareciam desconhecer a comodidade de um elevador. Cheias de sapatos dormidos, hábito local, as escadas eram a última ginástica após a maratona diária de museus e teatros. Na Berlim atual uma pessoa pode dar adeus ao mundo para ingressar, diariamente, num universo paralelo de música erudita executada por conjuntos de até 120 integrantes, tocando não como virtuoses, mas como deuses. Toda santa noite é de gala, ópera, musical, conjunto de câmara, órgão e tudo o mais que se puder imaginar em colcheias ou semicolcheias, na mais generosa e absorvente oferta do planeta. Favor não confundir com aquela centena de recitais com o “Adagio” de Albinoni e as “Quatro Estações” de Vivaldi mecanicamente atacados nas lindas igrejas de Praga nos finais de tarde, para as legiões de turistas.

Naquela noite de terça-feira atravessei o corredor de comedores populares da estação Berlin Alexanderplatz, ponto de encontro da alcoolizada juventude punk, apenas para constatar que não mais existia o ponto de bonde central da praça, séria concorrente ao título de “a mais feia do mundo”, não obstante sua celebrização com o maravilhoso filme homônimo de 14 episódios que Rainer Werner Fassbinder terminou em 1980. Nem o ponto nem os trilhos do bonde, bem antigos mas agora desoladamente arrebentados a golpes de picareta no decorrer daquele dia no qual eu me absorvera nas ruínas muito mais antiquadas das mágicas telas de Caspar David Friedrich.
Alguém decidira dar um jeito em Alexanderplatz, cujo charme original e vida boêmia haviam sido irremediavelmente sepultados com os bombardeiros do final da Segunda Guerra e que o governo socialista da República Democrática havia tornado uma praça árida rodeada de áridos edifícios governamentais, só para mais tarde o capitalismo tardio transformar num Frankenstein ainda mais grotesco, com suas lojas de departamentos, imensos restaurantes para turistas-otários e a torre de comunicações-mirante bastante freqüentada por gatunos, porque eles apreciam muito o lugar.
Daquele mês de novembro em diante Berlin Alexanderplatz não mais abrigaria nem a mim - condenado dali em diante a duas baldeações complicadas ou longo trecho a pé - nem mais ninguém. Uma completa reforma tentaria maquiar de uma vez por todas as marcas de tantas tragédias políticas deformantes.

Álvaro Machado, um amigo jornalista de conversas sem fim com muito vinho na cabeça.



Berlim e tão absurda que tem duas historias que  me fez pensar em quanto sou colonizado por portugueses mesmo (embora minha família seja alemã e meu passaporte vermelho) em duas situações diferentes,ou seja em duas viagens levei este tapa na cara...
uma estava na casa de meus primos numa cidadela chamada Werneck, que fica na Alemanha central ou seja uma cidadela mesmo, e fui dar uma volta na rua, estava frio  demais
ai no mesmo momento que sai de casa....descendo as escadas daquelas casinhas d e três andares, o vizinho do lado também saia e fiquei de cara porque ele estava com uma roupa  toda de látex,e levando na coleira um menino só de tapa sexo e com luvas e joelheira,  andando de quatro,,,achei lindo e pensei:  ah e perfomance...e segui o casal
só que pra minha surpresa vi que na verdade ele tava levando o ‘cachorrinho” pra dar volta e fazer compras, ele parava nas arvores o " cachorrinho" fazia xixi, ele parava no açougue comprava carne e deixava o bichinho amarrado com outros cachorros e assim foi na padaria  em supermercado , eu fiquei com vergonha de mim porque fiquei seguindo o casal de longe  excitadíssimo e não respeitando nada, ao contrario de todas as velhinhas e vizinhos que cumprimentavam o dono do cachorro e faziam cafuné no  animalzinho sem ninguém ter nenhum tipo de cara feia ou zombando ou falando conceitos de moralismo ou tal
e eu que me achava tão antenado, tão libertário fiquei seguindo o  casal achando que era perfomance e não acreditando neste estilo de vida... a outra história era num trem em Berlim.
Eu estava  numa estação e coincidentemente olhando um executivo moicano  bem bonito
entrei no vagão e fiquei paquerando o moço, na mesma hora entrou um outro executivo careca  e os dois ficaram se olhando
quando o trem fechou as portas e começou a andar os dois começaram a se olhar e foram se aproximando e aí se lascaram um beijo tão enorme. Ninguém  a não ser eu, o brasileiro colonizado, ficou olhando , foi uma das cenas mais excitantes e de respeito a homossexualidade que já vi.
...bem tenho milhões de histórias para falar de Berlim, mas estas duas são as que eu gosto sempre de falar para ilustrar o quanto eu me pego sendo moralista e também preconceituoso e voltando a   re- firmar eu que me julgo tão desencanado de valores....

Heitor Werneck, virgi esse é difícil de falar, somos amigos desde 1910, ele é estilista e organiza umas noites malucas pelas cidade. Com saruas e performances. alem de uma festa de fetiches super esquisita que eu nunca tive coragem de ir.  www.projetoluxuria.com


continua...

Escrito por Duilio Ferronato às 15h44

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continua...

continua...

Berlim é o fim, ou pelo menos era. Era a cidade sitiada, o fim do capitalismo, a fronteira última, mas também o fim de um sonho, pois qualquer socialista com o mínimo de senso encontrava uma grande barreira em suas utopias no Muro de Berlim, símbolo máximo da opressão da cortina de ferro.
Conheci a cidade logo após queda do muro. Era ainda o fim dos anos 80 que acaba em 1990 e foi nesse ano que passei pela cidade.
Um misto de alegria e ansiedade percorria a cidade, mas também de preconceito, ser um berlinenese do leste não era coisa boa de se dizer.
Cheguei e uma tempestade de neve varreu a cidade e me varreu da cidade também. Fiquei horas na estação de trem sem conseguir sair e depois horas no albergue sem conseguir sair também, quer dizer, o tempo fez um grande muro na minha primeira visita à cidade.  Mas uma coisa eu tive certeza: eu que não gostava nada dos alemães e seu silêncio e grosseria gritante, adorei os berlinenses.
Voltei depois mais uma vez para poucos dias e por incrível que pareça outra tempestade de neve. Mas consegui me agilizar e finalmente conheci a cidade. Um pouco melancólica, um pouco robótica, um pouco salafrária. Na cena gay, muito agitada e organizada por sinal, o que mais achei curioso foi que logo quando nos conheciam perguntavam se a gente era ativo ou passivo, não existia espaço para os chamados versáteis na terra dos ursos. A praticidade sempre!
Subi a escada da estátua do anjo, no centro de um parque que esqueci o nome. Tudo em nome de Wim Wenders e como diz o velho ditado:”wim wenders e aprendendes” a nunca mais fazer tal loucura. A escada era super íngreme e o local meio aporcalhado era um desgosto. Só para ver uma vista como em qualquer lugar que tenha vista. Prefiro os elevadores da Torre Eiffel e do Empire State. 
Berlim me pareceu no meio da década de 90, na minha segunda visita, ainda meio parada no tempo, talvez nos anos 80, que bem me lembro todos nós aqui no Brasil idolatrávamos a cidade e agora com o revival dessa década voltamos a dizer que ela está pegando fogo.
Tive a sensação que era uma cidade de opostos. Um dia me diverti em uma festa dessas que você tinha que bater numa portinha e dizer uma senha e no outro na festa do festival de Berlim que a poucos metros estavam o Robert de Niro e a Sharon Stone. E foi lá também que um jornalista da Folha falou que o filme brasileiro exibido no festival foi um fracasso quando eu vi a cena das pessoas batendo palmas de pé após a premiére.
Berlim não me engana muito menos o jornalismo!

Vitor Ângelo, um jornalista que no dia 17 de junho vai começar num emprego novo que vai ser dureza.


Conhecer Berlim sem poder usar de verdade um sex bar não estava sendo a menor graça.

Explico. É que fiz a maior cagada em levar um gatinho pra nossa viagem em grupo. Estava solteiro na época, então resolvi encontrar um irlandês alcóolatra (com o perdão da redundância) que eu tive um casinho há muito tempo atrás.

Em Paris tinha sido incrível, romântico até. Mas em Berlim comecei a achar que tinha feito besteira.

Na primeira noite na cidade fomos todos a um sex bar perto do hotel. F se fez de desentendido e ficou no quarto, rabugento. O resto da turma baixou lá salivando, eu inclusive, menos o gatinho, que estava mais preocupado com a cerveja.

Lá, o casting rolava no andar de cima, e quem se entendia descia pra uma masmorra do sexo.

C, bem assanhado, já tinha enumerado uma lista de possíveis candidatos, mas se dizia sem vontade de realizar o fetiche. X estava bem solto, mas precisava de um intérprete. A e B já tinham descido fazia tempo.

Um morenão, que depois descobrimos ser israelense, das primeiras opções da interminável lista de C, grudou em X, que pediu ao amigo que o ajudasse na aquendação. C bem que tentou esfriar o clima, mas os dois desceram rapidinho, e voltaram felizes da vida.

Não contente, C tentou recuperar o tempo perdido, arrastou o bofe pra masmorra, com consentimento de X, claro, e o levou pro quarto-fetiche do nosso hotel misógeno.

No dia seguinte, nos corredores de um museu, as duas cocotas eram só elogios quando de repente cruzamos com o tal israelense. C e X quase se estapearam. E F, bem quieto, foi dar um pulo no banheiro, encontrou o cara sem saber que era o assunto da roda e... atendeu ali mesmo.

Ninguém entendeu quando o disputado morenão o cumprimentou na saída do museu. E ninguém vai entender se eu disser que mais alguém provou daquele beijo...

André do Val, jornalista que foi no mesmo grupo, não acreditem em tudo que ele disser. Ele inventa.


Berlim é fria e bela. E a marca do muro que a dividiu em duas até 1989  ainda
corta a cidade. E há muros de concreto dividindo a sexualidade dos gays de
Berlim. A sexualidade dele é hard e dividida. Saí às três da manhã de um
bar gay que ficava a três quadras do hotel onde estávamos hospedados (As
Cajazeiras, André, Brice e eu). Deixei alguns dos amigos no bar; outros já
estavam no hotel, dormindo (sabe-se lá com quem...). Caminhei uma quadra,
mas, não suportando o frio, entrei no primeiro estabelecimento aberto que
encontrei. Fez-se um breve silêncio. Todas pessoas... quer dizer, todos os
homens que lá estavam olharam para mim, surpresos, curiosos e acusadores.
Eles eram todos iguais (ou foi impressão?): carecas, fortes, com bigodes
e/ou barbas e usavam calças e botas de couro (alguns estavam de coletes).
O cheiro me dava náusea porque misturava suores e fumaça de cigarro. Senti-me
num daqueles comerciais dos sabonetes de Vinolia: sensível diferença, mas
sem a Primavera, de Vivald, ao fundo. Quem nunca me viu basta saber que sou
um rapaz moreno de 32 anos, mas com cara de garoto pobre das periferias brasileiras.
Na verdade, a diferença não era sensível. Ela era um muro. Um muro de Berlim.
Mesmo intimidado e sob olhares de reprovação (definitivamente, eu não era
bem-vindo àquele paraíso do couro), caminhei até o fundo do bar. À minha
direita, havia um cômodo escuro. Aproximei-me e me deparei com uma cena que
não sai da minha cabeça: um dos carecas estava deitado, gemendo de dor e
prazer porque tinha meio braço forte de outro careca enfiado em seu cu enqüanto
outros três se masturbavam em volta. Tive ânsia de vômito e saí correndo
para a rua fria, recolhi ao outro lado do muro simbólico, sem moralismo,
apenas chocado com a novidade.

Jean Wyllys, fomos viajar no mesmo grupo, ele era sempre o mais animado.


Escrito por Duilio Ferronato às 15h39

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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