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CONVERSA COM CLODOVIL

CONVERSA COM CLODOVIL

Toda terça vou ter as CONVERSINHAS  e às sextas FALA AÍ, que serão longas conversas.  A primeira será com Clodovil sobre figurino no teatro.
Na verdade não foi uma conversa, porque ele não deixa ninguém falar, só ele falou. Minha intenção era saber mais sobre a história do figurino do teatro brasileiro.

Liguei direto para o celular dele e ele mesmo atendeu. “Me ligue aqui em casa para não gastar celular”. Depois explicou que tinha que trocar sempre os números do telefone fixo  porque as pessoas não paravam de importuná-lo.  Marcamos para um dia de manhã e lá fui eu para o apartamento dele.
Um prédio baixo com poucos apartamentos, muito elegante. Atendeu o secretário e pediu para eu esperar um minuto.
Um apartamento entulhado de coisas. Desenhos nas paredes, caixas gigantescas e um grande guarda-roupas antigo na sala. Tudo muito cafona.
Ele demorou e chegou vestindo um roupão azul claro e chinelos de velho.
Ainda meio atordoado de sono, me disse que não tinha dormido bem à noite, mas depois do café iria ficar bem. A entrevista foi tensa o tempo todo. Ele me ameaçou de expulsar da sua casa e tratou mal os empregados várias vezes.
Pareceu um homem perturbado, amargo e agressivo.
Nunca respondia diretamente às perguntas e raramente me deixava terminar uma pergunta.
Chega a ser mais antipático pessoalmente do que pela televisão. Depois de deixar o apartamento fiquei o dia todo com uma sensação ruim. Mas ao mesmo tempo ele tem algumas frases brilhantes.

 

 

 

Escrito por Duilio Ferronato às 23h44

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A entrevista:

DF - Como foi sua experiência como figurinista e o que é figurino para você ? Eu vou gravar nossa conversa.
Clodovil -  Pode deixar que eu entendo de entrevista ! Meu nome é Clodovil Hernandes, nome adotivo, porque eu fui adotado. Tenho 70 anos e tenho várias profissões, obviamente todas elas alicerçadas nessa profissão de figurinista. E tudo isso começou com uma questão de talento, mesmo. Porque naquele tempo não existia escola. Era tudo feito por provocação e talento. Hoje em dia qualquer um pode fazer uma escola. E escola no Brasil, todo mundo sabe: desde o primário até o universitário, é tudo ordinário hoje em dia. A escola antigamente era o talento e a inspiração divina, seja lá o quê fosse. E as coisas não têm mais qualidade, é muita quantidade e pouca qualidade.
E figurino é uma coisa tão importante que, por exemplo, você jamais poderia fazer um teatro de época se não houver o figurino. O figurino é tão importante quanto a palavra. Porque sem ele não existe a ilustração dos tempos. A ilustração dos tempos é feita, por exemplo, através de detalhes da época. Você pode até fazer um figurino de Maria Antonieta, com acrílico e essas coisas sintéticas. Mas você vê que é uma roupa falsa.

DF - Quando você começou a fazer  figurino, você foi atrás da história do figurino ou ... ?
Clodovil - Não, eu casualmente tenho uma história muito estranha. Meu elo é com o "Provedor do Universo". Que vocês chamam de Deus. Eu não estou dizendo que eu tenho contato direto. Mas de qualquer maneira eu sou uma migalha e migalhas existem de várias coisas. De caviar, de lixo, migalhas de coisas podres, tem migalha de tudo. E eu sou uma migalha de uma qualidade melhor mesmo.
Desde pequeno que eu já me dou bem com o superior de cima. Trepado em um jambeiro, onde eu pensava minhas coisas. Onde eu descobri as minhas primeiras palavras em francês. Onde eu morava tinha umas trinta casas, não tinha biblioteca, não tinha nada. Agora me explica isso. Como é que isso aconteceu ?

DF - Além dessa conexão com o Provedor você teve algum  mestre terrestre ou alguém que te indicou o caminho ? E a história você foi indo atrás para aprender ?
Clodovil - É evidente, porque cada vez que eu me interessava por uma coisa eu ia atrás para saber. Por exemplo : quando a Dona Beija foi transformada em novela, aquele horror que a Manchete fez, era de uma idiotice sem tamanho, porque o figurinista, que na época era um bambambam do Rio de Janeiro, tinha amizade. Porque talento, não tinha nenhum mesmo. Ele fez uma escola de samba e chamava aquilo de Dona Beija. Desde quando ela usaria veludo turquesa com coroas de arame na cabeça ? Aquilo era o fim do mundo, ela não usava nada disso, mesmo porque ela tinha que se resguardar de uma série de coisas e ela era muito discreta na roupa.

DF - Como você teria feito ?
Clodovil - Eu teria feito com os tons que ela usava mesmo. Os adereços ela poderia usar. A mão de obra teria que ser feita toda a mão, ou seja : pontos de crochê e mesmo assim não iria por coisas que não existiam na época. As pessoas não têm noção de nada hoje em dia.

DF -  Você acha que quando eles fazem figurino de novela ....
Clodovil - Eu erro também ! Uma vez eu fiz um figurino para uma atriz. Que aliás eu não suporto, que é a Beatriz Segal. É uma coisa antipática que eu tenho com ela e ela tem comigo. Fazer o quê ? Respeito eu tenho, é claro. Ela é uma atriz séria, é uma coisa pessoal, é uma coisa minha. E talvez por isso mesmo tenha feito um erro muito grande. E eu fiz uma roupa de uma mulher, inglesa, que morava na Índia. Um vestidinho azul turquesa, e olha que não existia também. Talvez porque na época eu não pudesse comprar o tecido certo. Você sabe figurino de teatro no Brasil você faz de graça!
De qualquer maneira, uma roupa daquela época tinha que ser feita de linho ou seda indiana que já existe a tantos séculos. Mas nunca de musselina turquesa. Acho que se fosse hoje eu não aceitaria, porque é muito difícil fazer roupa de época.
Agora você sabe, a máquina que existe hoje não existia na época. A renda da época era feita na mão. Então a caída era totalmente diferente. Naquela época o exato era muito complicado.

DF - Você não acha que para fazer um figurino, você pode contar com uma fantasia, que não precisa ser exatamente como era ?
Clodovil - Essa coisa que as pessoas chamam de liberdade de criação, liberdade de expressão. Eu acho que não tem nada a ver. Uma vez eu vi uma novela que era feita por esse homem, como é o nome dele ? Esse que tem o temperamento difícil ? Daniel ....é Daniel Filho. Era de uma perfeição. Ele lixou os ombros dos ternos com bom bril. Sabe essa coisa de usado ? O branco de época não podia ser branco, que não existia.

DF-  E você acha que um re leitura ...
Clodovil - Agora você está usando a expressão exata. Re leitura é outra história. Oh, Michele. Oh, Michele. (chamando a empregada) Me dá aquela cabeça que está dentro do armário ali, por gentileza. Eu vou te mostrar uma coisa. Tá vendo essas gardênias ? Elas têm que estar meio gastas, ninguém percebe isso. É só um detalhe, mas nada tem valor se você não percebe os detalhes. E a maioria das pessoas não sabe nada, não sabe porra nenhuma. Enquanto não destruíram o espetáculo, não sossegaram. E um determinado tipo de gente que faz mídia trabalha em conjunto. A campeã disso é a Veja.
Ela manipula essa coisa de uma gente que faz parte do grupo dela. Não me adianta você querer me dizer ao contrário, que não me convence. Não me venha dizer que a Marília Gabriela fazia bem aquela personagem, porque jamais ela poderia fazer. Primeiro que ela não sabe. Ela é amiga. Intima! De todas as pessoas que fazem parte da panela.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h43

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continua...

continua...

DF-  Você acha que as pessoas ficam tramando para te destruir ? Que todos os jornais e revistas se reúnem para  tentar te derrubar ?
Clodovil - Eu não faço marketing e isso eles não gostam.

DF -  Mas fazer mídia e fazer marketing é o jeito que as pessoas conseguem fazer teatro...
Clodovil - Mas querido a Veja falou que ela estava soberba, como pode ?

DF - Nessa peça, Lady Mac Beth ?
Clodovil - É, a Veja disse que ela estava soberba.

DF - Eu fui ver, e não estava bem, não. Estava bonita...
Clodovil - É isso, e a mídia dizia que estava soberba. Como uma mulher que fala : bbbbbbbbbb, pode ser soberba ? Ela não sabe o que é a palavra, ela não tem noção.

DF -  Você tem visto alguma coisa boa que você tenha gostado ?
Clodovil -  Eu posso sempre recorrer a minha memória, eu não tenho visto nada excepcional, porque o Brasil precisa imediatamente de uma reformulação. O Brasil está perdendo os seus artistas todos e dando chance só as piranhas.  E o país que não tem artista ?
Ah, as pessoas dizem o Clodovil é muito chato, tá bom. Eu não quero conviver com ninguém.

DF - Uma vez eu li uma entrevista sua, muito engraçada, que dizia que quando você começava a se apaixonar por alguém, já imaginava a pessoa com dedo no nariz...
Clodovil - É, com o dedo no cu... É porque eu não quero me apaixonar por ninguém. Mas quem é o crítico de teatro que possa avaliar a qualidade das coisas ? Não tem mais.
São sempre as mesmas, umas 3 ou 4 pessoas. Se elas envelhecessem estudando, mas a Regina Guerreiro estuda o quê ?

DF - Tadinha da veia.  Ela nem deve ir ao teatro.
Clodovil - Ah, tô vendo que você não gosta dela. Eu adoraria que alguém me corrigisse, porque ninguém é perfeito, nem pode. Mas ter que ouvir crítica de um grupinho. Isso não dá.

DF - Como foi sua história com teatro, como começou na sua vida ?
Clodovil - Foi um amigo me convidou para fazer um texto da Leilá Assunção. Na época foi um sucesso, o primeiro nu frontal masculino.
Eu gosto de teatro, mas não faço peça séria. Os personagens eu fico bem, fico muito bem de mulher.  Olha, ali, eu de mulher. Pensou que fosse quem ?

DF - Parece a Marilia Pêra.
Clodovil - Parece, mas sou eu. Estou bem ?

DF - Tá lindo! Esse seu amigo que te levou para o teatro ?
Clodovil - Ele que me induziu. Na verdade a direção era assinada pelo Odavlas Petti, mas ele como a maioria dos diretores, não tinha ‘noooção’ do que estava fazendo. Mas o meu maior erro foi chamar o Elias Andreatto.

Marcelo !(o secretário) Quem está no telefone ? Que Mauricio?
Diga a ele que não me encha o saco agora!!! Você sabe que um dia ele chegou aqui e me pediu dinheiro ? Agora não posso pagar, estou sem dinheiro.

DF - Clodovil, você é muito irritado...
Clodovil - Não sou, não. Querido eu sou tenso. E vou te falar uma coisa. Eu não vou ter nada com você. Por que você sentou aí na ponta ? Está com medo de ter mau hálito ou eu tenho mau hálito ?

DF - Eu não tenho medo de nada. Sou como você, não gosto de intimidade.
Clodovil - Bem, não parece! Este texto vai ser produzido. Vou usar o retrato da Cecília que eu mesmo fiz. O que eu posso fazer se eu tenho todos esses talentos ? Agora tem tanta coisa com a Cecília que eu não vou contar, porque depois as pessoas ficam falando que eu sou bocudo.

DF - Você conheceu a Cecília ?
Clodovil - A Fernanda filha dela, eu me dei muito bem. Mas ela morreu antes de eu poder chegar a ela. Mas você foi assistir meu espetáculo ?

DF - Fui.
Clodovil - Aquele espetáculo não tinha direção. Não teve ensaio, não teve nada. No dia que era para ter um ensaio geral a dona do teatro disse que não podia. Aquilo é uma vagabunda. A única proposta que eu tenho para mim é fechar o teatro dela.
Ninguém diz que ela ficava na bilheteira e pegava todo o dinheiro para ela. Isso eles não dizem.
Sabe por que a crítica da Veja meteu o pau no meu espetáculo ? Ela queria ir na casa da Yara Baugarten, e a Yara não deixou. Então, ela descontou em mim.

DF - E você é bem amigo da dona da Luxcolor ?
Clodovil - Não, não sou, não. Porque foi ela que me levou para o meio do mar de lancha, com champanhe na mão, toalhas importadas e me largou numa bóia lá no meio do mar. Porque ela financiou o princípio e não financiou o restante. E eu fiquei a deriva. Entendeu é tudo uma cachorrada. Porque as pessoas agem comigo do jeito que você agiu comigo agora. Você falou que eu sou estressado. O que você tem com isso ? Você está na minha casa porque você é um profissional e eu sou profissional. E eu falo isso numa boa. Você vem na minha casa e depois sai por aí falando horrores de mim. Eu só não te coloquei para fora ainda porque sou uma pessoa educada.

DF - Mas fofocar é a parte mais gostosa... E falar da vida dos outros é uma delícia. Quando eu sair daqui vou falar para todo mundo que conversei com você.
Clodovil - Eu sabia que você tinha cara de gente miúda. Eu não vou na casa de ninguém. Já tentaram me levar na casa das pessoas para formar um grupo de amigos, mas eu não quero. Não quero ser amigo nem inimigo de ninguém.

DF - Por que não ? É tão gostoso ter amigos.
Clodovil - Para que ? O público me adora. Para que você quer mostrar para o povo que os ídolos têm pés de barro ? Pra que humanizar os ídolos ?

DF - Quando você fala da sua cirurgia, você não está mostrando seu lado humano ?
Clodovil - Eu falo para que as pessoas não tenham medo. Medo de câncer ? Da palavra ? Agora o que você precisa saber é que eu teria morrido se eu não tivesse amigos. Porque eu fui caloteado a vida inteira. Mas eu tenho gente boa do meu lado. Porque gentalha  se dá com gentalha. E gente como eu se dá com gente boa.
Eu não vou mudar. Eu não gosto de gente subserviente. Eu brigo com esse menino(o secretário) por causa disso. Ele pensa que tem que tratar todo mundo bem. Eu tenho que ser preciso.

DF - Vamos voltar para o figurino, me conta de uma história que fez você se interessar pelo teatro. Qual figurino que te impressionou ?
Clodovil -  O Dener era muito meu amigo, não tivemos intimidade, mas éramos amigos. Ele era uma pessoa divertidíssima. Era meio analfabeto, mas inteligente. Ele inventou o antagonista.  Ele inventou que era meu inimigo e as pessoas acreditaram. Mas depois que me descobriram ele nunca mais teve emprego. Coitado não tinha talento.  Mas uma vez eu fui ver a La Traviata feita por ele, eu quase caí duro. Era de uma beleza de guarda roupa.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h26

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continua...

DF -  Foi ele que te levou ?
Clodovil - Ele era uma pessoa louca. Morreu tomando álcool zulu. Eu estou decadente, mas não faço mais moda. Eu não quero mais me aborrecer com moda. O Brasil nunca viu roupas como aquelas e nunca mais verá.

DF -  Tem quem vista alta costura?
Clodovil - Agora você falou tudo. No Brasil, você vai a uma festa e esbarra com mulheres que têm tudo a ver, outras que não tem nada a ver. Naquela época tinha mulheres incríveis. Hoje tem mulher que mistura sagu com caviar para aumentar. Você sabe quanto custa uma lata de caviar ? 60 mil
dólares.

DF -  Que caviar é esse ?????????
Clodovil - Não interessa! Sabe porque eu gosto de caviar ? Porque a empregada não gosta e deixa tudo na geladeira.

DF -  Alguma história de teatro que te impressionou ?
Clodovil - A eu fui muito amigo de Cacilda. Eu tive 2 amigas artistas. Cacilda Becker e Elis Regina. Então você pode imaginar se eu gosto de bunda cantante ? Não posso.
Eu fui ver Mary Stuart com a Cacilda, e o público estava em pranto. Ela veio até o camarim e disse : "Como eles gostam de chorar". Ela voltava para a cena já caindo em lágrimas e o público acreditava.

DF -  Você conhece a Georgette Fadel ? É uma excelente atriz. Emociona com gestos simples.
Clodovil - Mas o que é isso ? É o talento inato. Que já vem com a pessoa. Agora você imagina, essa Juliana Paes. Uma coisa mentirosa que se vende por qualquer preço.

DF -  Você ainda não me falou da história do figurino. Como foi ?
Clodovil - Aqui no Brasil foi um andar pra trás. Porque quando a corte veio para cá, já veio sem dinheiro e sem nada. Você imagina um vestido de Cinderela. Uma princesa. Quando você vê os vestidos das princesas brasileiras no museu. É de chorar.

DF -  Os bons custam caro.
Clodovil - Os ricos brasileiros têm vergonha de dizer que são ricos. Tudo gentalha.
O Niltinho quando veio aqui pela primeira vez, eu fiquei encantado. Mas não fez o trabalho dele direito comigo. Eu acho que tem que trabalhar direito. Você  vai escrever para aquele seu jornal, que eu nem leio. Porque eu odeio o Zé Simão. Que é sustentado por aquele estilista...  nem sei o nome. Você faz essa cara de bonzinho.

DF -  Eu não sou bonzinho.
Clodovil - Eu sei que você não é bonzinho. Você é falso como uma cobra.

DF -  Também não sou falso, não. Sou preciso !
Clodovil - Eu não tiro o valor de ninguém. Eu quero é que as pessoas me respeitem pela minha profissão e não pela minha pessoa. Ninguém precisa gostar de mim.

DF -  Você tem um lado bonzinho ?
Clodovil - Não tenho, bonzinho é qualidade de aleijado.

DF -  Qual seu outro lado ? Seu talento ?
Clodovil - Todo mundo é igual, todo mundo pode produzir coisas boas, só por pra fora.

DF -  Eu só consigo produzir quando me envolvo com o ambiente. Na Folha consigo produzir porque acredito no jornal.
Clodovil - A Folha era o único lugar que você podia acreditar quando dava uma entrevista. Hoje não dá mais para acreditar. Eles deram força para o Simão.

DF -  Mas o Simão é uma parte pequena da Folha...
Clodovil - É a mesma coisa que se você chegar na minha casa e eu colocar a privada na sala. Ele perde um amigo mas não perde uma piada. Isso não leva a nada.

DF -  Você não perde umas pessoas porque você é agressivo com elas  ?
Clodovil - Mas aí, é a seleção natural. Eu não tenho medo do que você vai publicar. Eu estou dizendo aquilo que eu penso. Quando você entrevista uma pessoa, você quer fazer valer o seu caráter. Quer pessoa mais detestável que o Jô Soares ? Ele é um ignorante.
O que interessa é a genialidade. O Talento de uma pessoa. Um pequeno erro pode levar você a mudar tudo. E vocês só publicam sobre meu temperamento.

DF -   Eu ainda não publiquei nada...
Clodovil - Você só falou disso até agora. Eu só não te chamei de bichona por respeito. Eu não vou copiar a Juliana Paes, eu vou imitar a Elis.

DF -  Como você acha que poderiam surgir novos talentos ?
Clodovil - Essa nova onda de estilista tá sendo arrastada por Paulo Borges. E ele nada mais é do que filho da Regina Guerreiro. Daí não poderia vir nada que presta. Ele ganhou muito dinheiro, mas isso não quer dizer nada. É a tal história : Caviar é para quem gosta, não para quem pode comprar.

DF -  Como você acha que a gente pode fomentar talentos ?
Clodovil - É preciso que o mundo acredite nisso, embora o mundo não acredite mais. E eles se destacam mesmo assim. Não adianta, enquanto esta mídia for assim, as ambições forem outras. Porque talento não procura status, não procura dinheiro. Claro que ele gosta dessas coisas.

DF -  Como você reage ao ver uma coisa boa no teatro ou no cinema ?
Clodovil - Eu tenho a sensação de que eu vou literalmente morrer. Alguns filmes me fizeram isso.

DF -  E quando você sai de um filme desses, você se estimulado para fazer alguma coisa?
Clodovil - É evidente que é assim. O talento é estimulado quando você esbarra em outro talento. As mulheres me adoram porque eu sempre fiz as mulheres ficarem bonitas. Eu nunca iria transformar uma mulher numa puta. Beleza não é para ser vulgar.
Eu odeio vulgaridade. Odeio esse operário, que é presidente, quero que ele tenha uma morte horrorosa para aprender a tratar bem os pobres.

DF -  Ouvindo você falar, me dá uma impressão que você é atolado de magoas.
Clodovil - Todo brasileiro tem mágoa. Se eu pudesse eu teria ido morar fora, mas não podia deixar minha mãe. Se tivesse ido, com certeza teria tido sucesso.

DF -  Você lê a Folha ?
Clodovil - Ás vezes leio.  Mas não tenho lido muito. O que você espera com essa entrevista ?

DF -  Estou traçando um caminho através da cenografia e do figurino para o teatro brasileiro.
Clodovil - Eu sei cada coisa, principalmente sobre a Cacilda. Um dia eu te conto com detalhes. O livro sobre ela é belíssimo.

DF -  Adorei falar com você, apesar de irritado você é muito divertido.
Clodovil - Divertido ? Eu sou é talentoso. Que culpa  tenho eu ?

Escrito por Duilio Ferronato às 23h26

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DUELO DOS DEUSES.

O que será isso ?  Será que vão descer aqui no Brás e quebrar tudo ? Já pensou se esses Deuses são do tamanho do Godizila ? Eles vão pisotear minha casa e meu jardim. Vou ter que me mudar para um hotelzinho lá no centro.  Eu já avisei meu chefe, que se eu não publicar o blog de sábado, é porque a sexta-feira aqui do bairro foi agitada. Acho que vou colocar a casa no seguro, atendendo aos apelos da gerente do meu banco que está sempre tentando me vender algum seguro inútil.
Tomara que nenhum deles solte fogo pela boca, ops mas soltar fogo é coisa de demônio.
E o Demônio não briga com Deus. Porque afinal de contas todo mundo sabe que a parceria dos 2 é muito lucrativa.

Escrito por Duilio Ferronato às 06h14

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150 MULHERES

150 MULHERES

150 bordadeiras mostram que ainda tem jeito. Toda quarta neste blog vou postar uma ong ou associação que está dando certo.

Ficar esperando ajuda  não dá. A empresária Maria Celeste Chad, de Potim (170 km da capital) bem pertinho da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, começou ensinando 4 mulheres a bordar. Hoje já são 150, na Ong Orienta Vida.
Provando que a falta de qualificação é a grande geradora da falta de emprego. A Ong não dá nada para ninguém. Ensina e cobra ! Todos  trabalharam para receber .
As mulheres que chegam vão sendo recebidas e já começam a aprender a costurar e bordar. Recebem por hora ou trabalho feito.
Têm tratamento dentário, atendimento médico, assistência jurídica, cursos e palestras.

Qualificar a mão de obra é evidentemente um jeito de melhorar a auto-estima, incentivar a transmissão de conhecimento e tirar as pessoas da condição de dependência  do assistencialismo do Governo.

Dê uma olhada no site www.orientavida.org.br  fone.  12 - 3112 – 1103.

Escrito por Duilio Ferronato às 08h06

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FOFOQUEIRO

FOFOQUEIRO

Adoro escutar conversa dos outros, depois anoto num bloquinho.

 No carro com Aury .
- Eu juro que vi...
- Pára de exagerar.
- Tô falando sério: A Glória Menezes está empalhada! Se enfiar uma agulha sai palha de lá de dentro. Não sai sangue,não.
- Tadinha da véia.
- Dizem que a Sônia Braga recebeu um envelope de Antrax que explodiu na cara dela e deixou ela toda esticada.
- Se for assim, todos véios da Globo receberam.
- E as véias do Shopping Higienópolis também.

No telefone com  Hilde .
- E ele cobra ?
- Ele me deixa feliz e eu o deixo feliz.
- Você liga e ele vem ?
- Ele que liga.
- Nossa ! Que serviço bom esse.
- É, mas ele já tá ficando meio folgadinho.
- Como assim ? Cobra e não faz o serviço direito ?
- Isso ele faz, mas anda querendo dormir aqui em casa e isso eu não quero.
- Ih, tô achando que você vai se apaixonar.
- Vira essa boca pra lá.

Na fila do cinema duas adolescentes
- Já pensou ! Tanta gente na fila e só 2 pessoas para atender !
- E tanta gente precisando de emprego !
- Olha só , dava para mais 5 pessoas estarem trabalhando aqui.
- É mesmo
- Isso porque os empresários não pensam na situação da população brasileira.
- Nossa, como você está com uns pensamentos avançados.
- Isso é sociologia ! Maior legal, sociologia.
- É ?
- Eu ia fazer sociologia, sabia ?
- É ? O que é isso ?
- Tem que estudar ciências sociais.
- Ah, e depois vira assistente social ?
- É. Mas eu desisti. Ganha pouco.


No restaurante com o Luis, Eduardo, Rita e Alexandre.
- Eu não conto mais nada para você porque você espalha.
- Mentira, minha boca é um túmulo.
- Você não sabe guardar segredo.
- Se nem você consegue guardar seus segredos, por que eu tenho que guardar ?
- Os amigos são confidentes, a gente tem que desabafar com alguém.
- Se me contar eu guardo segredo até a data de vencimento, depois conto.
- Fofoqueiro
- Não é fofoca, é comentário.
- Ah, tá.

Na rua com o Sérgio.
- Você assistiu Eragon ?
- Assisti.
- O menino é lindo !
- Quantos anos você acha que ele tem ?
- Uns 18 ou 20.
- Ai, que pena. Agora só quero me interessar por homens de mais de 30.

Na rua com o Álvaro .
- Você conhece o Theo ?
- Conheço, ele é um fofo.
- Pois é, uma gracinha.
- Mas cheira como um louco.
- É, um dia um amigo meu  disse que ficou cheirando com ele a noite toda.
- Credo, eu detesto pó.
- É um buraco sem fim.
- Nunca mais quero entrar nessa.

No carro com a Cacá.
- Eu disse para ela que não podia.
- E ela ?
- Ela disse que nós tínhamos que comparecer.
- E você vai ?
- Claro que não, ela só precisa fazer cena.
- Como assim ?
- O Secretário de Cultura vai visitar a TV e o Presidente Marcos Mendonça quer fazer de conta que tá todo mundo trabalhando, então a gente só vai fingir que está gravando para o homem ver.
- Isso é muita sacanagem.
- Cada coisa que acontece naquela Tv.

No carro com Sidney e Cybele.
- Mas ele tá com um humor que não dá para agüentar.
- Acho que ele fica assim quando falta sexo
- Mas ele não tá namorando aquela menina ?
- Disse que tá, mas vai saber.
- Como dizem lá na minha terra : O creme subiu pra cabeça e ele ficou nervoso.

No celular com a Regina.
- Você está em casa ?
- Não estou num churrasco em São Bernardo.
- Já viu as notícias ?
- Não o quê ?
- Abriu uma cratera do metrô perto da sua casa.
- Ai, meu Deus ! Eu sabia que aquele buraco ainda ia dar problema.
- Tem alguém lá na sua casa ?
- Não só a minha cachorra, a Clarinha.Mas a vizinhança está em perigo ?
- Parece que caíram umas casas e as ruas estão interditadas.
- Ai meu Deus do céu, vou ligar a Tv.

Na casa da Ana e do Marcelo.
- Como faz para um casamento durar tanto ?
- Bom só para você ter uma idéia : Eu e ela somos do mesmo signo e do mesmo ascendente. Já começa aí o problema.
- Mas isso não era para não dar certo ?
- Deve ser por isso que deu. Já tá fazendo 20 anos.
- Virgi. Tudo isso ?
- Somando namoro e casamento é.
- Vocês são heróis mesmo.
- Acho que o quê faz durar, é os 2 terem planos para longo prazo que coincidam. Se os planos forem só para curto prazo, não dura.

À tarde, numa exposição conversando com Alexandre.
- Como foi a festa ontem ?
- Foi ótima, a casa tava cheia.
- Você é contratado de lá ?
- Não, nem ganho nada.
- Parece que virou moda as pessoas chamarem a gente para trabalhar de graça.
- Eu morro de raiva, mas às vezes faz parte.
- O Vitor disse que faz parte do neo capitalismo.
- O que é isso ?
- Você tem que dar graças a deus deles ainda te darem trabalho.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h09

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SEJA SEU PRÓPRIO PATRÃO

SEJA SEU PRÓPRIO PATRÃO

Esta é A Oportunidade para você tornar-se seu próprio patrão. Mande seu chefe pentear macaco e peça as contas.
Já pode ir dizendo adeus para horários fixos e ordens sem sentido. Comprando um carrinho de churrasco você poderá: acordar a hora que quiser, trabalhar o dia que estiver a fim e ainda pode escolher sua própria freguesia.
Só um probleminha: é quase impossível conseguir uma licença para vender comida na rua. Então você terá que ficar na clandestinidade, correndo o risco do “Rapa” passar e levar seu carrinho e os suprimentos. Mas se você tem pernas rápidas, isso não será problema. Lembre-se que nosso prefeito aqui de São Paulo, às vezes, chama de vagabundo quem tem um pequeno negócio.
Eu até já fiz uma pesquisa de quanto você pode ganhar. Para 100 espetinhos: 
- 10 kg de carne, R$ 40,00 (no açougue da Av. Celso Garcia, que já vende em cubinhos) miau,
- 100 palitinhos R$ 3,20 em qualquer supermercado,
- 2 pacotes de carvão R$ 8,00 (tente comprar o carvão de eucalipto, que é mais ecológico)
- jornal velho, para iniciar o fogo, assim não gasta com álcool,
- temperos R$ 2,00. Dá para várias vezes,
- a farofa R$ 3,00. Não pode faltar.                
Total R$ 56,20.
Pode vender a R$ 2,00 cada. Faturamento de R$ 200,00 com lucro de R$ 143,80. 
Se você trabalhar 20 dias por mês, vendendo 100 espetinhos por dia seu lucro será de
R$ 2.876,00 - Totalmente livres de impostos.
Dá até para aumentar os ganhos, se você colocar alguém para vender os refrigerantes, mas um conhecido me disse que a maior margem de lucro está na pinga. Essa conta eu vou  deixar para você fazer depois.
* O carrinho custa R$ 600,00, em média, e dá para pagar em 6 vezes no cartão. Também vende na Celso Garcia. Se você for vegetariano, eles também têm carrinhos para tapioca e milho-verde.

Depois que você ficar rico, me convida para um churrasco na laje.

Mas se você é fino, pode usar a receita que minha amiga banqueteira  Rita Atrib  passou.

Espetinhos à Tandoori.

Ingredientes:
 
Marinada
01 copo (200ml) de iogurte
01 cebola média ralada (150g) ralada
02 colheres de sopa de suco de limão
01 colher de sopa de óleo vegetal
01 colher de sopa de gengibre ralado
03 dentes de alho picadinhos
01 colher de sopa de curry
1/2  colher de sopa de sal
1 colher de sopa rasa de colorífico
01 colher de café de pimenta dedo de moça picadinha (opcional)

 
01 kg de peito de frango cortado em cubos (pode ser também carne de carneiro, boi, peixe firme ou camarão).
 
Cubos de pimentão, tomate, cebola (opcional).
 
Modo de preparo:
 
Processe todos os ingredientes da marinada até obter um creme homogêneo.
Experimente e acerte o sal à gosto.
Coloque em um recipiente os cubos de frango, acrescente a marinada, mexa bem, cubra com filme plástico e deixe na geladeira por no mínimo duas horas.
Faça os espetinhos e, se desejar, intercale com cubos de pimentão, tomate e cebola.
 
Rendimento: 6 a 8 espetinhos.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h46

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VOVOZINHA

Minha avó, Maria Costa, tem 93 anos. Meio curvada. Bem magrinha. Anda devagar e vai se segurando pelos móveis. Não usa bengala, porque bengala é coisa de velho.
Mora sozinha, não cozinha mais. Às vezes frita um ovo para comer com pão. Come todos os dias comida de pensão. Reclama que a carne está dura,reclama que veio fria, reclama que atrasaram, reclama se chegam cedo. Tem que ser exatamente ao meio-dia.
As empregadas não param nunca. Ela põe todas para correr, dizendo que comem demais, que roubam, que não trabalham, que são burras e outras coisas piores.
Mora lá em Avaré, desde menina. Minha mãe e minha tia já tentaram trazê-la para São Paulo, mas não quis ficar.
Tem uma memória ótima, conta histórias da infância e da juventude. Só lembra das partes boas da vida de casada. Meu avô era um herói para ela. Casou com 17 anos.
O pai dela era outro herói. Ela sempre diz : “meu pai não era rico, mas era muito querido. E isso que importa !”
Todos os dias ela limpa a casa, lava louça, cuida do jardim, das mexeriqueiras e dos mamoeiros. Vai até a padaria para comprar pão e leite.
Dona Maria já brigou com todo mundo, mas eu sou o neto queridinho.

Escrito por Duilio Ferronato às 23h44

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Duilio Ferronato Duilio Ferronato, 46 anos. É arquiteto.

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